quarta-feira, 8 de agosto de 2012 | | 0 comentários

"Quem venceu o debate?"

A pergunta que mais ouvi hoje foi: “Quem venceu o debate?”

Trata-se do primeiro debate entre os quatro candidatos à Prefeitura de Limeira, realizado ontem (7/8) pela TV Jornal. Durante quase duas horas, os quatro prefeituráveis discutiram suas propostas e confrontaram suas ideias para melhorar a vida dos limeirenses.

Responder à pergunta em questão não é fácil. Primeiro porque não considero um debate político-eleitoral algo que tenha vencedor e perdedores. Naturalmente, alguns candidatos têm desempenho melhor do que outros, mas não se trata de um jogo com vitória e derrota – por mais que, no fim das contas (ou após a apuração dos votos), o que reste seja mesmo isto: um vencedor e os vencidos.

Além dessa consideração, dizer quem venceu o debate é uma tarefa que vai além da análise do desempenho de cada candidato. Alguns vão para um encontro desse tipo sem ter nada a perder; outros, ao contrário, têm pouco a ganhar e muito a perder.

Há que se considerar ainda que uns têm maior habilidade frente às câmeras e outros menos; uns têm maior facilidade em articular um pensamento, outros menos; uns têm um discurso mais popularesco (que pode funcionar melhor junto a parte do público) e outros não.

Tudo considerado, dizer quem venceu o debate exige, antes de mais nada, saber qual o potencial de cada candidato, até onde cada um poderia ter ido, de qual ponto estão partindo, em que nível estão.

Portanto, não sei dizer exatamente - ou de modo tão simples e direto como os que fazem a pergunta pretendem ouvir – “quem venceu o debate”.

Prefiro apontar alguns vencedores óbvios (e não por isso menos importantes): a democracia, a cidade, o processo eleitoral, os eleitores. Estes sim, sem sombra de dúvida, venceram.

Em tempo: um novo debate na TV Jornal acontece dia 2 de outubro, às 21h.

PS: o resumo do debate e uma análise do encontro podem ser conferidos no blog “Limeira 2012”.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012 | | 0 comentários

Imprensa na rua

Uma das marcas dos Estados Unidos, as famosas máquinas de jornal continuam pelas ruas em muitas cidades - por mais que a imprensa escrita esteja em crise financeira por lá.

Em alguns locais, elas são tantas que complementam a paisagem de modo relevante, conferindo um colorido especial ao cinza das ruas.

Eis dois exemplos em Washington D.C.:



E outro em Chicago:


* As fotos são minhas e de Carlos Giannoni de Araujo

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Frase

"O jornalista perdeu o olhar crítico. Por isso que se preocupam com a Internet e não com o próprio jornal."
Janio de Freitas, jornalista e colunista da "Folha de S. Paulo", em entrevista ao programa "Roda Vida" (TV Cultura) desta segunda-feira (6/8) 

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Telejornalismo em questão

Renovar o jornalismo de TV, ousar, enlouquecer a concorrência, incomodar poderosos, remar na contracorrente. Essas são as intenções de um telejornal fictício, base da trama do seriado americano "The Newsroom", sensação nos EUA, agora na TV a cabo do Brasil.

Criação de Aaron Sorkin, o mesmo da série "The West Wing" e do filme "A Rede Social", "The Newsroom" não deixa ninguém indiferente. É cultuado com intensidade, e odiado também. Para jornalistas, assisti-lo vira hábito compulsivo (ainda mais para os de TV, meu caso).

Mas "The Newsroom" não surgiu do nada, a partir de algum "insight" genial do criador Sorkin (sujeito intragável, garante quem já esteve frente a frente com ele). Deve muito, e não sei se isso foi devidamente notado, a uma série inglesa exibida em 2011 pela BBC: "The Hour".

Assim como em "The Newsroom", em "The Hour" uma equipe de jornalistas muito jovens, chefiados por uma mulher, é chamada a criar uma atração inovadora. Em "The Newsroom", um telejornal diário. Em "The Hour", um programa semanal, com as principais notícias do período.

(...) Em "The Hour", os jornalistas repetem em todo episódio: "Não queremos entediar o espectador". O que não significa apelar para sensacionalismo ou banalidades. Vivem em tempos turbulentos, perfeitamente refletidos no programa. Falam da crise do canal de Suez, da invasão da Hungria pelas tropas soviéticas, dos titubeios do governo conservador de Anthony Eden.

