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sábado, 1 de outubro de 2016 | | 2 comentários

Recordar é viver - Eleições 2012

Primeiro debate com os candidatos a prefeito de Limeira em 2012 - TV Jornal:



Segundo debate com os candidatos a prefeito de Limeira em 2012 - TV Jornal:

segunda-feira, 10 de agosto de 2015 | | 0 comentários

Limeira e a história do trabalho

A longa transição da economia brasileira de um modelo escravagista para a abolição criou situações inesperadas aos próprios europeus que, por anos, haviam financiado e lucrado com o tráfico de africanos para as Américas: o surgimento de “escravos brancos” nos cafezais brasileiros.

Documentos dos arquivos diplomáticos suíços obtidos pelo "Estado" revelam que milhares de imigrantes que chegaram ao Brasil para trabalhar nas fazendas de café acabaram se transformando, na opinião de seus governos, em “escravos”. Os casos abriram uma crise diplomática entre a Suíça e o imperador d. Pedro II, além de revoltas em algumas fazendas e a emissão de um decreto no país alpino proibindo os suíços de emigrarem para o Brasil.

A situação, porém, não foi criada apenas pelos fazendeiros brasileiros, mas também pelos governos locais na Suíça, que levaram milhares de pessoas a optar pela emigração como forma de resolver os problemas internos de pobreza que sofriam as regiões rurais do país. Para isso, fizeram empréstimos a idosos, crianças órfãs e até para cegos que, com seu trabalho no “Novo Mundo”, teriam como quitar as dívidas.

O centro da crise foi o sistema de parceria promovido pelo senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro. Diante da decisão do Reino Unido de proibir o comércio de escravos entre a África e a América em 1845, o preço dos escravos africanos explodiu e passou-se a buscar alternativas. Uma delas foi o sistema criado na Fazenda Ibicaba, em Limeira (SP), em que europeus foram convidados a se mudar ao Brasil para trabalhar. Eram os colonos. (...)

Fonte: Jamil Chade, "Nos cafezais paulistas, os 'escravos brancos'", O Estado de S. Paulo, Economia, 10/8/15.

sexta-feira, 26 de junho de 2015 | | 0 comentários

Os primeiros projetos do deputado Miguel Lombardi

O ex-vereador Miguel Lombardi (PR) apresentou seu primeiro projeto de lei como deputado federal. Trata-se da proposta 743/15, que classifica Limeira como Capital Nacional da Jóia Folheada.

Protocolada em 13 de março, foi encaminhada no dia 24 do mesmo mês, pela Mesa Diretora da Cãmara, à Comissão de Cultura. Lá, espera parecer do relator - o cantor e deputado Sérgio Reis (PRB-SP) foi designado para a tarefa.

O projeto de Lombardi desengaveta outro, de mesmo teor, que havia sido apresentado pela então deputada Aline Corrêa (PP-SP) em 31 de outubro de 2012. Como não chegou a ser votada a tempo, a proposta - de número 4647/12 - foi arquivada pela Mesa Diretora em 31 de janeiro deste ano, ao término da legislatura da qual Aline fez parte.

Em abril, Lombardi fez seu segundo projeto -
número 1.189/15. Ele estabelece a obrigatoriedade de casas noturnas e boates publicarem em seus sites o alvará de funcionamento e o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). 

A proposta foi juntada a uma outra, da deputada Nilda Gondim (PMDB-PB), de número 4.923, de 2013, que "dispõe sobre as obrigações que devem ser observadas por proprietários, administradores e responsáveis por boates, casas de shows, bares, restaurantes e estabelecimentos congêneres".

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Fragmentos da história de Limeira

Em 1854, ainda durante o Império, Limeira e Rio Claro passaram a ter autonomia judicial em relação a Piracicaba (então chamada Constituição). Foi quando um decreto do então secretário dos Negócios da Justiça, José Thomaz Nabuco de Araujo, endossado pelo imperador Pedro 2°, deu a ambas um juiz municipal - que também atuaria como juiz de órfãos.

Na época, Limeira tinha apenas 28 anos de fundação e era uma vila (categoria para a qual foi elevada em 1842) - só viria a se tornar cidade em 1863. Naquele período, a figura do juiz representava a dos atuais prefeitos.

DECRETO Nº 1.447 - de 2 de Outubro de 1854 

Separa os Termos de Limeira, e São João do Rio Claro, do de Constituição, na Provincia de São Paulo; crea nelles hum Juiz Municipal, que accumulará as funcções de Juiz de Orphãos, e marca o respectivo ordenado.
 

Ficão reunidos os Termos de Limeira, e São João do Rio Claro, na Provincia de São Paulo, sob a jurisdicção de hum Juiz Municipal e de Orphãos, que terá o ordenado annual de seiscentos mil réis. José Thomaz Nabuco de Araujo, do Meu Conselho, Ministro e Secretario d'Estado dos Negocios da Justiça, assim o tenha entendido e faça executar. Palacio do Rio de Janeiro em dous de Outubro de mil oitocentos cincoenta e quatro trigesimo terceiro da Independencia e do Imperio.
 

Com a Rudrica de Sua Magestade o Imperador.
 

José Thomaz Nabuco de Araujo.

A seguir, as leis que elevaram Limeira à categoria de Vila e posteriormente de cidade:

LEI N. 25, DE 8 DE MARÇO DE 1842* 

O Barão de Mont'Alegre, Presidente etc.
 

Art. 1º - Fica elevada á Villa a Freguezia da Limeira, comprehendendo no seu Termo o Districto da mesma Freguezia, de S. Joaõ do Rio Claro, e de Pirassununga.
 

Art. 2° - O Municipio fica obrigado a construir cadeia e casa de Camara á sua custa, sem auxilio do cofre Provincial.
 

Art. 3º - Ficam revogadas as disposições em contrario.
 

LEI N. 13 DE 18 DE ABRIL DE 1863* 

O Conselheiro Vicente Pires da Motta, Presidente da Provincia de S. Paulo etc. ele etc. Faço saber á todos os seus habitantes que a Assembléa Legislativa Provincial decretou e eu sanccionei a Lei seguinte:
 

Art. 1° - A villa da Limeira fica elevada a cathegoria de cidade.
 

Art. 2° - Ficam revogadas as disposições em contratio.
 

Mando portanto a todas as Auctoridades a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente como n'ella se contem.
 

O Secretario desta Provincia a faça imprimir, publicar e correr. Dada no Palacio do Governo de São Paulo aos desoito dias do mez de Abril de mil oito cento e sessenta e tres.
 

(L. S.) VICENTE PIRES DA MOTTA.
 

Carta de Lei pela qual Vossa Excellencia manda executar o decreto da Assembléa Legislativa Piovincial que houve por bem sanccionar, elevando a villa da Limeira á cathegoria de cidade, como acima se declara.
 

Para Vossa Excellencia vêr
 

Jeronymo Ghirlanda a fez.
 

Publicada na Secretaria do Governo de São Paulo aos desoito dias do mez de Abril de mil oito centos e sessenta e tres.
 

João Carlos da Silva Telles.
 

Registrada a fl. 32 do livro competente. Secretaria do Governo de S. Paulo 18 de Abril de 1863.
 

O 1.° official
 
João Soares.

Ainda em 1854, um outro decreto organizou a Guarda Nacional em Limeira, o que pode ser considerada a primeira força oficial de segurança da cidade:

DECRETO Nº 1.499 - de 23 de Dezembro de 1854 

Dá nova organisação á Guarda Nacional dos Municipios de Mogy-mirim, Limeira, São João do Rio Claro, e Araraquara da Provincia de São Paulo.
 

Attendendo á Proposta do Presidente da Provincia de São Paulo, Hei por bem Decretar o seguinte:
 

Art. 1º - Fica creado nos Municipios de Mogy-mirim, Limeira, São João do Rio Claro, e Araraquara da Provincia de São Paulo, hum commando superior de Guardas Nacionaes, o qual comprehenderá em Mogy-mirim, hum Corpo de Cavallaria de dous Esquadrões, com a designação de terceiro, hum Batalhão de Infantaria de 8 companhias do serviço activo, com a designação de 26º, e 1 Secção de Batalhão de reserva de 3 companhias, com a designação de 10º; em Limeira, 1 Batalhão de Infantaria de 6 companhias do serviço activo, com a designação de 27º, e 1 companhia avulsa de reserva com a designação de 3ª em São João do Rio Claro, 1 Batalhão de 6 companhias do serviço activo, com a designação de 28º, e 1 companhia avulsa, e 1 Secção de companhia de reserva, tendo esta a designação de 2ª, e aquella de 18ª; e em Araraquara, 1 Batalhão de Infantaria de 4 companhias do serviço activo com a designação de 29º, e 1 companhia avulsa da reserva com a designação de 19ª.
 

Art. 2º - Os Corpos terão as suas paradas nos lugares que lhe forem marcados pelo Presidente da Provincia, na fórma da Lei.
 

José Thomaz Nabuco de Araujo, do Meu Conselho, Ministro e Secretario d'Estado dos Negocios da Justiça, assim o tenha entendido e faça executar. Palacio do Rio de Janeiro em vinte e tres de Dezembro de mil oitocentos cincoenta e quatro, trigesimo terceiro da Independencia e do Imperio.
 

Com a Rubrica de Sua Magestade o Imperador.
 

José Thomaz Nabuco de Araujo.

E mal começara a República, Limeira ganhava autorização para exploração de uma central telefônica, conforme estabeleceu o decreto 1.249 de 8 de janeiro de 1891:

DECRETO N. 1249 - DE 8 DE JANEIRO DE 1891 

Confirma a concessão feita pela Intendencia Municipal da cidade da Limeira a Antonio Maria da Silva Gordinho para estabelecer um centro telephonico na mesma cidade e concede-lhes autorização para construir linhas telephonicas para quaesquer pontos daquelle municipio.
 

O Chefe do Governo Provisorio da Republica dos Estados Unidos do Brazil, constituido pelo Exercito e Armada, em nome da Nação, considerando que o centro telephonico estabelecido na cidade da Limeira por Antonio Mariano da Silva Gordinho attende a interesses daquella localidade, resolve confirmar a concessão que lhe foi feita pela respectiva Intendencia Municipal e bem assim conceder-lhe autorização para estabelecer linhas para quaesquer pontos comprehendidos os limites do municipio da referida cidade.
 

O concessionario sujeitar-se-ha ás seguintes clausulas:
 

I - O prazo da concessão é de 15 annos.
 

II - O concessionario pagará ao Estado Federal 10 % da renda bruta da empreza.
 

III - No caso de querer o Governo proceder a resgate, o pagamento será feito em apolices da divida publica que produzam juros equivalentes á receita liquida média annual da empreza nos cinco annos anteriores á data do resgate, ou sómente nos annos anteriores, si o resgate tiver logar antes do primeiro quinquennio.
 

IV - Fica ao Governo o direito de fiscalizar a empreza do modo que entender conveniente.
 

V - A concessão caducará si não forem começadas as obras antes de seis mezes.O Ministro e Secretario de Estado dos Negocios da Instrucção Publica, Correios e Telegraphos assim o faça executar.
 

Palacio do Governo Provisorio, 8 de janeiro de 1891, 3º da Republica.
 

Manoel Deodoro da Fonseca.
 

Benjamin Constant Botelho de Magalhães.

* Estas leis foram oficialmente revogadas em 2007, de acordo com a lei 12.621, durante a revisão da legislação paulista.

** Todas as leis e decretos foram reproduzidos tal como no original.

quinta-feira, 18 de junho de 2015 | | 0 comentários

Quem vai ter coragem de corrigir a história de Limeira?

Vereadores de Florianópolis tiveram a coragem - e a correção - de revisar a história da cidade e mudar, em lei, a data da fundação da famosa ilha. Assim, Floripa comemorou agora 289 anos e, em 2016, vai celebrar 343 anos. Inusitado, mas justo com a história e com as próximas gerações.

Enquanto isto, em Limeira, mesmo após anos de alerta, nenhum vereador se dispôs a corrigir a data da fundação da cidade, que apresenta uma divergência entre o que diz a lei (1824) e o que de fato se comemora (1826). Ora, ou se muda a lei ou muda-se a celebração. Basta ter coragem!


Lei Ordinária 452 de 1964*
 

Art. 1º - Fica instituída a Data da Cidade de Limeira, que será comemorada no dia 15 de setembro de todos os anos, lembrando a fundação da cidade que ocorrera naquele dia, do ano de 1824.
 

Art. 2º - A Prefeitura Municipal elaborará e fará executar, todos os anos, um programa comemorativo e alusivo àquela data.
 

Uma pesquisa no arquivo da Câmara indica “nenhuma alteração realizada” e “nenhuma revogação realizada”. Ou seja, a lei segue em vigor.

Em tempo: esta seria uma tarefa muito nobre para a vereadora Érika Tank, neta do autor das pesquisas que resultaram na lei que estabeleceu o ano de 1824 como sendo o da fundação de Limeira, Lázaro da Costa Tank. 

A mãe de Érika, a falecida vereadora Elza Tank, chegou a fazer projeto mudando a data, mas a proposta nunca foi levada a plenário e adormece no arquivo da Câmara Municipal - talvez até junto da tal lei...

Projeto de lei 348/2009 - Dá nova redação ao art. 1º da Lei nº 452, de 02 de abril de 1956, que instituiu a Data da Cidade de Limeira. 

Trâmite: “Arquivado nos termos do art. 189 do R.I.C.M.L.

* O ano mencionado nos arquivos da Câmara está errado; o correto é 1956.

terça-feira, 2 de junho de 2015 | | 0 comentários

Quem bajulou Marin que explique...

O ditado é antigo: dize-me com quem andas e direi-lhe quem és!

