quinta-feira, 16 de outubro de 2014 | | 0 comentários

Nós (quem?) x eles (quem?)

O maior mal que o PT fez ao Brasil ao longo dos últimos anos não foi exatamente o enorme grau de corrupção (porque isto, infelizmente, ocorre em praticamente todos os governos). Tampouco foi o gigantesco aparelhamento da máquina pública e o silêncio financiado de sindicatos e entidades que outrora gritavam por justiça e ética.

O principal estrago da passagem do PT pelo governo foi, como escreveu recentemente o jornalista Fernando Rodrigues na “Folha de S. Paulo”, o “clima de país partido”. “Na narrativa petista, o Brasil hoje se divide entre ricos contra pobres, regiões Norte e Nordeste contra as demais.”

Uma divisão acentuada este ano com “o discurso do medo, o estímulo ao ódio e ao combate em áreas nas quais seria melhor buscar convergências”.

Um eterno clima de Fla x Flu...

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Trabalhando...

Combate ao grupo terrorista Estado Islâmico recebe apoio de diversos líderes:



Entra em vigor a lei que amplia a atuação dos farmacêuticos:

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Apenas perguntas

(...) Estaríamos, então, na situação seguinte: 1) Há denúncias de um gigantesco esquema de corrupção, 2) A resposta dos envolvidos consistiria em dizer que a denúncia, hoje, é eleitoreira e que sua publicação é legalmente discutível. Imaginemos que a denúncia seja mesmo eleitoreira e que sua publicação seja discutível, isso não responde às perguntas básicas: Os fatos aconteceram? Quem foi responsável?

(...) Mesmo se o esquema Petrobras tivesse sido "vazado" por razões eleitoreiras, será que isso alteraria a gravidade do crime?

Fonte: Contardo Calligaris,
“Odilema do celular ou da Petrobras”, Folha de S. Paulo, Ilustrada, 16/10/14.

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Jornalismo x publicidade

(...) Acontece que o BuzzFeed não é especializado só em listas. Também é o rei de fazer o que, na era da internet, ganhou o bonito nome de "conteúdo patrocinado" - e que antigamente se chamava matéria paga. É publicidade disfarçada de jornalismo. (...)

Ao clicar na "reportagem" do BuzzFeed sobre as roupas da Wildfang, o que se esperava era um texto feito por um(a) repórter de moda, de opiniões próprias. E que se dedica integralmente ao assunto, entende muito e seria capaz de apresentar os lançamentos de uma maneira crítica - apontando virtudes e falhas, comparando com outras marcas etc. (...)

Pode ser um bobo ranço geracional, mas tenho enorme dificuldade para aceitar que conteúdo informativo e publicidade se transformem em uma coisa só.

Fonte: Álvaro Pereira Júnior, “Vítima da moda”, Folha de S. Paulo, Ilustrada, 11/10/14.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014 | | 0 comentários

Pitacos pós-eleitorais

De Limeira:
- O resultado das urnas mostrou que alguns insistentes candidatos, se tiverem um mínimo de noção, largam mão de aventuras eleitorais. Caso de Kleber Leite (PRB), que não atingiu sequer dez mil votos (9.944 para deputado federal) após números ridículos como candidato a prefeito em 2012;
- Por sorte, a população não se deixa mais enganar por comunicadores popularescos e demagógicos. Casos de Kleber Leite e Thiago Gardinali (PTB, 3.127 votos para deputado estadual);
- Embora o eleito Miguel Lombardi (PR) seja da bancada governista, não é exatamente um dos pilares do grupo do prefeito Paulo Hadich (PSB). Deve-se, portanto, à eleição de Lombardi muito mais ao trabalho dele como vereador (além, é claro, do “efeito Tiririca”);
- Há, portanto, uma (preocupante para o grupo no poder) sinalização de esgotamento do grupo de Hadich – o presidente da Câmara Municipal, Ronei Martins (PT), que há dois anos seria a grande estrela da eleição, conseguiu menos votos dos que o levaram ao Legislativo municipal (11.685 votos para deputado estadual);
- Mesmo derrotado nas urnas por apenas 92 votos de diferença, o ex-vereador Mário Botion (PEN, 38.397 votos para deputado estadual)) sai extremamente fortalecido do pleito. Não poderá ser ignorado na disputa de 2016 – gabaritou-se até para disputar o comando do Executivo;
- Lombardi, agora deputado com 32.080 votos, também será figura importantíssima na eleição municipal;
- Hadich - que teria até pedido votos para um candidato de fora de Limeira - vê seu grupo desidratar-se nas urnas.
Do Brasil:
- Não se sabe afinal onde foi parar o desejo de mudança manifestado nas jornadas de Junho de 2013. Efetivamente, ele não se materializou nas urnas. Uma breve análise dos eleitos apontará a prevalência de figurinhas bastante carimbadas;
- Há que se considerar ainda que parte da renovação envolve nomes ligados (muitas vezes com parentesco) a políticos de carreira. Portanto, fica difícil criticar práticas viciadas se o eleitor escolhe sempre mais do mesmo;
- De resto, as urnas mostraram que estrutura partidária, alianças e tempo de televisão fazem toda a diferença;
- Para o bem e para o mal, a eleição consolidou a polarização que há duas décadas domina a política nacional – PT e PSDB. Para o mal porque será sempre mais do mesmo, deixando a renovação de lado. Para o bem porque efetivamente premia partidos que têm um mínimo de organização, ideologia, quadros políticos e projeto.

* Leia também:


- Sinais e ruídos


* Desafio aos candidatos: convencer quem votou branco ou nulo:


quarta-feira, 8 de outubro de 2014 | | 0 comentários

"A barbárie se aproxima"

(...) Quando bandidos, em vez de fugir da polícia, como seria de seu DNA, se animam a desafiá-la a luz do dia (...) é porque a criminalidade se sente mais forte que o Estado.

Daí à barbárie é um pequeno passo.

Fonte: Clóvis Rossi, "Folha de S. Paulo", Mundo, 7/10/14 (íntegra
aqui).

terça-feira, 7 de outubro de 2014 | | 0 comentários

Delação premiada e ética

Trecho de entrevista do ministro Gilson Langaro Dipp, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), para a “Folha de S. Paulo”:

Como o senhor vê advogados renunciarem alegando que a delação premiada fere a ética, pois estimula a deduragem?
Existe ética entre integrantes de organizações criminosas? Antes, os advogados criticavam a interceptação telefônica como a grande prova. Hoje, os tribunais têm uma interpretação quase uniforme do que pode ser utilizado como prova. A delação premiada está na lei. O advogado atua no interesse do réu, evidentemente remunerado. Com a delação premiada, passa a ser mero fiscalizador do cumprimento do acordo.

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Aniversários

TV Cultura, 45 anos - uma festa emocionante!


TV Cultura, 1 ano - um orgulho!


segunda-feira, 6 de outubro de 2014 | | 0 comentários

"Será que Deus existe?"

(...) Deus não é uma questão rigorosamente filosófica. E discutir a sua existência (ou inexistência) em termos filosóficos (leia-se: "racionais") é um diálogo de surdos, que tentam falar racionalmente sobre um assunto do qual não possuem qualquer prova.

(...) Deus é uma questão de fé - esse mistério e, para muitos, essa graça. E a "fé" é um assunto ligeiramente diferente de equações matemáticas ou observações de telescópio.

Fonte: João Pereira Coutinho, “Folha de S. Paulo”, Ilustrada, 23/9/14 (íntegra
aqui).

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Qual o preço da felicidade?

Há, de fato, um preço a ser pago para ser feliz?

No Brasil, infelizmente (sob um certo aspecto), sim.

