quarta-feira, 30 de setembro de 2009 | | 0 comentários

A nova realidade americana

No recente giro que fiz pela Costa Leste dos Estados Unidos, de Nova York a Key West, um aspecto me chamou a atenção: a quantidade de imóveis - residenciais e notadamente empresariais - com placas indicando “sale”, “for lease” ou “for rent”. Ou seja, para vender ou alugar. Muitos desses imóveis eram novos, ou tinham aspectos de novos.

Foi inevitável associar esta nova realidade (ao menos para mim) à crise econômica que atingiu o mundo e que teve seu pico nos EUA. Aliás, esse foi o sinal mais evidente da crise, pois pelas cidades por onde passei não vi cenários que indicassem uma recessão. Os moradores, porém, talvez os vejam. Em Miami, um motorista de táxi me disse que os norte-americanos estavam assustados com a queda na atividade econômica na cidade, inclusive turística – o principal “motor” da economia local. Outro taxista, porém, disse que em setembro o movimento sempre foi baixo por não ser alta temporada.

Divergências à parte, os EUA seguem estimulando o consumo. “Compre um e leve outro”, “compre e ganhe 50% de desconto na próxima negociação”, “raspe o cartão da loja e ganhe descontos”, “noite da moda, com preços incríveis”. Tudo para vender. Não se sabe, porém, até que ponto o norte-americano está com dinheiro no bolso e disposição para gastar.

Os números da economia americana ainda assustam: em meio a tantas (tantas mesmo!) placas de “vende-se” ou “aluga-se”, a previsão dos especialistas é que 6,4 milhões de imóveis irão para hipoteca em 2010 devido à incapacidade de pagamento de quem os financiou. Isto é um número brutal considerando a crise que já atingiu o mercado imobiliário em 2008 e este ano.

O presidente dos EUA, Barack Obama, manifestou na semana passada que esperava um PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas produzidas por um país) positivo no trimestre, o primeiro após uma longa recessão. O resultado divulgado ontem, porém, indicou um cenário ainda de retração.

O fato é que para os turistas, os EUA continuam sendo um “oásis” para compras, como anuncia um grande outlet na região de Miami, o Sawgrass Mills. É bom saber, contudo, que esses mesmos turistas poderão se deparar com imagens dificilmente antes vistas, como a de pessoas pedindo dinheiro em semáforos. Se são realmente necessitados não se sabe, mas sem dúvida a crise de alguma forma está envolvida nesse cenário. Ainda que seja por mero oportunismo.

PS: além do pedinte no semáforo, esta nova figura da vida americana, em Atlanta fui abordado por um cidadão que me pediu dinheiro (na verdade “gorjeta” depois de perguntar se eu precisava de ajuda). Um tanto impaciente com a minha tentativa de passar por desentendido, ele afirmou ser “homeless” – um sem-teto. Acabei dando dois dólares para dispensá-lo. Ele pediu mais dois. Recusei. Ele se foi (acho que um tanto insatisfeito).

* Em tempo: para se ter uma ideia do tamanho da crise, Obama disse em entrevista recente a David Letterman que o país perdia 700 mil empregos por mês quando ele assumiu o governo. Até agora, a crise já custou US$ 5 trilhões aos EUA.

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Uma frase

"Non ducor, duco."

segunda-feira, 28 de setembro de 2009 | | 0 comentários

Pejon no PSC; cenário eleitoral terá surpresa

O ex-prefeito de Limeira, José Carlos Pejon, acaba de se filiar ao PSC, o Partido Social Cristão. Ele esteve hoje em São Paulo para assinar a ficha de filiação ao lado do deputado federal Régis de Oliveira. O ex-prefeito havia deixado o PSDB rumo ao PP após ter sido preterido nas disputas internas no partido, o que também ocorreu na sua nova e agora antiga casa.

No PSC, diz Pejon por meio de sua assessoria, está garantida a legenda para disputar uma vaga na Assembléia Legislativa ou na Câmara Federal em 2010. A escolha caberá a ele, segundo informa. Este fato, somado ao “planejamento sério” que o PSC vem colocando em prática, determinou a escolha da nova sigla, cita o ex-prefeito.