No jornal fictício de "The Newsroom", a série americana, não há preocupação com formatos atraentes. Seus jornalistas se veem como arautos de uma missão que julgam civilizadora. "Notícia importante é notícia útil na hora de votar", sentencia, logo no primeiro capítulo, a editora-chefe. Ou seja: só cobrem política e economia, e na base de muita falação.

Fonte: Álvaro Pereira Júnior, "Notícias na TV", Folha de S. Paulo, Ilustrada, 4/8/12.

***

Não, os Estados Unidos não são o melhor país do mundo. Estão em sétimo lugar em taxa de alfabetização, 27º em conhecimento de matemática, 22º em ciência, 49º em expectativa de vida, 178º em mortalidade infantil, terceiro em renda per capita, quarto em força de trabalho e exportações.

Lideram o mundo apenas em três categorias: porcentagem de cidadãos encarcerados, número de adultos que acreditam que anjos são reais e em gastos de defesa -despendem mais que os 26 países seguintes somados, 25 dos quais são seus aliados.

A ideia acima é do personagem Will McAvoy, exposta durante palestra a estudantes de jornalismo. Até ali um âncora anódino, chamado pelos pares de "Jay Leno do jornalismo" por sua capacidade de não desagradar ninguém, ele resolve se despir da mediocridade e começar a fazer telejornalismo para valer.

Assim se inicia a série "The Newsroom" (a Redação, em inglês), que o canal de TV paga HBO passa a exibir aos domingos no Brasil a partir de hoje, às 21h. Criada por Aaron Sorkin, de "The West Wing" e roteirista do longa "A Rede Social", conta os bastidores de um telejornal fictício com notícias de verdade.

No primeiro episódio, fala-se do vazamento de óleo no golfo do México, de abril de 2010. No terceiro, da ameaça de explosão de um carro-bomba na Times Square, em Nova York, no mês seguinte.

As situações reais são pano de fundo para que a qualidade do telejornalismo dos EUA seja discutida de maneira criativa e provocadora. A tese de Sorkin é que, ao buscar audiência a qualquer preço, os programas se tornaram mais superficiais e emburreceram os espectadores.

Num dos episódios, depois de fazer um comentário engraçadinho sobre a política Sarah Palin, McAvoy (Jeff Daniels) pede desculpas no ar. Não apenas pelo erro, mas por anos de desinformação:

"Sou líder numa indústria que errou resultados de eleições [Bush x Gore, 2000], exagerou ameaças terroristas [Guerra do Iraque, 2003], inflou controvérsias e deixou de noticiar mudanças tectônicas em nosso país, do colapso do sistema financeiro [em 2008] a quão fortes nós realmente somos diante dos desafios que temos".

Fonte: Sérgio D´Ávila, "No calor da hora", Folha de S. Paulo, Ilustrada, 5/8/12.

domingo, 5 de agosto de 2012 | | 0 comentários

Museu Biológico do Butantan


Reportagem produzida para o programa “A Hora Informação Verdade” (seg. a sex., 17h30-19h30), da TV Jornal.

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Novas e velhas plataformas do jornalismo (2)

Ken Doctor faz jus ao título de guru da indústria jornalística americana.

Seu livro "Newsonomics" destrinchou as transformações e desafios que jornais e revistas americanos enfrentaram com a irrupção da internet e apontou saídas para sua sobrevivência e solidez financeira. Seu blog é campeão de audiência entre profissionais da área.

Analista da consultoria Outsell, Doctor diz que a indústria jornalística tem diversas razões para comemorar em 2012, ao contrário do pessimismo de anos anteriores.

Ele afirma que o leitor já provou que está disposto a pagar por conteúdo exclusivo e de qualidade, vide o sucesso das assinaturas digitais do "New York Times", do "Financial Times" e do "Wall Street Journal".

Diz que o tablet é um aliado para quem acredita na leitura mais calma de textos mais longos e que os jornais estão aprendendo a usar mais sua marca. Ele falou à Folha de sua casa em Santa Cruz, Califórnia.

Folha - O "New York Times" conquistou mais de 400 mil assinantes para a edição digital. As pessoas vão se acostumar a pagar por notícia?
Ken Doctor - Essa assinatura digital está se tornando uma fonte incrível de receita. Se você faz certo, as pessoas vão assinar e pagar pelo conteúdo exclusivo. O sucesso da cobrança digital do "New York Times" e de outros títulos de qualidade é algo muito recente, com menos de dois anos. Se a circulação de jornais no ano passado movimentou US$ 30 bilhões, não tenho dúvidas de que uma boa parte desse negócio pode ser preservada.

