Alguém precisa fazer algo pelo Centro de Limeira.
A região padece dos mesmos problemas que atingem as áreas centrais de tantas outras cidades brasileiras.
Neste período pré-natalino, no qual as lojas ficaram abertas até às dez horas da noite, passei duas vezes pelo Centro de carro. Estranhei o baixo movimento de consumidores potenciais em relação a anos anteriores.
Como não sou um frequentador do Centro, temi que minha impressão estivesse equivocada. Passei, então, a consultar alguns comerciantes e comerciários que atuam há anos na área a fim de obter delas uma visão mais próxima da realidade. As respostas que ouvi me deixaram preocupado.
A funcionária de uma loja com mais de 40 anos de tradição numa das principais ruas da área central confirmou: as vendas de Natal estavam terríveis. "Acho que o pessoal está indo para os shoppings", disse ela.
Do dono de uma loja de informática, ouvi o seguinte: "Está tudo parado".
Uma funcionária de uma loja com mais de 20 anos de tradição em roupas vendeu em dezembro de 2011 um total de R$ 60 mil. Este ano, no mesmo período, tinha registrado exatamente a metade.
O gerente de uma loja de rede que trabalha há pelo menos 20 anos na área central acrescentou alguns ingredientes: "O Centro está feito, inseguro", afirmou.
A soma do embelezamento precário (as praças estão horríveis, apesar do "banho de loja" que ganharam para o período de Natal), falta de segurança e de vagas para estacionar veículos e um atendimento que muitas vezes deixa a desejar tem levado cada vez mais consumidores para os shopping - Limeira acaba de ganhar um segundo centro de compras e em abril de 2013 receberá mais um.
No shopping, o consumidor encontra estacionamento seguro, ar-condicionado, diversidade de produtos, grandes magazines, alimentação, entretenimento e tranquilidade.
Trata-se, sem dúvida, de uma competição difícil.
Não é à toa que os dois shoppings da cidade estão frequentemente lotados.
Devido à falta de planejamento (que levou a escolhas equivocadas), o Centro de Limeira foi sendo esvaziado ao longo dos anos - houve uma evasão habitacional nas últimas décadas. À noite, fora o período de Natal, ele é "morto". A insegurança impera.
Em sua origem, os centros eram o coração das cidades, o centro nervoso da vida comunitária. Desde a criação da polis na Grécia Antiga e depois no Império Romano, os centros serviam de ponto de encontro, de manifestações e atividades políticas e culturais.
Em Limeira, o Centro perdeu sua funcionalidade histórica - inclusive por intervenções "externas", como o acordo intermediado pelo Ministério Público que restringiu atividades sonoras na praça Toledo Barros, a principal do município. A área central virou espaço de ninguém.
Abandonada, já apresenta reflexos econômicos negativos. Os comerciantes atestam isto.
Há três anos, a Acil (Associação Comercial e Industrial de Limeira) investiu num projeto de embelezamento da área, com colocação de bancos e palmeiras nas calçadas. Houve polêmica com a prefeitura e, independentemente disso, foi uma ação isolada e desarticulada em relação a outras esferas de poder.
É preciso uma ação conjunta e planejada.
É necessário inicialmente repensar o Centro e suas funções. Redesenhá-lo se preciso. Estimular sua ocupação (com mecanismos como isenções fiscais, entre outros).
Hoje, há uma clara divisão entre o chamado Centro acima (rico) e a parte baixa (cada vez mais pobre). É preciso reforçar a segurança de ambas e, como parte disso, levar a comunidade para a região durante o dia e à noite (com atividades culturais e gastronômicas, por exemplo).
O Centro de Limeira precisa voltar a vibrar. Ainda há tempo de salvá-lo.
Alguém, porém, precisa assumir o desafio de ao menos tentar.
PS: confio na capacidade da equipe do prefeito eleito Paulo Hadich (PSB) de promover o necessário debate de ideias para repensar o Centro, principalmente em razão da presença de jovens arquitetos e urbanistas no secretariado, com uma nova visão de cidade e fôlego para implantar novos projetos.
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domingo, 23 de dezembro de 2012 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 19:44 | 0 comentários
Quem vai salvar o Centro de Limeira?
quinta-feira, 1 de julho de 2010 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 18:18 | 0 comentários
A sujeira nossa de cada dia...
De vez em quando, deixo meu carro na garagem e vou ao trabalho a pé. São 20 minutos de caminhada praticamente plana (salvo um pequeno trecho). É uma oportunidade para contribuir com o meio ambiente e com o trânsito, além de praticar exercício (algo infelizmente raro no meu cotidiano).
Pois essa opção se mostrou também uma interessante oportunidade para analisar a cidade - ou mais propriamente uma parte do Centro -, sua movimentação, suas mudanças, sua vida. As impressões têm sido diversas. Um fato em particular, porém, chamou minha atenção desde a primeira vez: a sujeira.
É incrível como as pessoas jogam coisas na calçada! Sacos plásticos (geralmente de supermercados), embalagens de salgadinhos, de sorvete, folhetos de propaganda... Até um pé de meia eu já encontrei. Há também muitas folhas secas - indicação de que a varrição de rua tem falhado. Isso sem contar as calçadas que não recebem a devida manutenção por parte dos donos das casas.
Inconformado com tamanho descaso e falta de educação, decidi fotografar alguns trechos. Assim, quem sabe, nas próximas oportunidades eu encontre uma cidade mais limpa...



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