Ainda nesta segunda-feira, o deputado estadual Otoniel de Lima anunciou sua filiação ao PRB. Ele deixa o PTB, partido para o qual ingressou após ter sido “expulso” do PR, sigla pela qual foi eleito.

Nos dois casos, as escolhas dos novos partidos deixam claro a estratégia meramente matemática e não ideológica para a eleição de 2010. Ou seja: partidos nanicos exigem menos votos para se eleger. Aliás, como falar em ideologia diante de tantas mudanças partidárias?

Em tempo: pelo que se desenha, Limeira deve ter em 2010 talvez o maior número de candidatos em toda a história. Nas últimas duas eleições para deputado, foram mais de uma dezena. Ninguém se elegeu – Otoniel conquistou sua vaga na Assembléia Legislativa com os votos de fora (provavelmente da Igreja Universal, da qual é pastor) e não com os votos dos limeirenses (4.477 de um total de 60.348).

As disputas nos bastidores estão fervendo. O clima quente tem gerado discussões.

Em tempo 2: haverá surpresas no quadro de candidatos em Limeira. É só esperar para ver...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009 | | 3 comentários

Ser jornalista é...

...desagradar a gregos e troianos.
Palmeirenses e corintianos.
Cariocas e paulistas.
Nortistas e sulistas.
Católicos e evangélicos.
Árabes e judeus.
São-paulinos e santistas.

Petistas e tucanos.
Lulistas e serristas.
Tricolores e rubronegros.
Gremistas e colorados.

Ser jornalista é não querer agradar ninguém.
Os do Galo e os do Cruzeiro.

Ser jornalista é ser solitário.

Ser jornalista é ser oposição, porque o resto é armazém de secos e molhados, como já ensinou mestre Millôr Fernandes.
Que ensinou, também: "Quem se curva diante dos poderosos, mostra o traseiro aos oprimidos".

Ser jornalista é discutir tudo, até, e, hoje em dia, principalmente, sentenças judiciais, tamanhos são os absurdos.
Ser jornalista é não querer agradar ninguém e não se curvar ao dinheirismo.
Ser jornalista é querer melhorar a esquina de sua rua, sua cidade, seu país, o mundo!

Profissãozinha desgraçada, hein?

Fonte: Blog do Juca Kfouri

terça-feira, 22 de setembro de 2009 | | 0 comentários

Será mesmo um "novo país"?

Fiz uma recente viagem aos Estados Unidos, mais especificamente pela Costa Leste. Como optei por fazer o passeio por via terrestre, passei por umas 25 cidades, das menores às maiores. Fiquei especificamente em cinco delas.

Confesso que me chamou a atenção uma certa simpatia dos norte-americanos. Era comum em muitos lugares as pessoas me perguntarem o tradicional "How are you today?". Tudo bem que muitas dessas pessoas tinham seus interesses (eram atendentes de lojas, por exemplo), mas não deixa de ser um ato de simpatia, notadamente em relação a um estrangeiro. Antes, não era raro encontrar nesses mesmos locais atendentes mal humorados, como se estivessem fazendo um favor para o turista (claro que estes ainda existem, como em qualquer lugar, mas desta vez foram em número bem reduzido).

Além da simpatia, encontrei muitas pessoas dispostas a ajudar. Numa esquina no Greenwich, em Nova York, onde parei para aguardar a abertura de uma loja (que ocorreria em cinco minutos), decidi dar uma checada no mapa para ver qual seria meu destino a partir dali. Eis que um senhor se aproximou e, ao me ver olhando o mapa, ofereceu-se para me ajudar a tirar dúvidas.

Ainda em NY, no Broklyn, decidi pegar o metrô após atravessar a pé a centenária ponte que liga o bairro a Manhattan. Enquanto olhava no mapa as respectivas linhas, uma mulher se aproximou e perguntou se eu precisava de ajuda. Expliquei onde queria ir e ela me orientou sobre as linhas e estações. E, para minha surpresa, diante da pergunta sobre onde eu compraria o bilhete, ela simplesmente disse que eu não precisava me preocupar com isso, pois liberaria minha passagem pela catraca especial. E assim o fez.