O sr. destacou o tablet como uma grande notícia para as finanças dos jornais. Por quê?
Cada vez está mais claro que o tablet está substituindo o desktop e o laptop como instrumento para ler notícias. Está comprovado que o leitor lê reportagens mais longas e com mais calma no tablet que no computador. Também é uma plataforma melhor para os anunciantes, a propaganda funciona melhor nele. Essa transformação também corta um dos maiores custos dos jornais: a impressão.

As notícias produzidas e investigadas por jornais são "pirateadas" por vários sites, em que o acesso é de graça. Como mudar essa equação?
As pessoas estão se acostumando mais a pagar por conteúdo na internet, no tablet e na TV. Hulu [compartilhamento de filmes e programas de TV], Pandora [música], Comcast [cabo], Netflix [filmes] já oferecem vasto conteúdo se você pagar uma vez por mês. Se for fácil para pagar, confortável, e não for apenas uma réplica em "pdf" do que está impresso, as pessoas estão começando a pagar. Talvez a edição de domingo em papel se mantenha por mais tempo; as outras terão mais interatividade digital durante a semana.

O leitor terá um peso maior nesse novo ambiente?
As empresas jornalísticas vão ter que se acostumar a ter mais dinheiro dos leitores que dos anunciantes. A relação muda. As receitas costumavam vir 80% dos anunciantes e 20% das assinaturas nos EUA. Na Europa, a divisão era 35% dos leitores, 65% dos anunciantes. Mas no Japão o assinante sempre foi 70%. É para onde estamos indo.

O que esse leitor que paga na internet busca?
O jornal da minha cidade, o "Santa Cruz Sentinel", tinha 14 repórteres cobrindo o noticiário local. Na crise, foi demitindo, sobraram oito. Ainda é um bom número porque, comparativamente, nem as redes de TV nem os jornais nacionais cobrem o meu cotidiano. Por esse conteúdo, eu quero pagar. Notícias de celebridades eu posso ler de graça em qualquer site nacional. Agora, o que o "Sentinel" fala de educação, notícias locais, investigação, ninguém cobre como eles. O leitor vai decidir. Redações que sacrificaram demais seu time de repórteres terão mais dificuldade de provar ao leitor que ele recebe um conteúdo que vale a pena.

Fonte: Raul Juste Lores, “Leitores estão dispostos a pagar por conteúdo digital exclusivo”, Folha de S. Paulo, Mercado, 5/8/12, p. B-12 (para ler na íntegra, clique no link – é preciso ter senha do jornal ou do UOL).

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"Dois legados"

Dois mitos do século 20 morreram em Los Angeles num dia 5 de agosto: Carmen Miranda, em 1955, aos 46 anos, e Marilyn Monroe, em 1962, aos 36. Eram fenomenais, maiores que a vida e foram vítimas, ambas, de anos de abuso de substâncias legais, mas letais. Deixaram um imenso legado artístico e são cultuadas hoje por pessoas que nem eram nascidas quando elas partiram. A forma como se administra seus legados é que difere.

Marilyn, por exemplo. Nesses 50 anos, seu rosto nunca saiu da mídia, e sua imagem em "O Pecado Mora ao Lado", com o vestido branco esvoaçando e a calcinha à mostra, foi copiada, caricaturada e explorada de todo jeito, por fãs sinceros ou apenas espertos. Há pouco, materializou-se numa estátua de oito metros de altura, exposta numa praça de Chicago.


Os livros a seu respeito já chegam a mil - qualquer um que tenha passado 15 minutos perto dela sente-se apto a escrever suas "memórias de Marilyn". E a teoria segundo a qual ela foi morta pelo FBI, a mando dos Kennedy, continua a render vários livros por ano. Tudo isso é visto com indiferença ou prazer pelos herdeiros de Lee Strasberg, fundador do Actor's Studio, a quem Marilyn deixou seu espólio.

Eles sabem que é esse material que mantém Marilyn viva e faz com que seus filmes nunca deixem de circular. Não importa o formato (VHS, laser, DVD, blu-ray, o que vier), eles sempre estarão à venda e atraindo propostas para Marilyn estrelar campanhas publicitárias, produtos de beleza, joias, até óculos. É daí que vem o dinheiro - e Marilyn ganha mais hoje do que em vida.

