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quarta-feira, 29 de julho de 2015 | | 0 comentários

Afinal, quem descobriu a América?

Nem Cristóvão Colombo nem qualquer outro navegador italiano, espanhol ou português anos antes. Os primeiros a “descobrir” a América podem ter sido os siberianos, 24 mil anos atrás. É o que indicam novos estudos, divulgados pela famosa revista “Science”.

Se gosta desta história, recomendo a leitura de reportagem do jornal espanhol “El País” – que, infelizmente, ainda não repercutiu por aqui.

quinta-feira, 21 de maio de 2015 | | 0 comentários

O gênio Da Vinci

A suntuosa sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na icônica Avenida Paulista, sediou desde o final do ano passado uma interessante exposição sobre um dos gênios da humanidade: o italiano Leonardo da Vinci.

A mostra, chamada "A natureza da invenção", retrata justamente o lado "engenheiro" do famoso pintor renascentista, autor da obras célebres como "La Gioconda" ("Monalisa"). Foram cerca de 40 peças (todas modelos criados a partir de desenhos de Da Vinci) e dez instalações interativas que mostraram ao público como o italiano foi um homem à frente de seu tempo - baste ver as engenhocas que anteciparam descobertas possíveis apenas séculos depois, como as que envolvem o sonho do homem de voar e de explorar os oceanos.




  

  


Há também livros originais com desenhos e estudos de Da Vinci, alguns (como da anatomia humana) com raro realismo.




Os modelos fazem parte do acervo do Museu Nacional da Ciência e Tecnologia "Leonardo da Vinci", de Milão (Itália) e foram produzidos por pesquisadores e engenheiros em 1952.

Por aqui, a exposição terminou em maio, mas fica a dica para quem se aventurar pelas terras italianas.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014 | | 0 comentários

E pegamos carona no cometa...

Lembro-me de, ainda molequinho de tudo, me encantar com a passagem do cometa Halley pelas imediações da Terra, em 1986. Na ocasião, os europeus começaram seu flerte com esses intrigantes objetos, ao despachar a sonda Giotto para tirar fotos (para a época espetaculares) de seu núcleo. Agora, com a Rosetta e o Philae, a sensação é a de que o círculo se fecha. Primeiro, um cometa veio até nós. Agora nós retribuímos a visita, com toda pompa e circunstância. Demonstração contundente de que, não importa o tamanho do desafio, a dureza das probabilidades de sucesso, o espírito humano é impelido a abraçar o cosmos que habita.

O relato - do jornalista Salvador Nogueira, autor do blog "Mensageiro Sideral" - bem que poderia ser meu. Eu tinha apenas 9 anos quando a passagem do Halley se anunciou para aquele já longínquo 1986. Quanta expectativa e quantos sonhos se desenharam na cabeça de um pequeno menino!

No meu caso, encantamento significou viver toda a magia que envolvia acontecimento tão raro, a passagem de um cometa que prometia um espetáculo visual incrível e uma cauda nebulosa. Uma sensação embalada por "um lindo balão azul" que fazia parte da infância de quem viveu os anos 80:

Eu vivo sempre no mundo da lua.
Porque sou um cientista
O meu papo é futurista
É lunático

Eu vivo sempre no mundo da lua
Tenho uma alma de artista
Sou um gênio sonhador
E romântico

Eu vivo sempre no mundo da lua
Porque sou aventureiro
Desde o meu primeiro passo
Pro infinito

Eu vivo sempre no mundo da lua
Porque sou inteligente
Se você quer vir com a gente
Venha que será um barato

Pega carona nessa cauda de cometa
Ver a Via Láctea, estrada tão bonita
Brincar de esconde-esconde numa nebulosa
Voltar para casa nosso lindo balão azul
("Nosso lindo balão azul", de Guilherme Arantes)

Ver o dito cujo mesmo eu não vi, como muitas pessoas. Quem viu se disse decepcionado ao observar apenas um pequeno pontinho branco no céu - mas era um cometa!

O fato é que o homem, ou melhor, a capacidade humana, chegou lá, Não vi o homem pisar na Lua em 1969, mas posso dizer que acompanhei o pouso de um robô num cometa.

Apesar das primeiras imagens geradas pelo Philae mostrarem tão somente uma rocha, como era de se esperar (afinal, um comenta é isso, ora...), o ineditismo da missão mantém viva aquela mesma magia da infância a respeito destes objetos celestes. 