Pode ter sido mera impressão, pode ter sido uma feliz coincidência, pode ser efeito da crise econômica que atingiu os EUA (os norte-americanos estariam mais receptivos aos turistas?), o fato é que esta recente viagem me deu a impressão de que um "novo país" está nascendo. Será mesmo?

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Novos talentos

Mais um estudante de Jornalismo do Isca Faculdades, de Limeira, foi classificado para a final do Prêmio Estadão de Jornalismo. No ano passado, Alex Contin ficou entre os 16 finalistas e ganhou um computador. Desta vez, Roxane Regly foi a escolhida. Ela também ganhou um computador.

A reportagem que deu o prêmio a Roxane é intitulada "De pneu abandonado a material para bolsas" e foi publicada hoje no Estadão (para ler, clique aqui).

Sem dúvida, essas premiações são um reconhecimento dos novos talentos da imprensa limeirense.

Como ex-chefe do Alex no Jornal de Limeira e ex-professor da Roxane no Isca, fico orgulhoso pelas conquistas.

Parabéns!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009 | | 1 comentários

Aviso

Aos leitores do blog, um aviso: estou cruzando a costa lesta na terra de Obama. Volto em breve.

Valeu!!!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009 | | 1 comentários

Frases

"Eu não conseguirei o socialismo com o poder do Estado, de cima para baixo, precisa ser um processo de maturação, de baixo. E há pré-requisitos, precisa ser a partir de uma sociedade rica e culta. Fazer países socialistas a partir de países pobres não dá resultado."
José Mujica, senador esquerdista e candidato à presidência do Uruguai ("Folha de S. Paulo", 6/9/09)

"Aprendi que se pode viver com muito pouco. Se tivesse muitas coisas, elas me escravizariam, me obrigariam a trabalhar para mantê-las. Aí, em vez de ser mais livre, seria menos livre. Para mim, liberdade é tempo gasto com o que gosto. A austeridade é uma forma de riqueza."
Idem

"Cachorros não dão desculpas e não se incomodam."
Elliott Erwitt, fotógrafo ("Folha de S. Paulo", 7/9/09)

"Tenho a sensação que o digital só tornou as pessoas más fotógrafas. Serviu para que amadores pudessem tirar fotos, mas fez os profissionais ficarem folgados demais. Há muito menos pensamento hoje. Você pode dar uma câmera digital a um orangotango e conseguir resultados melhores do que com uma pessoa."
Idem

quarta-feira, 2 de setembro de 2009 | | 0 comentários

O "Dia do Fico" de Félix

Terça-feira, 1° de setembro de 2009. A data ficará gravada neste blog e na minha memória. Nesse dia, em entrevista ao programa “Fatos & Notícias”, da TV Jornal (que apresento diariamente às 11h30 com os colegas Luiz Biajoni e Ana Paula Sequinato), o prefeito de Limeira, Silvio Félix (PDT), garantiu que cumprirá seu mandato até o final – 31 de dezembro de 2012.

A manifestação decorreu de pergunta feita por mim e está ligada às eleições de 2010. É que o PDT de Félix lançou a pré-candidatura do atual prefeito de Campinas, Hélio Santos, para o governo do Estado. Discute-se até nos bastidores a eventual candidatura do Dr. Hélio, como é mais conhecido, ganhar apoio do PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Por enquanto, são apenas conjecturas, costuras que vêm sendo feitas nos bastidores políticos (e que têm passado pelo Edifício Prada, a sede do Executivo limeirense).

O fato é que Félix e Dr. Hélio têm grande afinidade. Os dois foram eleitos na mesma época, em 2004, e reeleitos no ano passado. Na primeira eleição, Dr. Hélio travou uma apertada disputa com o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB), que havia vencido o primeiro turno. O pedetista – que vinha tentando há anos se eleger prefeito de Campinas – tinha o desafio de virar o jogo no segundo turno. Na ocasião, contou com grande apoio do então prefeito eleito de Limeira. Félix empenhou-se na campanha do colega, chegando a emprestar veículo e equipe.

A ajuda não foi esquecida por Hélio, que buscou intermediar pleitos da Prefeitura de Limeira junto a deputados e ao governo federal. Os dois prefeitos se falam com frequência, inclusive sobre a disputa em 2010.

