segunda-feira, 9 de junho de 2014 | | 0 comentários

"Autonomia" universitária: um debate necessário

(...) Trocando em miúdos, não faz muito sentido exigir que os impostos do favelado paulista subsidiem o estudante de medicina ou engenharia da USP, que, apesar dos relevantes serviços que prestarão, serão recompensados com vencimentos 15 ou 20 vezes maiores que a média nacional.

A questão, no fundo, é simples. A menos que incorrêssemos em alíquotas de imposto significativamente maiores que as atuais, o Estado não consegue oferecer "gratuitamente" tudo o que dele se exige. Precisamos fazer escolhas. E aí o caso da universidade é um dos mais difíceis de defender. A educação básica e a saúde, para citar apenas dois itens, me parecem prioridades bem mais claras.

Fonte: Hélio Schwartsman, “Não há almoço grátis”, Folha de S. Paulo, Opinião, 4/6/14, p. 2.

***

A seguir, trecho de e-mail que mandei para o Schwartsman a respeito do assunto:

"O modelo das universidades no Brasil já se esgotou. Ou a autonomia é revista (não para derrubá-la, mas ao menos para impor uma espécie de lei de responsabilidade fiscal, ou se institui o modelo que você sugeriu).

Afinal, as universidades públicas paulistas consomem mais de 10% das receitas do ICMS do Estado mais rico da federação, um modelo único no mundo. Parece-me um custo desproporcional no que diz respeito ao conjunto da sociedade.

Ainda mais quando uma universidade comete a irresponsabilidade de comprometer 105% do seu orçamento com salários. Na iniciativa privada isto tem nome: insolvência.

Mas em relação à USP mal se pode tocar no assunto...

Que ao menos as alternativas sejam debatidas com racionalidade, sem dogmatismos ideológicos."

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Trabalhando...

Reportagem sobre o tal "padrão Fifa" e o "padrão Brasil":



Aécio Neves no "Roda Viva" (TV Cultura):

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Brasileiros e argentinos

Recentemente, tive a oportunidade de jantar com dois colegas jornalistas argentinos. Amenidades à parte, a conversa girou em torno de assuntos necessários, como a crise política-econômica na Argentina, sobre a qual já falei neste blog, e obviamente sobre a relação entre brasileiros e argentinos e o futebol.

Argumentei que as rivalidades esportivas são saudáveis e devem ser alimentadas, com alegria, criatividade e provocação, mas no limite do respeito mútuo. Estranho seria ver um argentino torcendo pelo Brasil e vice-versa.

Fora isso, disse que ambos os países, junto aos demais irmãos latino-americanos, compartilhamos qualidades, defeitos e desafios muito semelhantes. De alguma forma estamos todos num mesmo barco e é contraproducente torcer pelo pior em relação aos países vizinhos.

Neste sentido, parece-me ignorância brasileiros criticarem os argentinos, e vice-versa. No fim das contas, somos todos um – seres humanos.

Recentemente, o técnico da seleção argentina, Alejandro Sabella, o "Pachorra", deu uma bela contribuição para a tese que defendi. Disse ele em entrevista sobre a Copa do Brasil:

“Sempre existe uma grande rivalidade esportiva entre Brasil e Argentina. Queremos ganhar, respeitamos muito e sabemos do valor do futebol brasileiro, assim como sabem do nosso. É uma rivalidade que temos que deixar no plano estritamente esportivo e que não passe daí. Não podemos deixar de ser povos irmãos, o motor da América Latina. Dependemos muito um do outro, principalmente em termos de cidadania. Há um limite que não temos que passar. Temos que tentar ganhar, temos as brincadeiras, e não pode passar disso. Por mais importante que seja e a paixão que exista, é um esporte. Assim esperamos que seja”.

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Frase

"Numa democracia, os políticos se submetem ao questionamento dos jornalistas porque reconhecem que devem prestar contas à sociedade e entendem que a imprensa existe para fiscalizar os governos, não para elogiá-los."
Ricardo Balthazar, jornalista, em coluna na “Folha de S. Paulo”

quarta-feira, 28 de maio de 2014 | | 0 comentários

Trabalhando... (pré-Copa e pré-eleição)

"Pagode" agora pertence à Fifa:



Eduardo Campos no "Roda Viva" (TV Cultura):

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As mudanças no "NYT"

(...) O relatório diz que o "New York Times" vai desenvolver times de análise e estratégia e que departamentos focados no leitor têm que estar mais próximos do setor de negócios do jornal.