Já a eternidade de Carmen depende de seus amorosos fãs. Amanhã, um grupo deles, reforçado pelo Império Serrano, o Bola Preta e a Confraria do Garoto, irá ao seu túmulo no São João Batista pedir algo modesto, mas que lhe é devido há muito tempo: uma estátua no Rio.

Fonte: Ruy Castro, “Folha de S. Paulo”, Opinião, 4/8/12, p. 2.

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Inversão de valores: a ética no banco dos réus

Então ficamos assim: o ministro José Antonio Dias Toffoli - um dos 11 decisivos votos do STF (Supremo Tribunal Federal), a mais alta corte do Judiciário – não se considerou impedido de participar do julgamento do chamado “mensalão”, iniciado na última quinta-feira (2/8).

Dias Toffoli traz no currículo o fato de ter advogado em favor do PT (partido foco da denúncia em julgamento no STF), de ter sido assessor na Casa Civil do então ministro José Dirceu (justamente um dos principais réus do caso) e de ter defendido o ex-presidente Lula em três campanhas eleitorais, recebendo pagamento de Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT e também réu no caso).

Não bastasse isso, Dias Toffoli namora uma advogada que atuou em defesa de um ex-deputado federal do PT também réu no processo do “mensalão”. E, para fechar a questão familiar, o irmão do ministro é prefeito de Marília (SP) justamente pelo PT.

Cobrindo causas forenses na Comarca de Limeira durante anos como repórter de um jornal, vi juiz se declarar impedido de julgar um processo por motivo muito menos relevante.

Pois para Dias Toffoli, todas as ligações de seu currículo e de seu passado (não é preciso sequer considerar a namorada e o irmão) com os réus não foram suficientes para ele se declarar suspeito no julgamento.

É uma questão de foro íntimo, um direito do ministro considerar-se apto para julgar o caso – até porque ninguém pediu sua suspeição -, mas que é eticamente questionável, isto é.

Como disse um amigo recentemente ao comentar uma certa boataria envolvendo o trabalho da imprensa: “é uma total inversão de valores”.

Assim, não é só o “mensalão” que está em julgamento no STF. A ética também foi parar no banco dos réus.

O voto de Dias Toffoli promete, desde já, provocar polêmica.

Leia também:

- "Sai daí rápido, Zé!" (é preciso ter senha do UOL ou da "Folha de S. Paulo)

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Ameaças a jornalistas de Limeira chegam à SIP

As ameaças a jornalistas de Limeira durante o processo de cassação do ex-prefeito Silvio Félix (PDT), em apuração no Ministério Público, repercutiu agora na SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa). A questão aparece em relatório elaborado durante reunião da organização em abril em Cádiz, na Espanha.

O documento enumera os fatos mais relevantes do período. Entre eles, cita:

"18 de janeiro de 2012 - Jornalistas de Limeira (estado de São Paulo) foram ameaçados de morte por meio de correspondências eletrônicas após cobrir investigações do Ministério Público Estadual sobre familiares e pessoas ligadas ao prefeito da cidade, Silvio Félix (PDT). Os e-mails intimidatórios exigiam que repórteres da Gazeta de Limeira, do Jornal de Limeira e da TV Jornal parassem de noticiar as denúncias de enriquecimento ilícito que pesam contra familiares de Félix."

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Muito ouro!

Na novela "O Clone", de Gloria Perez, exibida pela TV Globo em 2001-02, havia uma personagem infantil interpretada pela atriz Carla Diaz - a Khadija - que tinha um bordão que fez sucesso. Vira e mexe ela dizia querer "mutcho oro, mutcho oro".

Andando por alguns dos principais museus dos EUA e Canadá em abril último, constatei que esse negócio de gostar de ouro não é coisa de agora. O povo antigo também era chegado no dourado reluzente. Bem chegado, aliás.


No Metropolitan Museum, em Nova York:










No Field Museum, em Chicago, ouro bruto:




É, esse povo antigo não era bobo, não!

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Direto do túnel do tempo

Quem quiser brincar 
pode se queimar 
é sempre assim 
até o fim 
e nunca vai mudar

Chega de sonhar 

O game é pra valer 
Quem vai ganhar, quem vai perder 
O tempo vai mostrar

("Transas e Caretas", cantada pelo Trio Los Angeles)


PS: este é o trecho da música de abertura de uma novela que fez muito sucesso nos anos 1980, na TV Globo, cujo título é homônimo ao da canção.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012 | | 0 comentários

Você costuma ser prático?

