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terça-feira, 13 de julho de 2010 | | 0 comentários

Exportações se recuperam - e Limeira vende até para o Irã de Ahmadinejad

A balança comercial de Limeira no primeiro semestre confirma o reaquecimento da economia este ano após uma queda de 24% nas vendas para o exterior verificadas em 2009 (leia mais aqui).

De janeiro a junho, o volume de exportações da cidade chegou a US$ 216,687 milhões (ou R$ 381 milhões pelo cotação do dólar nesta terça-feira, 13/9). Isso representa um aumento de 20,15% em relação ao volume registrado no mesmo período do ano passado (US$ 180,337 milhões).

As importações também cresceram: 42,9%. Saltaram de US$ 53,927 milhões no primeiro semestre de 2009 para US$ 77,070 milhões este ano (ou R$ 135,643 milhões).

Chama a atenção o desempenho da China no comércio com Limeira. O país caiu da segunda posição em 2008 para o 15° lugar este ano no ranking dos principais destinos dos produtos limeirenses - em 2009, já havia registrado uma queda, ficando na quinta posição. O principal destino dos produtos de Limeira, disparadamente, são os Estados Unidos. Os norte-americanos responderam por US$ 61 milhões das nossas vendas no primeiro semestre, 28% do total. Para efeito de comparação, a China comprou US$ 3,577 milhões em produtos limeirenses (1,65% do total).

Os chineses caíram também no ranking das importações. Depois de atingir no ano passado o topo na lista dos países que mais venderam para Limeira, a China voltou para o segundo lugar este ano, posição que ocupou em 2008 (em 2007, era a quinta colocada).

Até junho, os chineses tinham vendido para Limeira US$ 10,620 milhões (13,78% do total das importações limeirenses), pouco menos do que as vendas norte-americanas, que somaram US$ 11,442 milhões (14,85% do total). O terceiro lugar é da Itália, com US$ 10,567 milhões em vendas - 13,71% do total, muito perto do desempenho chinês. Estes mesmos três países lideravam o ranking no ano passado, em posições diferentes (China, Itália e EUA).

Os dados do comércio exterior, fornecidos pelo Ministério do Desenvolvimento, apresentam um fato curioso. Na lista de destinos dos produtos limeirenses, em 29° lugar está o polêmico Irã, terra do presidente Mahmoud Ahmadinejad. O país islâmico comprou de Limeira no primeiro semestre deste ano um total de US$ 980.765 (ou R$ 1,726 milhão). Isso representa modestos 0,45% do total das exportações limeirenses.

Parece pouco, mas é mais do que Limeira vende para a Espanha, a 30ª colocada (US$ 882.491 ou 0,41%). Cuba, dos irmãos Raul e Fidel Castro, é a 28ª no ranking com um total de US$ 1,013 milhão comprados de Limeira no primeiro semestre (0,47% do total).

Tentei apurar quais produtos Limeira vende para o Irã, sem sucesso. No setor de folheados, alguns dos principais empresários e diretores da Associação Limeirense de Joias (ALJ) disseram desconhecer alguma negociação com o país de Ahmadinejad. No setor de alimentos, uma multinacional japonesa também negou ter vendas para aquele país. No setor de autopeças ninguém soube – ou quis - dar informações.

Na lista do Ministério do Desenvolvimento, os principais produtos vendidos por Limeira ao exterior este ano são “rodas, partes e acessórios para automóveis”, “ácido glutâmico”, “sais do ácido glutâmico”, “pectinas”, “papel fibra”, “aminoácidos e sais”, “freios e partes para tratores e automóveis”, “amidas acíclicas, derivados e sais”, “partes para motores a diesel ou semidiesel” e “outros bronzes”.

quinta-feira, 8 de julho de 2010 | | 0 comentários

O ensino em Limeira e o desafio brasileiro

Quanto mais difícil o ensino fica, menor é o nível de conhecimento dos alunos no Brasil. É o que revelou o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), divulgado recentemente pelo Ministério da Educação (MEC). Feito a cada dois anos, ele aponta a qualidade do ensino no país a partir de dois conceitos: aprovação e desempenho dos estudantes em língua portuguesa e matemática. As notas variam de zero a dez (leia mais aqui).

Na região, o cenário não foge à regra nacional. Estudantes da 8ª série/9° ano do ensino fundamental têm nota inferior aos do chamado primeiro ciclo (4ª série/5° ano). Nas duas faixas, houve evolução em Limeira (após uma queda em 2007), Americana, Piracicaba, Araras e Rio Claro.