Pois em Limeira, como é praxe, há quem andou bajulando os últimos mandatários do futebol paulista e brasileiro, concedendo prêmios e homenagens e, mais que isto, colocando na mesma foto, lado a lado, o atual prefeito Paulo Hadich (PSB) e gente que sempre fora acusada de atos não republicanos, desde o furto de uma medalha de campeão da Taça São Paulo, passando pela denúncia de jornalistas à ditadura (que resultou inclusive na morte de Vladimir Herzog) até casos de corrupção.

Não pega bem o prefeito aparecer em fotos ao lado de pessoas do naipe de Marco Polo del Nero e José Maria Marin.

Ao mesmo tempo, diz muito de uma cidade ter em seus registros homenagens a figuras de tal naipe - Marin, ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), acaba de ser preso na Suíça em operação do FBI, a polícia federal norte-americana, acusado de corrupção com os negócios do futebol.

Quem prestou tal papel deveria agora vir a público dar suas explicações: afinal, que méritos viu ou vê em tais figuras?

Em tempo: bajular "forasteiros" é típico da terra da laranja. É só lembrar de um ex-empresário, dono de uma revenda de automóveis, que deu um dos maiores golpes da história da cidade e quase foi presidente da Internacional e do Nosso Clube...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015 | | 2 comentários

3 anos após cassação, Félix diz que apostava na absolvição

Em razão do trabalho, fui ao MIS (Museu da Imagem e do Som), na badalada avenida Europa, em São Paulo, no último dia 23 de janeiro. Eram dez horas da noite quando disse o tradicional "É com você no estúdio" com o qual encerro minhas entradas ao vivo no "Jornal da Cultura". Mal me despedi e vi, à direita, uma figura familiar. Os milésimos de segundo que separaram a dúvida da certeza se deveram unicamente à quase impossibilidade de encontrar tal pessoa naquele momento e lugar. Mas estava lá: Silvio Félix da Silva.

O ex-prefeito de Limeira chegara naquele momento, meio perdido, manifestando a intenção de visitar a exposição que celebrou os 20 anos do "Castelo Rá-Tim-Bum", programa infantil exibido com sucesso pela TV Cultura. Disse-me que tinha ouvido que a mostra ficaria aberta de madrugada. Expliquei que isto ocorreria apenas no fim de semana, e não naquela sexta-feira.

Antes, naturalmente, ocorreram tradicionais e educados cumprimentos, com manifesto espanto de parte a parte pela surpresa do encontro. O prefeito cassado explicou que tinha acabado de deixar a Assembleia Legislativa, onde a esposa e ex-primeira-dama Constância dava expediente como futura deputada-tampão. Como primeira suplente do PDT na eleição de 2010, ela assumiu no último dia 1° de fevereiro uma vaga no Parlamento estadual no lugar do então deputado Major Olímpio (PDT) - que tomou posse na Câmara Federal.

Como a posse dos estaduais ocorre apenas em 15 de março, Limeira voltou a ter, mesmo que por apenas 45 dias e de modo meramente protocolar, um representante na Assembleia após 16 anos. "Ela está lá no gabinete dele (Olímpio)", citou Félix.

Foi a deixa para que eu entrasse nos assuntos políticos. Tinha duas curiosidades. A primeira era saber se o prefeito cassado ainda tinha disposição para permanecer na política. Ele não negou de imediato e com a veemência que eu imaginava. "Ainda estou filiado ao PDT", respondeu. A saída pela tangente na prática quis dizer que ele não pensa em "pendurar a chuteira".  

Contudo, Félix foi claro ao dizer que sua prioridade é se defender na Justiça das acusações de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito da família - que levaram à perda de seu mandato na fatídica e tumultuada noite de 24 de fevereiro de 2012. “Minha maior vitória neste momento é na Justiça, não na política”, disse.

Félix contou que acabara de vencer um processo envolvendo a contratação da empresa Prime durante seu governo. Afirmou que há outras ações em que ainda se defende. Para minha surpresa, reconheceu o papel do Ministério Público na avalanche que atingiu sua carreira política e, de modo direto, sua vida. “O Ministério Público fez o papel dele, o meu agora é me defender, é assim que as coisas têm que ser”, comentou.

O ex-prefeito lembrou, num misto de sobriedade e resignação, que está inelegível até 2020 em razão da suspensão dos direitos políticos decorrente da cassação do mandato. Depois disso, resolvidas as pendências judiciais, disse com bastante cautela que pode até pensar em se candidatar a algum cargo. É novo, terá apenas 56 anos quando a punição se encerrar.

Minha segunda curiosidade era a que mais me aguçava. Diante do quadro que se desenhou nos dois dias que durou a sessão de julgamento pela Câmara Municipal, perguntei a Félix se ele realmente acreditava que poderia ser absolvido.

Parêntese necessário: a cassação dependia de dez votos de um total de 14 vereadores, sendo que a base governista, como regra no país, era maioria no Legislativo, embora esfacelada diante do escândalo político que envolveu até a prisão da primeira-dama e dos dois filhos do então prefeito na manhã de 24 de novembro de 2011.

Outro parêntese necessário: a pergunta martelava na minha cabeça por causa da reação de absoluta decepção do então prefeito diante do voto de um dos vereadores – Carlos Rossler, um dos dissidentes da base governista na ocasião. Quinto a votar naquela noite de 24 de fevereiro, Rossler bradou – para delírio da plateia que lotava o auditório da Câmara Municipal – um sonoro e histórico “Não!!!” (que significava sim à cassação). Em tese, Félix ainda teria chances, mas preferiu abandonar o plenário naquele momento, sem esconder seu inconformismo com o que considerou uma traição, tendo deixado de imediato o Legislativo sem esperar o resultado final da votação que lhe tirou o comando da prefeitura.

Não sei exatamente a razão, mas a resposta do ex-prefeito mais uma vez me surpreendeu. “Sim. Eu achava que teria mais dois votos”, falou. Perguntei se ele se referia ao então vereador Antônio Braz do Nascimento, o Piuí, peça-chave na cassação. “Sim, e também o Rossler”, acrescentou.

Comentei com Félix que Rossler havia contado à imprensa na ocasião que, momentos antes da votação, durante breve encontro na sala de reuniões atrás do plenário, ele havia dado ao então prefeito um sinal de positivo. Foi, segundo o então vereador, um “truque” para esvaziar uma eventual pressão que poderia ser feita contra ele – a estratégia parece ter dado certo, já que Félix admitiu que contava com o voto de Rossler.

O ex-prefeito comentou que a posição de Piuí poderia ser compreendida diante de suposta ameaça (ou coação) que teria sido feita por promotores dias antes da sessão de julgamento na Câmara contra o então vereador governista (que havia, inclusive, votado a favor do prefeito na Comissão Processante que antecedeu o julgamento da cassação). “Isto está com o Rodrigo Janot (procurador-geral da República) em Brasília, está sendo investigado”, contou Félix. “Foi você que denunciou?”, perguntei. “Sim”, respondeu o ex-prefeito.

Durante os cerca de 15 minutos do inusitado encontro, houve tempo para comentar a situação de Americana, que também teve o prefeito Diego de Nadai cassado e vive um caos administrativo após nova eleição tampão. Tempo suficiente para Félix, mais uma vez, de modo surpreendente, elogiar o Ministério Público de Limeira. “Se em Americana tivesse os promotores de Limeira não tinha acontecido isso lá”.

***

E como manifestações surpreendentes não faltaram naquela noite no MIS, Félix se despediu dizendo que, "apesar das desavenças", estava muito feliz em me reencontrar...

quinta-feira, 9 de outubro de 2014 | | 0 comentários

Pitacos pós-eleitorais

De Limeira:
- O resultado das urnas mostrou que alguns insistentes candidatos, se tiverem um mínimo de noção, largam mão de aventuras eleitorais. Caso de Kleber Leite (PRB), que não atingiu sequer dez mil votos (9.944 para deputado federal) após números ridículos como candidato a prefeito em 2012;
- Por sorte, a população não se deixa mais enganar por comunicadores popularescos e demagógicos. Casos de Kleber Leite e Thiago Gardinali (PTB, 3.127 votos para deputado estadual);
- Embora o eleito Miguel Lombardi (PR) seja da bancada governista, não é exatamente um dos pilares do grupo do prefeito Paulo Hadich (PSB). Deve-se, portanto, à eleição de Lombardi muito mais ao trabalho dele como vereador (além, é claro, do “efeito Tiririca”);
- Há, portanto, uma (preocupante para o grupo no poder) sinalização de esgotamento do grupo de Hadich – o presidente da Câmara Municipal, Ronei Martins (PT), que há dois anos seria a grande estrela da eleição, conseguiu menos votos dos que o levaram ao Legislativo municipal (11.685 votos para deputado estadual);
- Mesmo derrotado nas urnas por apenas 92 votos de diferença, o ex-vereador Mário Botion (PEN, 38.397 votos para deputado estadual)) sai extremamente fortalecido do pleito. Não poderá ser ignorado na disputa de 2016 – gabaritou-se até para disputar o comando do Executivo;
- Lombardi, agora deputado com 32.080 votos, também será figura importantíssima na eleição municipal;
- Hadich - que teria até pedido votos para um candidato de fora de Limeira - vê seu grupo desidratar-se nas urnas.
Do Brasil:
- Não se sabe afinal onde foi parar o desejo de mudança manifestado nas jornadas de Junho de 2013. Efetivamente, ele não se materializou nas urnas. Uma breve análise dos eleitos apontará a prevalência de figurinhas bastante carimbadas;
- Há que se considerar ainda que parte da renovação envolve nomes ligados (muitas vezes com parentesco) a políticos de carreira. Portanto, fica difícil criticar práticas viciadas se o eleitor escolhe sempre mais do mesmo;
- De resto, as urnas mostraram que estrutura partidária, alianças e tempo de televisão fazem toda a diferença;
- Para o bem e para o mal, a eleição consolidou a polarização que há duas décadas domina a política nacional – PT e PSDB. Para o mal porque será sempre mais do mesmo, deixando a renovação de lado. Para o bem porque efetivamente premia partidos que têm um mínimo de organização, ideologia, quadros políticos e projeto.

* Leia também:


- Sinais e ruídos


* Desafio aos candidatos: convencer quem votou branco ou nulo:


quarta-feira, 28 de maio de 2014 | | 0 comentários

Luzes da cidade

Flashes da noite limeirenses:



quinta-feira, 10 de abril de 2014 | | 0 comentários

Palavras traiçoeiras

Algumas vezes, as palavras dizem mais do que se pensa - ou se pretende. Elas traem. O noticiário desta quinta-feira (10/4/14) traz bons exemplos:

- “Não dá mais para ter desculpa porque a máquina agora está do jeito que a gente quer.”
Mauro Zeuri, agora secretário de Gestão Estratégica (antes Governo e Desenvolvimento) da Prefeitura de Limeira, em reportagem da “Gazeta de Limeira”

Taí o que dá falar sem pensar. A manifestação de Zeuri parte de dois pressupostos que o governo Paulo Hadich (PSB), do qual o secretário faz parte, tanto critica quando citados pela imprensa.

Ao dizer que “não dá mais para ter desculpa”, Zeuri deixa claro: 1) que antes dava-se desculpa pela ineficiência da máquina administrativa; e 2) havia ineficiência na máquina administrativa – e continua havendo, só não será mais possível dar desculpa, embora a previsão seja que o serviço melhore em razão das mudanças feitas na administração.

Hadich e seus asseclas, principalmente aqueles que gostam de perseguir a mídia, não tem do que reclamar se o próprio secretário – peça-chave no governo – admite uma coisa dessas.

Ô frase infeliz!

- “Poderíamos estar melhor, e a Dilma vai ter que dizer como é que a gente vai melhorar.”
Do ex-presidente Lula, em entrevista a um grupo de blogueiros amigos

"Se o próprio Lula diz que 'poderíamos estar melhor', é porque estamos bem mal. E ele apontou a culpada - que tem de se explicar, ou a coisa vai ficar feia para o lado dela (a sucessora dele, a presidente Dima Rousseff)."
(Fonte: Eliane Cantanhêde, “Lula no palanque”, Folha de S. Paulo, Opinião, 10/4/14, p. 2.)

- “Temos que retomar com muita força essa questão da regulação dos meios de comunicação do país. (...) Queremos uma coisa mais digna, mais respeitosa. Quando vejo o tratamento a Dilma, é de falta de respeito e de compromisso com a verdade.”
Do ex-presidente Lula, em entrevista a um grupo de blogueiros amigos

"De onde se vê que, ao contrário das alegações formais, se trata realmente do controle de conteúdo. Com a 'regulagem' defendida pelo PT o Estado daria as balizas do tratamento considerado respeitoso em relação a autoridades, bem como firmaria os termos da verdade para com a qual os meios de comunicação estariam compromissados."
(Fonte: Dora Kramer, “Sem palavras”, O Estado de S. Paulo, Política, 10/4/14, p. A6.)

Nos dois casos de Lula, só não dá para dizer: “Ô língua solta” porque não se pode crer que o ex-presidente cometeu equívoco. Lula só fala de caso pensado.

- “Ela (inflação) subiu agora, acho que está no máximo, e a partir do próximo mês já ficará um pouco menor, depois, em maio, vem menor ainda e, em junho, menor ainda. Então ela é passageira."
Guido Mantega, ministro da Fazenda, em entrevista à imprensa

Neste caso, nem é preciso se alongar no comentário. A realidade nega o que diz o ministro. Aliás, tem alguém mais sem credibilidade em suas previsões econômicas do que Mantega? Faz quatro anos que ele fala que a inflação vai baixar e o PIB (Produto Interno Bruto) vai subir...

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014 | | 0 comentários

Limeira é campeã estadual em furtos de veículos

Em 2011, mais precisamente no dia 27 de junho, postei neste blog um balanço sobre a criminalidade na região. A conclusão não deixava margem para dúvidas: “(...) nos crimes patrimoniais (exceto veículos), Limeira é a que apresenta os maiores índices disparadamente”.

Em 28 de agosto de 2012, registrei – uma conclusão subjetiva, embora embasada em dados mais do que objetivos – que a política de segurança e a polícia tinham fracassado em Limeira.

Em 27 de setembro de 2013, praticamente um ano depois, fiz um novo levantamento de dados da criminalidade e constatei que “roubos e furtos só crescem em Limeira”. Na ocasião, perguntei: “até quando?”.

Enviei o texto, em tom de cobrança, aos 21 vereadores de Limeira. Até hoje não recebi NENHUMA resposta ou comentário.

Ao abrir a “Folha de S. Paulo” desta quarta-feira (19/2/14), vejo que Limeira é a campeã estadual (lembre-se: são 645 cidades em São Paulo) em furtos de veículos.

Nada diferente do que eu já vinha apontando há mais de dois anos.

Infelizmente, nenhuma autoridade em Limeira parece se importar com a questão. Quando muito, há uma ação pontual aqui e outra acolá, sempre descoordenadas e desprovidas de qualquer planejamento de médio e longo prazos.

Não se ouve nenhuma voz se erguer na Câmara Municipal, tampouco no Executivo (isto porque o atual prefeito é delegado de carreira).

Sabe-se que segurança é um dever do Estado, mas sequer há notícia de cobrança de investimentos e melhorias por parte de autoridades limeirenses.

Registre-se que a chamada sociedade organizada também tem se calado.

Todos assistindo, como também já registrei neste blog, passivamente a escalada de violência.

Como diria o narrador esportivo Milton Leite: “Que fase!!!”

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014 | | 0 comentários

As batalhas perdidas de Haddad e Hadich

O ex-presidente Lula disse há dois meses, segundo reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo”, que o prefeito Fernando Haddad (PT) perdeu a batalha da política e da comunicação na gestão à frente da prefeitura paulistana.

Pode-se dizer, sem medo de errar, que o mesmo ocorreu em Limeira com o governo Paulo Hadich (PSB).

E às vezes quando se perde a batalha da política e da comunicação, quem perde de fato não é o governante, é a cidade e, em última análise, a sociedade.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014 | | 0 comentários

Ainda a TV Cultura: audiência e preconceito

Não pretendia voltar ao tema da TV Cultura, já que considerei suficientes os argumentos apresentados no texto postado neste blog e publicado no “Jornal de Limeira” no último dia 25 de dezembro, mas creio ser pertinente abordar outros dois aspectos que vez ou outra (ainda) são mencionados.

O primeiro deles é a questão da audiência. Ouvi, com certa tristeza, de um assessor do prefeito Paulo Hadich (PSB) e depois li uma fala do próprio chefe do Executivo, numa entrevista ao jornal “Gazeta de Limeira”, que a TV Cultura não tem audiência significativa em Limeira.

Isto é fato – não só em Limeira, aliás. O que se coloca, porém, é a lógica por trás deste tipo de argumento. Disse ao assessor de Hadich que se há um governo que não tem direito (repito, em letras garrafais, NÃO TEM DIREITO) de recorrer ao argumento da audiência é o atual.

É lamentável que o chefe do Executivo de uma administração supostamente de viés esquerdista, de caráter supostamente social e progressista, encabeçada por dois partidos que historicamente lutaram por causas de interesse popular, como PSB e PT, caia na armadilha de saudar as regras do mercado (no caso, da audiência) para justificar uma medida lamentável sob todos os aspectos e injustificável sob qualquer parâmetro.

Para quem não entendeu, vou repetir: este ponto de vista foi apresentado por mim direta e pessoalmente a um assessor de Hadich. Gostaria de fazê-lo diretamente ao prefeito, mas creio que ele possa ter recebido o recado.

Esta semana, ao elaborar uma série especial que irá ao ar em breve, entrevistei a jornalista e pesquisadora Teresa Otondo. Argentina de nascimento, mudou-se para o Brasil aos dois anos de idade. Trabalhou nos primórdios do “Jornal da Tarde”, que revolucionou a imprensa escrita brasileira, e depois em “O Estado de S. Paulo” e “TV Cultura”, onde implantou com sucesso um setor de relações internacionais.

Já na academia, fez seu doutorado tendo como tema de pesquisa a TV pública. Disso resultou o livro “TV Pública – para quem e para quê?”. Na entrevista, ela foi enfática em dizer que um dos principais diferenciais de uma televisão de caráter público é justamente que sua programação “não se mede pelo denominador comum” das massas.

Ou seja: não se deve medir pelas amarras da audiência (no Brasil representada pelo Ibope).

Uma emissora que visa prestar um serviço público não pode ter como parâmetro ou referência os números do Ibope, o que não significa que não busque ampliar sua audiência.

Daí, portanto, ser lamentável (e diria até incabível) o argumento de Hadich, a não ser que ele admita que seu governo não se importa com qualidade e sim com quem é mais sucedido comercialmente.

O segundo ponto que considero importante manifestar envolve um preconceito extremo que se esconde por trás do argumento de que quem assiste à TV Cultura tem acesso à TV por assinatura.

Sou prova de que isto não é verdade. Dia desses, estava parado no trânsito na Avenida do Estado, em São Paulo, num trecho já bem na periferia, quando uma vendedora ambulante, ao ver o carro da TV Cultura, fez uma brincadeira referindo-se a um outro vendedor que ofertava bonecos do “Cocoricó”, famoso programa infantil da emissora.

Diante do comentário a respeito dos personagens “Júlio” e “Alípio”, a vendedora emendou: “ah, mas eu gosto mesmo é da Lola”.

Trata-se de uma telespectadora que certamente não dispõe de TV por assinatura. E não é manifestação isolada. Em Limeira, ouvi de um senhor humilde um comentário a respeito dos programas “Viola, Minha Viola”, de Inezita Barroso, e “Sr. Brasil”, de Rolando Boldrin. Também ouvi uma mulher de trajes humildes, moradora da periferia, sem TV por assinatura, comentar a respeito da entrevista da ex-senadora e ex-ministra Marina Silva ao programa “Roda Vida”.

Comentários semelhantes ouvi esta semana em Bragança Paulista, de pessoas também humildes.

De modo que só posso considerar preconceituosa a visão que pretende ligar o gosto pela programação da TV Cultura a uma suposta elite.

E ainda que isto fosse verdade, caberia a pergunta: mas o povo não tem direito a ter acesso a uma programação alternativa e de qualidade comprovada por premiações em nível nacional e internacional?

Em tempo: a Cultura ficou em segundo lugar numa pesquisa encomendada pela BBC – emissora referência em TV pública no mundo – sobre a qualidade da programação em 14 países. Foram consultadas 23 emissoras públicas e 43 comerciais, seis delas brasileiras. À frente da Cultura (com 76% de indicação), apenas a BBC One, de Londres (79%).