Embora a foto de uma grande rocha possa arranhar a imagem que muitos faziam do cometa como uma bola de gelo com cauda gigante cheia de bloquinhos de gelo brilhantes, sempre há mistérios a desvendar e a mover o homem. Como a "música" entoada pelo cometa que agora abriga o Philae, um canto mágico do tamanho dos sonhos que um homem é capaz de sonhar...

quarta-feira, 29 de outubro de 2014 | | 0 comentários

O papa falou - e reafirmou o que eu sempre disse

escrevi neste blog, quatro anos atrás, que sempre duvidei da história de Adão e Eva, da criação do homem e do mundo. Ou melhor, sempre considerei o Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, chamado de livro da Criação, como uma alegoria. Ou pedagogia da Igreja, como disse certa vez um padre.

Mesmo com a palavra de um religioso, explicada no post cujo link está acima, continuei ouvindo defesas radicais do criacionismo tal qual citado no Gênesis. E, diante de meus questionamentos ou argumentos, continuei sendo acusado de "homem de pouca fé" - ou nenhuma fé, já que duvidar da Criação tal qual citada na Bíblia seria duvidar do próprio Deus.

Pois bem: precisou que um papa progressista e revolucionário, como Francisco, dissesse a mesma coisa para que a comunidade católica entendesse meu ponto de vista: crer no evolucionismo ou na teoria do "Big Bang", a grande explosão que deu origem ao universo, em nada contradiz a crença em Deus como poder criador do universo.

Ao contrário, a reforça - como salientou o papa.

Será que agora, finalmente, poderei defender meu ponto de vista em paz? Ou alguém ainda vai querer reclamar com o bispo - porque com o papa não vai adiantar...

Em tempo: estive recentemente no Cern (Centro Europeu de Pesquisas Nucleares), o maior centro de pesquisas de física de partículas do mundo, na divisa da Suíça com a França. Foi lá que descobriram a chamada "partícula de Deus", o bóson de Higgs (mais detalhes aqui).

Ao conversar com os cientistas do Cern, perguntei se a teoria do "Big Bang" já estava consolidada para explicar a origem do universo. Disseram que sim. Daí questionei se a ciência já consegue explicar o que deu origem ao "Big Bang" e o que havia antes da tal grande explosão. E a resposta foi: não sabemos.

É neste vácuo científico onde, para os que creem, entra o poder de Deus.

* Leia também (acrescentado em 30/10):

- Bíblia não nos dá pistas claras sobre existência de Adão e Eva

segunda-feira, 22 de setembro de 2014 | | 1 comentários

Trabalhando... (na Suíça - Cern)

terça-feira, 14 de maio de 2013 | | 0 comentários

Muito prazer, Lucy!

Meu primeiro encontro com Lucy foi em setembro de 2009 em Nova York, nos Estados Unidos. Ela estava lá, toda exibida e iluminada. E não era para menos: pela primeira vez a "jovem" visitava aquele país em milhões de anos. Isto mesmo!

Para quem não sabe, Lucy era até pouco tempo o exemplar mais antigo de hominídeo já descoberto. Sua idade: 3,2 milhões de anos. Embora esqueletos mais antigos tenham sido encontrados nos últimos tempos, Lucy continua sendo a mais famosa. Ela foi achada em 1974 num deserto da Etiópia, na África. Trata-se de uma espécime do Australopithecus afarensis, um ancestral do Homo sapiens.

Quando a vi, Lucy era destaque de uma exposição no recém-aberto Discovery Times Square Exposition, um museu diferenciado que leva a chancela – como o nome indica – do Discovery Channel. Ela ficou em NY entre 24 de junho e 25 de outubro de 2009. Na mesma época, o mesmo lugar exibia também uma exposição sobre o Titanic.


Era a primeira vez que o famoso esqueleto deixava o Museu Nacional da Etiópia, em Addis Abeba, para ir aos EUA. A turnê norte-americana – chamada “Lucy´s Legacy: the hidden treasures of Ethiopia” ("O legado de Lucy: os tesouros escondidos da Etiópia") - durou ao todo seis anos e gerou muita polêmica (parte dos cientistas temia que pudessem ocorrer danos na ossada).

