Fonte: Raquel Rolnik, “Entrei na rua Augusta a 120 por hora”, Folha de S. Paulo, Cotidiano, 10/8/15.
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segunda-feira, 10 de agosto de 2015 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 10:49 | 0 comentários
Mobilidade urbana e cidades
(...) Assim como a redução dos limites de velocidade, muitas
das ações da atual gestão municipal na área da mobilidade correspondem a uma
nova maneira de pensar a cidade. Mas a prefeitura falha ao não lançar seus
argumentos e estudos técnicos a um amplo debate público antes de adotar tais
medidas.
Sem dúvida queremos construir, hoje, um futuro sob outros
parâmetros, sem mortes no trânsito, com a valorização do transporte coletivo,
dos meios não motorizados, dos espaços públicos, do meio ambiente, enfim, da
vida. Mas isso significa mexer com práticas, modos de vida e usos do espaço
profundamente enraizados, o que não é nada fácil.
Fonte: Raquel Rolnik, “Entrei na rua Augusta a 120 por hora”, Folha de S. Paulo, Cotidiano, 10/8/15.
Marcadores: mobilidade, Raquel Rolnik, São Paulo, urbanismo
sexta-feira, 10 de abril de 2015 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 06:34 | 0 comentários
"Cidades, bicicletas e protestos"
(...) O que estamos vivendo em São Paulo hoje não é muito
diferente. A mudança proposta pelos cicloativistas e encampada pelo Plano
Diretor significa muito mais do que a introdução de um novo modal. Faz parte de
um movimento bem mais amplo de desconstituição da cidade para os carros - onde
reina a lógica de que só os pontos de partida e chegada importam, e não o
percurso -, em direção a uma cidade onde estar no espaço público é parte
integrante da vida urbana.
Evidentemente, ainda falta muito para que São Paulo se
reinvente. Para os que criticam ciclovias ainda sem muitos ciclistas, a
resposta dos especialistas em transportes é que a oferta da nova infraestrutura
fará que o novo modal cresça cada vez mais. Ainda, para os que denunciam que
muitas faixas estão sendo mal executadas, basta olhar ao redor -para nossas
calçadas ou mesmo vias pavimentadas - para constatar a péssima qualidade de
execução. Este é, portanto, um daqueles temas que vão muito além das
ciclovias... (...)
Marcadores: bicicleta, cidades, Raquel Rolnik, transporte, urbanismo
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 07:00 | 0 comentários
"Corrupção e destino das cidades"
(...) Quantos planos, projetos e regras, depois de
amplamente debatidos nas instâncias públicas formais, acabam sendo mudados para
atender os interesses específicos dos financiadores de campanhas/alimentadores
de esquemas de corrupção?
(...) Por esta razão, apenas denunciar corruptos e
corruptores, como se o problema se resumisse a uma questão de natureza ética e
de volume de recursos públicos perdidos ou desviados é, infelizmente, uma
cortina de fumaça que nos impede de ver o quanto estes esquemas na verdade
definem o destino de nossas cidades.
Fonte: Raquel Rolnik, “Folha de S. Paulo”, Cotidiano, 16/12/13, p. C2 (íntegra aqui).
Marcadores: cidades, corrupção, Raquel Rolnik, urbanismo
quinta-feira, 7 de novembro de 2013 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 14:58 | 0 comentários
Sobre calçadas e shoppings: a cidade que queremos
(...) Calçadas seguras e transitáveis são um dos elementos centrais
da mobilidade na cidade. Não se trata, porém, de tema fácil de ser equacionado.
(...) Por um lado, é totalmente ilusório achar que o poder
público teria capacidade financeira e de gestão de, da noite para o dia,
consertar todas as calçadas da cidade e implantá-las onde não existem.
Por outro, calçadas seguras e confortáveis para todos têm
que ser parte integrante de um sistema geral de produção da cidade, que
historicamente gasta milhões com o asfalto onde andam os veículos e regula
milimetricamente o que se pode construir lote adentro, mas jamais priorizou os
espaços de circulação dos pedestres.
Fonte: Raquel Rolnik, “O longo caminho por calçadas seguras”, Folha de S. Paulo, Cotidiano, 4/11/13, p. C2.
***
(...) Com raras exceções, a lógica dos shoppings é a do
modelo de mobilidade por automóvel: chegar de carro, deixá-lo em um
estacionamento e usufruir de um espaço que concentra opções de compras,
serviços, gastronomia e atividades culturais.
A não cidade, fingindo ser cidade, segregada: com raríssimas
exceções, os shoppings simplesmente destroem a continuidade do tecido urbano,
descaracterizando e matando as ruas ao redor.
(...) Em nome das ruas, da multiplicidade de pequenos
comércios, da cidade que quer se mover a pé, de bicicleta e por transporte
coletivo, chega de shopping!
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