PS: seria mais digno e condizente com o que prega Hadich explicar os verdadeiros interesses que motivaram todo o imbróglio a respeito da TV Cultura em Limeira. Ele e eu sabemos que não é exatamente o que vem sendo colocado publicamente até agora.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013 | | 0 comentários

Cidade provinciana (?!)

Programas como “Castelo Rá-Tim-Bum”, “Ilha Rá-Tim-Bum”, “Cocoricó” e mais recentemente “Quintal da Cultura” fizeram e fazem sucesso junto ao público infantil, ganharam prêmios nacionais e internacionais e deram à TV Cultura o selo de melhor emissora com programação infantil no país, mas minhas lembranças são um pouco mais antigas. Não, não assisti ao histórico “Vila Sésamo”, sou do tempo do “Bambalalão” (era fã da Gigi).

Depois veio “Munda da Lua” (alô Lucas Silva e Silva!). “Confissões de Adolescente” não vi, preferia mesmo “Mundos Incríveis”, ambos marcaram época – e gerações. Adorava e continuo apreciando o “Repórter Eco”, um dos pioneiros na TV em abordar um tema recorrente hoje em dia, ecologia e sustentabilidade. O “Roda Viva” era – e é – imperdível (lembro de uma entrevista do Sebastião Salgado). Ao “Matéria Prima” assistia com meu irmão, programa comandado por um tal Serginho Groisman (“Fala garoto!”). E a garotada falava livre e democraticamente.

Sonhando ser jornalista, desde pequeno curtia o “Vitrine”, com os bastidores da mídia. O “Grandes Momentos do Esporte” me apresentou nomes e momentos que eu só pude ver pela TV. Pela TV Cultura. Também acompanhava sempre o “60 Minutos”, um telejornal diferente, esteticamente bem acabado, leve e informativo na medida certa, que trazia uma novidade para a época, a figura do vídeo-repórter, hoje comum.

Sem falar no Campeonato Alemão, que começou por lá e revolucionou as transmissões esportivas com as supercâmeras, bem como o “Cartão Verde”, que introduziu nomes hoje consagrados no telejornalismo esportivo – eu vibrava com a conhecida “ranzinzice” do José Trajano.

Tal como eu, creio que milhares de limeirenses cresceram assistindo à TV Cultura. Uma emissora pública, mantida pelos impostos dos paulistas – os de Limeira incluídos. Infelizmente, por uma decisão unilateral da prefeitura, os limeirenses irão pagar para não ver. O governo Paulo Hadich (PSB), como já amplamente divulgado, decidiu tirar o sinal da Cultura para cedê-lo à TV Opinião, de Araras.

Desde já quero registrar que não tenho nenhuma oposição à tal TV ararense. Na democracia, todas as vozes devem ter espaço, ainda mais na mídia televisiva, uma concessão estatal. Não posso, contudo, deixar de engrossar o coro daqueles que lamentaram a infeliz decisão do governo Hadich de tirar o sinal da Cultura.

Não quero nem vou entrar no mérito da avaliação do governo. Até porque há alguns meses estou distante da cidade e tampouco este é o propósito deste artigo. Quero apenas manifestar o que senti e ouvi diante de tal decisão. Deixo claro que escrevo como cidadão. Embora atue como repórter da TV Cultura (com orgulho!), a decisão da prefeitura em nada afeta meu trabalho, visto que a emissora historicamente nunca se pautou pelas amarras do Ibope (e ainda que o fizesse, a medição da audiência não ocorre em Limeira).

Portanto, sinto-me livre para considerar um despropósito inexplicável a decisão de Hadich. Não há motivo técnico que justifique a exclusão de uma emissora com reconhecida programação de qualidade em detrimento do que quer que seja. No pouco tempo em que estou na Cultura, a emissora foi indicada ao Emmy Kids Award 2013 (o Oscar da TV na área infantil) com a série “Pedro & Bianca” e acaba de ganhar mais um prêmio pelo “Repórter Eco” como melhor programa nacional de meio ambiente.

Não sei qual seria a alternativa para abrigar eventualmente novos canais, mas alguma há de existir que não simplesmente a exclusão da Cultura – decisão tomada sem nenhuma discussão com a sociedade, o que não combina com um governo que se pretende transparente e democrático.

Como limeirense que nasceu nesta terra e sente orgulho de carregar o nome da cidade por onde vai (inclusive na TV Cultura), senti-me triste ao ouvir o comentário feito por uma colega de redação após saber da decisão do governo Hadich: “Coisa de cidade provinciana...”. Tive que calar-me. Não queria que minha cidade fosse vista deste modo, mas não há como ser diferente.

Conhecendo o prefeito Hadich, quero crer que tal decisão não tenha passado de um deslize, um desatino. Não creio que o prefeito jogaria no lixo o que lhe restava de popularidade neste primeiro ano de administração - embora tema que este governo possa ter caído na mesma armadilha de tantos outros, a de sobrepor questões políticas ao interesse comum. Falo isto porque sei, de bastidor e fonte segura, há pelo menos dois meses, da intenção da prefeitura de trocar o sinal da Cultura pelo da TV Opinião.

Corrobora tal sensação o fato da TV Opinião não ser conhecida especificamente por sua programação de qualidade, educativa e/ou voltada aos interesses limeirenses. Como também temo haver por trás da intenção desta emissora outras questões além da meramente midiática. Isto tudo somado, chego perto de me decepcionar com o governo. Não simplesmente pela exclusão da Cultura (um fato que seria por si só lamentável), mas por ter fortes indícios do que esconde esta decisão, algo que jogaria Hadich na vala dos comuns, dos políticos comuns (algo que definitivamente não é o que se esperava dele).

Escrevo estas linhas com dor no coração e com a tranquilidade e liberdade de quem falaria (se tivesse a oportunidade) tudo isto diretamente ao prefeito, como o fiz algumas outras vezes sobre outros assuntos, já que sempre pautei minha relação com ele pelo mais estrito respeito e consideração.

Até por isto, ainda espero que Hadich possa refletir melhor, reconhecer o erro e recuar. A humildade é marca dos fortes.

* Artigo enviado para publicação no "Jornal de Limeira"

domingo, 6 de outubro de 2013 | | 0 comentários

É hora de parar de reclamar

Estive na audiência pública promovida pela Prefeitura de Limeira a respeito das metas para a gestão Paulo Hadich (PSB) entre 2013-16. Foi na última segunda-feira (30/9), no Teatro Nair Belo, no Parque da Cidade. Quarenta pessoas participaram - a ampla maioria servidores municipais, incluindo oito secretários. O prefeito não compareceu.

Não vou tratar das metas neste momento, gostaria apenas de fazer um comentário: já está ficando chato ouvir membros do alto escalão reclamarem da "herança maldita" recebida de governos anteriores.

Quando os quatro postulantes ao Executivo - além de Hadich, o empresário Lusenrique Quintal (PSD), o advogado e ex-vereador Eliseu Daniel dos Santos (DEM) e o empresário e comunicador Kleber Leite (então no PTB) - se apresentaram na campanha de 2012 para comandar a cidade sabiam o tamanho do desafio que teriam pela frente.