Lembro bem da emoção que senti ao me deparar com Lucy. Ela estava bem à minha frente, deitada tranquilamente. Quase podia tocá-la. Perguntei a um vigilante que guardava a sala se o esqueleto era original. Ele respondeu positivamente. E eu tive a certeza de que parte importante da nossa história, da aventura humana pela Terra, passava por aqueles pequenos fragmentos de ossos (o esqueleto não está completo, provavelmente devido ao desgaste do tempo).

Tudo isto me veio à mente dia desses quando eu assistia na TV a um documentário sobre a evolução humana. O programa especial citava uma série de pesquisas e descobertas feitas ao longo das últimas décadas e levantava uma questão: há uma “lacuna” na história da evolução que a ciência ainda não conseguiu explicar.

Em que momento, afinal, ganhamos o nível de consciência que atingimos como seres humanos? Se temos raízes tão comuns com os macacos (ou com os símios em geral), por que eles também não evoluíram da mesma forma? Por que, por exemplo, “abrimos mão” (popularmente falando) dos pelos se buscamos cobertores peludos para nos aquecer? Não seria isto uma “falha” de acordo com os princípios da evolução?

Do ponto de vista espiritual, uma resposta para estas perguntas pode ser encontrada no livro clássico “Os exilados da Capela”.

Naturalmente, a ciência não crê nas explicações dadas no livro de cunho espírita (embora elas busquem amparo científico).

O fato é que a ciência ainda não respondeu à perturbadora pergunta: em que momento e de que forma foi dado o “salto” evolutivo do hominídeo para o ser humano do ponto de vista da mente?

No aspecto físico, sabe-se que os hominídeos tinham postura quase ereta, caminhando sobre duas pernas, daí a classificação que os coloca como ancestrais do homem, mas e a consciência humana, que lugar ocupa na história da evolução?

Eis uma pergunta que Lucy não foi capaz de responder.

Em tempo: tive o prazer de reencontrá-la no ano passado no Field Museum, em Chicago (EUA). Era uma réplica, como soube depois, mas ainda assim foi um reencontro de fortes sentimentos e emoções. Ao menos dessa vez pude fotografá-la (as fotos eram proibidas na exposição em NY, já que se tratava do esqueleto original).



Leia também:

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013 | | 0 comentários

Passado e futuro num museu

Você, por acaso, tem receio de voar? Com toda a tecnologia existente hoje, ainda não se sente confortável dentro de um avião? Tente, então, fazer um exercício: volte no tempo quatro décadas, mais precisamente a julho de 1969. Imagine a tecnologia existente na época e embarque numa aventura inédita e desconhecida rumo à... Lua.

Isto mesmo!

Tal como os portugueses se lançaram ao mar (igualmente desconhecido e misterioso) no século 15, dando início às grandes navegações e alterando definitivamente o rumo da história da humanidade ao “descobrirem” o Novo Mundo, navegadores do século 20 - chamados astronautas - deram em 1969 “um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade”. 

Pela primeira vez um homem pisava em solo lunar. Era a missão Apollo 11, da Nasa (a agência espacial dos Estados Unidos). O feito inédito coube a Neil Armstrong e Edwin “Buzz” Aldrin (o terceiro tripulante da missão, Michael Collins, permaneceu todo o tempo no módulo de comando Columbia).


Estou relembrando este episódio porque, dia desses, assisti num canal a cabo a um documentário sobre o surgimento e o desenvolvimento da aviação, desde os experimentos dos irmãos Wright em Dayton, no estado de Ohio, em 1903, até os dias atuais.


Ao tratar do desenvolvimento da aviação, o documentário abordou a ida à Lua. Isto porque muito da tecnologia usada hoje em dia e considerada essencial para a aviação comercial tem origem naquele arriscado voo de 1969 da Apollo 11.

Foi dali que surgiram, por exemplo, os primórdios de um sistema em voga atualmente nos aviões, chamado “fly-by-wire”.

De acordo com o documentário, muita gente ignora o fato de que a missão rumo à Lula quase foi abortada minutos antes de ser completada. É que o módulo lunar Eagle se deslocou além da área prevista para o pouso (coisa de seis quilômetros), colocando a operação em risco.

Havia pouco combustível, mas Armstrong tomou a decisão de seguir adiante. Para isso, em linguagem popular, “dirigiu” manualmente o módulo até o solo. Foram as informações dadas pelo moderno e inovador (para a época) sistema de navegação por computador que permitiram ao astronauta tomar a decisão – que, tal como nas grandes navegações, mudou a história da humanidade (o fato está contado em detalhes no Wikipedia).