O destaque do memorando é sobre a formação de audiência. Se antes, todo o trabalho era distribuir o jornal e ter certeza que ele chegasse à porta dos leitores (com todo o esforço do processo), hoje o jornal precisa "buscar" a audiência mais fragmentada, especialmente em celulares e tablets.

Entre as prioridades indicadas no estudo, estão promover as reportagens nas redes sociais, "reembalar" conteúdos para novas plataformas, saber otimizar reportagens para os mecanismos de busca e personalizar o conteúdo para o leitor.

(...) Em "Making News at The New York Times" [Fazer notícia no New York Times], a professora de comunicação Nikki Usher relata os quatro meses em que ficou dentro da Redação do jornal, acompanhando a produção das versões on-line e impressa.

Usher descobriu a mudança na hierarquia noticiosa e dos "fechamentos e atualizações permanentes".

Ela viu como um editor do site, lido por milhões de pessoas no mundo todo, publica reportagens de diferentes assuntos e seções sem nenhuma supervisão editorial além de seu próprio julgamento e olfato, com uma mentalidade de "publicar antes".

(...) “A cada dez minutos, um novo texto de blog aparece no site, reportagens mudam de lugar no site a cada 20 ou 30 minutos, e novas notícias são postadas tão logo chegam - em uma Redação de 1.100 jornalistas, o problema não era rotatividade."

Para ela, a Redação precisou se habituar a leitores que esperam sempre uma página "nova" na internet e de mudança contínua de assuntos.

Fonte: Raul Juste Lores, "'NY Times' troca comando da Redação", Folha de S. Paulo, Mercado, 15/5/14.

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Liberdade e imprensa

(...) "Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados." A célebre definição de Millôr Fernandes não representa um elogio da imprensa militante, mas uma constatação básica, cuja relevância aumenta na razão direta do crescimento dos gastos publicitários governamentais: o jornalismo independente sempre dirá aquilo que não interessa ao poder de turno. (...)

"Deem-me a liberdade de conhecer, de pronunciar e de debater livremente, de acordo com minha consciência, acima de todas as liberdades", escreveu John Milton em 1644 no "Areopagitica", que solicitava ao Parlamento inglês a anulação da exigência de licença oficial para imprimir. O panfleto de Milton está na origem da liberdade de imprensa e da aventura histórica do jornalismo. (...)

Fonte: Demétrio Magnoli, “O nome de um jornal”, Folha de S. Paulo, Poder, 24/5/14.

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Trabalhando...

As pichações estão em todo lugar!



O Brasil está na rabeira dos rankings de produtividade:

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"O Brasil existe?"

(...) Em tese, as regras de convivência não existem só pelo policiamento: a patrulha da PM não é a única razão pela qual não roubo, não assalto, não estupro e não mato. Esses interditos estão também dentro de mim e dentro dos outros cidadãos.

(...) Será que, no país no qual vivemos, as regras do convívio social são válidas unicamente enquanto dura a presença ostensiva da repressão?

(...) Um país em que a validade das regras de convivência fosse apenas efeito de policiamento ostensivo só existiria como expressão geográfica, porque ele não seria um país no espírito de seus supostos cidadãos. Se esse for o caso do Brasil, seria bom nos resignarmos a tomar as providências que cabem: por exemplo, se a legalidade não é nada sem a força, talvez seja certo aplaudir os que prendem bandidos aos postes e criar grupos de vigilantes.

Fonte: Contardo Calligaris, Folha de S. Paulo, Ilustrada, 22/5/14 (íntegra
aqui).

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"Ninguém quem?"

Brasileiro detesta crítica. Mas adora criticar. (...) Uns da violência, outros da corrupção, outros ainda da vida. (...)

As queixas - sobre aspectos grotescos de desmandos de autoridades ou desequilíbrios sociais - às vezes vêm seguidas da seguinte exclamação indignada: "E ninguém faz nada!".

(...) A mentalidade escravocrata habituou gerações de brasileiros a receber tudo nas mãos, de criados ou de políticos.

(...) Portanto, reclame, insista, encha o saco, escreva para o gabinete do deputado, queixe-se ao serviço de atendimento ao consumidor, poste no Facebook e no Instagram. Bote a boca no trombone. Vire um chato. Manifeste-se. (...)

Fonte:
Alexandre Vidal Porto, Folha de S. Paulo, Mundo, 17/5/14 (íntegra aqui).