Aliás, a relação entre ambos não é nova. Conforme reportagem assinada por mim e publicada no Jornal de Limeira no ano passado, Félix foi – embora sem que ninguém soubesse – assessor do então deputado federal Dr. Hélio (leia
aqui).

Com a possibilidade do atual prefeito de Campinas ser candidato a governador e em razão da afinidade entre ele e Félix, perguntei ao prefeito de Limeira se, caso o colega fosse eleito em 2010 e o convidasse para ser secretário de Estado, se ele aceitaria. Félix foi enfático em dizer que não. Garantiu que cumprirá seu mandato até o último dia.

Está, pois, registrado nos arquivos da TV Jornal e na minha memória (bom, também neste blog).

Renunciar ao mandato de prefeito, abrindo mão dos votos de confiança dados pela população, foi talvez o maior erro político de Pedro Kühl (PSDB). Ele abdicou de comandar Limeira em abril de 2002, após ter sido reeleito em 2000 (curiosamente numa disputa contra Félix), em nome de uma candidatura (cujas chances de sucesso se desenhavam como quase impossíveis) a deputado federal. Não se elegeu, deixou a prefeitura e ficou “queimado”.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009 | | 0 comentários

Tempos modernos, ócio e criatividade

Durante muito tempo, dediquei-me integralmente ao trabalho. Fazia isso porque gostava do que fazia e porque sempre achei que não existe conquista sem esforço, luta, sacrifício. Com o passar do tempo, naturalmente o estresse foi se aproximando. Aquilo que era prazeroso começou a se tornar um tanto penoso e passei a perceber que a dedicação integral ao trabalho me impedia de fazer outras coisas tão importantes quanto a profissão – ter momentos de lazer, fazer cursos, estudar, etc.

Já tinha ouvido falar da obra do sociólogo italiano Domenico de Masi, “Ócio Criativo”. Ainda não a li, mas sempre tive curiosidade de saber mais profundamente sobre essa tese. Com o estresse crescente em razão da dedicação um tanto desmedida ao trabalho, a ideia do ócio criativo foi ganhando força (em tempo: poucos percebem como o lazer pode contribuir para o trabalho).

Durante a Semana de Comunicação promovida pelo Isca Faculdades no ano passado, uma das palestras abordou a questão da criatividade na propaganda. O palestrante atua numa grande agência de publicidade, na qual coordena um departamento cuja função é ficar analisando as tendências mundiais, pensar novas ideias, etc. Não é à toa que o departamento tem o sugestivo nome de “Oxygen”. Sem dúvida, uma grande sacada.

Essa sacada – o ócio criativo - ganhou força diante da entrevista dada pelo publicitário Nizan Guanaes ao jornal “Folha de S. Paulo”, publicada no domingo (30/8/09). Nela, Nizan anuncia sua ida para Nova York (EUA) em busca de uma “internacionalização do pensamento, ter uma visão das coisas que estão acontecendo”.

“Um consultor com quem trabalho, o John Kao, desenhou meu papel como sendo de ´blank sheet´. É preciso ter um desocupado nas empresas. Se todos estão ocupados com o presente, quem está de olho no momento seguinte, no futuro? É claro que, quando um grande cliente precisa, eu intervenho. Não estou em outro planeta. Vou ficar 15 dias lá (nos EUA) e 15 dias aqui (em SP). Vou levar minha cabeça para passear porque senão só vou dar soluções que já se conhece”, citou Nizan.

Eureka!

Também sigo à procura do meu ócio criativo – ou de uma forma de tornar isso criativo e produtivo. Ainda não descobri o caminho das pedras, mas sigo tentando e sei que chegarei lá!

* Para quem quiser ler a entrevista na íntegra de Nizan, clique aqui (é preciso senha do UOL ou de assinante da “Folha”)

* Para quem quiser saber mais sobre a tese de Domenico de Masi, leia a entrevista concedida por ele disponível no site do consultor Mário Persona. Basta clicar aqui.