Os quatro sabiam que a cidade vivia uma fase de transição após a maior crise política de sua história recente, com a cassação do então prefeito Silvio Félix (PDT). Sabiam dos desmandos - tanto que apontaram vários problemas durante a campanha.

Agora já deu! Ouvir nos primeiros meses de governo que a situação é complicada é até compreensível e aceitável, mas no décimo mês continuar ouvindo a mesma ladainha já cansou. Chega! É hora de arregaçar as mangas e focar mais nas soluções possíveis do que nos problemas existentes.

Não que o desafio seja pequeno, muito pelo contrário. Mas ficar a todo momento, a cada audiência, reclamando, reclamando e reclamando e dizendo que "outros poderiam ter feito...", "se outros tivessem feito..." não vai levar a nada.

Afinal, quando se candidatou, Hadich sabia exatamente o que os "outros não tinham feito...". Foi para isso que ele se apresentou como candidato ao Executivo.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013 | | 0 comentários

Uma cidade sem lideranças

“É uma vergonha para Limeira.”

Assim reagiu um amigo, sem nenhum envolvimento político-partidário, trabalhador comum, vigia noturno, a respeito da confirmação da instalação de uma unidade da Mercedes-Benz em Iracemápolis.

Um outro amigo, mais ligado à área política, embora não atuante, perguntou-me: “E aí, qual a repercussão da Mercedes?”

Respondi com a frase do amigo vigia.

Por mais que pareça simplista, a frase desse meu amigo resume muito do sentimento do limeirense comum: o de quem se sente abandonado.

Limeira, há tempos, carece de líderes.

Tomemos a história recente do município. Nos últimos 20 anos, seis prefeitos comandaram a cidade: Jurandyr Paixão, Pedro Kühl, José Carlos Pejon, Silvio Félix, Orlando Zovico e agora Paulo Hadich.

Nenhum deles foi o líder que os limeirenses esperam.

Paixão era o que mais possuía características de liderança, mas fez um mandato (1993-96) desgastado, sem grandes realizações, envolto em polêmicas – como a concessão do sistema de água e esgoto. Deixou a prefeitura com um alto índice de rejeição e de forma um tanto melancólica para quem fora deputado federal e ditara os rumos políticos da cidade por quase quatro décadas.

Kühl assumiu com respaldo popular e apoio do empresariado por sua ligação com a Associação Comercial e Industrial (Acil) e a maçonaria. Fez, porém, um governo tímido e, embora tenha ensaiado assumir voos mais altos (foi candidato a deputado federal) e vivesse manifestando sua amizade com o então governador Mário Covas (PSDB), nunca conseguiu se impor politicamente além das fronteiras limeirenses nem sequer dar à cidade um papel relevante no Estado e no país.

Pejon fez um “meio governo” (assumiu após a renúncia de Kühl e ficou pouco mais de dois anos no cargo). Tentou deixar algumas marcas, como a compra do Edifício Prada para sediar a prefeitura, mas passou longe de colocar a cidade no mapa político do Estado e do país, por mais que tenha tentado se aproximar da cúpula do PSDB estadual.

Félix, tal como Paixão, exibia traços de liderança, mas a soberba e a ambição desmesurada impediram que alçasse voos. Era mal visto no governo estadual por críticas que fazia à gestão Geraldo Alckmin (PSDB). Um deputado disse certa vez que dava vergonha agendar audiências do então prefeito com secretários estaduais porque, ao invés da necessária humildade para quem vai passar o chapéu, Félix costumava querer saber mais que o anfitrião.

Tinha certa influência junto à liderança do PDT (leia-se o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, hoje no Solidariedade), mas viu sua carreira política afundar diante do escândalo de corrupção que atingiu seu governo. Acabou melancolicamente cassado.

Zovico mal teve tempo para ser prefeito (comandou a cidade por dez meses após a cassação de Félix).

Hadich assumiu há pouco. Tem perfil de liderança, comandou entidades e conseguiu arregimentar forças para sair candidato a prefeito – e vencer. O seu modo de governar, porém, impede que se destaque. Adota uma postura retraída, silenciosa, não consegue transmitir à população a imagem de um comandante (e, queira ou não, o prefeito é um comandante).

Independentemente do perfil, porém, o fato é que nenhum dos chefes do Executivo – nem qualquer outra liderança política – conseguiu dar a Limeira um papel mais relevante no contexto estadual e federal, para fazer jus à posição da cidade como uma das principais economias de São Paulo.

É certo que uma conquista como a Mercedes passa muito além da figura do prefeito. Diria até que, entre tantos fatores relevantes (como a oferta de mão-de-obra), o aspecto político é secundário. O que não significa que não seja importante.

Valmir de Almeida (PT), prefeito de Iracemápolis, não é responsável direto e maior pela atração da nova empresa. Mas é também responsável e, naturalmente, colherá os frutos políticos.

Está, como Hadich, no início de gestão. Mais do que Hadich, contudo, “comprou a briga” quando a cidade se viu ameaçada de perder a empresa ao cobrar publicamente o Sindicato dos Metalúrgicos – que ameaçava melar a negociação entre prefeitura e Mercedes.

E que fique claro: ao tratar da falta de lideranças em Limeira, não falo apenas do chefe do Executivo.

Neste episódio da Mercedes, o que mais chama a atenção é o silêncio generalizado: o cidadão comum entende que “é uma vergonha para Limeira” e não se vê praticamente ninguém indignar-se.

Onde foi parar a capacidade de indignação? Onde estão os líderes da oposição? E os ex-prefeitos? O que disse a respeito o presidente da Acil? E do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo)? Que plano estas e outras entidades, mais o Poder Público, têm para que a cidade deixe de ser coadjuvante e assuma um papel de protagonista na região?

O que disseram os vereadores? E os secretários municipais? E o empresariado em geral? E a imprensa?

Ou então acharemos eternamente normal Limeira assistir à instalação de megaempresas ao seu redor (Hyundai em Piracicaba, Honda em Sumaré e Itirapina, Toyota em Indaiatuba, além da Mercedes em Iracemápolis, só para ficar nas montadoras de veículos) sem que a cidade se coloque como alternativa viável para receber estas e outras multinacionais – papel que já desempenhara no passado?

Será que vamos ter que reclamar ao bispo...?

segunda-feira, 30 de setembro de 2013 | | 0 comentários

Iracemápolis completa uma história inacabada em Limeira

Então Iracemápolis vai mesmo receber uma unidade da Mercedes-Benz.

Excelente notícia!

Iracemápolis, assim, fecha um ciclo que começou em Limeira muitas décadas atrás.

Muita gente não sabe, mas o jardim Mercedes - na região do antigo zoológico de Limeira, hoje praticamente uma extensão do centro - tem este nome justamente em razão da montadora alemã. A empresa tinha adquirido aquela área em Limeira bem como a antiga Machina S. Paulo com a intenção de instalar uma fábrica na cidade. 

