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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014 | | 0 comentários

Está difícil viver no Brasil!

Está realmente difícil viver no Brasil. Sinto-me assaltado todos os dias, dos mais diferentes modos. Vamos a apenas três casos recentes, resumidos:

CASO 1
Tenho um plano tipo controle da TIM, com valor mensal de R$ 49,90. No primeiro mês a cobrança veio ok. No mês seguinte, R$ 39,90. Como? “Um desconto”, informaram. Por qual motivo?, perguntei. “O sr. é o primeiro cliente que reclama de desconto.” Fiquei sem saber o motivo, talvez tenham gostado do meu nome...

Mês seguinte: R$ 143!

Paguei por uma ligação para Londres cerca de R$ 9. Tudo bem. E uma ligação para Limeira (SP) me custou quase R$ 16. Como????

Além disso, admitiram terem cobrado errado R$ 69,90 do plano de Internet, que não possuo. Dois dias depois recuaram e disseram que eu tinha usado a Internet. Depois de muita briga voltaram a descontar os R$ 69,90.

CASO 2
Tenho um outro plano controle da TIM, de R$ 29,90. Liguei na operadora em janeiro e pedi a conversão para pré-pago. Um mês depois, nova cobrança. Liguei para saber o que tinha ocorrido e a atendente: “É, realmente tem um protocolo do sr. em janeiro mudando o plano...”. Tá, e daí? A conta será cancelada?, quis saber. A resposta: “O sr. já recebeu a fatura? Porque para mim, no sistema (sempre o sistema!!!), não tem fatura gerada. Portanto não posso fazer a contestação. O sr. tem que ligar depois...”

Como assim eu recebo uma fatura em casa, de PAPEL, e não há fatura gerada no sistema? Quem imprimiu aquela m.?

CASO 3
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo me descontou R$ 20 de contribuição assistencial (o que é proibido por lei) no mês passado. Disse que não queria fazer tal contribuição (ora, é uma “contribuição” não?). Fui orientado a protocolar uma carta no sindicato, com cópia para a empresa onde trabalho. Assim fiz.

Este mês, novo desconto. Reclamei. Disseram-me que só os sócios do sindicato podem solicitar o fim da cobrança.

Ou seja: ou você se sindicaliza e paga a mensalidade ou o sindicato simplesmente pega o seu dinheiro na forma – ilegal! – de contribuição assistencial.

Trata-se, sem sombra de dúvida, de um modo velado de forçar o trabalhador a se sindicalizar.

Em tempo: esta prática não combina com o sindicato de uma categoria que deve, por princípio, zelar pela ética. Talvez por isto o jornalismo esteja tão... deixa pra lá.

Apenas como informação: numa consulta feita há alguns anos junto ao Ministério do Trabalho, fui informado de que a contribuição assistencial não pode ser descontada compulsoriamente do salário do trabalhador. Eventual previsão de desconto em convenção coletiva (como no caso do Sindicato dos Jornalistas) não está acima de qualquer lei. E não há legislação que torne obrigatória esta cobrança, só há lei para a contribuição sindical (paga uma vez ao ano e referente ao valor de um dia de trabalho).

Na Justiça, obtive há alguns anos uma liminar suspendendo tal desconto, em outra empresa. A decisão da juíza foi bastante clara:

"Concedo a tutela antecipada no tocante a suspensão dos descontos a título de contribuição assistencial, por evidenciados os requisitos insertos no artigo 273 do Código de Processo Civil, quais sejam, a verossimilhança do direito, pois referida contribuição somente é devida pelos empregados associados ao sindicato réu (...)".

Dez reais aqui, vinte acolá e assim o dinheiro nosso de cada dia – suado - vai sendo surrupiado por artimanhas de empresas e organizações sem que praticamente nenhum órgão oficial ou autoridade faça alguma coisa.

Quer reclamar? Gaste com um advogado... Ou procure o bispo... Ou mude de país!

PS: quem puder, compartilhe esta postagem nas redes sociais. Assim, quem sabe, mais gente se junta a esta queixa e as empresas começam a dar mais atenção aos clientes.

domingo, 17 de março de 2013 | | 0 comentários

A vez do consumidor

Mais efetivo do que multas, a secretária nacional do consumidor, Juliana Pereira, acredita que carimbar as empresas com o "selo" de quem respeita ou desrespeita o consumidor é a melhor alternativa para puni-las.

A xerife do consumo explica que o governo criará um ranking com base não apenas em quantidade de reclamações, mas considerando também o tipo de problema, o que o ocasionou e a solução apresentada pela empresa.

"É direito do consumidor saber quem é quem no mercado de consumo", defende. Diz ainda que as empresas precisam parar de tratar o consumidor como um custo.

(...) Leia trechos da entrevista.

Não é a multa que vai melhorar?
Vários países passaram por esse processo da multa alta, da multa que vai sendo discutida longamente, a empresa começa a diluir isso no custo e, na hora que chega o dia para ela pagar, ela já tem todo o dinheiro.

E quando o problema for de infraestrutura?
Uma empresa de e-commerce me disse que o problema é das estradas. Eu disse: o problema é que você promete entregar em dez dias uma coisa que não consegue. Você mente para o consumidor.

Há os críticos que afirmam que, com isso, o governo vai quebrar empresas...
Esse é um discurso que tem 23 anos de atraso. O Código de Defesa do Consumidor existe desde 1990 e aconteceu o contrário. Vamos criar um índice para mostrar quem é quem. Consumo é relação de confiança. Deu problema, a pessoa procurou a empresa e resolveu, isso aumenta a confiança de que escolheu a marca certa. O consumidor precisa deixar de ser custo e ser tratado como um sujeito importante da relação.

Classificar as empresas que respeitam e as que desrespeitam os consumidores dá mais resultado?
É direito do consumidor saber quem é quem no mercado de consumo.

Fonte: Andreza Matais e Sheila D´Amorim, “O consumidor tem o direito de saber quem é quem”, Folha de S. Paulo, Mercado, 17/3/13.

terça-feira, 16 de outubro de 2012 | | 0 comentários

Dos EUA, um exemplo de respeito ao cliente

relatei neste blog o problema que tive durante minha estadia no hotel Travelodge em Chicago (EUA) em abril deste ano. O problema se acentuou quando recorri ao site Hoteis.com - do qual ERA cliente e no qual havia feito a reserva – para que intermediasse uma tentativa de solução. O péssimo atendimento recebido e o desinteresse do site em tentar ajudar me deixaram frustrado, irritado e com uma sensação de total impotência.

Na mesma época em que havia procurado o Hoteis.com, também registrei uma queixa via e-mail no site do Travelogde. Fiz isso muito mais por desabafo do que qualquer outra coisa.

Qual não foi minha surpresa quando recebi um e-mail do hotel lamentando que minha estadia não tenha sido tão agradável e colocando a equipe à disposição para solucionar o problema. No e-mail, a atendente informou que o hotel havia revisto minha situação e que iria encaminhar um cheque no valor de US$ 70, mais um adicional, como compensação pelo problema.

A atendente ainda pediu desculpas pelos inconvenientes causados e desejou que eu voltasse a me hospedar na rede num futuro próximo.

Passado algum tempo, porém, nada de cheque. Achei que tivesse entendido errado a mensagem. Até que no último dia 1° recebi um novo e-mail pedindo que confirmasse meu endereço residencial, já que o cheque havia sido devolvido pela empresa de entrega.

Pois bem: nesta data (16/10) recebi em casa um cheque no valor de US$ 95 com a chancela do Travelodge. Ainda não sei exatamente como depositá-lo (nunca vi um “cheque-formulário” como o que recebi).

Independentemente disso, porém, a atitude da rede Travelodge mostrou-se extremamente amigável, sem contar a preocupação que demonstrou com um hóspede e a eficiência no envio do cheque.

Bem diferente do que vivenciei com o site Hoteis.com.

Revi, pois, minha opinião a respeito do Travelodge e registro aqui a consideração que o hotel demonstrou no caso – tudo, registre-se, a partir de um único e-mail que eu enviei.

Talvez seja por atitudes assim que os Estados Unidos são o que são e o Brasil, idem. Temos muito o que avançar no que diz respeito a direitos do consumidor e, mais do que isso, no tratamento do consumidor.

domingo, 17 de junho de 2012 | | 0 comentários

A pergunta que não quer calar...

As fotos a seguir foram tiradas numa loja qualquer na Filadélfia (EUA):



Alguém poderia explicar a razão dos tênis custarem bem mais no Brasil?

segunda-feira, 14 de maio de 2012 | | 0 comentários

Atenção com o Hoteis.com

Caro leitor

Gostaria de fazer um alerta: cuidado com reservas via Hoteis.com e na rede de hotéis Travelodge, mais precisamente no de Chicago.

Numa recente viagem com um amigo, fizemos praticamente todas as reservas de hospedagem via Hoteis.com. Foram cerca de 20 reservas. Tudo transcorreu bem até Chicago. Na recepção do Travelodge Downtown, a atendente informou que o hotel não permitia duas pessoas no quarto que tínhamos reservado. Alegou que o dito cujo era muito pequeno.

Questionei a razão do site hoteis.com ter permitido que fizéssemos a reserva para duas pessoas se não era permitido. A resposta: “Não sei, isto é um problema do Hoteis.com”.

Pedi para ver o quarto alegando que não me preocupava com o tamanho. A resposta: “O senhor até pode ver o quarto, mas não está entendendo. O hotel não permite que duas pessoas ocupem este dormitório”.

A única alternativa apresentada foi pegar outro quarto, que me custou 70 dólares a mais. Tentei argumentar, insisti que não era minha culpa se houve falha no sistema de reservas, sem sucesso. Cansado após horas de voo, carregando mala com excesso de peso, etc, desisti de tentar entender o que se passava e paguei o valor pedido.

O problema maior, porém, ainda estava por vir. Tão logo voltei para casa, fiz contato com o site no qual fiz as reservas a fim de tentar um ressarcimento. Fui atendido no dia 29, à noite, pelo sr. Kim. Ele ouviu meu relato, estranhou a atitude do hotel e pediu que eu enviasse por fax a conta extra – o que fiz. Pediu sete dias úteis para uma resposta.

Vencido o prazo, liguei para o Hoteis.com no último dia 11. Após sete tentativas frustradas de concluir o assunto (os telefonemas sempre “caíam” e uma vez transferiram a ligação diretamente para o hotel dos EUA sem avisar...), fui informado que o site iria ligar para o Travelodge (algo que imaginei já tivesse sido feito).

Minutos depois, a resposta: “o hotel informou que vocês não gostaram do quarto reservado e pediram para trocar por outro maior”. Fiquei revoltado – não necessariamente pelos 70 dólares gastos, mas agora pela mentira do Travelodge Downtown Chicago e pela falta de consideração do Hoteis.com com um cliente até então fiel.

Falei para a supervisora Amanda que entre a palavra do hotel e a do cliente, optaram por acreditar na mentira deslavada do Travelodge. “Não podemos fazer nada, o senhor tem que resolver isto com o hotel”, disse ela.

Ou seja: não bastasse o nervoso e o fato de termos sido prejudicados e enganados, ainda teríamos que gastar dinheiro para fazer uma ligação internacional e tentar resolver um problema em inglês – sendo que minha compra foi feita no Hoteis.com e é do site que eu era cliente. ERA!

O que mais me irrita é o sentimento de impotência diante da situação.

Como dizia minha avó, porém, “deixa estar jacaré, a lagoa há de secar...”.

O site Hoteis.com não verá reservas minhas NUNCA MAIS. Tampouco a rede Travelodge.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011 | | 0 comentários

Frase

“As redes sociais estão fazendo as marcas se comunicarem de maneira mais humana, sem aquele oba-oba marquetês. O Twitter e o Facebook são o SAC exposto em praça pública. Não há nada pior do que um cliente mal atendido com o poder de disseminação da internet. Se o cliente gosta da marca, divulga com uma vontade enorme. Mas, se não está satisfeito, é capaz de um estrago absurdo. Esse pra mim é o grande fascínio da propaganda hoje, a rapidez do retorno, para o bem e para o mal.”
Marcello Serpa, sócio e diretor-geral de criação da AlmapBBDO, em entrevista à “Folha de S. Paulo” (para ler a íntegra, clique aqui – é preciso ter senha do jornal ou do UOL)

sábado, 2 de outubro de 2010 | | 0 comentários

De novo a Net!

Tive problemas com a Net novamente. Na noite de quinta-feira, fiquei sem acesso à Internet. Após uma espera de quatro horas, decidi recorrer ao call center. Na primeira ligação, cinco minutos de espera e nada. Na segunda tentativa, após mais cinco minutos de espera, a atendente surgiu. Questionei, antes de mais nada, se a nova lei do call center não exigia o atendimento em um minuto.

A jovem, muito “educada”, disse: “Em que posso lhe ajudar?”. Ou seja: ignorou minha queixa. Voltei a perguntar sobre a demora no atendimento. Ela admitiu que a lei falava em um minuto, mas havia muitas chamadas naquele momento. Eu disse apenas: “ora, mas não deviam estar preparados para isso?”. Ela desligou o telefone na minha cara.

Mais um contato, mais cinco minutos de espera e desisti de reclamar sobre a demora. Falei do meu problema com o acesso à Internet. E decidi recorrer à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Não sei se vai dar resultado, mas registrei minha queixa. Cumpri meu dever de cidadão e consumidor consciente. Se as empresas não aprenderem por bem a respeitar os clientes, que aprendam por mal.

Abaixo a cópia da minha queixa formalizada na Anatel.


PS: para ler o meu problema anterior com a Net, clique aqui.

Em tempo: estou, sim, usando este espaço para tratar de uma questão pessoal. Quem sabe isso não estimula outros consumidores a reagir ou ainda faz a Net tomar alguma atitude...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010 | | 0 comentários

"Pagamos mais caro. E agora?"

A globalização contemporânea apresenta esta vantagem: amplia a capacidade do consumidor de comparar preços. Os computadores, jogos eletrônicos, celulares, roupas, tênis, perfumes, etc. são os mesmos pelos shoppings mundo afora. Aliás, os shoppings são iguais. Viagens internacionais mais frequentes e baratas e, sobretudo, a internet completam o quadro. Dá para saber o preço de um carro em qualquer país.

O consumidor brasileiro está ligado nisso e já toma consciência de como os mesmos produtos são muito caros por aqui. O artigo da semana passada, mais a reportagem e o comentário no "Jornal da Globo" de quinta-feira (19/8) trouxeram ampla variedade de e-mails e relatos de experiências diversas. Eis alguns exemplos:

Luiz Brandão chama a atenção para os remédios. Conta que um medicamento produzido pela AstraZeneca, chamado Nexium esomeprazol, custa na Argentina a metade do preço praticado no Brasil.

André Blau, de São Paulo, contou: "Minha esposa me comprou de presente um pulôver sem mangas, pelo qual ela pagou R$ 240. A peça não passou na primeira lavagem. Saiu com aparência feia e cheia de bolinhas. Aí, entrei na internet e comprei da Inglaterra malhas feitas de Cashmere misturada com lã merinos. Paguei cerca de R$ 60, inclusive com despacho. Paga-se com cartão de crédito. Na alfândega brasileira, passa sem pagar imposto todo pacote que tem até três ou quatro malhas".

Antonio Carlos Reis, de Piracicaba, contou sobre a diferença de preços entre uma mesma pick-up aqui e em Buenos Aires. E pergunta: "Minha mulher e eu podemos, num fim de semana, voar para Buenos Aires para um passeio romântico e de lá voltar na desejada pick-up? Pelo que sei sobre comércio exterior na esfera do Mercosul, não há imposto de importação".

Edson Pinto, que ajudou um filho a montar uma loja em shopping, conta dos custos elevadíssimos para fazer negócios no Brasil. São custos públicos, digamos assim, como os impostos e as infinitas taxas. Lá pelas tantas, relata, "entra o Ecad e exige o pagamento de taxas pela música que o caixa ouve no computador da loja; a prefeitura exige que a vitrine tenha faixas para evitar que os clientes desatentos batam a cabeça no vidro; o Procon passa e multa porque um determinado produto entre dezenas na vitrine não traz o preço".

E há custos privados, ou seja, aqueles cobrados pelos administradores dos shoppings. Tudo somado, diz nosso leitor, o empresário tende a colocar margens brutas muito elevadas, que lhe parecem a melhor saída para enfrentar os custos atuais e possíveis no futuro. Resultado: "Vira um jogo de malandragem necessária em que a lei da oferta e da procura clássica só se sustenta a curto prazo. Claro que poucos comprarão. Talvez se venda em quantidade suficiente para ganhar algum. Se não, parte-se para outro produto e a roda-viva continua até que o pequeno comércio, sonhado pelos jovens que acreditam inocentemente no País, vá se incorporar à estatística tenebrosa da mortalidade precoce de novos negócios no Brasil".

Tudo considerado, há cinco classes de problemas:

Impostos: não a há a menor dúvida, a carga tributária impõe custos elevados ao consumidor. O caso dos remédios é dramático: num medicamento de R$ 10 o governo pega R$ 3,50, mesmo para produtos de uso contínuo. Em produtos eletrônicos a carga pode chegar à metade do preço final.

O custo de fazer negócios no Brasil: uma pesquisa nacional da Firjan mostra que a abertura de uma empresa exige de seis a oito etapas burocráticas, pagamento de 12 a 16 taxas, tudo com 43 documentos (alvarás, licenças, etc.). Abrir uma empresa pequena no Rio, no ramo da alimentação, sai por mais de R$ 5 mil. Há Estados em que os bombeiros cobram R$ 2.500 para darem um alvará. Em Santa Catarina, a OAB local tabelou em R$ 2.681 o trabalho do advogado de assinar o contrato de abertura de empresa, em geral um contrato-padrão. Um estudo da Fiesp calcula que as empresas brasileiras gastam anualmente cerca de R$ 45 bilhões com a burocracia. Uma enormidade, equivalem a 1,5% do PIB. Incluem-se aqui custos trabalhistas e o dinheiro e a energia aplicados pelas empresas nas relações com o Fisco.

Custo da infraestrutura: fretes elevados e demorados, taxas e tempo perdido nos aeroportos, portos, etc.

Ineficiências: o trabalhador brasileiro, com educação comprometida, produz menos e absorve de maneira limitada as novas tecnologias.

Margens elevadas: ou porque o mercado é protegido ou porque, como diz Edson Pinto, é a defesa que o empresário, especialmente o menor, encontra para se manter à tona.

Soluções? Obviamente, é preciso reduzir a carga tributária. Não é simples, porém. O governo arrecada muito porque gasta muito. Logo, sem uma redução do gasto público, sem uma limitação no tamanho do Estado, não haverá como diminuir impostos.

Mas é possível adotar desde já algumas medidas emergenciais, como retirar a carga de produtos essenciais, como medicamentos.

Outras soluções foram indicadas pelos leitores: abertura dos mercados. Se, por exemplo, fosse possível ir a Buenos Aires, comprar o carro e trazê-lo para cá, essa competição pressionaria os preços brasileiros. (O leitor Reis pode passear na Argentina, mas não conseguirá comprar a pick-up nem circular com ela por aqui.)

André Blau conseguiu uma boa saída via internet. Há muitos sites confiáveis, mas isso é limitado a compras pequenas. E nem é bom falar muito, porque daqui a pouco vão tentar cortar essa onda.

Facilidades maiores nas compras de quem vem do exterior são limitadíssimas. E injustas. Beneficiam a parte da população que tem dinheiro para viajar. Impostos menores e abertura às importações beneficiariam a todos.

Reduzir burocracias e o custo de fazer negócios no País é muito possível. São mudanças no nível microeconômico, que podem ser feitas por prefeituras, por exemplo. Infelizmente, não temos visto esses temas na campanha eleitoral. Mas a consciência dos consumidores é cada vez maior. Um bom começo.

Fonte: Carlos Alberto Sardenberg, Opinião, "O Estado de S.Paulo", 23/8/2010 (link aqui)

segunda-feira, 31 de maio de 2010 | | 0 comentários

Lista de compras

Vi recentemente um interessante documentário sobre consumo em um desses canais a cabo tipo National Geographic, Discovery ou algo assim. Ele mensurava quanto um ser humano consume, em média, durante toda a vida. Confesso que nunca tinha parado para pensar a respeito. Confesso também que os números me surpreenderam.

Infelizmente, não me recordo o nome do documentário – ele realmente começou a me interessar depois que os números surgiram. Tive tempo, porém, de anotar alguns dados (lembrando que se trata da média, você pode não consumir algo da lista abaixo, mas haverá alguém que consumirá por você – a minha cota de chocolates, por exemplo, deve ser maior...).

O objetivo do documentário era despertar uma consciência ecológica sobre o nosso atual padrão de consumo.

Eis, portanto, a lista do que você consume durante a vida:

* 13.345 ovos
* 4.283 pacotes de pão de forma
* 5.272 maçãs
* 10.866 cenouras
* 10.000 barras de chocolate ou 8,2 quilos anuais de chocolate
* 845 latas de feijão
* 1.200 frangos
* 4 vacas

* 15 porcos
* 16.000 litros de leite

* 10.351 copos cerveja
* 1.694 garrafas vinho

Isso resulta em:

* 8,5 toneladas de lixo só de embalagens de comida
* 2.865 quilos de fezes

* 35.815 litros de gases emitidos
* 4.239 rolos de papel higiênico usados

Este é o tamanho do nosso consumismo desenfreado, o custo da nossa existência.

E então, despertou?

Ainda durante a vida, conhecemos 1.700 pessoas (sejam amizades eternas ou encontros efêmeros) e pronunciamos 123.205.740 de palavras. Leremos 2.455 exemplares de jornais, o que significa 1,5 tonelada. O papel usado na nossa leitura de jornais e livros exigirá o corte de 24 árvores. E daremos 415 milhões de piscadas de olhos.

PS (acrescentado em 5/6): acabei de rever o documentário. Foi no NetGeo. O nome dele é “As marcas da humanidade” e tem como base o consumo médio de um cidadão da Grã-Bretanha.

quinta-feira, 11 de março de 2010 | | 0 comentários

Kabruska! (ou os problemas da Net)

Sexta-feira, 21h30. Tentei acessar a Internet. Sem sinal.
Sábado, idem.
Domingo, 20h. Nada.
Segunda-feira, 20h30. Nada.
O sinal só ressurgiu por volta da 1h30, já na madrugada de terça-feira. E caiu duas horas depois.

Este é o serviço dado (?) pela Net, pelo qual pago – junto com a TV a cabo e o telefone (que não uso, mas é parte obrigatória do tal combo) – R$ 174,90 por mês. Mais de R$ 2 mil por ano! E quando preciso... sem sinal.

Se esta fosse a primeira vez, vá lá, mas o problema é recorrente. Recorrente!

Se não bastasse o péssimo serviço (ou melhor, a falta do dito cujo), o atendimento do call center é lastimável, coisa para o Procon analisar.

Vejamos: liguei para a Net na segunda-feira (8/3) por volta das 13h50. Fui atendido por uma pessoa chamada Cíntia. Após citar meu problema, ela questionou se eu havia contatado o atendimento eletrônico nos dias anteriores. Respondi que não e completei dizendo que minha ligação tinha o único (único!) objetivo de pedir desconto pela falta do serviço durante três dias e não para solicitar que tomassem providências em relação ao problema – pois isso quem vai fazer sou eu, em junho, quando acabar o prazo pelo qual pago multa por cancelamento do contrato.

Com uma simpatia peculiar, a tal Cíntia reiterou que eu devia entrar em contato com o atendimento durante a ocorrência. Quando fui explicar que o problema era recorrente, que estava cansado e que queria apenas verificar a possibilidade do abatimento, não é que a exemplar funcionária desligou. Isto mesmo: a atendente da Net me deixou falando sozinho.

Claro que, para uma empresa do tamanho da Net, os R$ 2.098,00 por ano que eu entrego a eles não farão diferença. Para mim, porém, será um prazer deixar de dar parte do meu suado dinheiro para uma empresa que:

1) oferece um serviço (?) de péssima qualidade e
2) desrespeita o cliente.

Só para constar: além da tal Cíntia, fiz uma outra ligação à noite para a Net. Uma outra atendente, mais atenciosa (pelo menos não desligou o telefone na minha cara), apresentou como única solução uma visita técnica. Recusei. Afinal, outras quatro já foram feitas nos últimos meses...

Em tempo: enquanto escrevo este texto, o sinal da Net já caiu... São 3h40 – portanto, não foram nem três horas de acesso à Internet.

PS: numa ocasião anterior, em que tive o mesmo problema, a Net teve a ousadia de me informar, via call center, que eu tinha ficado sem sinal durante 19 dias no mês. Dezenove dias! Eles sabiam disso e ainda assim me cobraram o valor integral do serviço – R$ 49,90 (só a Internet, sem contar os demais itens do combo). Foi preciso que eu solicitasse o abatimento proporcional para ter um desconto. E qual não foi minha surpresa ao receber a conta: o desconto foi de R$ 1. UM REAL! Se 19 dias valem R$ 1, logo não deveria pagar R$ 49,90 por mês...

Mas esta é a Net.

* O serviço só foi restabelecido nesta quinta-feira, 11/3, por volta das 20h30.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 | | 0 comentários

O tal "jeitinho brasileiro"

O colega Danilo postou no blog dele, o Chapadeira, uma interessante mensagem (leia aqui) que resume de forma prática o que tenho insistido em pregar nos últimos tempos - notadamente nas minhas participações no programa "Fatos & Notícias", da TV Jornal: quanto nós, brasileiros, contribuímos para a bagunça nacional.

A postagem revela de forma direta como o tal "jeitinho brasileiro", do qual tanto nos orgulhamos, tem mais aspectos nocivos do que benéficos. Confirma o diagnóstico feito certa vez por um diplomata norte-americano - e que gerou até uma crise entre Brasil e EUA - de que a corrupção é endêmica na terra brasilis.

Hoje, por exemplo, fui vítima de uma situação dessas: entrei no banco às 13h47. Peguei a senha 136 e o marcador indicava que estava sendo atendido o cliente 116. E eram apenas dois caixas... Para piorar, um destes caixas atendia há 20 minutos, segundo relato de um cliente que aguardava ao meu lado, um mesmo cidadão que resolveu pagar todas as contas da vida naquele momento (direito dele, registre-se).

E assim, de um em um, os clientes eram chamados. Resumo: fui atendido exatamente às 14h28, ou seja, 41 minutos depois da minha entrada (uma lei municipal fixa que o atendimento deveria ser feito em no máximo 20 minutos, mas como não há fiscalização...).

Nesse tempo, uma senhora foi chamada pela senha especial destinada a gestantes, idosos, portadores de deficiências e mães com bebês de colo. Estranhei, pois não via nela nada que pudesse lhe conferir o benefício do atendimento prioritário. Por um momento achei que ficaria naquilo, mas a caixa - vendo a situação no banco - questionou a mulher. E eis que a folgada (sim, esta é a melhor definição) disse: "Estou com ela, ela está grávida". Ela, no caso, era uma jovem sentada comodamente na área dos caixas... A atendente alertou que da próxima vez o atendimento deverá ser feito só à pessoa grávida. E a mulher que recorreu ao "jeitinho brasileiro" nem com vergonha na cara ficou.

Em tempo: quando saí do banco, o homem que "alugou" um dos dois caixas ainda estava lá pagando as contas da empresa...

Talvez essas situações ajudem a explicar o nosso atraso. Seriam causa ou efeito?
Por isso insisto: se cada um fizer a sua parte...

PS: como não consegui ligar para o Procon enquanto estava no banco porque havia deixado o celular no carro, deixo registrada aqui minha indignação com a demora para o atendimento. Foi no Banco Real do Centro de Limeira, agência 1536, esquina da Rua Barão de Campinas.