Tenho medo da palavra "prático". Sempre me parece que o que é prático nos tira alguma coisa.

Acho que tudo começou no dia em que cheguei da escola e vi cortado o abacateiro do quintal da minha infância.

"É mais prático. Suja muito" - disse minha avó.


Eu não podia acreditar. Já não bastava terem cimentado o gramadinho onde eu fazia incríveis florestas, agora eu teria apenas aquele toco no meio do cimento para sentar. Francamente! Não gosto do que é prático. Prático me parece mínimo, sem detalhes. E Deus mora nos detalhes.


No mês passado, estive em temporada no centro do Rio. Fazia tempo que eu não andava por lá. Tentei achar um restaurante onde eu costumava ir almoçar com meu pai. Era uma dessas tabernas da Lapa, pequenas, baratas e com comida maravilhosa - vinda de uma senhora portuguesa escondida na cozinha.


Procurei loucamente pelas ruazinhas atrás da Cinelândia e quis gritar de alegria quando vi o mesmo letreiro ainda na porta.


O lugar era o mesmo, mas tinha sido azulejado, os quadros, retirados das paredes e a comida, agora, era cobrada a quilo. Uma fila para servir, outra para pesar, bandejas, talheres ensacados, sachezinhos de sal e nem sequer um caldeirão de caldo verde ou uma lasca de bacalhau que fosse no bufê.


Achei que tinha mudado o dono e apenas mantido o nome, mas, quando olhei pelo quadradinho que dava pra cozinha, lá estava, curiosamente, a mesma senhora, castigada pelo tempo e pelo que é mais prático e econômico.


Lembrei-me da minha avó. Também prática. Também portuguesa. Quando mandou cortar o abacateiro ainda fazia sua própria massa de pastel. Viva fosse, talvez já tivesse se rendido à massa pronta, comprada no supermercado. Teria meu perdão. Quem pode resistir ao que é mais prático e econômico num mundo que justifica tudo pelo custo e pela eficiência?


Mas será que preciso mesmo ficar sacudindo travesseirinhos de sal úmido pelas mesas? Não consigo dizer porque uma coisa tão banal me provoca tanto mal-estar, mas sei exatamente o conforto que me dá um guardanapo de pano furadinho num restaurante decadente que não se rendeu ao bufê a quilo.


A felicidade não é prática e econômica. A felicidade mora nos becos. Quer coisa mais prática e econômica do que uma sala iluminada por uma lâmpada fluorescente? Quer coisa mais triste?


Se tivesse ido ao restaurante para jantar, acho que choraria na calçada.


Fonte: Denise Fraga, "Precisar, não precisa", Folha de S. Paulo, Equilíbrio, 24/7/12.

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Luzes das cidades

Luzes limeirenses (região do Jardim Morro Azul):


Luzes cariocas (favela da Rocinha vista a partir de São Conrado):


quarta-feira, 1 de agosto de 2012 | | 0 comentários

A multiplicação das refeições

Os números impressionam: praticamente todos os alunos de pelo menos dez CIs (Centros Infantis) de Limeira repetiram a refeição servida na merenda praticamente todos os dias em fevereiro deste ano.

Os dados contam de relatórios entregues pelos próprios CIs à Secretaria da Educação. Eles foram apresentados nesta quarta-feira (1/8) pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara Municipal que investiga possíveis irregularidades no contrato de terceirização da merenda escolar na cidade e no fornecimento das refeições.

Vejamos:

CI “Fábio Franco de Oliveira” – 202 alunos, 375 refeições por dia em média
CI “Caroline Pardo Campos Freire” – 154 alunos, 252 refeições por dia em média
CI “José Eduardo Voight Sampaio” – 140 alunos, 250 refeições por dia em média
CI “Lia Maura Mattos Silveira” – 184 alunos, 361 refeições por dia em média
CI “Lucinda Tank Kühl” – 201 alunos, 360 refeições por dia em média

Estão na mesma situação, por exemplo, os CIs “Orlanda Grisi Rocco”, “Prefeito Ary Levy Pereira”, “Stella Regina Furlan” e “Aldo José Kühl”.

Para entender: o que aqui consta como refeição é chamado tecnicamente de cardápio (ou porcionamento). Cada cardápio é constituído de várias refeições: para os CIs (período integral), são quatro; para as Emeis, duas.