PS: ilustram essa postagem, sugestivamente, a imagem clássica de Charles Chaplin no filme “Tempos Modernos” (que eu recomendo) e outra do pintor brasileiro Di Cavalcanti (crédito: www.dicavalcanti.com.br)

domingo, 30 de agosto de 2009 | | 1 comentários

Cinco estrelas (hehehe)

Com quase 250 exibições, meu documentário "Planeta Água" recebeu uma avaliação cinco estrelas (hehehe) e um comentário elogioso. Se você ainda não viu, ele segue abaixo (no YouTube, basta clicar aqui). Modéstia às favas, ficou bem legal.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009 | | 1 comentários

Tancinha ruma para candidatura em 2010

Ainda estamos em 2009, mas para o mundo político 2010 já começou!

Semana passada, recebi em casa um jornal (tipo folheto informativo) com realizações do governo do Estado específicas para Limeira. Confesso que nunca tinha recebido algo semelhante. É propaganda pura, direcionada. Imagino que o mesmo tenha sido feito para outras cidades paulistas. É José Serra colocando a "tropa" na rua.

Outro dia, vi a articulação de uma candidatura importante na política nacional ser delineada na minha frente. E ela passava pelo Edifício Prada, a sede do Executivo de Limeira.

Ontem, no programa "Fatos & Notícias" (que apresento diariamente às 11h30 com os colegas Ana Paula Sequinato e Luiz Biajoni na TV Jornal), perguntei para a primeira-dama de Limeira e presidente do Fundo Social do município, Constância Félix, se ela é pré-candidata a deputada, como se cogita no meio político.

Surpresa com a pergunta, Tancinha - como é chamada - hesitou por alguns segundos e disse: "Eu diria que não”. Questionei que a inclusão da expressão “eu diria que” tirou o peso da convicção que o simples “não” conferiria à resposta. Eis que Tancinha desandou a falar para tentar explicar. E, nessa tentativa, mudou o discurso. Admitiu claramente a possibilidade da candidatura. “Se precisar, serei”.

Em seguida, indagada sobre a difícil rotina de um político, ela iniciou a resposta com as seguintes palavras: “Não vai ser diferente do que é hoje”. Repare no “não vai ser”, uma expressão que indica um futuro certo – ou seja, de alguém que não só deve ser candidata, mas que já imagina como será a vida se eleita.

Ou seja: pela costura política de hoje (28/6), Tancinha será candidata. Disse isso a ela no programa e a primeira-dama apenas sorriu.

Quando o “Fatos” (como o chamamos carinhosamente nos bastidores) acabou, a entrevistada – surpresa com o inusitado da situação - falou, rindo, que da próxima vez faria como age em outra emissora de TV da cidade: anunciaria antes que não falaria de outro assunto (a entrevista era sobre uma ação social). Eu simplesmente respondi: “Não tem problema. Na hora do programa eu direi: ‘Tancinha, sei que você não quer falar disso, mas você será candidata?’”. Simples assim.

PS: Confesso que a pergunta para a primeira-dama fora premeditada. Havia combinado com a Ana Paula, que é a âncora do “Fatos”, que faria tal questionamento. Afinal, estamos em 2009, mas para o mundo político 2010 já começou!

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Falou e disse!

Não sou um fã do goleiro Rogério Ceni, embora reconheça sua competência profissional. Confesso que o considero um tanto convencido. No entanto, não posso deixar de admitir que desta vez ele acertou em cheio ao comentar um recente episódio ocorrido na Portuguesa de Desportos:

"Achei lamentável e um absurdo o que aconteceu na Portuguesa. Não entendo por que as pessoas não vão ao Senado reclamar da mesma maneira. Se tivéssemos a mesma bravura para combater os políticos corruptos, talvez o nosso país fosse melhor. Existe uma inversão de valores na sociedade. A população não se revolta contra quem mexe no dinheiro, no bolso dela, mas sim contra um time que não ganhou em casa. Que crime o cara fez?".

Boa Rogério!

terça-feira, 25 de agosto de 2009 | | 0 comentários

Ter ou não ter, eis a questão...

Quando o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, o mundo parece ter vindo abaixo para uma parcela das pessoas que atuam na área. Já outras saudaram a decisão como uma alforria. Tenho para mim que nenhuma discussão deve ser movida por paixões – é, portanto, com a razão que pretendo analisar a questão.

Partirei do ponto que me parece menos complexo: afirmar que não existem técnicas para a atuação jornalística é desconhecer a profissão. Portanto, já de início elimino o argumento de que o exercício da atividade jornalística não exigiria especialização. Neste ponto, é preciso separar o que é escrever bem do que é escrever uma reportagem. Como diz o dito popular, “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”.

Isto posto, o que se coloca é: para fazer uso das tais técnicas jornalísticas, é preciso um diploma? Esta é a questão.

Antes de ingressar neste debate, porém, registro minha incompreensão em relação a um outro argumento usado pelos ministros do Supremo para defender o fim da exigência do diploma. Segundo eles, tal exigência feriria a Constituição no que diz respeito ao direito à livre expressão. Ora, em nenhum momento a atividade jornalística impede que qualquer cidadão – repito, qualquer cidadão – manifeste a sua opinião livremente. Todos são livres para fazer manifestos, protestos, escrever para blogs, jornais e revistas e até montar uma publicação na qual possam expressar sua opinião (aliás, a Internet está cada vez mais recheada disso). Isto nada tem a ver com o exercício do jornalismo, a prática da reportagem, etc.

Liberdade de expressão é um princípio constitucional; acesso à informação é um direito do homem. A atividade jornalística em nada restringe esses conceitos. Por mais claro que isso me pareça, não posso imaginar que os ministros do Supremo – a mais alta corte do País – tenham feito tal confusão (em tempo: sempre que participei como testemunha de audiências judiciais envolvendo questões da imprensa, os juízes sempre tiveram dificuldade para entender como se dá no cotidiano a atividade jornalística; um juiz certa vez chegou a me perguntar o que eu fazia como editor, afinal, já que não tinha revisado uma determinada reportagem nem era responsável pela colocação do título).

Resta, portanto, discutir o cerne da questão: é preciso o diploma? Defendo desde sempre a regulamentação de toda atividade profissional. Convivi – e convivo – com colegas de outras áreas, como a publicidade, e sei quanto os aventureiros prejudicam o mercado como um todo, seja no que diz respeito à remuneração, seja no que diz respeito à qualidade do serviço. Não sou, pois, favorável somente à regulamentação da atividade jornalística, como também da publicitária, da gastronômica, etc.

Isto coloca uma outra questão: tal regulamentação se dá somente com a graduação numa faculdade de jornalismo? Sinceramente, creio que não. Pessoalmente, acredito que os profissionais de comunicação deveriam ser graduados em áreas afins, como economia e ciências sociais, e fazer um tipo de especialização posterior em jornalismo. Quem sabe até uma espécie de residência, como na medicina. Este é o formato vigente em muitos países.

Não quero parecer tucano, ficando em cima do muro, mas não posso deixar de registrar que tenho observado com certo apreço várias manifestações - a favor do diploma e contrárias a ele - desde que o STF manifestou sua decisão. Talvez resida justamente nessa discussão que se abriu o aspecto mais saudável desta história. E até que um novo capítulo seja escrito, podemos todos nos considerar de algum modo colegas de profissão...

PS: nesta discussão, recorrer a extremos – como o não formado que é excelente jornalista ou o formado que é uma porcaria – não vale. Estes são exceções, não regra.

* Texto publicado originalmente na revista “Vida Universitária”

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Moda e política

O FIT (Fashion Instituto de Tecnologia) Museum, em Nova York, expõe até o dia 7 de novembro uma interessante mostra: Fashion & Politics. Trata-se, segundo o site da instituição, de uma “exploração cronológica de mais de 200 anos de política expressa pela moda”. Importante: o termo “política”, no caso, tem um sentido mais amplo do que apenas as ligações partidárias e governamentais, envolvendo também mudanças culturais, códigos sexuais e o progresso social.

Conforme o FIT, “ao longo da história a moda tem sido um meio para a transmissão de ideologias políticas e relacionadas com os valores sociais”. Sendo assim, a moda retratou temas como o nacionalismo, o feminismo e a identidade étnica, bem como eventos significativos e movimentos culturais. A exposição traz mais de cem fantasias, tecidos e acessórios – como a fantasia de uma mulher, por volta de 1889, impressa com o desenho de bandeira norte-americana, mostra do nacionalismo.

O museu fica na esquina da 7ª Avenida com a Rua 27. Para acessar o site do FIT, clique
aqui.

Foto: site do FIT