segunda-feira, 8 de setembro de 2014 | | 0 comentários

Jovens tardes de domingo...





Eu me lembro com saudade o tempo que passou
O tempo passa tão depressa, mas em mim deixou
Jovens tardes de domingo, tantas alegrias
Velhos tempos, belos dias (...)


(“Jovens tardes de domingo”, de Roberto e Erasmo Carlos)




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A arte de viajar (uma visão sul-americana)

Trechos da entrevista da ensaísta argentina Beatriz Sarlo:

(...) A sra. diz que, nas viagens pela América do Sul, nos anos 1960/70, buscava uma "aura revolucionária" da região, como o Che Guevara dos "Diários de Motocicleta". E que isso, hoje, seria impossível. Por quê?
Eu acreditava, com ingenuidade, que minhas viagens por esses territórios me permitiam conhecer, em seu próprio teatro, os futuros sujeitos de uma revolução continental que julgava tão inevitável como próxima. Acreditava na autenticidade desses sujeitos e, mais, que meu olhar ia poder descobri-los. Sem ter lido Walter Benjamin, confiava na aura da experiência direta, em seu potencial de empatia. Não duvidava que era possível comunicar-me com etnias amazônicas ou mineiros bolivianos ou camponeses do altiplano, inclusive quando não falava suas línguas nem conhecia sua cultura. Pensava que entre eles e eu, uma universitária, não houvesse um abismo cultural. E se esse abismo se manifestava, minha aposta era que a experiência direta era capaz de tapá-lo. Tinha uma confiança cega na experiência. Isso me permitiu um conhecimento que só décadas depois pude organizar numa narrativa.

Quando a sra. lê sobre o que aconteceu a esses países hoje, o que pensa?
Naquela época, a Bolívia foi o país que eu mais quis e admirei: povos subjugados e combativos, mineiros mobilizados por sindicatos trotskistas, uma central trabalhista em permanente conflito, nacionalismos de toda espécie. Voltei no começo dos anos 1970, quando estava governando o general Juan José Torres (1970-71), um militar anti-imperialista, e pensei em ficar lá. La Paz estava fervendo: centenas de camponeses, de mineiros, de trabalhadoras com seus filhos nas costas entravam e saíam da casa de governo. As mobilizações eram gigantescas. Pouco depois, em 1971, o general Torres foi derrotado [começa a ditadura de Hugo Banzer]. Assim terminava aquela etapa fugaz que me entusiasmou enquanto ia ocorrendo, como se a história passasse diante dos meus olhos. Custa para mim separar essas memórias do atual processo boliviano, especialmente das origens do presidente Evo Morales. Torres também era mestiço. No caso do Brasil, tínhamos uma ideia que não era tão diferente do que aconteceria nas décadas seguintes. Não sei por que intuição, acreditávamos na potência do Brasil, e sobretudo, em seu imaginário futurista. (...)

Fonte: Sylvia Colombo, “Acreditava que, em viagens, conheceria sujeitos da revolução”, Folha de S. Paulo, Poder, 8/9/14.

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Só para registrar

O PT faz hoje a mesma propaganda do medo da qual foi vítima em eleições passadas e contra a qual saiu vitorioso em 2002, empurrado pelo slogan de que "a esperança vai vencer o medo".

E o PT faz hoje exatamente o que sofreu e criticou no passado porque virou, desde que chegou ao poder, um partido igual a todos os outros.

Um partido sem escrúpulos, abjeto, que faz tudo pelo poder e a quem tudo vale em razão do poder.

Como já decretei neste blog que o PT que eu conhecia morreu em 19/8/2009, não me surpreende que a tática do marqueteiro João Santana na atual campanha eleitoral leve exatamente ao mesmo lamaçal de outrora. O lamaçal dos partidos sem escrúpulos.

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Uma sinfonia para Lucerna

A cidade de Lucerna, na Suíça, sedia até o próximo dia 14 um dos maiores festivais de música clássica do mundo. Este ano, a programação inclui uma atividade diferente: a comunidade foi convidada a colaborar na composição de uma sinfonia para a cidade.