Concretizar o desejo de viver na cidade grande, conquistar independência e buscar novos ares, realizar sonhos e dar andamento a planos de vida. Tudo isto soa doce como mel, mas há um preço a pagar.

O preço elevadíssimo de um aluguel numa cidade como São Paulo, o custo dolorido da distância de tantas pessoas queridas, de ser apenas mais um na multidão, da violência que mais do que dobra o valor do seguro de um carro, o custo de ver alguém levar, de repente, algo que lhe exige o suor diário do seu trabalho.

Ter um carro numa cidade como São Paulo, onde o transporte público se apresenta como um desafio, é muitas vezes uma necessidade. E mesmo assim você acorda cedo para fugir do rodízio, enfrenta longos quilômetros de congestionamento e batalha arduamente o dia todo para garantir o salário que vai lhe permitir pagar a pesada parcela do veículo.

Até que vem alguém e, com a facilidade que o mundo do crime ensinou, toma o que é seu. E você se sente impotente – e chora.

Restam a delegacia e a frieza de um boletim de ocorrência. Resta a constatação de ser apenas mais um número numa triste e cada vez mais elevada estatística. Restam os alertas do escrivão para os novos tipos de crime que estão na “moda”...

E não me venham com discursos de esquerda porque não há neste país lugar em que furtos e roubos não sejam um tormento. Sejam nas pequenas, médias (a minha Limeira, por exemplo, é campeã estadual em furto de veículos) ou grandes cidades, o problema está posto, diretamente ligado a um mal maior, o das drogas.

Ouvi dia desses de um policial federal que são apenas dez mil homens para combater todos crimes federais (narcotráfico incluído) em todo o território nacional. Para efeito de comparação, só a Polícia Militar de São Paulo tem mais de cem mil membros. Daí não ser cabível qualquer discurso político-partidário – a violência é um problema que perpassa todos os governos, todas as siglas.

O estado brasileiro está falido – e não é de hoje! A guerra contra as drogas está perdida – e não é de hoje!

E mesmo que as drogas sejam uma epidemia mundial, não vi nos países onde estive ao longo dos últimos anos nada parecido com o que encontro em São Paulo ou Curitiba (PR) ou Salvador (BA) ou seja lá onde for Brasil afora.

Por isso, o que era apenas um desejo vira cada vez mais convicção. Respeito os que ainda se dispõem a lutar por um país melhor (“não vamos desistir do Brasil” foi um dos slogans da atual campanha eleitoral), mas para mim já deu. Chega. Meu limite de tolerância está suplantado.

Confesso: perdi para a violência, para a falta de educação e civilidade nas ruas, para a péssima prestação de serviços das Net e Tim e afins, para os preços a que somos submetidos na hora de comprar um carro, uma casa, um seguro, um plano de saúde... Perdi para a necessidade de ter que pagar por tudo isso – educação, segurança, saúde, pagar duas vezes: os impostos que nos tomam e que costumeiramente vão para o ralo, os custos abusivos dos serviços particulares.

Desejo sorte aos que ficam, mas para mim o Brasil só tem uma saída: o aeroporto.

Tão logo seja possível, vou viver num lugar civilizado, onde poderei ter um carro sem pagar o valor de três, sem ter que fazer seguro, sem me preocupar onde estacionar, sem ter que frequentar delegacias. Um lugar onde poderei simplesmente levar uma vida normal – e onde a felicidade não custe tanto.

Porque no Brasil, infelizmente, a felicidade tem um preço alto.

PS: este é um desabafo. Embora tudo o que eu tenha manifestado seja real, não vou permitir que nenhum assaltante tire a minha alegria de viver, a nossa alegria de sonhar...

Dedicado à minha querida Mirele.

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Um centro cultural que abrigou tesouros

O Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo é um espaço duplamente reservado à arte. Primeiro porque o prédio de 1901 - que mistura os estilos neoclássico, art nouveau e art déco - é por si só uma atração, seja do ponto de vista histórico ou arquitetônico. Segundo pelas exposições e atividades que são desenvolvidas ali.