Não descobrimos “novos mundos” (embora tenhamos chegado ao inabitável satélite da Terra), mas muitos dos avanços que tornaram a missão possível fazem parte do nosso cotidiano até hoje.

Enquanto assistia ao documentário, lembrei das visitas que fiz ao museu da aviação em Washington D.C., a capital dos EUA – a última delas em abril de 2012.

Oficialmente denominado National Air and Space Museum (NASM), o local não só conta a história da ida do homem à Lua como permite que os visitantes toquem numa lasca de pedra lunar (experiência considerada a mais interessante de toda a viagem pelo amigo jornalista Carlos Giannoni de Araujo, que me acompanhou) e vejam objetos usados naquela revolucionária missão – incluindo o Columbia.


Roupas de astronautas, módulos para a reentrada na Terra (devidamente chamuscados pelo contato com a atmosfera, quando costumam se incendiar), a “vida” no interior de um foguete, o cenário do pouso na Lua e o vídeo que registrou o histórico momento, entre tantas outras curiosidades da aviação e da ciência estão lá à disposição dos visitantes.















  
O NASM é um verdadeiro deleite para os aficcionados por aviões. Vale a visita até para quem é apenas curioso, o que inclui praticamente todos os seres humanos. O museu fica no National Mall, bem perto do Capitólio (a sede do Congresso dos EUA) e a entrada é grátis.

* As fotos são minhas e dos amigos Cristiano Persona e Carlos Giannoni de Araujo

quarta-feira, 1 de junho de 2011 | | 0 comentários

"É estranha"

Estranha. Esta é talvez a melhor palavra para definir a sensação diante da mostra “Corpo Humano – Real e Fascinante”, visitada pelo Jornal de Limeira na última quarta-feira. Mórbida? Medo não parece ser uma reação comum entre os visitantes. Se há algo certo, porém, é que não é possível ficar inerte diante daquilo. A exposição provoca reflexões. Reforça alguns conceitos e coloca outros em xeque.

É impressionante constatar a perfeição e a fragilidade do corpo humano. Sim, em alguns momentos o visitante sente-se superior diante de tamanha fragilidade. Não será exagero ter, juntas, reações adversas, paradoxais. Como notar uma simplicidade complexa ou uma complexidade simples em todas aquelas estruturas. Tudo se encaixa (literalmente).

É difícil não achar feias as entranhas humanas. É difícil não se impressionar ao lembrar que aqueles corpos um dia tiveram vida. É difícil não pensar em Deus – seja por considerar tudo fruto da criação divina, seja por não acreditar em um ser superior. Afinal, diante do visitante, são apenas corpos sem vida, dissecados, fatiados. É difícil não pensar na arte daquele trabalho (sim, preparar a exposição exigiu um trabalho minucioso).

Se a pergunta é: “vale a pena?”, a resposta é “sim!”. Quem puder, não deve perder a oportunidade. Curiosa, diferente, isso é tudo verdade. Acima de tudo, porém, a exposição é estranha. Não na acepção de um sentimento de aversão, repulsa e sim de “pasmo diante de algo que não se conhece ou não se espera”.

PS: texto de minha autoria publicado no Jornal de Limeira em 2007. A mostra – que percorreu o mundo com o nome “Bodies” (“Corpos”, em inglês) – reunia 16 corpos e 225 órgãos preservados por meio de uma técnica chamada polimerização. Ela foi desenvolvida pela equipe do médico Roy Glover, professor emérito de Anatomia e Biologia Celular da Universidade de Michigan.

Em 2010, a mostra voltou ao Brasil numa nova versão, "Corpos - A Exposição", em que os corpos são retratados simulando movimentos esportivos, como dos atletas de futebol, basquete, etc. A exposição foi vista por mais de 15 milhões de pessoas nos EUA e Europa, segundo o UOL. Imagens da mostra podem ser vistas aqui.

* A imagem que ilustra esta postagem foi retirada da Internet já que fotos não eram permitidas na exposição

domingo, 5 de dezembro de 2010 | | 0 comentários

A noite em que ovnis invadiram o Brasil

Em 1986



11 anos depois

quinta-feira, 12 de agosto de 2010 | | 0 comentários

Minhas provocações - Adão e Eva e a história da criação

Confesso que há muito tempo deixei de acreditar na versão bíblica sobre a criação do homem. Isto em nenhum momento abalou minha fé, que fique claro desde já. Para mim, considerar que a história de Adão e Eva, da criação da mulher a partir da costela do homem, da serpente e do fruto do pecado são mera alegoria não reduz em absolutamente nada o poder de Deus.