O ronco de um motor no trânsito, o barulho do ônibus e da fonte. Vida urbana combinada com a natureza. As aves no lago, o ruído dos pássaros na ponte medieval, a água batendo suavemente no barco a vapor... Transformar os sons de uma cidade numa sinfonia é o desafio do compositor americano Tod Machover. Ele desembarcou em Lucerna com o compromisso de dar a uma das mais encantadoras cidades suíças a sua própria música. “Toda cidade tem seus próprios sons", disse.

Na moderna sala de concertos de Lucerna, as apresentações do festival atraem pessoas de todo o mundo. 


 


Do lado de fora, é o trabalho de Tod que chama a atenção. Ele saiu às ruas para captar opiniões e ruídos. Andou às margens do lago, ouviu sotaques e idiomas diferentes. “Num lugar quieto como lucerna”, falou, “é preciso atenção e paciência para ouvir os sons”. Por exemplo: dos trens e barcos.

O compositor pediu também para as pessoas enviarem sons da cidade, qualquer som.

Depois, tudo vai ser trabalhado em estúdio com ajuda da tecnologia. O compositor é ligado ao Laboratório de Mídia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, um dos mais renomados do mundo. É lá que sons, como da água, devem virar notas musicais. O trabalho vai durar um ano.

Parece difícil, mas o resultado Toronto conhece bem. A maior cidade do Canadá foi a primeira a ganhar uma sinfonia para chamar de sua.


Quando eu pergunto se seria possível fazer uma composição com o trânsito caótico de São Paulo, o compositor interrompe: “mas em São Paulo o trânsito não anda!". Depois, confessa que adoraria fazer o projeto. “São Paulo é uma das grandes cidades do mundo”, afirmou.

Ele lembrou até de quando esteve num barzinho e viu um músico tocando com duas colheres: “eu nunca ouvi nada igual”.

Pelo jeito, só falta o convite.

* Texto original de reportagem feita para o "Jornal da Cultura" (seg. a sáb., 21h)

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Constatação

Pobre o país em que o presidente diz ver imagens miraculosas do ex-líder morto. Triste o país no qual o presidente diz sonhar com recados do falecido transmitidos por aves e parafraseia orações para cultuar quem já se foi - tudo para conseguir popularidade...

* Leia também:

- A beatificação do fracasso

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48 horas...

48 horas já não são mais suficientes para falar todas as palavras,
para matar todas as saudades,
para bater todos os papos,
para tomar todas as cervejas 
e cafés.

48 horas já não são mais suficientes para rever as pessoas amadas,
para relaxar, curtir, dormir
para caminhar, passear, saborear
para nada fazer
e tudo querer.

48 horas já não são mais suficientes para todas as visitas devidas,
para todos os presentes atrasados,
para todos os churrascos programados,
para todas os convites recebidos
e os abraços desejados.

48 horas simplesmente já não são...
já não dão...

quinta-feira, 4 de setembro de 2014 | | 0 comentários

Trabalhando...

Governo pode mudar Código Civil para incentivar a venda de carros:


A polêmica das fotos tiradas por um macaco:

quarta-feira, 3 de setembro de 2014 | | 0 comentários

Basta um motivo - e uma vida

Li hoje que um exame de DNA absolveu, após 30 anos, dois irmãos condenados por estupro e morte de uma garota nos Estados Unidos.

Um deles estava no corredor da morte.

Por histórias como esta, que levam à possibilidade de um inocente pagar com a vida por um crime que não cometeu, que sou radicalmente contra a pena de morte.

Mesmo que seja um único caso, a vida não tem volta. Só a possibilidade do sistema cometer um erro deste tamanho, e dele ser irreversível, já é suficiente para minha oposição à pena capital.

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O caminho (fácil) para a audiência (2)

De Mauricio Stycer, crítico de TV, em artigo na "Folha de S. Paulo":


A busca por audiência é um motor natural na TV aberta. Menos natural é ver que programas têm sido criados sem qualquer outro objetivo a não ser este. Também me assusta a cara de pau de figuras como este candidato a rei da "bacciaria".

Como eu já escrevi, o caminho da audiência pela audiência é conhecido e fácil...

* Leia também (acrescentado em 17/11):

- Com Rabo de Arraia, Record transforma jornalismo em circo

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Aprendendo a cozinhar no Peru

O pisco é a pinga peruana. Um aguardente de uva, com alto teor de açúcar e álcool - 43%. A bebida é conhecida desde 1617 e, segundo o chef Gonzalo Carbajal Cobilich, foi inventada porque o Peru colonial não tinha permissão da Espanha para produzir vinho.

E assim como a bebida dos deuses, provar o pisco também exige um ritual. “Não é whisky, não é vodka, exige um trago fino...”, diz o chef. Ele explica que a bebida é fina, deve ser tomada em pequenas doses. É preciso dar uma tragada e permitir que o aroma atinja o nariz. Não é fácil: a técnica exige tempo para ser aprendida.







O pisco é a base do principal acompanhamento das refeições no Peru: o pisco sour (ou sauer). O drinque foi inventado em Lima, capital do país, nos anos 50.

Mas antes de aprender a receita, vamos até a região de Ica, no meio do deserto, saber como o pisco é feito. O caminho revela um solo arenoso e seco. Na Fazenda San Nicolas, a guia explica que a colheita é tardia, por isso as uvas ficam com aparência de secas. Isto aumenta a concentração de açúcar. Plantar aqui é quase um milagre da natureza, com uma ajudinha do homem. A parreira, por exemplo, cresceu no solo arenoso do deserto. Basta usar técnicas de irrigação, muitas delas aprendidas em Israel.





Depois de amassadas, as uvas ficam nestes tanques de fermentação. Dá até para ver as borbulhas. Em seguida, o caldo é destilado. É aí que surge um líquido cristalino. Só nessa fazenda são produzidos cem mil litros de pisco por ano.




 

 



De volta ao restaurante, é hora de preparar o drinque. A receita é simples: três doses de pisco, uma de limão e uma de um melaço de açúcar, tipo um mel. É só bater tudo com gelo, acrescentar uma clara de ovo e no fim um toque de baunilha, por exemplo.

Para comer, o tradicional ceviche, com filé de peixe – nós usamos tilápia. A receita inclui fatias de cebola e limão, que tempera e cozinha o peixe de modo natural. O prato foi decorado com batata e sementes de milho.







A causa é um bolinho salgado à base de batata amarela. Para preparar, é só colocar uma camada de massa, rechear à vontade, e cobrir com mais massa. Na lateral, fatias de abacate. A cobertura ganhou camarão e ovo ralado.


Para finalizar, lomo saltado, um bife de lombo em tiras temperado com molho de pimentão, acompanhado de batatinhas. O nome do prato se deve a esta técnica aí.





Ah, um detalhe importante: no restaurante do chef Gonzalo, é o cliente que põe a mão na massa!

* Texto original de reportagem feita para o "Jornal da Cultura - 1ª edição" (seg.-sex., 12h). Infelizmente, o link da matéria está com problema. Mesmo assim, faço a "linkagem" aqui caso um dia o problema se resolva.

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Pitacos eleitorais

- Paulo Skaf (PMDB) com José Roberto Batochio (PDT), o mesmo advogado que tentou livrar o então prefeito de Limeira, Silvio Félix, da cassação sob acusação de enriquecimento ilícito? Aquele que criticou um "promotorzinho de uma comarcazinha do interiorrrr". Uhmm...

- É normal um candidato de oposição tentar desconstruir o governo de plantão. Aliás, é recomendável que o faça. Daí a dizer que “nada deu certo” ou que “tudo está errado” parece-me uma generalização incabível e uma desonestidade inaceitável para quem pretende fazer diferente.

- Partidos criticam os aliados alheios. Aliados que, até 45 dias atrás, eram disputados exatamente pelos partidos que agora criticam. É a (velha) política...

- O discurso da dita esquerda brasileira (PSOL, PCO, PSTU e por aí vai...) parece mais mofado do que enxoval da vovó no guarda-roupas. Esta historinha de calote e do fim dos patrões não combina com o século 21. Aliás, qual socialismo mesmo eles pregam? O cubano, o soviético, o chinês ou um outro qualquer?