  
  




Quando estive lá, recentemente, estava em cartaz a mostra "Ciclo" (repare no lustre, feito com absorventes íntimos):




Até os antigos cofres, que abrigaram a fortuna dos barões do café, hoje recebem obras de arte (como a composição com cem mil palitos):






 O CCBB fica das ruas Álvares Penteado, 112, com a Quitanda, no Centro de São Paulo.

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Constatação

"A gratidão é a memória do coração".

A frase foi dita no último debate entre os candidatos a presidente da República, promovido pela TV Globo no dia 2/10.

Ela é absolutamente verdadeira. Pena que nem todos os corações tenham memória do que um dia fizeram por eles...

quinta-feira, 2 de outubro de 2014 | | 0 comentários

A bomba está armada (e o país tem o direito de saber)

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa já está em sua casa, no Rio de Janeiro. Ganhou o direito de trocar a cana dura pela prisão domiciliar graças ao suor do seu dedo indicador. Chama-se Beatriz Cattapreta a advogada do delator. Nas palavras da doutora, o destampatório do seu cliente, mantido em segredo, “é um acontecimento de grandes proporções.”

O que Beatriz Cattapreta disse, com outras palavras, é que vem aí mais um grandioso escândalo de corrupção. Ao homologar o acordo que levou Paulo Roberto a mover os lábios, o ministro Teori Zavascki, do STF, deu a entender que a encrenca será realmente grande, muito grande, gigantesca.

“…Há elementos indicativos, a partir dos termos do depoimento, de possível envolvimento de várias autoridades detentoras de prerrogativa de foro perante tribunais superiores, inclusive de parlamentares federais”, anotou Teori em seu despacho.

Ao se referir aos “tribunais superiores” de Brasília assim, no plural, Teori sinalizou que, além de besuntar ministros e congressistas, que usufruem do foro do STF, o derramamento de óleo deve engolfar governadores de Estado, cujo foro é o STJ.

Teori informou, de resto, que há nos depoimentos de Paulo Roberto Costa indícios de “vantagens econômicas ilícitas oriundas dos cofres públicos”. Anotou que as vantagens foram “distribuídas entre diversos agentes públicos e particulares.” No português das ruas: rolou uma fe$ta. E o contribuinte entrou com o bolso. (...)

Fonte: Josias de Souza, Blog do Josias,
“Sem saber, eleitor pode consagrar futuros réus”, postado em 2/10/14.

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O colorido Beco do Batman

Sempre quis conhecer o famoso Beco do Batman, espaço tomado pela arte do grafite no coração da Vila Madalena, o bairro mais boêmio e descolado de São Paulo.

E o tal beco faz jus à fama: emana energia e vibração positiva! (Bem ao contrário da sombria Gothan City, onde vive o famoso super-herói.)




  



   
  


O beco tem acesso pelas ruas Gonçalo Afonso e Medeiros de Albuquerque. Dá para ir a pé a partir do metrô Vila Madalena.

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Acredite: mais um(a) em defesa da CBF...

Primeiro foi Caio Ribeiro.

Agora foi a vez Fernanda Gentil defender a escrota Confederação Brasileira de Futebol (CBF) - mesmo que de forma indireta. Foi em entrevista ao "Programa do Jô".

Defendeu o "status quo", o sistema que levou à falência - e assim o mantém - o futebol brasileiro. Defendeu a instituição responsável pela histórica goleada de 7 a 1 sofrida pela seleção na Copa de 2014. Defendeu uma das mais corruptas e menos transparentes estruturas esportivas do país. Defendeu, afinal, o indefensável.

Quanto destas opiniões estão dissociadas dos interesses da empresa onde Ribeiro e Fernanda trabalham?

Simplesmente lamentável tendo partido de pessoas que atuam na esfera do jornalismo (ainda que no limite com o entretenimento).