Por isso, nunca entendi a raiva com que me respondiam sempre que colocava esta questão. Aos 14 anos, pedi a um padre uma explicação mais coerente sobre a criação da humanidade já que isso implicaria em relações interfamiliares no princípio. Ele limitou-se a dizer: “não questione, apenas creia”. A racionalidade que já aflorava em mim – e que me levou ao jornalismo – me impediu de aceitar a resposta.

Sempre soube, porém, que chegaria um dia em que algum religioso falaria uma outra “verdade”. Sem que isso em nada mudasse a religião e abalasse a fé. Pois esse dia chegou. Na última terça-feira, recebemos no programa “Fatos & Notícias” (TV Jornal, diariamente, 11h30) o padre Ismael Wanderlei Aví. Ele falava sobre a Semana da Família. E surgiu a oportunidade de eu “cutucá-lo” (sim, tive consciência de que estava fazendo isso) a respeito da história da criação – que costumo classificar, com certa ironia, de “história da carochinha”.

E ele ofereceu a versão que pode ser ouvida a seguir:



Saliento que as palavras vieram de um PADRE: a história de Adão é Eva é uma pedagogia da Igreja Católica.

Ciência e religião não precisam necessariamente estar em lados opostos. Como o padre afirmou, considerar que a versão bíblica é uma alegoria não significa dizer que não partiu de Deus o poder da criação. Representa afirmar apenas que ninguém nunca saberá como isto se deu. E que era preciso ter uma história para tentar explicar o “big bang humano” de modo didático. Assim surgiram Adão e Eva.

Está mais do que provado – e ignorar isso, desculpem-me, é ignorância – que o homem está presente na face da Terra há milhares de anos. Milhões. Tive a oportunidade de conhecer a famosa Lucy. Para quem não sabe, trata-se do ancestral humano mais antigo já conhecido, com 3,18 milhões de anos, descoberto pelo norte-americano Donald Johanson em 1974. Lucy tinha características avançadas, como postura ereta ao andar.

Recentemente, um grupo de cientistas descobriu que um esqueleto achado na região de Afar, na Etiópia, é de um Australopithecus afarensis - mesma espécie de Lucy, mas com uma idade de 3,6 milhões de anos. Para quem quiser mais informações, essa descoberta saiu na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

Acreditar nessas descobertas não altera o poder de Deus – para os crentes, obviamente. Porque Deus pode muito bem ser o criador de Lucy ou de seu colega recém-descoberto.

quinta-feira, 15 de julho de 2010 | | 0 comentários

Segredo da humanidade é revelado

Dois enigmas intrigam a humanidade há séculos: quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?

Agora, ao menos um deles foi respondido pelos cientistas de duas universidades da Inglaterra, as de Sheffield e Warwich. E a resposta muda o conceito que se tinha até então, o de que o ovo precedia o animal em razão de questões evolutivas (leia mais aqui).

Para os cientistas das duas universidades, a galinha é a origem de tudo. Os detalhes sobre essa incrível descoberta podem ser vistos na reportagem a seguir, do “Jornal da Globo”.



Resta agora saber qual o segredo de Tostines (e isto só vale para quem tem mais de 30 anos porque os mais novos sequer devem saber do que se trata...).

sábado, 5 de junho de 2010 | | 0 comentários

O universo revelado

Um dos maiores experimentos da ciência na área cósmica completou recentemente 20 anos de atividade – e descobertas. O telescópio espacial Hubble expandiu a visão que o homem tinha do universo. "Capturou o extraordinário", como define o site oficial que relembra as duas décadas de exploração espacial por meio dos olhos do supertelescópio.


Por meio do Hubble, desde 1990 foi possível testemunhar as “mais perigosas, espetaculares e misteriosas profundezas do cosmos”. Nos últimos 20 anos, o homem acompanhou a saga desse telescópio, observando uma parte do universo que estaria eternamente invisível aos nossos olhos sendo revelada imagem após imagem. Foram mais de 30 mil objetos vistos pelas lentes do Hubble.

E em que pese suas imagens tenham permitido mudar a astronomia, “seu legado ainda está por concluir”.

Enquanto isso, podemos ver ou rever as espetaculares imagens capturadas pelo Hubble durante suas duas décadas de trabalho. Elas estão disponíveis no site oficial do supertelescópio (clique aqui). São imagens impressionantes, muitas vezes impressionistas. Confira algumas delas:



domingo, 21 de março de 2010 | | 0 comentários

"2012: O mundo não vai acabar"

O ataque é constante, um dilúvio de cataclismos horrendos que marcam o fim do mundo: tudo isso ocorrendo no dia 21 de dezembro de 2012 (ou será no dia 23?). Pelo mundo afora, milhões de pessoas escrevem em blogs, rezam, formam grupos e portais de "informação", acreditando que essas previsões sejam diversas do "bug do milênio" (alguém se lembra?) ou de centenas de outras profecias apocalípticas que falharam e que as pessoas têm uma incrível habilidade de esquecer.

Gostaria de contra-atacar essa onda de medos apocalípticos usando, sim, a luz da ciência e da razão. Mesmo que muitas dessas previsões sejam supostamente baseadas em ciência, a verdade é que não são. Se fossem, deveríamos levá-las a sério (o Sol, é verdade, explodirá em 5 bilhões de anos).

1) Fim do calendário maia: Deixando de lado o fato de que os maias não tinham como prever o fim do mundo, vamos examinar a "evidência" que mostra a relação entre o fim do calendário deles e o fim do mundo.

Os especialistas Linda Schele e David Freidel encontraram referências a eventos ocorrendo muito após o fim do calendário. Outros afirmam que a noção judaico-cristã de apocalipse não fazia parte da cultura maia. A fonte da profecia vem de um local no México chamado Tortuguero.

Especialistas mal conseguem decifrar os fragmentos encontrados lá: "O décimo terceiro [b'ak'tun] termina (no) 4 Ajaw, o 3º do Uniiw [3 K'ank'in]. Preto...ocorrerá. (Será) a queda (?) de Bolon Yookte" K'uh ao grande (ou vermelho?)..." Desse fragmento a uma previsão do fim do mundo baseada no profundo conhecimento cósmico dos maias é um salto vergonhoso.

2) Alinhamento galáctico: Alguns afirmam que os maias sabiam do alinhamento periódico entre o Sol, a Terra e o centro da nossa galáxia. Afirmam também que esse alinhamento causará o fim do mundo. A verdade é que esse alinhamento aproximado ocorre todo mês de dezembro. E a Terra sobrevive há mais de 4 bilhões de anos! Mesmo que todos os planetas se alinhassem -o que não ocorrerá em 2012 ou nas próximas décadas-, o efeito sobre a Terra seria desprezível.

Lembre-se de que a força da gravidade cai em proporção ao quadrado da distância. Se somarmos todas as massas dos planetas, obtemos em torno de 450 massas da Terra. O Sol, sozinho, tem uma massa 332 mil vezes maior do que a da Terra! Ou seja, a perturbação causada pelos planetas ou pelo centro galáctico é irrelevante.

3) Planeta Nibiru (ou Planeta X): Supostamente, os sumérios sabiam de um planeta que vai colidir com a Terra em 2012. Acontece que esse planeta simplesmente não existe! Se existisse, teria já sido detectado por astrônomos. Se fosse colidir com a Terra em 2012, seria visível a olho nu. Um objeto dessa magnitude causaria (pequenas) perturbações em outros planetas e asteroides facilmente detectáveis.

4) Tempestade solar: O Sol tem um ciclo de atividade de 11 anos e o próximo máximo ocorre entre 2012 e 2014. Plasma lançado da sua superfície pode atingir a Terra, causando auroras em altas latitudes. Alguns distúrbios mais violentos podem danificar satélites e causar apagões. O Sol poderia nos causar problemas sérios, mas não há previsão de que isso vá ocorrer em 2012 ou nos próximos milhões de anos.

Certamente, os maias não sabiam nada sobre a fusão nuclear.

Esse frenesi todo é irracional, promulgado por alguns setores dos meios de comunicação e oportunistas. Quem escolhe acreditar nisso está fechando os olhos para 400 anos de ciência, preferindo viver escravizado por medos que pertencem à Idade Média.

Fonte: Marcelo Gleiser, "Folha de São Paulo", dom., 21.3.2010, Ciência.