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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015 | | 0 comentários

A falta de água - direto do "Mundo da Lua"

Lucas Silva e Silva, 20 anos atrás, fazia um prenúncio dos tempos atuais...



terça-feira, 5 de março de 2013 | | 0 comentários

Nós, os jornalistas

Tanto quanto políticos e advogados, jornalistas sempre renderam bons vilões na ficção -primeiro, na literatura; depois, no cinema e, mais recentemente, na televisão. O seriado "House of Cards", disponível desde 1º de fevereiro na Netflix, tem merecido reparos pelo retrato nada edificante que pinta de um tipo específico, e poderoso: o repórter de política.

Jornalistas costumam ser críticos e até maledicentes com colegas de ofício, mas não gostam de ouvir avaliações vindas "de fora" a respeito de suas práticas.

A série se passa em Washington, nos dias atuais. O protagonista, Frank Underwood (Kevin Spacey), um experiente e poderoso deputado democrata, acaba de saber que o presidente dos Estados Unidos ignorou um acordo que parecia certo e não o nomeou secretário de Estado.

Destinado a se vingar, mas sem perder a proximidade com o presidente, Underwood faz tudo o que o senso comum imagina ser da alçada de um político sem escrúpulos: ajuda a queimar o nome do político indicado para o cargo com que sonhava, manipula votações, mente, troca cargos por votos, destrói carreiras, faz lobby suspeito etc..

A jornalista Zoe Barnes (Kate Mara) tem um papel central neste projeto de poder de Underwood. Sonhando voos mais altos no "Washington Herald", onde trabalha, a jovem repórter se aproxima do deputado interessada em conseguir notícias exclusivas mesmo que em troca de sexo.

Casado, o deputado adverte a repórter de que ela vai se machucar no fim, mas Zoe está mais interessada nos benefícios no curto prazo. Estabelece-se, então, uma relação de negócios, com benefícios para ambos.

Com as informações passadas por Underwood, a carreira da jornalista dá um salto. Logo é convidada pelo chefe a assumir o cargo de principal repórter na Casa Branca, mas recusa. "É onde as notícias morrem", diz. A ocupante do posto, uma repórter veterana, suspeita que Zoe esteja trocando notícias exclusivas por sexo. Em um episódio, dirá para a colega: "Também fiz isso no início da carreira".

Numa discussão com a dona do jornal, o chefe de Zoe Barnes diz que a repórter, assim como o Twitter e blogs, é superficial. O jornal foi fundado sob outras bases e não são essas novidades que o manterão vivo, diz. É demitido.

Depois de dar uma série de "furos" no "Herald", ela troca o jornal por um site, Slugline, onde ouve da nova chefe que não precisa mostrar previamente os seus textos. "O objetivo aqui é que todos publiquem com mais velocidade do que eu tenho a capacidade de ler."

Tanto os diálogos entre Zoe e Underwood, quanto os que a repórter tem com os demais jornalistas na série são de uma crueza assustadora. Beau Willimon, autor do texto, trabalhou com uma série de políticos, inclusive Hillary Clinton, no final dos anos 1990. É autor da peça "Farragut North", que virou o filme "The Ides of March" ("Tudo pelo Poder"), dirigido por George Clooney em 2011.

Enquanto a série "The Newsroom" apresenta uma visão do que o jornalismo poderia ser, mas não é, "House of Cards" expõe o que ele não deveria ser. Não espanta que o retrato da repórter Zoe Barnes, bem como o da profissão hoje, pintado nesta série, desagrade muito mais.

Fonte: Mauricio Stycer, "Trocando 'furos' por sexo", Folha de S. Paulo, Ilustrada, 3/3/13.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012 | | 0 comentários

Telejornalismo em questão

Renovar o jornalismo de TV, ousar, enlouquecer a concorrência, incomodar poderosos, remar na contracorrente. Essas são as intenções de um telejornal fictício, base da trama do seriado americano "The Newsroom", sensação nos EUA, agora na TV a cabo do Brasil.

Criação de Aaron Sorkin, o mesmo da série "The West Wing" e do filme "A Rede Social", "The Newsroom" não deixa ninguém indiferente. É cultuado com intensidade, e odiado também. Para jornalistas, assisti-lo vira hábito compulsivo (ainda mais para os de TV, meu caso).

Mas "The Newsroom" não surgiu do nada, a partir de algum "insight" genial do criador Sorkin (sujeito intragável, garante quem já esteve frente a frente com ele). Deve muito, e não sei se isso foi devidamente notado, a uma série inglesa exibida em 2011 pela BBC: "The Hour".

Assim como em "The Newsroom", em "The Hour" uma equipe de jornalistas muito jovens, chefiados por uma mulher, é chamada a criar uma atração inovadora. Em "The Newsroom", um telejornal diário. Em "The Hour", um programa semanal, com as principais notícias do período.

(...) Em "The Hour", os jornalistas repetem em todo episódio: "Não queremos entediar o espectador". O que não significa apelar para sensacionalismo ou banalidades. Vivem em tempos turbulentos, perfeitamente refletidos no programa. Falam da crise do canal de Suez, da invasão da Hungria pelas tropas soviéticas, dos titubeios do governo conservador de Anthony Eden.

No jornal fictício de "The Newsroom", a série americana, não há preocupação com formatos atraentes. Seus jornalistas se veem como arautos de uma missão que julgam civilizadora. "Notícia importante é notícia útil na hora de votar", sentencia, logo no primeiro capítulo, a editora-chefe. Ou seja: só cobrem política e economia, e na base de muita falação.

Fonte: Álvaro Pereira Júnior, "Notícias na TV", Folha de S. Paulo, Ilustrada, 4/8/12.

***

Não, os Estados Unidos não são o melhor país do mundo. Estão em sétimo lugar em taxa de alfabetização, 27º em conhecimento de matemática, 22º em ciência, 49º em expectativa de vida, 178º em mortalidade infantil, terceiro em renda per capita, quarto em força de trabalho e exportações.

Lideram o mundo apenas em três categorias: porcentagem de cidadãos encarcerados, número de adultos que acreditam que anjos são reais e em gastos de defesa -despendem mais que os 26 países seguintes somados, 25 dos quais são seus aliados.

A ideia acima é do personagem Will McAvoy, exposta durante palestra a estudantes de jornalismo. Até ali um âncora anódino, chamado pelos pares de "Jay Leno do jornalismo" por sua capacidade de não desagradar ninguém, ele resolve se despir da mediocridade e começar a fazer telejornalismo para valer.

Assim se inicia a série "The Newsroom" (a Redação, em inglês), que o canal de TV paga HBO passa a exibir aos domingos no Brasil a partir de hoje, às 21h. Criada por Aaron Sorkin, de "The West Wing" e roteirista do longa "A Rede Social", conta os bastidores de um telejornal fictício com notícias de verdade.

No primeiro episódio, fala-se do vazamento de óleo no golfo do México, de abril de 2010. No terceiro, da ameaça de explosão de um carro-bomba na Times Square, em Nova York, no mês seguinte.

As situações reais são pano de fundo para que a qualidade do telejornalismo dos EUA seja discutida de maneira criativa e provocadora. A tese de Sorkin é que, ao buscar audiência a qualquer preço, os programas se tornaram mais superficiais e emburreceram os espectadores.

Num dos episódios, depois de fazer um comentário engraçadinho sobre a política Sarah Palin, McAvoy (Jeff Daniels) pede desculpas no ar. Não apenas pelo erro, mas por anos de desinformação:

"Sou líder numa indústria que errou resultados de eleições [Bush x Gore, 2000], exagerou ameaças terroristas [Guerra do Iraque, 2003], inflou controvérsias e deixou de noticiar mudanças tectônicas em nosso país, do colapso do sistema financeiro [em 2008] a quão fortes nós realmente somos diante dos desafios que temos".

Fonte: Sérgio D´Ávila, "No calor da hora", Folha de S. Paulo, Ilustrada, 5/8/12.

segunda-feira, 7 de junho de 2010 | | 0 comentários

Lixo eletrônico

Televisão é essencialmente um trabalho de equipe. Câmera, produção, pauta, edição, reportagem, exibição, qualquer erro em qualquer uma destas etapas afetará o resultado final.

Desde que passei a coordenar a edição do “Jornal da Cidade”, principal jornalístico da TV Jornal de Limeira e programa mais antigo da casa (de segunda a sábado, 19h30), tive como uma das minhas metas realizar uma série de reportagens por mês. Por enquanto, temos cumprido a tarefa. Já fizemos séries sobre o que fazer com o 13° salário, as opções de férias em Limeira, os 115 anos da Santa Casa, o mato alto pela cidade, o lixo eletrônico e agora sobre o clima da Copa do Mundo.

Algumas delas surgiram meio ao acaso, como a do mato alto (fruto de tantas reclamações recebidas na emissora). Outras tiveram muito planejamento. É o caso da série sobre o lixo eletrônico. Ela foi, de longe, a mais trabalhada e a mais trabalhosa, já que nos propusemos a ouvir uma série de especialistas. Foram pelo menos 15 dias de captação de informações (imagens e entrevistas). Considerando toda a concepção, pesquisa e produção, foi quase um mês de trabalho.

A coordenação de toda a série foi minha. A execução coube ao repórter Carlos Giannoni; aos cinegrafistas Vinícius Cuccio, Renan Fernando e Rodrigo Pereira; ao editor Tales Frezza e ao artefinalista Fernando Santarosa. O resultado foram cinco reportagens abordando: 1) panorama geral; 2) a falta de locais para descarte de materiais; 3) lixo virtual; 4) problemas ambientais; e 5) reciclagem.


A seguir você pode conferir a matéria de abertura da série. Para ver as demais, clique aqui.