sábado, 19 de abril de 2014 | | 0 comentários

Debaixo da terra (2)

Já tinha postado aqui uma série de imagens a respeito das estações e sistemas de metrô nos EUA e Canadá. Agora, posto os que flagrei no ano passado num giro pelo Leste Europeu.

Em Berlim (Alemanha):







Em Munique (Alemanha):








E em Viena (Áustria):






Nestas e em várias outras cidades pelas quais passei há também modernos bondes, ou metrôs de superfície, como são chamados no Brasil, mas isto eu mostrarei em outra postagem.

Leia também:

- Pelos subsolos

- Os metrôs

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A rapinagem do Estado brasileiro

(...) Venham cá: por que um partido político faz tanta questão de ter a diretoria de uma estatal? Para que suas teses sobre refino de petróleo ou hidrologia triunfem sobre as de seus rivais? Trata-se de uma luta de cavalheiros? Disputam as estatais para alimentar a República dos Ladrões. É cru, eu sei, mas é assim. (...)

A disputa sobre mais Estado ou menos na economia e na sociedade não é nova, mas só no Brasil o assalto ao bem público promovido pelo estatismo se transformou numa categoria de resistência dos "oprimidos". (...)

Fonte: Reinaldo Azevedo, “O voto e a casa da mãe Dilmona”, Folha de S. Paulo, Poder, 18/4/14.

PS: o cara é apontado como de direito, mas quem há de negar que o diagnóstico é verdadeiro? O domínio de fatias do Estado brasileiro (leia-se estatais, ministérios, bancos e órgãos públicos em geral) tem servido unicamente a negociatas voltadas a interesses particulares - pessoais e partidários.

No atual e em todos os governos.

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"Hipocrisias, vícios e virtudes"

(...) Uma série de experimentos psicológicos revela que, sob as condições certas, isto é, com a garantia de que não seremos apanhados e qualquer coisa que se assemelhe a uma justificativa, a maioria de nós trapaceia. Pior, acabamos acreditando, ainda que claudicantemente, nessa justificativa. Se não fosse assim, seríamos incapazes de cultivar uma autoimagem pelo menos aceitável.

Mais do que a homenagem que o vício presta à virtude, a hipocrisia é a forma que o cérebro encontrou para lidar com as complexidades e ambiguidades que povoam nossas vidas.

Fonte: Hélio Schwartsman, “Folha de S. Paulo”, Opinião, 18/4/14, p. 2 (íntegra aqui).

quinta-feira, 17 de abril de 2014 | | 0 comentários

Trabalhando...

Ao vivo sobre lançamento de biografia do maior lateral de todos os tempos, Djalma Santos:



Reportagem sobre os problemas decorrentes do crescimento dos acidentes de trânsito:

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Contar ou não contar?

Encontrei um desconhecido recentemente numa pastelaria e ele me contou, entre assuntos diversos, que havia sido chamado à escola do filho pela direção. Motivo: o garoto andara propagandeando aos colegas que coelhos (da Páscoa) não botam ovos. Os pedagogos não gostaram.

O pai foi até a unidade, como solicitado. Ao saber do que se tratava, informou que ele mesmo dissera aquilo ao filho. E provocou: “e não bota mesmo!”.

O que está em jogo não é saber se o garoto estava de fato “destruindo” (este era o “crime”?) a imaginação dos coleguinhas - ou seja, de outras crianças - e, sim, se a escola tem direito de interferir na forma como o pai educa seu filho.

Isto, para mim, é grave. Houve, da parte da unidade escolar, uma intromissão indevida no seio familiar.

Trabalhei com um escritor que dizia guardar um remorso por ter revelado à filha, ainda pequenina, que Papai Noel não existia. Ateu, este ex-colega de trabalho era daqueles defensores ardorosos do direito dos pais falarem tudo aberta e lealmente aos filhos. Contudo, quando a menina cresceu (hoje tem mais de 20 anos), ela brincava (ou estaria mesmo “jogando na cara”?) que o pai havia destruído um sonho de criança.

Nunca soube se de fato o pai sentia remorso, o fato é que com a segunda filha ele preferiu manter a versão lendária a respeito da figura do “bom velhinho”.

O ponto-chave desta discussão não envolve apenas tradições infantis, como as do coelho e do Papai Noel. Há fatos mais sérios que caem na mesma armadilha, como mostrou o psicanalista Contardo Calligaris em artigo na “Folha de S. Paulo”.

“(...) muitos pais temem que uma experiência precoce da morte seja impossível ou não seja boa para as crianças. Às vezes, alguém me pergunta: até que idade devemos esconder das crianças que alguém morreu? A partir de que idade seria certo levar uma criança para um velório de caixão aberto?”

Contar ou não contar certas verdades para uma criança – e em que momento fazê-lo – é das tarefas mais polêmicas que a pedagogia e a psicologia se deparam.

No artigo, Calligaris oferece uma posição que soará perturbadora para muitos pais:

"Há os que tentam esconder tudo das crianças, porque querem 'preservá-las'. E há os que acham que nada deveria ser escondido das crianças, porque tudo é 'natural', tudo é 'bonito', nada é vergonhoso. 
(...) os adultos mostram coisas às crianças ou escondem coisas delas por uma mesma razão: para preservar sua visão de um mundo encantado e infantil, onde todos são 'felizes' e tudo é 'legal'. Esse mundo não é o das crianças; é o mundo dos sonhos dos adultos."

Complexo, não? Só não é complexo o direito dos pais de educarem seus filhos da forma que consideram mais adequada.

quarta-feira, 16 de abril de 2014 | | 0 comentários

Constatação

Você sabe que está ficando velho quando tem um celular novo e mal sabe mexer nele.

Pior: não quer sequer aprender como mexer nas dezenas de aplicativos novos que apareceram por lá.

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Andanças (2)

Andando por aí em busca para as reportagens, eu me deparo também com obras de arte.

Nas paredes da TV Cultura, em São Paulo, com um Romero Brito:


Nas paredes da Unimep, em Piracicaba (SP), com o trabalho de Camilo Riani:


Nas paredes do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, no Morumbi, em São Paulo, cujo autor não anotei:


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Vida de jornalista

Café da manhã às dez, almoço (leia-se lanchão) às três da tarde numa típica padoca paulistana. Nada saudável, mas tipicamente "jornalístico". Adoro essa vida corrida na cidade grande.

Aliás, por falar em jornalismo, recebi hoje uma frase ouvida na rádio Bandeirantes: "Não tem essa de 'quero ser jornalista'. Jornalista ou você nasce ou não nasce".

Verdade.

Quem "escolhe" ser jornalista assim, no meio da jornada, meio ao acaso, tem forte chance de se perder no caminho.
Porque, como dizem, jornalismo é profissão de fé.

Só quem nasce jornalista, quem tem jornalismo no sangue, aguenta. Os demais desistem.

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Constatação

A vida é feita de vitórias e derrotas, não dá para vencer sempre.

Mas há dias, como hoje, em que você perde todas.

terça-feira, 15 de abril de 2014 | | 0 comentários

Andanças

Andando por aí em busca de personagens e especialistas para as reportagens, eu me deparo gente de todo tipo e com curiosidades de todos os gêneros.

Surpresas boas, como o café da tarde preparado pela mãe do Guilherme, um garoto de Taubaté (SP) que entrevistei para a série "A Nossa Cultura":


Surpresas indecifráveis, como o tabuleiro com pedrinhas, uma espécie de garfo de madeira (e as várias ranhuras na areia) e uns santinhos tombados. Estava numa empresa de contabilidade e ninguém soube me explicar - um disse que eram lembranças de viagens de um colega, outro falou que era algo budista, zen, oriental, sei lá:


E surpresas histórias, como os títulos de dívida interna fundada que o governo vendia aos trabalhadores como "obrigação de guerra" nos idos do século 20 - creio que durante a Segunda Guerra Mundial. Foram mostrados por uma senhora, que entrevistei para falar de Imposto de Renda. Ela contou que os tais títulos eram descontados compulsoriamente do salário dos trabalhadores para que o governo de então tivesse dinheiro para a guerra. Depois de um tempo o trabalhador poderia resgatar os títulos:


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A direita burra

Depois de assistir à entrevista do presidente do Uruguai, José Mujica, ao programa “Canal Livre”, da Band, achei ainda mais apropriada uma frase que ouvi do jurista Walter Maierovitch a respeito das discussões sobre a descriminalização da maconha.

“Temos uma direita conservadora burra”, disse-me meses atrás o ex-titular da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) no governo Fernando Henrique Cardoso.

Faz sentido.

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A arca de Noé

“Noé” é um filme ruim. Ponto.

As licenças poéticas do diretor Darren Aronofsky são primárias, extremamente inverossímeis (há verossimilhança possível em se tratando da Bíblia?, diria um provocativo colega de trabalho ateu) e até risíveis (os guardiões de pedra, por exemplo).

Feita a ressalva, o filme merece alguns comentários. Deixo claro que não sou conhecedor de cinema, falarei apenas como mero espectador. “Noé” me pareceu dogmático em demasia.

Fica clara (não de modo positivo e sim no sentido de subestimar a inteligência do espectador) a intenção de transmitir a mensagem de que o ser humano foi o responsável pela destruição do planeta uma vez e está caminhando para o mesmo rumo. As lições de moral introduzidas nas falas do personagem-título não deixam margem para dúvida tamanha a falta de sutileza dos diálogos.

O filme se desenrola durante duas horas mediante este propósito para tomar, no final, a previsível mensagem de esperança depositada na raça humana. O homem é capaz de decidir pelo caminho “certo”. Temos uma chance, ufa!

Mas se tudo é tão ruim, por que comentar o filme? Porque algo salva “Noé” – e não se trata de Deus ou da arca propriamente. Em que pese a primariedade dos diálogos, que atiram sem dó na cabeça do espectador as intenções do discurso, “Noé” apresenta um interessante questionamento a respeito “liberdade da vontade”, como chamou o filósofo Luiz Felipe Pondé em artigo na “Folha de S. Paulo”.

Cabe a Noé, o personagem, decidir entre cumprir o que ele julga ser a vontade – e a ordem – de Deus ou seguir seu coração e, o que se provará no fim, sua vontade.

A solução, como já mencionei, é previsível. Mas ainda assim vale a reflexão proposta (por mais que o espectador deixe o cinema com a nítida sensação de que seria possível tratar do tema de modo menos fantástico).

Vale, então, a pena assistir? Depende de qual é o seu objetivo. Pela diversão, não. Para refletir, quem sabe.

PS (serei vulgar porque o enredo do filme pede): considere que a humanidade quase acabou porque um dos filhos de Noé não conseguiu dar uma simples trepadinha. Pobre Ham...! 

Em tempo: esta foi apenas mais uma das licenças poéticas do diretor.

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A cidade que queremos


A frase aí está espalhada em vários pontos de São Paulo.

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Palavras de ordem

Perdão, carinho e uma mão estendida.

segunda-feira, 14 de abril de 2014 | | 0 comentários

Distantes

Parti. Após dez dias de volta ao ninho, à terra onde nasci e cresci, onde estão minhas raízes, parti de volta ao mundo desconhecido.

Foram dez dias repletos.

Teve degustação de cerveja e barzinho (ambos com amigos leais); churrasco e piscina com os velhos companheiros da estrada da vida; o merecido e necessário descanso; o carinho dos pais; o boteco até altas horas com um amigo do peito; duas sessões de cinema; caminhadas no parque; pizza e cervejada – e dá-lhe cerveja! - com um casal amigo do tipo “pau pra toda obra”, gente boa de conversar, rir e discutir.

Foi, sem dúvida, uma semana intensa, para matar um monte de saudade.

O mais relevante, porém, talvez tenha sido um encontro efêmero. Um reencontro, na verdade. Com um velho (nem tão velho assim, sequer na idade, sequer no tempo) conhecido. Um amigo querido, que há muito não via.

Mas tive que partir. Peguei a estrada e não sei quando volto.

Poucos compreendem que a distância é dolorida. Muito dolorida. Demasiadamente dolorida. Deixar para trás pessoas que amamos, por tempos que parecem infinitos, causa uma profunda tristeza.

E, como a vida não é simples, a mesma distância que fere também acalma. Distanciar-se de tantas lembranças, boas e amargas, serve como calmante. É, sim, uma espécie de fuga – mas quem há de dizer que às vezes não queremos um momento de reflexão solitário?

Foi bom ir e voltar.

É bom sentir a dor da distância, mostra que estamos vivos e que o coração bate dentro do peito.

Afinal, a vida já me ensinou, não é possível ter tudo o que queremos.

Mas dá para fazer melhor, sempre. Basta que cada um faça sua parte.

Em tempo: o trabalho é meu alimento, me completa e me dá prazer. Amo o que faço – porque faço o que gosto. Uma vida sem rotina, cheia de desafios diários, tarefas que se completam a cada ciclo de 24 horas e se renovam e exigem novos esforços.

Fazer o que a gente gosta sem dúvida é um bom antídoto contra muitos males. Contra a dor da distância, por exemplo.