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sexta-feira, 10 de abril de 2015 | | 0 comentários

"Cidades, bicicletas e protestos"

(...) O que estamos vivendo em São Paulo hoje não é muito diferente. A mudança proposta pelos cicloativistas e encampada pelo Plano Diretor significa muito mais do que a introdução de um novo modal. Faz parte de um movimento bem mais amplo de desconstituição da cidade para os carros - onde reina a lógica de que só os pontos de partida e chegada importam, e não o percurso -, em direção a uma cidade onde estar no espaço público é parte integrante da vida urbana.

Evidentemente, ainda falta muito para que São Paulo se reinvente. Para os que criticam ciclovias ainda sem muitos ciclistas, a resposta dos especialistas em transportes é que a oferta da nova infraestrutura fará que o novo modal cresça cada vez mais. Ainda, para os que denunciam que muitas faixas estão sendo mal executadas, basta olhar ao redor -para nossas calçadas ou mesmo vias pavimentadas - para constatar a péssima qualidade de execução. Este é, portanto, um daqueles temas que vão muito além das ciclovias... (...)

Fonte: Raquel Rolnik, “Folha de S. Paulo”, Cotidiano, 6/4/15 (íntegra
aqui)

quinta-feira, 12 de setembro de 2013 | | 0 comentários

Pedalando...

Finalmente São Paulo aderiu à moda - comum na Europa e nos Estados Unidos - das bicicletas públicas. Elas são geralmente usadas por turistas para passeios, mas nada impede que moradores também as emprestem.


Além das "bikes", é importante oferecer infraestrutura, como ciclovias adequadas. A da foto abaixo fica no Parque do Ibirapuera. Na cidade em geral a infraestrutura ainda deixa a desejar.


Já escrevi neste blog (aqui e aqui) e no Piscitas - travel & fun sobre o domínio das bicicletas em várias cidades mundo afora, como Amsterdã (Holanda). Mais recentemente, estive em Munique (Alemanha) e me surpreendi com a quantidade de bicicletas estacionadas pela cidade e em trânsito. 

Eu já conhecia a cidade e tinha em mente a infraestrutura viária, com as ciclovias desenhadas - usadas e respeitadas - nas calçadas, mas não lembrava de ver tantas bicicletas estacionadas.














quinta-feira, 6 de junho de 2013 | | 0 comentários

Bicicletas, as protagonistas

Um dos álbuns de fotos do link de viagens do UOL registra as bicicletas em Amsterdã, capital da Holanda. A cidade é famosa, entre outras coisas, pelo uso das "bikes" como meio de transporte. É comum vê-las nas ruas em grande número, bem como se deparar com pais levando os filhos nos cestinhos. 

Quando lá estive, vi uma mãe saindo cedo de casa e colocando o filho no cesto da bicicleta, protegido por um plástico para evitar o frio e eventualmente a chuva. E lá se foram, mãe e filho. 

Também me deparei, dentro de um táxi, com uma bicicleta à frente em uma das travessas. O taxista permaneceu atrás, pacientemente, andando a 10 km/h. Comecei a ficar um tanto irritado e perguntei se aquele trânsito era normal para uma segunda-feira (foi a forma que encontrei de demonstrar minha impaciência sem ser indelicado). A resposta foi como um tapa: "Vocês acham bom aquele caos no qual vivem em São Paulo...?". E lá fomos nós, bicicleta na frente, táxi atrás.

Meus* registros das bicicletas em Amsterdã estão a seguir:







Leia mais sobre Amsterdã no blog Piscitas - travel & fun. E leia também:

- B - I - C - I - C - L - E - T - A

* As fotos são minhas e do amigo Cristiano Persona

terça-feira, 12 de junho de 2012 | | 0 comentários

"Invasão" de bicicletas

Nas localidades mais desenvolvidas e sustentáveis, como as grandes capitais da Europa e as grandes cidades dos Estados Unidos, as bicicletas são um meio de locomoção para muitas pessoas. Assim, é comum encontrá-las pelas ruas, bem como estruturas para estacioná-las. 

Também são comuns nessas cidades os serviços - públicos ou particulares - de aluguel de bicicletas, moda que começa a chegar ao Brasil. 
No meu mais recente giro pelos EUA, em abril, encontrei bons exemplos desse sistema em Boston e Chicago:






Foi na Filadélfia, porém, que encontrei o maior número de bicicletas paradas nas calçadas. Há postinhos específicos para isso - alguns deles com a sinalização que se vê abaixo:


Nas áreas histórica e central da cidade, as bicicletas estavam por todos os lados. 
Em apenas um quarteirão, cheguei a contar 14 delas estacionadas:









Algumas pessoas podem estar pensando: e ninguém mexe com as bicicletas? Nenhum "gatuno"? Não sei se há furtos, o fato é que encontrei uma cena inusitada e engraçada quando voltava para o hotel: 


Se foi "gatunagem" ou abandono só o dono poderá dizer...

Em tempo: escrevi no meu blog
Piscitas - Travel & Fun sobre o uso das bicicletas como meio de locomoção em muitas cidades. A postagem pode ser lida aqui.

* As fotos são minhas e principalmente de Carlos Giannoni de Araujo, que ficou "encantado" com as bicicletas e os cachorros na América (sobre estes escrevo em outra oportunidade)

domingo, 15 de agosto de 2010 | | 0 comentários

B - I - C - I - C - L - E - T - A

Li recentemente o livro de David Byrne, “Diários de Bicicleta”. Fora o fato do título ser uma referência direta aos “Diários de Motocicleta”, de Che Guevara, o músico – que vive em Nova York – narra suas aventuras e desventuras sobre duas rodas mundo afora. Obviamente, ele defende a “magrela” como um saudável (ao indivíduo e à sociedade) meio de transporte.

Algumas cidades do mundo decidiram apostar nisso. Em várias localidades da Europa, por exemplo, a bicicleta domina a paisagem. Exemplo mais claro talvez seja Amsterdã. Boas ciclovias são encontradas também em Munique – para ficar em dois lugares que conheci e sobre os quais posso falar.

No livro, Byrne fala de Bogotá, na Colômbia. Segundo o músico, o ex-prefeito da cidade, apontado como responsável pela remodelação do município, foi aos poucos fechando algumas ruas para o trânsito. Isso fez com que a comunidade voltasse a ocupar esses locais – notadamente no Centro. Resultado: menos caos, menos poluição, menos estresse, menos violência, mais integração, maior sociabilidade, mais vida.

Locais antes entregues à degradação, ao abandono e à marginalidade passaram a ser ocupados por restaurantes, feirinhas e gente do bem.

Em Nova York, as experiências ainda são pontuais. Mas existem e caminham para, quem sabe um dia, o fechamento de ruas. Uma dessas experiências está ocorrendo justamente este mês. Trata-se do Summer Streets 2010. Ele acontece em três sábados consecutivos de agosto numa rota que liga a Brooklyn Bridge ao Central Park, com conexões em vias de pouco tráfego até o Hudson River Greenway, Harlem e Governors Island.

“Este evento pega um valioso espaço público – ruas da cidade – e abre para que as pessoas joguem, brinquem, divirtam-se, caminhem, andem de bicicleta e suem. O Summer Streets garante mais espaço para uma recreação saudável e é parte das iniciativas ecológicas de NYC para incentivar os nova-iorquinos a usar mais formas sustentáveis de transporte”, cita o site do projeto.



A iniciativa, segundo os próprios organizadores, seguem projetos semelhantes implantados ao redor do mundo, como em Bogotá e Paris. Está ligada a uma proposta lançada justamente por Byrne em 2007, quando Nova York sediou um encontro que teve a bicicleta como protagonista.

Não parece legal? É ecológico, saudável e reduz custos (na medida em que se polui menos e se exige menor quantidade de policiais para vigiar áreas antes entregues a marginais). Se grandes cidades estão fazendo, por que não Limeira? Por que não no Brasil? É preciso só uma coisa: coragem. Ah, e também uma boa dose de ousadia e criatividade.

Vamos tentar?

Para estimular os governantes e a sociedade, não custa lembrar da música de Toquinho:

Sou eu que te levo pelos parques a correr,
Te ajudo a crescer e em duas rodas deslizar.
Em cima de mim o mundo fica à sua mercê
Você roda em mim e o mundo embaixo de você.
Corpo ao vento, pensamento solto pelo ar,
Pra isso acontecer basta você me pedalar.

B-I-C-I-C-L-E-T-A
Sou sua amiga bicicleta.

Sou eu que te faço companhia por aí,
Entre ruas, avenidas, na beira do mar.
Eu vou com você comprar e te ajudo a curtir
Picolés, chicletes, figurinhas e gibis.
Rodo a roda e o tempo roda e é hora de voltar,
Pra isso acontecer basta você me pedalar.

B-I-C-I-C-L-E-T-A
Sou sua amiga bicicleta.

Faz bem pouco tempo entrei na moda pra valer,
Os executivos me procuram sem parar.
Todo mundo vive preocupado em emagracer,
Até mesmo teus pais resolveram me adotar.
Muita gente ultimamente vem me pedalar
Mas de um jeito estranho que eu não saio do lugar.

* A foto - de Gary Toriello - é da edição 2008 do Summer Streets, obtida no site oficial do projeto