domingo, 13 de abril de 2014 | | 0 comentários

"Uma prece árabe"

Deus, não consintas que eu seja o carrasco que sangra as ovelhas, nem uma ovelha nas mãos dos algozes. 

Ajuda-me a dizer sempre a verdade na presença dos fortes, e jamais dizer mentiras para ganhar os aplausos dos fracos. 

Meu Deus, se me deres a fortuna, não me tires a felicidade; se me deres a força, não me tires a sensatez; se me for dado prosperar, não permita que eu perca a modéstia, conservando apenas o orgulho da dignidade.

Ajuda-me a apreciar o outro lado das coisas, para não acusar meus adversários com mais severidade do que a mim mesmo.

Não me deixes ser atingido pela ilusão da glória, quando bem sucedido, e nem pelo desespero, quando derrotado. Lembra-me que a experiência de uma queda poderá proporcionar uma visão diferente do mundo.

Ó Deus! Faze-me sentir que o perdão demonstra força, e que a vingança é prova de fraqueza.

Se me tirares a fortuna, deixe-me a esperança. Se me faltar à saúde, conforta-me com a graça da fé. E quando me ferir a ingratidão e a incompreensão dos meus semelhantes, cria em minha alma a força da desculpa e do perdão.

Finalmente Senhor, se eu Te esquecer, rogo que nunca Te esqueças de mim.

Fonte: blog do Paulo Coelho, postado em 12/4/14.

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"No"

Belíssima história, inspirada em fatos reais, sobre a luta da sociedade pela democracia no Chile:

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Resquícios de uma terça-feira - um reencontro

Limeira, terça-feira, 8/4, Parque da Cidade, 19h.

Duas simples palavras com a incrível capacidade de serem redentoras.

“Tudo bem?”

Eu me senti feliz por tê-las pronunciado. Representaram um instante de superação – de mágoas, raivas, ressentimentos - e, acima de tudo, um sinal de educação (o que não é pouco).

O que ouvi como resposta, por enquanto, são apenas palavras, sem nenhuma atitude.

Atitude exige coragem e humildade – como para dizer “tudo bem?”.

Agora retomo minha rotina, em outro lugar, sem saber se a vida proporcionará outra oportunidade para que atitudes sejam tomadas.

De todo modo, fico feliz por ter feito a minha parte (que, repito, não foi pouco).

De resto, resta esperar...

Eu sei!
Quanta tristeza eu tive
Mas mesmo assim se vive
(...)
Eu sei!
O coração perdoa
Mas não esquece à toa
E eu não me esqueci...

(...)

Eu sei!
Que flores existiram
Mas que não resistiram
A vendavais constantes
Eu sei!
Que as cicatrizes falam
Mas as palavras calam
O que eu não me esqueci...

(“Fera ferida”, de Roberto e Erasmo Carlos)

sábado, 12 de abril de 2014 | | 0 comentários

Frase

"Algumas coisas são irreparáveis."
Noé, personagem do filme homônimo, interpretado pelo ator Russell Crowe

sexta-feira, 11 de abril de 2014 | | 0 comentários

Trabalhando... (direto do baú)

Algumas reportagens-entrevistas feitas ainda pela TV Jornal. Com a mulher do primeiro beijo na TV:


E com uma limeirense testemunha do 11 de Setembro em Nova York (EUA):

quinta-feira, 10 de abril de 2014 | | 0 comentários

Constatação da semana

Pelo jeito, parece que continuo ouvindo palavras inócuas.

Palavras desprovidas de ação são meramente palavras. Frágeis como areia ao vento...

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A velha classe média, o iPhone e a "esquerda caviar"

Os protestos de junho de 2013 (aliás, estaríamos esperando junho chegar novamente...?) colocaram em cena uma série de questões, muitas das quais até hoje não foram – e, creio, nunca serão – respondidas.

