"Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liberdade."
Fernando Pessoa, poeta português, no "Livro do Desassossego" (p. 70)
terça-feira, 24 de junho de 2014 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 07:32 | 0 comentários
Frase
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 18:13 | 0 comentários
Frase
“É todo o mistério de que
nada dura que martela repetidamente coisas que não chegam a ser música, mas são
saudade, no fundo absurdo da minha recordação.”
Bernardo Soares, um dos
heterônimos do poeta português Fernando Pessoa, no “Livro do Desassossego”
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terça-feira, 4 de dezembro de 2012 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 09:30 | 0 comentários
Um poema
Aguardo, equânime, o que não conheço -
Meu futuro e o de tudo.
No fim tudo será silêncio, salvo
Onde o mar banhar nada.
(Ricardo Reis, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, em "Odes")
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sexta-feira, 30 de novembro de 2012 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 06:30 | 0 comentários
"Da verdade não quero mais que a vida"
Sob a leve tutela
De deuses descuidosos,
Quero gastar as concedidas horas
Desta fadada vida.
Nada podendo contra
O ser que me fizeram,
Desejo ao menos que me haja o Fado
Dado a paz por destino.
Da verdade não quero
Mais que a vida; que os deuses
Dão vida e não verdade, nem talvez
Saibam qual a verdade.
(Ricardo Reis, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, em "Odes")
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quarta-feira, 28 de novembro de 2012 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 09:00 | 0 comentários
"Tenho mais almas que uma"
Vivem em nós inúmeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.
Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.
Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu 'screvo.
(Ricardo Reis, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, em "Odes)
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segunda-feira, 20 de agosto de 2012 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 19:23 | 0 comentários
“Nada fica”
Nada fica de
nada. Nada somos.
Um pouco ao
sol e ao ar nos atrasamos
Da
irrespirável treva que nos pese
Da humilde
terra imposta,
Cadáveres
adiados que procriam.
Leis feitas,
estátuas vistas, odes findas -
Tudo tem
cova sua. Se nós, carnes
A que um
íntimo sol dá sangue, temos
Poente, por
que não elas?
Somos contos
contando contos, nada
(Ricardo
Reis, um dos quatro heterônimos mais conhecidos de Fernando Pessoa)
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quinta-feira, 16 de agosto de 2012 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 14:00 | 0 comentários
"Breve o dia"
Breve o dia,
breve o ano, breve tudo.
Não tarda
nada sermos.
Isto,
pensado, me de a mente absorve
Todos mais
pensamentos.
O mesmo
breve ser da mágoa pesa-me,
Que, inda
que mágoa, é vida.
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terça-feira, 14 de agosto de 2012 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 18:45 | 0 comentários
"Cada Um"
Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.
Como as pedras na orla dos canteiros
O Fado nos dispõe, e ali ficamos;
Que a Sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.
Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube.
Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado.
(Ricardo Reis, um dos quatro heterônimos mais conhecidos de Fernando Pessoa)
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quinta-feira, 7 de junho de 2012 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 11:15 | 0 comentários
"Tabacaria"
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(...)
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
(...)
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
(...)
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
(...)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(...)
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
(Excertos do poema "Tabacaria", de Álvaro de Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa)
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terça-feira, 5 de junho de 2012 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 08:00 | 0 comentários
Frase
"Há um tempo em que é preciso
abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os
nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da
travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de
nós mesmos."
Fernando Pessoa, poeta
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quinta-feira, 24 de maio de 2012 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 16:56 | 0 comentários
Frase
"Pedras no caminho? Guardo
todas, um dia vou construir um castelo..."
Fernando Pessoa, poeta
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segunda-feira, 21 de maio de 2012 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 17:55 | 0 comentários
Frase
"Matar o sonho é matarmo-nos.
É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de
impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso."
Fernando Pessoa, poeta
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quarta-feira, 16 de maio de 2012 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 17:12 | 0 comentários
Um poema
Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.
Viver é não conseguir.
("Basta pensar em sentir", de Fernando Pessoa)
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segunda-feira, 14 de maio de 2012 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 16:39 | 0 comentários
Frase
"Se escrevo o que sinto é
porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância,
pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto."
Fernando Pessoa, poeta
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sábado, 12 de maio de 2012 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 00:32 | 0 comentários
Um pouco de Pessoa
***
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quarta-feira, 9 de maio de 2012 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 21:23 | 0 comentários
Frase
"Eu sou aquilo que perdi."
Fernando Pessoa, poeta
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domingo, 6 de maio de 2012 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 20:57 | 0 comentários
Mistério
Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.
(Título desconhecido; Fernando Pessoa)
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 06:16 | 0 comentários
"Não sei quantas almas tenho"
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.
(Fernando Pessoa)
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segunda-feira, 8 de agosto de 2011 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 18:14 | 0 comentários
"Pessoando..."
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quarta-feira, 22 de junho de 2011 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 20:34 | 0 comentários
Poesia da amizade
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