Durante a terceirização, caso um aluno do CI comesse uma ou duas refeições, a prefeitura pagava o cardápio completo (como se fossem as quatro). E se repetisse uma refeição (o café, por exemplo), ainda que não desfrutasse das demais, a prefeitura pagava dois cardápios completos.

Se, numa escola com 200 alunos, foram servidos por dia 375 cardápios, em média, isto significa que 93,5% dos estudantes repetiram alguma refeição. Todos os dias praticamente. Os números chamam ainda mais atenção ao se levar em consideração que há bebês nos CIs que não pedem para repetir a refeição, além de estudantes faltosos.

Conforme o relator da CPI, vereador Ronei Costa Martins (PT), um ex-sócio de uma das empresas fornecedoras de merenda afirmou em depoimento que merendeiras eram orientadas a colocar alimentos em quantidade menor para forçar os alunos a repetirem a refeição. Daí resultariam os números apresentados durante a reunião da CPI.

FALHA 
Secretário da Educação de Limeira entre 2005 e abril deste ano, o ex-vereador Antônio Montesano Neto negou irregularidades. “Se as diretoras (das escolas) assinaram que repetiram é porque houve repetição. Se elas assinaram é porque essa comida foi servida”, falou em depoimento à CPI.

Pelas regras da secretaria, as diretoras endossavam - ou não - as planilhas apresentadas pela empresa fornecedora da merenda com a contagem dos cardápios servidos. Daí Montesano afirmar que não houve fraude na contagem porque o controle passava por todas as diretoras, cada uma em sua unidade de ensino. “Mesmo que o secretário quisesse (fraudar), tinha que passar por todas elas”, disse.

Montesano salientou que o pagamento por cardápio (ou seja, de um conjunto de refeições independentemente de quantas vezes o aluno comia) estava previsto no edital da licitação para terceirização da merenda e nos posteriores contratos. Ele admite que a regra pode ter sido falha, mas defendeu a terceirização do serviço. “Podia ter sido discutido melhor (o edital)”, falou à imprensa.

O ex-secretário afirmou desconhecer qualquer eventual ato de corrupção envolvendo a terceirização da merenda. “Desconheço qualquer tipo de pagamento de propina”, afirmou. E repetiu após ser confrontado com um diálogo suspeito que teria tido a participação dele e do prefeito cassado Silvio Félix (PDT), além de uma terceira pessoa: “Não participei e desconheço o pagamento de propina para quem quer que seja”.

PROFETA
Candidato a vereador pelo PDT, Montesano revelou que chegou a questionar o então prefeito a respeito das denúncias de corrupção que surgiram em todo o país envolvendo prefeituras que tinham contrato de terceirização da merenda com o grupo SP Alimentação, caso de Limeira. “Está dando rolo isso, como é que vai ficar?”, teria perguntado ao chefe do Executivo.

De acordo com ele, Félix “também ficou preocupado com isso” e sugeriu uma consulta às diretoras das escolas. O ex-secretário afirmou que a ampla maioria delas defendeu a terceirização.

Montesano mostrou-se tranquilo ao tratar do assunto. “Eu não tenho medo de discutir merenda com ninguém”, falou. E garantiu não estar arrependido de ter participado do governo Félix comandando uma área que virou o centro de um turbilhão político e jurídico - a terceirização, cujo primeiro contrato foi julgado irregular pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), é alvo de ações judiciais. “Não, não, não me arrependo”, disse. “Sou professor de História, que é ser profeta do passado. Ser profeta do passado é tranquilo”, comparou.

Além de Montesano, também prestaram depoimento nesta quarta-feira a atual secretária da Educação, Araciana Dalfré; o ex-diretor do setor de merenda, Luís Carlos Prada; e a diretora da secretaria para a área de merenda, Sueli Komatsu.

Dona da Le Barom, empresa que vinha fornecendo merenda na cidade, Marisa Bortoletto Ribeiro não compareceu para depor. Em ofício à CPI, ela alegou “motivo de força maior”, sem especificá-lo. E se comprometeu a prestar depoimento após o dia 17.

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No ar!

Durante recente giro pelos EUA e Canadá, o jornalista Carlos Giannoni de Araujo e eu flagramos vários colegas de profissão pelas ruas (ou, melhor dizendo, os prédios e os veículos dos colegas de profissão).

Em Atlanta, no Philips Arena, no jogo Atlanta Hawks x Charlotte Bobcats:



Na Filadélfia:





Em Nova York:


Em Toronto, no Roger Center (ou Centre), no jogo Blue Jays x Tampa Bay: