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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014 | | 0 comentários

Frase

“Não se iludam. Isso que acontece na Petrobras acontece no Brasil inteiro. Em ferrovias, portos, aeroportos. Tudo. Acontece no Brasil inteiro.”
Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, um dos principais delatores dos esquemas de corrupção na estatal, em depoimento à CPI do Congresso

segunda-feira, 17 de novembro de 2014 | | 0 comentários

Era Dilma 2: futuro incerto

O prognóstico foi feito neste blog um dia antes do segundo turno.

Com menos de um mês pós-eleição, ele começa a se desenhar.

No campo econômico, a reeleita Dilma Rousseff (PT) enfrenta um desafio sem tamanho: em uma semana ela viu sua equipe adotar medidas duras que atribuía ao adversário, como o aumento dos juros e do preço dos combustíveis, sem contar a manobra para esconder o rombo nas contas públicas.

Considere-se ainda um ministro da Fazenda demitido há dois meses, em plena campanha, mas que segue no cargo. E um futuro ministro que mostra-se cada vez mais incerto, já que as sondagens presidenciais não têm encontrado eco diante do pouco espaço que o caráter de Dilma costuma conferir aos seus auxiliares.

Some-se ainda a artilharia da senadora petista Marta Suplicy, que deixou o Ministério da Cultura criticando a política econômica de Dilma e a falta de credibilidade do governo.

Na política, a presidente enfrenta desafios tão ou mais delicados. Na Câmara Federal, vê seu inimigo Eduardo Cunha (RJ), do “aliado” PMDB, assumir a dianteira na disputa pela presidência da Casa.

No ministério, críticas públicas de Marta e do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho – ambos lulistas de carteirinha.

A esquerda petista (sim, ainda existe esquerda no PT) também fez uma cobrança pública em carta aberta a Dilma, Lula e ao comando do partido:

Vencemos a batalha eleitoral pela reeleição da presidência da república, mas é evidente que as massas trabalhadoras e a juventude sancionaram severamente nosso partido nas urnas. (...) 
 Apesar de todos os erros do nosso partido e do Governo, a classe trabalhadora deu mais uma chance ao PT. Mas, um partido que ganha a eleição e perde nos centros políticos e econômicos do país está fadado ao fracasso. Para reverter este processo é preciso parar com a agitação sobre uma suposta constituinte e reforma política, que é uma forma de contornar os problemas concretos atuais e remeter sua resolução para um futuro nebuloso, e finalmente não levará a nada. Sem esperar mais, já, imediatamente, é preciso retomar a iniciativa política governando para as massas e atendendo às suas reivindicações (...).

A fatura eleitoral começa a ser cobrada (vem aí Gilberto Kassab como ministro...).

E tem ainda o escândalo da Petrobras a rondar o Planalto.

O que vai ser daqui pra frente é incerto, daí ser prematura qualquer previsão a respeito do futuro de Dilma.

Um fato, porém, é inegável: nenhum presidente (nem Fernando Collor) assumiu o mandato num clima tão desfavorável como Dilma fará a partir de 1° de janeiro.

***

Conforme a carruagem andar, a reeleição de Dilma poderá decretar o fim do PT. Se não oficialmente, ao menos em razão do desempenho nas urnas - hipótese apresentada pelo jornalista Igor Gielow em coluna na “Folha de S. Paulo”:

(...) O escândalo da Petrobras ameaça a todos, mas só um partido corre risco existencial com ele: o PT. 
 Em seus governos, o partido colocou a estatal no topo da agenda; fez controle inflacionário ao represar reajustes de combustível, enquanto Lula embebia as mãos com petróleo, à Getúlio. Para cada descoberta no pré-sal, contudo, parece ter havido uma contrapartida obscura. 
 PMDB, PP e outros estão citados, mas o PT tinha o leme. Depois de sobreviver ao mensalão e sofrer derrotas apesar de reeleger Dilma, o que sobrará do partido se o que se insinua na Lava Jato for comprovado?

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quinta-feira, 2 de outubro de 2014 | | 0 comentários

A bomba está armada (e o país tem o direito de saber)

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa já está em sua casa, no Rio de Janeiro. Ganhou o direito de trocar a cana dura pela prisão domiciliar graças ao suor do seu dedo indicador. Chama-se Beatriz Cattapreta a advogada do delator. Nas palavras da doutora, o destampatório do seu cliente, mantido em segredo, “é um acontecimento de grandes proporções.”

O que Beatriz Cattapreta disse, com outras palavras, é que vem aí mais um grandioso escândalo de corrupção. Ao homologar o acordo que levou Paulo Roberto a mover os lábios, o ministro Teori Zavascki, do STF, deu a entender que a encrenca será realmente grande, muito grande, gigantesca.

“…Há elementos indicativos, a partir dos termos do depoimento, de possível envolvimento de várias autoridades detentoras de prerrogativa de foro perante tribunais superiores, inclusive de parlamentares federais”, anotou Teori em seu despacho.

Ao se referir aos “tribunais superiores” de Brasília assim, no plural, Teori sinalizou que, além de besuntar ministros e congressistas, que usufruem do foro do STF, o derramamento de óleo deve engolfar governadores de Estado, cujo foro é o STJ.

Teori informou, de resto, que há nos depoimentos de Paulo Roberto Costa indícios de “vantagens econômicas ilícitas oriundas dos cofres públicos”. Anotou que as vantagens foram “distribuídas entre diversos agentes públicos e particulares.” No português das ruas: rolou uma fe$ta. E o contribuinte entrou com o bolso. (...)

Fonte: Josias de Souza, Blog do Josias,
“Sem saber, eleitor pode consagrar futuros réus”, postado em 2/10/14.

terça-feira, 25 de março de 2014 | | 0 comentários

Eu só queria entender...

(...) Quando chefe da Casa Civil, Dilma mandava no setor energético mais do que havia conseguido mandar na sua lojinha. Em 2006, a Petrobras comprou de uma empresa belga chamada Astra Oil 50% de uma refinaria que fica em Pasadena, nos EUA, por US$ 360 milhões. Ocorre que a Astra havia pagado pela refinaria inteira, menos de um ano antes, apenas US$ 42,5 milhões. A Petrobras comprou por US$ 360 milhões aquilo que valia US$ 21,25 milhões - um ágio de 1.590%. Cláusulas contratuais obrigaram a empresa brasileira a ficar com a outra metade, aí por US$ 820,5 milhões. A sucata está lá, parada. (...)

Fonte: Reinaldo Azevedo, “Gaby Amarantos canta para Dilma”, Folha de S. Paulo, Poder, 21/3/14.

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(...) 1 - Como a tão centralizadora e detalhista Dilma, então chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, votou a favor de uma operação tão esquisita?

2 - Se havia todo um detalhamento da proposta, por que Dilma e os conselheiros, que são bem remunerados, contentaram-se com um mero resumo agora criticado como "técnica e juridicamente falho"?

(...) 5 - Mas a mais importante questão de todas, no caso Pasadena, é aritmética: como, quando e por que pagar US$ 360 milhões pela metade de uma refinaria que acabara de ser vendida um ano antes, integralmente, por US$ 42,5 milhões?

(...) 7 - É comum uma refinaria de US$ 42,5 milhões passar a valer mais de US$ 1 bilhão num passe de mágica?

8 - Por que Dilma ficou esses anos todos calada e agora resolveu soltar uma nota jogando o escândalo dentro do Palácio do Planalto? Ela quis se antecipar a outros dados que estão para pipocar?

Fonte: Eliane Cantanhêde, “Perguntar não ofende”, Folha de S. Paulo, Opinião, 21/3/14.

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(...) Cerveró caiu da direção em maio de 2008, quando o conselho e Dilma, dizem, foram informados de que seriam esfolados pela Astra. Mas caiu "para o lado". Era diretor financeiro da BR até ontem. Por que ficou? Era inocente? Sabia demais? Por que Dilma o expôs apenas agora?

Dilma achava que o negócio inicial era bom? Isto é, aprovou gastar US$ 360 milhões por 50% de uma refinaria vendida um ano antes por US$ 42 milhões?

O que foi feito para tirar a coisa a limpo? Houve tempo. Petrobras e Astra começaram a negociar um acordo no final de 2007. A petroleira jogou a toalha em março de 2012. Não deu tempo de investigar o motivo da tunda de US$ 1 bilhão?

Fonte: Vinicius Torres Freire, “A refinaria sem refinamento de Dilma”, Folha de S. Paulo, Mercado, 21/3/14.

quarta-feira, 19 de março de 2014 | | 0 comentários

Quando a política eleitoreira fala mais alto

Quando a doutora Dilma assumiu a Presidência, uma ação da Petrobras valia R$ 29. Hoje ela vale R$ 12,60. Somando-se a perda de valor de mercado da Petrobras à da Eletrobras, chega-se a cerca de US$ 100 bilhões. Isso significa que a gestão da doutora comeu um ervanário equivalente à fortuna do homem mais rico do mundo (Bill Gates, com US$ 76 bilhões), mais a do homem mais rico do Brasil (Jorge Paulo Lemann, com US$ 19,7 bilhões). Noutra conta, a perda do valor de mercado das duas empresas de energia equivale à fortuna dos dez maiores bilionários brasileiros.

(...) O que agrava o episódio é que tanto a Petrobras como a Eletrobras atolaram por causa de uma decisão politicamente oportunista e economicamente leviana. Tratava-se de vender energia a preços baixos para acomodar o índice do custo de vida, segurando a popularidade do governo. O truque é velho. Mesmo quando deu resultados políticos imediatos, sempre acabou em desastres para a economia.

(...) O que há no governo é mais do que má gerência. É uma fé infinita na empulhação, ofendendo a inteligência alheia.

Fonte: Elio Gaspari, “O comissariado destruidor”, Folha de S. Paulo, Poder, 19/3/14.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013 | | 0 comentários

O petróleo é nosso - e o dinheiro perdido também!

Em 2005, uma refinaria de petróleo em Pasadena, no Texas (EUA), é vendida por US$ 42,5 milhões. Depois, chega a nossa Petrobras e paga US$ 1,18 bilhão pela dita cuja (por metade do negócio, em 2006, a estatal brasileira pagou US$ 360 milhões à então sócia que havia comprado 100% da refinaria um ano antes por oito vezes menos – depois a Petrobras adquiriu a totalidade do negócio). Agora, posta à venda, a refinaria não tem oferta superior a US$ 100 milhões.

A Petrobras parece o “New York Times”, que comprou o “Boston Globe” em 1994 por US$ 1,1 bilhão e o vendeu agora por US$ 70 milhões.

A diferença é que o “NYT” é uma empresa privada e o dinheiro perdido era dos seus acionistas, enquanto a Petrobras é majoritariamente do governo brasileiro (embora tenha também acionistas privados, muitos dos quais trabalhadores atraídos pelas ofertas de ações feitas há alguns anos). E, sendo do governo, pode-se dizer que o dinheiro perdido é NOSSO.

Há ainda uma outra diferença substancial: o “NYT” comprou o “Boston Globe” num momento em que a mídia impressa norte-americana não vivia a crise atual, portanto fez uma aposta. Já a Petrobras comprou uma refinaria que todos diziam não ter valor algum e que tinha sido comprada um ano antes por um valor dez vezes menor do que ela pagou na totalidade.

Depois não entendem porque uma das principais empresas brasileiras em todo o mundo vive uma crise – financeira e institucional. Depois não entendem porque investidores têm dúvida sobre a eficiência e seriedade do governo brasileiro.

Talvez seja porque há alguns anos a Petrobras vem servido para politicagem, nada mais. Sérgio Gabrielli, o ex-presidente da estatal, que o diga. Deu declarações deprimentes no Congresso esta semana ao tentar justificar o injustificável, explicar o inexplicável: a compra da refinaria em Pasadena.

O assunto, aliás, foi alvo de comentário do jornalista Carlos Alberto Sardenberg no “Jornal da Globo”.

Em tempo: a compra da refinaria é apurada pelo Ministério Público Federal (MPF) e Tribunal de Contas da União (TCU).

PS: confirmada a evidente lesão ao erário e o assalto ao bolso do povo brasileiro, esta gente deveria ir para a CADEIA!