Quem eram, afinal, os manifestantes? O que queriam além da revogação do aumento das passagens? Qual segmento, interesses e ideais representavam?

Tamanha falta de respostas concretas a estas e outras tantas perguntas inibe qualquer generalização. Não se pode, portanto, falar de um movimento uníssono, mas de um conjunto de movimentos que se uniu sob determinadas condições de temperatura e pressão (para recorrer, de modo metafórico, a uma expressão da química).

Passado o tsunami das ruas, restou um pequeno e barulhento grupo, o dos “black blocs”. Não vou tratar deles aqui, visto que isto já foi feito em outras postagens.

Quero falar de um outro grupo, que certamente está representado entre os “black blocs”, mas não apenas entre eles. Foi assim identificado por um colega de trabalho: “a turma dos rebeldes de iPhone”.

Referia-se àqueles que saíram às ruas gritando palavras de ordem contra o capitalismo, os governos, a mídia capitalista e conservadora, etc etc etc. Um discurso que, por vezes, retrocedia aos anos 1960.

Dito de modo mais direto: uma classe média que não ascendeu socialmente agora, ou seja, não é tal “nova classe média”. Uma velha classe média, que viaja uma vez por ano ao Exterior, frequenta círculos privilegiados da cultura e possui... iPhone – símbolo do capitalismo dos novos tempos.

Quem melhor do que eu definiu essa turma foi João Pereira Coutinho em recente coluna na “Folha de S. Paulo”:

“É precisamente contra este tipo de fenômenos que Rodrigo Constantino escreveu o seu ‘Esquerda Caviar’ (Record, 434 págs.), que começa da melhor forma possível: com a conhecida frase de Nelson Rodrigues de que é mais fácil amar a humanidade do que aqueles que nos estão mais próximos. 

(...) a ‘aldeia midiática’ em que vivemos promove essas hipocrisias éticas: atores e humoristas que almoçam no Savoy - mas depois gostam de exibir em público as suas ‘lindas intenções’ contra o capitalismo que os alimenta.”

É isto: entre o luxo do cotidiano e o lixo das ruas, soa o grito da velha classe média.

E dá-lhe WhatsApp!

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Anônimos da grande cidade

Quem passou há uns três meses pelas avenidas Amaral Gurgel e São João, em São Paulo, observou que as pilastras do famoso Minhocão (o elevado Costa e Silva) estavam diferentes. Elas tinham rostos de pessoas anônimas, em retratos de até seis metros de altura por três metros de largura. 

As imagens, de moradores da região, fizeram parte do projeto "Giganto", da fotógrafa Raquel Brust. 

Como sempre passava por ali de carro, não consegui produzir fotos decentes. Ainda assim fica o registro da arte de rua que encanta, colore, traz alegria e provoca reflexão numa cidade cinza, bruta e por vezes impessoal como a capital paulista.




Quem quiser ver um vídeo do trabalho sendo montado basta clicar aqui.

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Marcado nas estrelas

Você pode até não acreditar em astrologia (não estou me referindo às “previsões” diárias do horóscopo), mas quem me conhece não terá como negar que sou o exemplo empírico do perfil de um típico sagitariano:

“Pessoas justas, que gostam de explorar e expandir os conhecimentos, além de conhecer novas culturas. Ideais para trabalhos que exijam estudo, conhecimento, otimismo, liberdade e mudanças. Profissões: direito, filosofia, comércio exterior, turismo internacional, publicidade/comunicação e magistério.” 
(Fonte: UOL)

Será mesmo que nosso destino está marcado nas estrelas?

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"A gente não quer só comida"

Tenho ouvido frequentemente a seguinte pergunta: "Por que se preocupar tanto com o crescimento se há pleno emprego?". Na mesma linha, apareceu nova afirmação: "Ninguém come PIB". Em comum, tratam de reduzir o peso atribuído ao crescimento econômico em troca de variáveis mais facilmente observáveis, como emprego ou o consumo de alimentos.

(...) De volta ao Brasil, ao ritmo observado entre 2003 e 2010 nossa renda per capita dobraria a cada 25 anos; no ritmo registrado de 2011 a 2013 (ou 2014), contudo, seriam necessários 65 anos para obtermos o mesmo resultado. A equação do crescimento é, portanto, simples: queremos dobrar nosso padrão médio de vida para nossos filhos ou teremos que esperar até depois de nossos netos? A insatisfação que aos poucos transparece na sociedade brasileira sugere que a resposta não está na segunda alternativa.

(...) E, mais cedo ou mais tarde, os apologistas de plantão aprenderão que a gente não quer só comida, mas diversão e arte e, principalmente, uma saída para qualquer parte (salve Titãs!).

Fonte: Alexandre Schwartsman, “Folha de S. Paulo”, Mercado, 9/4/14 (íntegra aqui).

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Sol & sombra

Em São Paulo, em Limeira e pelas estradas da vida...







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Palavras traiçoeiras

Algumas vezes, as palavras dizem mais do que se pensa - ou se pretende. Elas traem. O noticiário desta quinta-feira (10/4/14) traz bons exemplos:

- “Não dá mais para ter desculpa porque a máquina agora está do jeito que a gente quer.”
Mauro Zeuri, agora secretário de Gestão Estratégica (antes Governo e Desenvolvimento) da Prefeitura de Limeira, em reportagem da “Gazeta de Limeira”

Taí o que dá falar sem pensar. A manifestação de Zeuri parte de dois pressupostos que o governo Paulo Hadich (PSB), do qual o secretário faz parte, tanto critica quando citados pela imprensa.

Ao dizer que “não dá mais para ter desculpa”, Zeuri deixa claro: 1) que antes dava-se desculpa pela ineficiência da máquina administrativa; e 2) havia ineficiência na máquina administrativa – e continua havendo, só não será mais possível dar desculpa, embora a previsão seja que o serviço melhore em razão das mudanças feitas na administração.

Hadich e seus asseclas, principalmente aqueles que gostam de perseguir a mídia, não tem do que reclamar se o próprio secretário – peça-chave no governo – admite uma coisa dessas.

Ô frase infeliz!

- “Poderíamos estar melhor, e a Dilma vai ter que dizer como é que a gente vai melhorar.”
Do ex-presidente Lula, em entrevista a um grupo de blogueiros amigos

"Se o próprio Lula diz que 'poderíamos estar melhor', é porque estamos bem mal. E ele apontou a culpada - que tem de se explicar, ou a coisa vai ficar feia para o lado dela (a sucessora dele, a presidente Dima Rousseff)."
(Fonte: Eliane Cantanhêde, “Lula no palanque”, Folha de S. Paulo, Opinião, 10/4/14, p. 2.)

- “Temos que retomar com muita força essa questão da regulação dos meios de comunicação do país. (...) Queremos uma coisa mais digna, mais respeitosa. Quando vejo o tratamento a Dilma, é de falta de respeito e de compromisso com a verdade.”
Do ex-presidente Lula, em entrevista a um grupo de blogueiros amigos

"De onde se vê que, ao contrário das alegações formais, se trata realmente do controle de conteúdo. Com a 'regulagem' defendida pelo PT o Estado daria as balizas do tratamento considerado respeitoso em relação a autoridades, bem como firmaria os termos da verdade para com a qual os meios de comunicação estariam compromissados."
(Fonte: Dora Kramer, “Sem palavras”, O Estado de S. Paulo, Política, 10/4/14, p. A6.)

Nos dois casos de Lula, só não dá para dizer: “Ô língua solta” porque não se pode crer que o ex-presidente cometeu equívoco. Lula só fala de caso pensado.

- “Ela (inflação) subiu agora, acho que está no máximo, e a partir do próximo mês já ficará um pouco menor, depois, em maio, vem menor ainda e, em junho, menor ainda. Então ela é passageira."
Guido Mantega, ministro da Fazenda, em entrevista à imprensa

Neste caso, nem é preciso se alongar no comentário. A realidade nega o que diz o ministro. Aliás, tem alguém mais sem credibilidade em suas previsões econômicas do que Mantega? Faz quatro anos que ele fala que a inflação vai baixar e o PIB (Produto Interno Bruto) vai subir...

quarta-feira, 9 de abril de 2014 | | 0 comentários

Frase

"Os políticos estão mais perto da vontade dos partidos do que dos desejos da sociedade. Antes, eles tinham medo do povo e hoje nem isso. Não estão nem aí, desde que se reelejam."
Alberto Hiar, dono da grife Cavalera e ex-deputado, em reportagem da “Folha de S. Paulo”

terça-feira, 8 de abril de 2014 | | 0 comentários

Igloofest: balada abaixo de zero

Segunda maior cidade do Canadá, na porção francesa do país, uma vida cultural movimentada, até no inverno. Estive em Montreal, em fevereiro, para conhecer uma festa diferente. Eram nove horas da noite, estava nevando, temperatura próxima de dez graus negativos. Fui até a Igloofest, uma das maiores festas de música eletrônica do mundo, para mostrar que é possível sim se divertir abaixo de zero.

 

 
  
Vista-se com uma roupa aquecida para encarar os desafios do inverno canadense e entre no clima da festa. A oitava edição, este ano, bateu recorde de público: 85 mil pessoas nos quatro finais de semana do evento, entre janeiro e fevereiro, bem mais que as 63 mil do ano passado.

Dany Galant, de 27 anos, prestigiou quatro noites. E garantiu que o frio não impede a diversão. “Sim, é possível se divertir no inverno em Montreal. A Igloofest é uma grande festa”, disse.

Diversão não falta. E a música eletrônica é só pano de fundo pra galera agitar. É preciso mesmo muita agitação para espantar o frio. Na boate a céu aberto, com neve caindo. Nos tambores do “Guitar Hero” gigante. Na sessão de fotos para uma rede social. Ou, para os corajosos, no escorregador do castelo de gelo.




   
A Igloofest é, na verdade, uma espécie de parque de diversões gelado. E divertido. O figurão aí embaixo, Vicent Di Paula, é prova disso. “Esta é a roupa para a festa hoje”, falou. Duas francesas também fizeram questão de provar que existe vida noturna com a neve. Uma delas até arriscou falar português. “Eu estudei comunicação...”.



A Igloofest recebe alguns dos maiores DJs do mundo. E é no palco principal que a galera bota pra ferver. Como uma grande boate. Sob as estrelas, com temperatura negativa. Para provar que diversão não tem limites. Ou melhor, não respeita nem termômetro.


A Igloofest acontece no Parque Jean-Drapeau, no Old Port de Montreal.

* Texto original de reportagem para o programa "Mais Cultura" (TV Cultura, seg.-sex., 13h):

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A vida (latino-americana) como ela é

(...) Levei 30 anos para compreender que as telenovelas são uma metáfora dramatizada do populismo latino-americano. Essas atrações lidam não tanto com o amor não correspondido, e mais com mitos de redenção social tão imortais quanto o de Evita Perón.

O tema mais frequente prescreve a redistribuição de riqueza entre os pobres, com pouca consideração sobre como essa riqueza é criada, o que explica muito sobre a história recente da Venezuela e seu estilo peculiar de socialismo, conhecido como chavismo. Muitos populistas demagógicos latino-americanos propagaram desde 1930 essas "soluções" inspiradas em Robin Hood para a pobreza e as injustiças. (...)

Fonte: Ibsen Martínez, “Caos, chavismo e uma telenovela”, “Folha de S. Paulo”, 8/4/14 (texto originalmente publicado na seção “Intelligence” do jornal “The New York Times”).