- Seria mais bonito - e transmitiria humildade - Marina Silva (PSB) reconhecer que sua equipe errou ao plagiar trechos de um programa sobre direitos humanos feito pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Buscar desculpas definitivamente não faz parte da "nova política" que ela prega.

- Só para constar: Dilma Rousseff (PT) recusou-se a dar entrevista ao “Jornal da Globo”. O que ela não quis responder você vê aqui.

- Para finalizar: Dilma, aquela que virou presidente (o tal poste que o próprio Lula gosta de falar por aí) sem nunca ter disputado sequer eleição para síndico de prédio, acusar Marina de não ter experiência beira o ridículo, não?

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Pitacos cotidianos

- Já escrevi aqui sobre a crise na USP e disse algo que um especialista apontou agora em artigo na “Folha de S. Paulo”: se fosse uma empresa (ou uma universidade particular), a USP estaria falida.

- O mesmo princípio vale para o ministro da Fazenda, Guido Mantega: fosse diretor de alguma empresa e apresentasse os resultados da economia brasileira dos últimos anos (sem contar as previsões desastradas), já estaria na rua!

- As universidades estaduais paulistas levam 9,57% do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), uma das principais fontes de receita do Estado, e têm autonomia para administrar o dinheiro como quiserem. São quase dez bilhões de reais este ano! Gastam mal e agora cobram maior aporte de recursos do Estado. E os funcionários e alunos ainda criticam o governo quando, na verdade, deveriam aceitar que a administração das universidades é, no mínimo, temerária, para não dizer irresponsável (fruto de politicagens).

* Leia também (acrescentado em 8/9):

- Crise na USP

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Trabalhando... (na Suíça)

Um país em que o presidente não manda nada!



Um país onde os deputados não têm nem gabinetes!

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"A poem"

"A bird is a bird is a bird."

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Racismo: uma luta necessária

Confesso que a minha primeira reação ao mais recente ato de racismo no futebol brasileiro, desta vez contra o goleiro Aranha, do Santos, foi de completa indignação e revolta.

Como bem escreveu o jornalista Xico Sá, não podemos aceitar isto como “apenas mais um ato” ou como algo corriqueiro. Não é!

(...) O futebol não pode, como querem muitos, estar acima do bem, do mal e das leis. Racismo é racismo em qualquer canto. Com ou sem a bola rolando. Contra o Aranha ou contra a menina negra M.D.M.R, mineira de Muriaé, atacada no Facebook depois de postar uma foto com o seu namorado branco. 
Racismo é racismo. Ponto. Se era"normal" chamar de macaco no passado, que dane-se o passado, é hora de desmascarar a cara de pau da normalidade. Como disse o goleiro do Santos, naquele momento o racismo estava mostrando mais uma vez a sua face, a sua cara. Que seja punido. (...)


Minha intenção era fazer uma postagem com uma série de palavrões, de modo proposital, como se isto significasse uma panela de pressão explodindo ou, dito de outra forma, como se fosse a manifestação de alguém que já não tolera mais tamanha ignorância.

Passada a raiva (mas com a necessária permanência da indignação), fico com a posição do filósofo Hélio Schwartsman em artigo na “Folha de S. Paulo”:

Concordo que as manifestações racistas nos estádios são horrorosas e que devemos nos empenhar em pôr um fim a esse tipo de coisa. Também repudio a violência das torcidas organizadas e o vandalismo. Mas, se vamos combater esses comportamentos, precisamos fazê-lo segundo as regras do direito penal, que exigem identificar os culpados e julgá-los em processo regular, no qual tenham direito a ampla defesa. 
 Ora, algumas pessoas estão devidamente identificadas, não estão? Pois que se abra um processo penal, que elas tenham o direito à ampla defesa e, se assim a Justiça considerar, que elas sejam punidas no rigor da lei. No estrito rigor da lei. E que se dê ampla divulgação a isso. 


Só assim, com punição efetiva e educação, este triste capítulo da nossa sociedade poderá ganhar um outro final.