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Luzes da cidade

Flashes da noite limeirenses:



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Conversa de jornalistas: tema Argentina

Recentemente, tive a oportunidade de jantar com dois colegas jornalistas argentinos. Inevitavelmente, a crise política e econômica que vive o país vizinho virou tema da conversa. 

Ambos aparentemente discordaram entre si diante do diagnóstico que apresentamos. Ele, Federico, fotógrafo, defendeu o governo da presidente Cristina Kirchner. Disse que se ela pudesse ser candidata novamente seria reeleita - uma afirmação que parece distante das informações que recebemos no Brasil. Ela, Ayelén, repórter, apenas fez uma careta diante da manifestação do colega.

Federico disse mais: que na verdade a sociedade argentina está dividida em extremos - os que são absolutamente contra o governo Cristina e os que são absolutamente a favor. Falta, na visão dele, o meio-termo, o equilíbrio que possa trazer um pouco de racionalidade ao debate e ao país.

À parte a defesa do kirchnerismo, a análise final do fotógrafo me pareceu sensata.

Leia também:

- Os desastres econômicos da Argentina e da Venezuela

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Espaço público, segregação e sociedade

Trecho da entrevista do filósofo Michael Sandel:

Folha - O sr. critica a "camarotização" da vida pública nos EUA, onde se paga para ser VIP. Onde não há mistura de classes e convívio, o bem público e o espírito democrático estariam em risco. Como desenvolver esse espírito?
Nos EUA, as elites parecem desesperadas em não se misturar com os demais. Vida comum é saudável, e uma democracia vibrante precisa de lugares públicos que misturem diferentes classes. A camarotização é uma ameaça à democracia, ao espírito do bem comum. Os esportes costumavam ser essa arena. Mas a camarotização dos estádios tem repetido a segregação.

No Brasil, a insegurança produziu uma sociedade ainda mais segregada.
O maior erro é pensar que serviços públicos são apenas para quem não pode pagar por coisa melhor. Esse é o início da destruição da ideia do bem comum. Parques, praças e transporte público precisam ser tão bons a ponto de que todos queiram usá-los, até os mais ricos. Se a escola pública é boa, quem pode pagar uma particular vai preferir que seu filho fique na pública, e assim teremos uma base política para defender a qualidade da escola pública. Seria uma tragédia se nossos espaços públicos fossem shoppings centers, algo que acontece em vários países, não só no Brasil. Nossa identidade ali é de consumidor, não de cidadão.

Fonte:
Raul Juste Lores, “Camarotes de VIPs são uma ameaça ao espírito democrático”, Folha de S. Paulo, Poder, 28/4/14.

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Trabalhando...

Mudanças no clima devem afetar a qualidade dos alimentos:



Falta de qualificação afeta preços e qualidade dos produtos:

terça-feira, 20 de maio de 2014 | | 0 comentários

Brasil - uma história de 500 anos em mãos erradas

O Brasil já foi dos donos das capitanias hereditárias, depois dos senhores de engenho, dos donos de escravos, dos coronéis e dos barões do café, agora pertence a um novo tipo de gente.

A prática política da nova República, acentuada nos últimos anos, mostra que estamos entregues aos donos da fé.

Gente perigosa, que age com ardil, movida apenas e tão somente por seus próprios interesse$, embora utilizem o nome de Deus (este filme já foi visto ao longo da história da humanidade, não?).

Se acha exagero, basta lembrar do principal tema da última campanha eleitoral, a questão do aborto, que na verdade envolvia o voto dos evangélicos e católicos carismáticos.

Para 2014, o cenário que se desenha é daí para pior. Veja as notas da coluna “Painel”, da “Folha de S. Paulo” de 19/5/14:

Rebanho Políticos protagonizaram a festa de aniversário do pastor Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus, no sábado, em São Paulo. Subiram ao palco o vice-presidente Michel Temer (PMDB), o senador Aloysio Nunes (PSDB) e o presidenciável Pastor Everaldo (PSC). 
Oremos Os quatro principais pré-candidatos ao governo paulista também estiveram lá. Kassab, cuja definição de apoio pode desequilibrar o tempo de TV, monopolizou as atenções de Alckmin, Padilha e Paulo Skaf (PMDB). 
Linha direta O pastor agradeceu em público a Dilma por ter telefonado para cumprimentá-lo pelo aniversário e registrou o horário exato do telefonema: 19h05.

Pobre país este que sempre esteve em mãos erradas...

Até quando?