Vem de 1981, de uma TV de São Francisco, na Califórnia (EUA), uma interessante reportagem que tratava do futuro dos jornais diante da tecnologia. A discussão: que tal acordar e ter o seu jornal na tela do computador, algo um tanto fantasioso para a época?
A reportagem está em inglês.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 18:39 | 0 comentários
1981: o passado e o futuro do jornalismo
| Postado por Rodrigo Piscitelli às 15:50 | 0 comentários
Um encontro com a rainha
Para quem gosta de filmes-documentário, para quem gosta de história, para quem aprecia a incrível aventura humana na terra e principalmente para quem aprecia a complexidade das relações humanas, recomendo “Encontro com a Rainha” (“The Queen and I”).
Trata-se de um filme da iraniana Nahid Persson (informações aqui) que narra o encontro, 30 anos depois, da cineasta e ex-ativista comunista com a rainha exilada do Irã, Farah Pahlevi.
Farah foi casada por 20 anos com o último Xá (imperador) do Irã, Mohammad Reza Pahlevi, entre 1959 e 79. Foi quando uma revolução comandada pelo aitolá Khomeini derrubou a monarquia, instalando a república islâmica.
Uma das grandes bandeiras de Khomeini era a liberdade de expressão – a gestão do Xá era acusada de torturar e matar opositores e restringir as liberdades.
Fora do poder, o casal Pahlevi foi obrigado a fugir (passaram pelos Estados Unidos e Panamá) até se abrigar no Cairo, Egito. Foi lá que, um ano depois, o Xá morreu. Farah, então, mudou-se para Paris, onde vive até hoje.
A grande curiosidade do encontro – e que dá vida ao filme – é que Nahid foi uma das ativistas que contribuíram para a desgraça de Farah ao promover a revolução. Ao mesmo tempo, o pai da cineasta morrera quando ela tinha 9 anos de idade vítima da falta de condições dada ao povo iraniano pelo império.
Para completar a história, nem Farah nem Nahid podem pisar no Irã desde que os aiatolás tomaram o poder (a cineasta refugiou-se na Suécia).
Como se sabe, a liberdade de expressão ficou na promessa (o governo iraniano continua torturando e matando opositores – o próprio irmão de Nahid foi enforcado com 17 anos de idade -, além de retomar práticas que já tinham sido abolidas no país, como a morte por apedrejamento de adúlteros e o uso do véu negro pelas mulheres).
Trinta anos depois, ambas têm um sonho comum: voltar ao Irã.
Mais que isso, só vendo o filme para compreender que ninguém é tão bom ou mal o tempo todo. E que tudo na vida é circunstancial – analisar situações fora de contexto e sem considerar as circunstâncias e as razões de cada um pode ser um grave erro.
Em tempo: o filme está disponível na grade do GNT.
| Postado por Rodrigo Piscitelli às 15:11 | 0 comentários
Uma frase
"É preciso coragem para assumir a desesperança."
Do filme "Foi apenas um sonho" (Revolutionary Road)
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 19:48 | 0 comentários
Pop art em Londres
Andy Warhol, Damien Hirst, Jeff Koons e Takashi Murakami são alguns dos nomes da exibição.
Chamada “Pop Life, Art In A Material World”, a mostra fica na Tate até 17 de janeiro de 2010. Como infelizmente não é possível ir para Londres toda hora, quem quiser dar uma olhada nos trabalhos da exposição pode clicar aqui.
| Postado por Rodrigo Piscitelli às 19:03 | 0 comentários
Mais jornalismo
Já que fiz a última postagem ligada a jornalismo, seguem dois materiais que considero interessantes (o primeiro deles está em inglês):
Apostila de Jornalismo
Ah, recomendo também que acessem o blog do curso de Jornalismo do Isca Faculdades e vejam uma parte das produções dos alunos em 2009. Para acessar, clique aqui.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 19:04 | 0 comentários
Publicidade e jornalismo
Os jornais de Limeira voltaram a usar no final de semana um expediente bastante polêmico do ponto de vista jornalístico. Costumo defini-lo como anúncio invasivo (veja imagem).
Esse recurso não é novo na imprensa. Do ponto de vista do marketing e da publicidade, não resta dúvida sobre sua eficácia. Anúncios desse tipo são notadamente criativos e chamam a atenção. Este é o ponto. O anúncio chama tanto a atenção que deixa a notícia em segundo plano.
Reitero que o problema neste tipo de anúncio não reside na questão publicitária. A pergunta é outra: esse tipo de publicidade prejudica a leitura das matérias? A resposta me parece clara.
Não nego que, neste quesito, sou um tanto conservador. Assumo a posição do designer de jornais Chico Amaral, do estúdio Cases i Associats, de Barcelona. Em palestra num seminário promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), ele manifestou preocupação com anúncios que "invadem" as reportagens e afetam a leitura. Segundo ele, a publicidade deveria valorizar o que o meio jornal tem de único e não tentar se apropriar de mecanismos da Internet ou da TV.
Obviamente, não se deve ter uma posição radical. Mas se esta não pode ser tomada em defesa do jornalismo, tampouco deve ser tomada em defesa da publicidade (ou seja, sob o argumento de que tal recurso é criativo e que traz dinheiro).
Aliás, nesse quesito, talvez seja interessante recorrer ao que escreveu Eugênio Bucci em seu “Sobre ética e imprensa” (São Paulo: Companhia das Letras, 2000). Diz ele: “(A lógica) começa pela certeza de que quem sustenta qualquer empresa dedicada ao jornalismo não é a publicidade, mas a credibilidade pública. Um engano bastante comum (...) é supor que a publicidade garante o sustento dos veículos de imprensa. O engano é comum porque se apóia em números verdadeiros. O público não vai atrás do anunciante, mas o contrário. Portanto, (...) para atrair e manter anunciantes é preciso cativar, conquistar e manter o público. (...) O que ‘ajuda’ a publicidade a atingir suas metas é o bom jornalismo praticado pelo veículo, e é só dessa forma – construindo a credibilidade – que o jornalismo pode ‘ajudar’ a publicidade.”
Há quem possa dizer que esses anúncios atrairão dinheiro, o que poderá resultar em investimentos jornalísticos. A prática das empresas, porém, tem mostrado que isso não é verdade. As redações, via de regra, têm sido sucateadas.
Se alguém considera exagerada a minha observação, responda honestamente: gostou de ler (do ponto de vista da legibilidade) as reportagens afetadas pelo anúncio?
Claro que os comerciais podem ter lugar em órgãos da imprensa.Mas a dignidade do jornal exige que este lugar ocupe o segundo plano da informação, da notícia, que constitui a matéria-prima da imprensa. As capas promocionais frustram a expectativa do leitor, que pega o jornal ávido para se informar e tropeça de cabeça com um anúncio gritante. A mensagem subliminar passada ao leitor pelas capas é a de que o jornal foi engolido pela publicidade. Como poderemos confiar na independência do jornal quando este caiu sob os tentáculos do Leviatã da publicidade? Sim, porque a informação tem primazia absoluta sobre os interesses comerciais da empresa, e jamais poderia ser passada para trás, privilegiando o alto empresariado nacional e multinacional.
De Gilberto de Mello Kujawski em 1 de fevereiro de 2009
Achei lamentável a edição gráfica das páginas A11, A12 e A13 (caderno Brasil) da edição de ontem. As notícias ficaram totalmente subordinadas ao estilo gráfico irreverente da publicidade. Era impossível concentrar-se na informação por causa do impacto visual do anúncio. Se foi um sucesso publicitário, a edição foi um fracasso jornalístico.
De Aline Leal Barbosa em 18 de março de 2008
A publicidade não é inimiga do jornalismo - sem ela, componente fundamental da receita, um jornal pode acabar se financiando de modo heterodoxo. Trata-se, contudo, de atividades distintas: a finalidade do jornalismo é informar.
A diretora de Revistas diz que a Redação só tem acesso prévio aos "anúncios irregulares, que interferem na diagramação e/ou que citam produtos editoriais". Esses podem ser recusados.
De Mário Magalhães, ombudsman, em 1 de julho de 2007
Muitas falhas podem ser atribuídas à Folha, mas dentre elas não está o hábito de permitir que interesses da área Comercial se misturem ao noticiário.
Na segunda-feira, porém, houve um chato escorregão, quando o anúncio de um banco, em formato de "u" invertido, enquadrou, isolando-o totalmente, um texto jornalístico que, numa primeira mirada, facilmente se confundia, assim, com a própria publicidade. (...)
Compreende-se que os publicitários busquem formas criativas capazes de -nos termos de um leitor que reclamou desse "desrespeito" para com a reportagem enquadrada- carnavalizar as páginas dos jornais. Cumprem seu ofício.
Mas não é desejável, apesar das dificuldades econômicas atuais dos meios de comunicação, que estes façam concessões que possam levar ao esfarelamento da tradicional e indispensável separação entre publicidade e notícia.
De Bernardo Ajzenberg, ombudsman, em 18 de maio de 2003
Anúncio é renda. (...)
Há uma disputa muito grande entre os diversos meios de comunicação pelas verbas publicitárias, e os jornais vêm perdendo terreno. (...)
Os jornais têm, portanto, que se mexer. Devem oferecer eficiência (de venda) e criatividade para os seus anunciantes.
Anúncio é informação. (...)
Mas e o leitor? Ele não recusa inovações ou anúncios criativos. O que o incomoda é qualquer coisa que dificulte a leitura do jornal. Nesses casos, reclama, e com toda a razão. O jornal tem de usar o bom senso nessas horas para conciliar os seus interesses com os dos anunciantes e, principalmente, os dos leitores.
De Marcelo Beraba, ombudsman, em 13 de junho de 2004
A meu ver, trata-se de procedimento errado. A última palavra sobre a invasão do terreno tradicionalmente informativo deveria ser da Redação.
De Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman, em 19 de outubro de 2008
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 19:52 | 3 comentários
"Piratas da fé"
É muito fácil fundar uma igreja no Brasil. No último domingo, esta Folha publicou reportagem em que relatava como três de seus profissionais criaram a Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio, com custo de R$ 418.
Ninguém seja maluco de participar de igreja de jornalista, mas, ironias à parte, com a sua nova doutrina, Hélio Schwartsman e seus dois "bispos" puderam fazer operações financeiras isentas de IR e IOF.
Pela lei, como qualquer outra, a Igreja Heliocêntrica está dispensada de pagar IPTU (imóveis urbanos), ITR (imóveis rurais), IPVA (veículos) e ISS (serviços). A Constituição concedeu imunidade tributária às igrejas como forma de proteger a liberdade de culto. Na prática, esse princípio vem sendo sistematicamente desvirtuado.
Um dos efeitos históricos dessa distorção, para falar do que importa, foi a consolidação de um novo grupo de milionários da fé, basicamente composto por pastores-empresários e pastores-políticos. Eles se valem do dinheiro obtido por meio da religião (o dízimo, não tributado) para alavancar atividades mercantis que deveriam estar sujeitas ao recolhimento de impostos.
Não há como decidir por princípio se uma igreja é "séria" ou "vigarista". Aos olhos do fiel, a sua igreja será sempre legítima. Para um ateu, todas têm o dom de iludir.
A questão aqui é outra: o pastor pode pregar para (ou enganar) seus fiéis à vontade; só não pode é usar a Bíblia para ludibriar a Constituição. Igrejas não podem ser biombo de práticas comerciais nem a fé pode ser pretexto para atos ilícitos.
Quando alguém extrai lucro de um estacionamento ao lado de um templo e não paga IPTU por isso, temos aí um pequeno delito. Quando o dinheiro dos fiéis está na origem de um conglomerado empresarial que tem como joia da coroa uma TV (concessão pública) avaliada em R$ 2 bilhões, então o problema é bem mais sério. E pior fica quando esses piratas do Senhor se tornam figuras respeitáveis da República com o respaldo do governo.
Fonte: Fernando de Barros e Silva, Folha de S. Paulo, 2.12.09, p. 2.
PS: eis o que eu penso. E está dito! Aliás, as autoridades em Limeira podiam dar uma checada na situação dos "piratas da fé".
| Postado por Rodrigo Piscitelli às 19:47 | 0 comentários
"O olhar externo sobre 2010"
No Foro Eurolatinoamericano de Jornalismo, que foi o que me trouxe a Lisboa, em conversas com personalidades ibero-americanas, em mesa redonda na TV portuguesa sobre a Cúpula ibero-americana que começa hoje -em toda a parte, a sensação que se respira são duas: uma, a de que o Brasil é o país da moda hoje.
A outra é a de que o resultado da eleição de 2010 não vai mudar grande coisa no país. A mais contundente afirmação nesse sentido veio de Felipe González, ex-presidente do governo espanhol (1982-1996), um dos mais brilhantes políticos do quarto final do século passado.
Para ele, há, no Brasil, uma "linha de continuidade entre o presente e o futuro", do que decorre a visão de que, "qualquer que seja o vencedor [em 2010], o Brasil não vai mudar sua estratégia básica".
De certa forma, é uma elaboração mais sofisticada da tese do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que não haverá "trogloditas" na iminente disputa eleitoral.
Tendo a concordar com essa avaliação, embora definir quem é ou não "troglodita" seja uma questão subjetiva. Lula era "troglodita" para, por exemplo, uma parte considerável do empresariado, os mesmos que hoje babam na gravata diante do presidente.
A única dúvida sobre as duas sensações citadas no início surgiu em conversa informal com uma das mais experientes personalidades do mundo ibero-americano, um analista excepcional.
Ele pergunta a si próprio se a projeção internacional do Brasil é do Brasil ou de Lula. Acho que é de ambos, mais do Brasil (pelo tamanho, população, economia etc). Mas Lula também pesa. A dúvida é pertinente: quanto pesará o/a ganhador/a? Como será a primeira eleição em que a política externa tende a ter presença, a resposta dirá se a "estratégia básica" muda ou não.
Fonte: Clóvis Rossi, