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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014 | | 0 comentários

Frase

"Jornalistas têm a oportunidade de viver a história para contar aos outros. Nem é uma profissão, é um jeito de viver."
Patrick Chauvel, fotógrafo francês, em entrevista ao programa "Conexão Roberto D´Avila" (TV Brasil, dom., 22h)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013 | | 0 comentários

Para ser um bom jornalista...

Revendo alguns materiais da época da faculdade (ou seja, dos primórdios da popularização da Internet, meados dos anos 1990), encontrei anotações de uma palestra do jornalista Marcelo Mendonça a alunos de Comunicação Social da Unesp (Universidade Estadual Paulista), em Bauru.

Mendonça – na época editor do hoje extinto “Jornal da Tarde” – teve que responder uma pergunta que começava a intrigar quase todo mundo: “Existe futuro para a mídia impressa?”

“Isto ela mesma se pergunta. Os brindes jogaram a circulação num nível insuportável. Isto gerou problemas físicos, falta de papel jornal. Acredito que a mídia impressa ainda tem uma vida longa”, disse ele na ocasião.

De fato, até hoje (cerca de 15 anos depois da palestra) ninguém tem ao certo uma resposta para a tal pergunta.

O que se sabe é que o conhecido “JT”, nascido em 1966 para revolucionar a imprensa, não resistiu aos novos tempos. Deixou de circular em 31 de outubro de 2012.

Na ocasião, nós alunos perguntamos também a Mendonça quais os requisitos para conseguir um bom emprego (ou seja, ser um bom jornalista). Trata-se de uma pergunta que já me fizeram, uma ex-aluna, e que foi motivo de postagem aqui no blog.

Mendonça respondeu de modo objetivo. Eis, então, os requisitos citados por ele (com os quais concordo):

- ter vontade (gostar do que faz);
- escrever bem (dominar a Língua Portuguesa);
- ler muito;
- saber pelo menos o inglês;
- ser curioso;
- não se acomodar.

E aí, alguém se arrisca?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013 | | 0 comentários

Profissão: perigo (3)

A seguir, trechos da entrevista publicada nesta quinta-feira com o presidente da Federação Internacional dos Jornalistas (IFJ, na sigla em inglês):

Folha - O relatório da IFJ mostra que 2012 foi um dos anos mais sangrentos para a imprensa, com 121 jornalistas assassinados. O que esse número representa?
Jim Boumelha - É um número terrível, precisamos chamar atenção para ele. Se fossem cem médicos ou cem advogados assassinados em um ano, não se falaria em outra coisa no mundo.O mais preocupante é que a soma de mortes tem se mantido num patamar muito alto a cada ano que passa.

Folha - Os países em guerra civil lideram o ranking de mortes de jornalistas, mas não chegam à metade do total de casos no mundo. Por quê?
Boumelha - As pessoas acham que a maioria das mortes acontece nas coberturas de guerra, mas isso não é verdade. A maior parte dos assassinatos que nós temos registrado é fruto de perseguição a profissionais que estão fazendo reportagens nos lugares em que costumam trabalhar no seu dia a dia. É muito barato matar um jornalista. A impunidade é muito grande. Em vários países, esta tem sido a melhor forma de silenciar um jornal ou interromper uma série de reportagens investigativas. Na maior parte das vezes, os alvos desses assassinatos por encomenda são jornalistas que não são famosos. Por isso, os crimes acontecem e muita gente nem se lembra dos nomes das vítimas.

Fonte: Bernardo Mello Franco, "É muito barato matar um jornalista hoje no mundo", Folha de S. Paulo, Mundo, 10/1/13.

Leia também:

- Profissão: perigo

- Profissão: perigo (2)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013 | | 0 comentários

Obrigado (de novo)

Tenho ouvido nos últimos dias palavras tão bonitas e elogiosas que não resta outra alternativa a não ser mais uma vez agradecer o carinho e, acima de tudo, o reconhecimento pelo trabalho que desenvolvi na TV Jornal de Limeira.

Palavras que vieram de pessoas que estiveram comigo (colaboradores e patrocinadores) e de gente que eu nunca vi, mas que me recebia todos os dias carinhosamente em suas casas por meio da televisão.

Quando encerramos um projeto e/ou trabalho, a maior recompensa que podemos receber não é exatamente a financeira. Claro que o dinheiro faz parte da vida (e uma parte importante), mas acima dele, indubitavelmente, estão a consciência tranquila pelo dever cumprido e o reconhecimento espontâneo recebido das pessoas.

Por isto, mais uma vez agradeço a todos que nos davam o carinho da audiência e aos que se manifestaram (inclusive da concorrência) parabenizando-me pelo trabalho realizado.

Muito obrigado.

PS: gostaria de poder reproduzir todas as palavras ouvidas e recebidas via e-mail e mensagem de celular, mas por uma questão de elegância prefiro mantê-las comigo. Poderia soar esnobe e não pretendo que seja assim.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013 | | 2 comentários

Agradecimento

No momento em que mais um ciclo se encerra em minha vida, gostaria publicamente de agradecer a todos que nos últimos quatro anos colaboraram de alguma forma com meu trabalho na TV Jornal de Limeira. Da direção aos mais humildes colaboradores, muito obrigado!

Agradeço pela acolhida num agora distante 16 de fevereiro de 2009, pelo apoio, pela confiança e em especial, da parte de alguns, pela amizade.

Aliás, na TV consolidei algumas das melhores amizades da vida, pessoas que passaram por lá e deixaram suas marcas como amigos na mais pura acepção do termo. Estas pessoas sabem quem são e é desnecessário mencioná-las. A elas, muito obrigado pelo que ofertaram – inicialmente como colegas de trabalho e depois como verdadeiros amigos.

Busquei sempre fazer o melhor tendo consciência que perfeição não existe – é uma utopia a ser perseguida. Acredito que tive mais acertos do que erros. Busquei cumprir minha tarefa com dignidade e respeito pelas pessoas - no trabalho e em relação àquelas que me recebiam em suas casas.

Preciso, aliás, registrar meus sinceros agradecimentos a todos que manifestaram carinho pelo trabalho desenvolvido na TV, pessoas que nunca vi e que faziam questão de expressar seus elogios e até críticas eventualmente.

Tenho, por fim, que agradecer à equipe que todos os dias se dedica para colocar no ar o programa de maior audiência da cidade - TV é um trabalho essencialmente de equipe, ninguém faz nada sozinho, e a "peça" que está na frente da câmera por vezes é a menos importante de toda a engrenagem. Obrigado a todos.

Sinto orgulho de ter contribuído com a história da TV Jornal e em especial do "A Hora Informação Verdade".

Mais uma vez muito obrigado!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012 | | 0 comentários

Trabalho em retrospectiva

O vídeo a seguir – parte da “Retrospectiva 2012” levada ao ar pela TV Jornal de Limeira – relembra alguns bons momentos profissioais do ano:



Para ver toda a “Retrospectiva”, acesse o canal da TV Jornal no YouTube clicando aqui.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012 | | 0 comentários

Jornalismo: as lições do professor Geneton

Descubro, em algum escaninho virtual, uma espécie de carta que escrevi, faz alguns anos, para um estudante de jornalismo imaginário. A carta seria parte de um manual de jornalismo que nunca foi publicado:

A primeira obrigação do jornalista é ser claro e objetivo. Aos fatos, pois:

1 - Se, depois de tantos anos de convivência em redações, eu fosse convocado a dar um “conselho” a uma turma de recrutas do jornalismo, diria simplesmente:  em nome de todos os santos, por favor, please, s`il vous plâit,  não percam nunca a capacidade de se espantar diante dos fatos. Vejam tudo com os olhos curiosos de um menino descobrindo a maravilha do mundo. O olhar faz toda a diferença. É o que distingue um jornalista burocrata de um jornalista interessante. Não existe assunto chato: o que existe é jeito chato de tratar de um assunto.  

(...) 

3 - O jornalista pertence a uma categoria especialíssima: de tanto conviver com fatos extraordinários, ele corre o risco de um achar tudo “normal” e “ordinário”. Neste momento, ele se transforma naquele sujeito entediado que, para o bem do Jornalismo, deveria estar exercendo outra profissão. Cuidado para não se transformar num desses inimigos da notícia. Parece incrível, mas existem, às pencas, nas redações. 

(...) 

7 - Seja saudavelmente pretensioso. Faça a si mesmo uma pergunta antes de resmungar porque foi escalado para entrevistar uma celebridade que já deu mil entrevistas: quem sabe se, na milésima primeira entrevista, eu não consigo arrancar uma história nova, uma declaração inédita, um detalhe que ninguém conhece?  Não jogue fora a notícia antes de tentar.

8 - Fazer bom jornalismo é dar, ao leitor, ouvinte ou telespectador, uma informação que ele não conhecia. Tente ser o porta-voz da novidade.  

9 - Ainda não inventaram uma fórmula mágica. A velha regra vale para todos os filhos de Deus: só escreve bem quem lê muito. Ponto final. Revogam-se as disposições em contrário. Cansei de ver nas redações: nem todo mundo que lê consegue ter um texto claro, límpido e atraente. Mas, invariavelmente, quem não lê não sabe escrever. Os maiores absurdos que já li foram escritos por gente que sofre de bibliofobia – horror a livro. Preferem ler revista de celebridade na sala de espera do dentista. (...)

Fonte: Geneton Moraes Neto, "Dez coisas que aprendi sobre ela, a profissão de Jornalista", blog Dossiê Geral, 8/11/12.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012 | | 0 comentários

A reputação

“(...) as pessoas praticam o que Paul Valéry chamou de ‘profissões delirantes’, aquelas carreiras que dependem de segurança pessoal e da opinião dos outros em vez de habilidades comprovadas. As profissões delirantes, eu arriscaria dizer, compreendem literatura, crítica, design, as artes visuais, atuação, publicidade, toda a mídia (...). Mas todas as profissões delirantes, não há padrões estabelecidos, exigem apresentações e alianças, protetores e patrocinadores, professores famosos ou aplauso de alguém célebre. Em resumo, dependem da mais instável de todas as posses: reputação.”
Edmund White, “City Boy – Minha Vida em Nova York” (p. 192-3)

quinta-feira, 5 de julho de 2012 | | 0 comentários

O alvo: jornalistas

A maior parte dos crimes contra jornalistas é cometida por políticos e policiais, informou a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) em audiência pública da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado realizada na terça-feira, 3 de julho, segundo a Agência Câmara de Notícias.

A Fenaj também alertou para o alto número de jornalistas assassinados no Brasil em 2012, quando seis profissionais já morreram por causas relacionadas à profissão.


Na audiência, também foram discutidas propostas para reforçar a segurança dos profissionais de imprensa no país. A Polícia Federal garantiu estudar alternativas, embora organizações do setor tenham reivindicado a aprovação da lei de federalização das investigações de crimes contra jornalistas, informou o Estado de Minas, com informações da Agência Estado.


O projeto da lei prevê a investigação de crimes contra a atividade jornalística pela Polícia Federal é de autoria do deputado Protógenes Queiroz (PCdoB). No entanto, durante a audiência, o delegado-chefe da Divisão de Direitos Humanos da PF, Delano Cerqueira, disse que a federalização dos crimes não é suficiente e que é preciso oferecer outras "ferramentas legislativas" aos policiais, como a delação premiada, noticiou o G1.


O projeto de lei atualmente tramita na Câmara Federal, segundo o Diário de São Paulo.


Fonte: Isabela Fraga, "Maioria dos crimes contra jornalistas é cometida por agentes do poder público, afirma Fenaj", blog "Jornalismo nas Américas", Knight Center for Journalism in the Americas.

sexta-feira, 8 de junho de 2012 | | 0 comentários

Uma verdade inconveniente

Tenho conversado com muitos colegas de imprensa nos últimos tempos (meses). De todos, ouço relatos semelhantes: uma insatisfação geral com a situação do trabalho, notadamente em Limeira.

Sem medo de errar, penso que estamos num beco (se ele é sem saída, só o tempo dirá). Tenho minha modesta opinião – e prefiro não expressá-la neste momento.

A resposta, porém, não é difícil de obter. Bastaria as empresas ouvirem o que pensam seus próprios funcionários (importante: todas as empresas indistintamente).

A insatisfação passa também pela situação da profissão em geral, pouco valorizada em muitos sentidos.

Acredite: o jornalismo possui um falso glamour, muito distante do que a realidade impõe.

PS: é curioso notar que a insatisfação com a profissão é sentida - e compartilhada - também por maridos/namorados e esposas/namoradas dos jornalistas. Todos expõem os mesmos problemas - ainda que os vivam indiretamente.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012 | | 2 comentários

Obituário

Aqui jaz uma carreira e um sonho:

* 13/8/1998

+ 14/2/2012

domingo, 12 de fevereiro de 2012 | | 0 comentários

Profissão: jornalista

Conversei na semana passada com alguns colegas de imprensa. Foi um encontro casual, no intervalo da sessão da Câmara Municipal. Papo sério sobre a profissão. Confesso que senti um certo conforto ao constatar que algumas angústias não são exclusivamente minhas. Ao mesmo tempo, senti um desalento por constatar que as situações que me angustiam estão espalhadas por todos os lugares – principalmente em Limeira.

A continuação desta postagem já está escrita. Um dia, quem sabe, eu a publico...

sexta-feira, 6 de maio de 2011 | | 0 comentários

Dicas para os "focas"

A mensagem – de uma ex-aluna recém-formada - chegou pelo Twitter: “Professor, você bem que poderia dar umas dicas no seu blog para quem está querendo entrar na área”.

Bem, não existe uma fórmula mágica - e isto é muito bom! Assim, sabe-se que é possível chegar lá por seus próprios méritos. Fosse diferente, dependeríamos de forças externas, o que reduziria as chances de conquistar algo com o próprio esforço.

Antes de mais nada, é preciso fazer um esclarecimento: a qual meio se refere a ex-aluna. Hoje, com a evolução tecnológica, novas oportunidades se abriram para os profissionais da comunicação. Assim, os campos de trabalho vão muito além dos veículos e assessorias tradicionais.

Isto posto, vou elencar algumas características que considero fundamentais para "entrar na área". Devo deixar claro que grande parte delas se aplica a qualquer profissão, pois referem-se muito mais a uma postura profissional do que propriamente a uma atividade específica.

Um passo importante para os “focas” (iniciantes, no jargão jornalístico) é identificar um campo de atuação de que goste, algo com que se identifique e que lhe dê prazer. Gostar do que faz é essencial para avançar em qualquer carreira.

Procurar, insistir, apresentar-se, bater à porta é essencial. Dificilmente as oportunidades irão atrás de você. Você é que deve correr atrás delas. Obviamente, correrá o risco de ouvir alguns - ou muitos – “não”. Não desanime! Ao contrário, encontre nessas ocasiões energia para recomeçar, procure aprender para corrigir posturas. O importante é demonstrar interesse. Muitas vezes, a empresa não está precisando de alguém naquele momento, mas você poderá ser lembrado assim que surgir uma oportunidade.

Apesar de se identificar com algo específico, diversifique-se. Busque aprimorar-se e aprender constantemente. No mundo de hoje, coisas novas surgem a cada segundo.

Mostrar curiosidade e disposição - para fazer e aprender - são características que merecem destaque.

Observe como trabalham as pessoas mais experientes. Identifique nelas qualidades a copiar e vícios a evitar.

Busque conhecer as empresas de sua área de interesse, como atuam, que perfil de profissional contratam. Acompanhe-as.

Faça contatos. Muitos. Sempre. Grande parte - diria a maioria - das contratações se dá pelo bom e velho Q.I. Saudável, a indicação é importante e necessária no mundo empresarial. Aposte firmemente no que os gestores chamam de “network”, ou seja, uma rede de relacionamentos. Isto se dá frequentando eventos da área, cursos, trocando ideias e contatos com colegas, pela Internet, etc.

No caso de profissionais da comunicação, é condição ESSENCIAL ler. Muito. Sempre. Sobre tudo. Bons livros, jornais... Um jornalista não pode reduzir seus meios de informação à TV e Internet. Isto é um alerta aos jovens estudantes: as faculdades de hoje exigem muito pouca leitura. Corrijam essa falha por vontade própria. Para saber em que nível está, reflita: qual foi o último livro que leu? Você acompanha minimamente o noticiário local, nacional e internacional, conhece seus principais personagens?

Dependendo da área de atuação, é preciso ter conhecimentos específicos também. Se for atuar com esportes, por exemplo, leia mais livros sobre o tema e conheça profundamente seus personagens.

Obviamente, é preciso escrever bem. Nisto a rotina de leitura ajudará muito. Importante: não pense que em radio e TV o texto é secundário. Ao contrário: desconheço grandes jornalistas de TV que não tenham um excelente texto.

Naturalmente, é preciso ter uma boa dose de talento, aptidão “para a coisa”, mas atenção: isto não diminuirá a necessidade de se esforçar.

Por fim, uma boa dose de sorte não faz mal a ninguém. Lembre-se, porém, da definição clássica de sorte: a união de conhecimento com oportunidade.

Ah, uma última dica - que vale para a vida: não se acomode jamais!

Em tempo: a aplicação de todas essas dicas não é garantia de sucesso. Garanto, porém, que será um importante passo, muito melhor do que não fazer nada. 

Boa sorte!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010 | | 0 comentários

Empresas estimulantes

O “Jornal da Globo” exibe esta semana uma interessante série de reportagens – encabeçada pelo repórter Fábio Turci (que, por sinal, foi responsável por cortar o meu cabelo no trote da faculdade) – sobre o conflito de gerações no mercado profissional.

A matéria de quinta-feira em especial foi, além de interessante, estimulante!


domingo, 25 de julho de 2010 | | 0 comentários

"Jornalistas estão sofrendo de exaustão"

O New York Times observa esta semana que os jornalistas estão sofrendo cada vez mais cedo de fadiga e exaustão. Enquanto nos jornais impressos a adrenalina se concentrava na hora do fechamento, os jovens repórteres das redações online produzem o dia inteiro numa velocidade frenética.

A matéria cita o exemplo do site Politico, muito influente na política de Washington: repórteres extenuados costumam encontrar e-mails enviados de madrugada pelos seus chefes, reclamando de matérias que saíram só na concorrência. Novos tipos de cobrança aumentam a tensão. Na redação da Gawker em Manhattan, uma televisão mostra as matérias mais lidas em tempo real, com o nome do autor e o número de vezes que a página foi acessada. O resultado desse ambiente é um alto índice de rotatividade em algumas redações.

Duy Linh Tu, coordenadora do programa de mídia digital da Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia, afirmou ao NYT que está preocupada com o “burnout”: “Quando meus alunos aparecem para uma visita, eles carregam a exaustão de uma pessoa que vem trabalhando há uma década, não um par de anos”.

Talvez outro motivo da fadiga seja o tipo de notícias que muitos repórteres são obrigados a buscar para preencher as necessidades do ambiente digital. Ao invés de bater perna em busca de uma boa história, aponta o NYT, eles ficam na frente do computador procurando qualquer coisa que possa impressionar os algoritmos do Google e chamar a atenção do leitor.

Volta e meia, esse clima de descontentamento se reflete em sátiras na internet. A revista de humor americana The Onion publicou um texto ironizando, do ponto de vista de um repórter, a cobertura das novas ferramentas digitais. O título diz: “Novo site de rede social muda a forma em que Oh, Jesus, esquece – deixe alguém mais escrever sobre essa droga”. No blog "Salvar um Jornalista", um ex-repórter espanhol criou depoimentos fictícios sobre os problemas nas redações e uma página de denúncias.

O site Editorsweblog argumenta que, se os jornais querem sobreviver, eles devem sim acompanhar o ritmo das notícias, mas também cuidar bem de seus funcionários. E cita uma pesquisa do Pew Research Center: 20% dos editores nos EUA acham que as redações estão pequenas demais para produzir além do mínimo necessário.


Fonte: Knight Center for Journalism in the Americas, publicado por Maira Magro em 22/7.

Em tempo: o “Salvar um periodista” ("Salvar um jornalista") é uma organização não governamental focada na reinserção social de jornalistas. Foi criada por Raúl Calabria, jornalista espanhol que após dez anos de experiência, duas graudações e um mestrado, não encontrava emprego. O trabalho da ONG é voltado a profissionais “em situação de risco (tanto psicológico como físico) para orientá-los sobre a saída deste inferno laboral”.