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quinta-feira, 22 de julho de 2010 | | 0 comentários

Um festival para o impressionismo

Algumas cidades, regiões, países, são privilegiados em alguns aspectos. Vago, não? Pois bem. De junho a setembro deste ano, acontece na França, mais precisamente na região da Normandia, o Festival Impressionista. A programação reúne uma série de atividades, como pintura, cinema, teatro, fotografia, música, tudo ligado ao movimento impressionista que aflorou na região no século 19 e teve em Claude Monet talvez o seu maior expoente.

Dois fatos datam o nascimento do impressionismo: o Salon des Refusés (Salão da Recusa), ocorrido em 1863 em Paris e que reuniu os pintores excluídos do salão oficial, e o quadro “Impression, soleil levant”, pintado por Monet em 1872. “Uma tela que reflete maravilhosamente um modo de pintura que pretendia captar momentos efêmeros”, segundo o site oficial do festival, “um modo que prefere a cor à forma e que permite ao público reconstituir o que as pinceladas fragmentadas do artista dissociaram”.

Bem, teve ainda um outro fato: uma crítica (no sentido negativo mesmo) assinada por Louis Leroy sobre o quadro de Monet e que acabou por dar nome ao movimento ao satiricamente classificar os pintores como “impressionistas”.


Se a Normandia já era por si só um local de atração turística, o festival deu-lhe um brilho que promete fazer daquela região o coração do que há de melhor em arte na Europa nesta temporada de verão (lá). Não é à toa que essa área da França foi o destaque do caderno de Turismo da “Folha de S. Paulo” desta quinta-feira.

Encabeçando o festival está a exposição “Uma cidade para o Impressionismo: Monet, Pissarro, Gaughin em Rouen”, no Rouen Fine Arts Museum, em Rouen, uma cidade que Pissarro disse ser "tão bonita como Veneza”, “um lugar simbólico da pintura moderna”. E Rouen é só uma delas. Haverá também projeções de luzes nos monumentos, shows pirotécnicos, cruzeiros pelo rio Sena (cenário frequente dos artistas) e outras atividades ao ar livre, um verdadeiro roteiro pelos caminhos impressionistas na região.

A ideia é proporcionar uma “excepcional celebração” baseada no “espírito deste fascinante e ilustre movimento artístico”.

E se não bastassem os eventos, existem as paisagens da Normandia que tanto fascinaram os pintores impressionistas. Elas estão por toda parte, nas praias e suas falésias, nas igrejas, pelo rio e pelos campos. Os jardins de Monet em Giverny já foram tema de postagem neste blog (veja aqui). Uma mostra dessas paisagens e das atividades do festival pode ser vista no vídeo a seguir (em francês), disponível no site oficial:


Déjeuners sur l'herbe
Enviado por NormandieImpressionniste. - videos de Arte e de animação

O site traz uma lista de pintores por cidade. Tem também informações históricas e sobre os eventos do festival, além da programação completa.

Um aspecto interessante do festival é a união de forças para sua realização, incluindo os governos, as organizações da sociedade e a iniciativa privada – algo muitas vezes raro no Brasil.

sábado, 8 de maio de 2010 | | 0 comentários

Os jardins de Monet

A cena apareceu no capítulo de sábado (8/5) da novela “Viver a Vida”, da Rede Globo. E imediatamente despertou minha atenção – e não só a minha. Os recém-casados Miguel (Mateus Solano) e Luciana (Aline Moraes) foram passear nos jardins de Monet. Impressionismo puro!

Quem acompanha meu blog Piscitas Travel & Fun, que traz minhas crônicas de viagens, sabe o valor que eu dou às sensações que os lugares despertam. Uma dessas sensações é justamente saber que você está num local que fez parte da história. É uma sensação única, indescritível – e que depende essencialmente da capacidade da pessoa de se abrir a ela.

Pois nos jardins de Monet, esse sentimento é levado ao extremo. Como os próprios personagens falaram, lá você tem a plena sensação de estar num quadro de um dos mais famosos pintores impressionistas de todos os tempos.

Os jardins ficam em Giverny, cidade a cerca de 50 minutos de Paris, no vale do rio Sena. É lá que está a casa onde Claude Monet viveu por mais de quatro décadas. É lá que estão os famosos jardins (são dois). É lá que está a famosa ponte de estilo japonês, imortalizada pelo pintor em 45 quadros (um deles ilustra esta postagem, em foto feita por mim no Museu de Arte da Filadélfia, nos Estados Unidos).

Ainda em Giverny, é possível visitar o Museu dos Impressionistas, criado em 2009 e que possui jardins tão belos quanto os de Monet. No museu, o visitante conhecerá mais sobre a história do impressionismo e verá trabalhos de nomes como Seurat, Pissarro, além de Monet, é claro. A tarifa individual custa 6,50 euros (a entrada é livre sempre no primeiro domingo de cada mês).

Agora você já sabe: quando estiver em Paris, vale uma esticada até Giverny. Tenho certeza que você nunca mais verá um quadro de Monet da mesma maneira.