Não sei exatamente por qual motivo, mas o fato é que o projeto não foi adiante. Tempos depois, a prefeitura decidiu lotear a área da empresa. Houve uma negociação direta entre a Mercedes e o então prefeito Paulo D´Andréa - que chegou a receber de presente da montadora um belo relógio de parede, segundo me contou na sua última entrevista. Por ética, ele cogitou recusar o presente.

A Mercedes topou vender a área com a condição de que o loteamento levasse o nome da empresa.

A Machina S. Paulo foi vendida muitos anos depois.

E Limeira nunca recebeu uma unidade da montadora alemã - uma das marcas mais conceituadas de veículos do mundo.

Coisa que Iracemápolis agora consegue. 

É inevitável citar: Piracicaba com a Hyundai, Sumaré e Itirapina com a Honda, Indaiatuba com a Toyota e agora Iracemápolis com a Mercedes. E Limeira...? De protagonista vai assumindo o papel de coadjuvante...

Limeira ficou sem nada porque faltou-lhe política e políticos.

Em tempo: para não dizer que Limeira ficou sem nada, a cidade recebeu empresas satélites das montadoras, ou seja, algumas fornecedoras de autopeças.

Complemento postado em 1/10 - O investimento da Mercedes em Iracemápolis chegará a 170 milhões de euros (cerca de R$ 510 milhões na cotação de hoje). Um valor que Limeira provavelmente não atingirá em dois anos (se não levar mais...).

sexta-feira, 27 de setembro de 2013 | | 1 comentários

Roubos e furtos só crescem em Limeira - até quando?

Disparadamente, os crimes patrimoniais em Limeira são o maior desafio para as autoridades no que diz respeito à (in)segurança e provavelmente a maior preocupação dos limeirenses nessa área.

A média mensal de furtos e roubos no município cresceu nos oito primeiros meses deste ano em relação a 2012 e caminha para um novo recorde anual. O aumento varia de 7,7% a 29,5% dependendo do tipo de crime - em qualquer dos cenários, porcentuais muito superiores ao crescimento da população no mesmo período.

De janeiro a agosto, a cidade registrou – conforme as estatísticas oficiais da Secretaria Estadual de Segurança Pública – 983 casos de roubo e 405 roubos de veículos. Isto resulta numa média mensal de 123 e 50 ocorrências, respectivamente.

No ano passado, em média, foram 103 roubos por mês e 47 roubos de veículos.

O cenário é igual no caso dos furtos. A média mensal de ocorrências este ano é de 294, ante 271 no ano passado. Em relação aos furtos de veículos, a média subiu de 110 por mês em 2012 para 142 este ano.

Considerando especificamente os casos envolvendo veículos, a comparação com 2011 torna os dados ainda mais alarmantes. A média de furtos foi de 97 por mês e a de roubos, 32.

Não se sabe se há uma relação direta entre um crime e outro, mas os casos de tráfico de entorpecente também vêm crescendo em Limeira. Sabe-se que as drogas são a raiz de grande parte (provavelmente a maior parte) das ocorrências policiais atualmente, de pequenos furtos a assassinatos.

Diante da escalada dos casos ano a ano e a já provada (diante dos números) ineficiência e incapacidade do Estado (leia-se todas as forças e o sistema de segurança em geral) de mudar esta realidade, lembro da sugestão do administrador de empresas limeirense Celso Leite.

Certa vez, em artigo para o “Jornal de Limeira”, ao tratar das eleições, Leite fez a seguinte proposta: os candidatos eleitos seriam avaliados pelo resultado matemático de seus governos.

Metas seriam fixadas para várias áreas (como as notas nos exames da educação, as taxas de saúde e a redução da criminalidade). Se após quatro anos as metas fossem atingidas, eles poderiam ser candidatos à reeleição; se não fossem, estariam impedidos de pleitear um novo mandato.

A questão é: qual governante toparia este desafio?

***

Independentemente de metas, os números estão aí (por força de lei e da pressão social, os dados dos governos estão cada vez mais à disposição da sociedade). Cabe a cada cidadão fiscalizar seu governante e, na hora do voto, dar a ele um novo mandato ou não. Começando em 2014, quando haverá eleições para presidente e governador.

***

Este é o lado meramente estatístico do problema.

No mundo real, os limeirenses têm a renda prejudicada por seguros de carro e imóvel cada vez mais altos em razão do risco elevado de furtos e roubos; trabalhadores e aposentadores ficam no prejuízo ao perderem bens que muitas vezes lutaram a vida toda para comprar; pais se veem temporariamente impossibilitados de garantir o sustento da família (muitos têm furtada/roubada a moto usada como meio de trabalho, ficando sem o bem e tendo que pagar as prestações, o que configura um duplo prejuízo), só para citar alguns casos.

***

Minha dúvida é: até quando assistiremos passivamente ao aumento anual desses índices? Não vejo ninguém discutindo o assunto nem cobrando as autoridades com firmeza em Limeira.

O combate à criminalidade exige medidas de curto e médio prazos. O discurso de que é preciso investir no social, embora correto, não é suficiente.

Mudar a realidade de bairros carentes, inverter prioridades, integrar a comunidade, investir no social, recuperar bens públicos, melhorar a educação, combater o uso das drogas, tudo isto é importante e necessário, mas só poderá mudar a atual realidade a médio prazo.

De imediato, é preciso prender as quadrilhas (o que exige esforço de investigação e inteligência), combater os desmanches clandestinos (é o mercado ilegal de peças que movimenta os roubos e furtos de veículos) e parar de tratar pequenos furtos como “apenas mais um caso”.

Ou seja: é preciso agir!

Segurança é um dever do Estado, mas não só dele. Nas circunstâncias atuais, se as três esferas de governo – municipal, estadual e federal – não unirem forças, nada mudará.

Infelizmente, o que se vê hoje é uma completa falta de integração e de planejamento conjunto dos governos em geral.

Assim, os criminosos seguirão vencendo o jogo. De goleada...

Em tempo: esta postagem foi enviada aos 21 vereadores de Limeira, por e-mail.

CRIMINALIDADE EM LIMEIRA

Furtos em geral
2012 – 3.258 (média de 271 por mês)
2013* - 2.355 (média de 294 por mês)
Alta de 8,5%

Furtos de veículos
2011 – 1.172 (média de 97 por mês)
2012 – 1.321 (média de 110 por mês)
2013* – 1.140 (média de 142 por mês)
Alta de 29,5%

Roubos em geral
2012 – 1.239 (média de 103 por mês)
2013* - 983 (média de 123 por mês)
Alta de 19,4%

Roubos de veículos
2011 – 392 (média de 32 por mês)
2012 – 564 (média de 47 por mês)
2013* – 405 (média de 50 por mês)
Alta de 7,7%

Tráfico de entorpecentes
2011 – 543 (média de 45 por mês)
2012 – 642 (média de 53,5 por mês)
2013* – 480 (média de 60 por mês)
Alta de 12%

* Até agosto

Fonte: SSP