No primeiro ciclo, os melhores desempenhos são de Americana e Araras (notas 6,1 e 6,0 respectivamente). Piracicaba, Rio Claro e Limeira estão juntas com 5,6.

4ª série/5° ano
Cidade .......... 2005 .......... 2007 .......... 2009
Americana ....... 5,2 ........... 5,3 ............ 6,1
Piracicaba ....... 4,9 ........... 4,9 ............ 5,6
Araras ........... 5,2 ........... 5,2 ............ 6,0
Rio Claro ........ 5,1 ........... 5,3 ............ 5,6
Limeira ......... 5,3 ........... 5,1 ............ 5,6

No segundo ciclo, Araras e Rio Claro têm as melhores notas (4,9). Limeira aparece em seguida, com 4,8. Americana tem 4,7 e Piracicaba 4,5. Considerando as duas faixas, pode-se dizer que Araras tem o melhor ensino da região – ou que ao menos seus alunos têm os melhores desempenhos.

8ª série/9° ano
Cidade .......... 2005 .......... 2007 .......... 2009

Americana ....... 4,5 ........... 4,7 ............ 4,7
Piracicaba ....... 3,8 ........... 4,2 ............ 4,5
Araras ........... 4,3 ........... 4,4 ............ 4,9
Rio Claro ........ 4,7 ........... 4,7 ............ 4,9
Limeira ......... 6,4 ........... 4,5 ............ 4,8

No caso de Limeira, a nota do primeiro ciclo está dentro da meta (5,6) fixada pelo MEC – a da rede municipal é ainda maior (5,7). No segundo ciclo, porém, o cenário é outro. A nota dos alunos limeirenses está bem distante da meta (vale lembrar que este ciclo é oferecido apenas pela rede estadual).

4ª série/5° ano
Ano .......... Nota .......... Meta
2005 ......... 5,3 ............. ---
2007 ......... 5,1 ............. 5,3
2009 ......... 5,6 ............. 5,6
2011 ........................... 6,0
2013 ........................... 6,2
2015 ........................... 6,5
2017 ........................... 6,7
2019 ........................... 6,9
2021 ........................... 7,1

8ª serie/9° ano
Ano .......... Nota .......... Meta

2005 ......... 6,4 ............. ---
2007 ......... 4,5 ............. 6,5
2009 ......... 4,8 ............. 6,6
2011 ............................ 6,8
2013 ............................ 7,0
2015 ............................ 7,3
2017 ............................ 7,4
2019 ............................ 7,6
2021 ............................ 7,7


A educação é o grande desafio brasileiro no século 21 (até porque a melhoria do ensino provoca impactos positivos na saúde, na segurança e no emprego). Só ela poderá garantir o salto de qualidade e desenvolvimento de que o país necessita.

Para se ter uma ideia, a Coreia do Sul registrou em 2007 um total de 7.061 patentes, 18,8% a mais do que no ano anterior. Ficou em quarto no ranking mundial. A China somou 5.456 registros (sétimo lugar no ranking), uma alta de 38,1%, segundo dados da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI).

O Brasil ficou num modesto 24° lugar, com 384 patentes naquele ano – 14 vezes menos do que a China e 18 vezes menos que a Coreia do Sul (leia mais aqui). Há 30 anos, Coreia e Brasil estavam no mesmo patamar. O que garantiu o salto da primeira foi o investimento em... educação.

No Brasil, a falta de mão de obra qualificada até em funções básicas, como a de pedreiro, e o déficit de profissionais, como engenheiros, indicam que o ensino é, talvez, o grande gargalo estrutural que dificulta um crescimento maior da economia. Um gargalo que parece ter surgido do dia para a noite, já que durante anos falou-se somente na necessidade de investimentos em infraestrutura de transporte e energia, por exemplo.

Apenas como exemplo do abismo em que o Brasil se encontra, “cerca de 30 mil engenheiros saem das universidades por ano. Na Coreia do Sul, este número chega a 80 mil. Na China são 400 mil engenheiros por ano e na Índia 250 mil”, informou recentemente a Agência Brasil (leia aqui). Ressalvando o tamanho das populações, de cinco a seis vezes maior na China e Índia do que no Brasil, ainda assim o número brasileiro é muito pequeno.

Portanto, o desafio está colocado.

Sobre este assunto, o ministro da Educação, Fernando Haddad, concedeu uma interessante entrevista esta semana à rádio CBN comentando os resultados do Ideb – que tem como um de seus méritos o fato de estabelecer metas de melhoria do ensino.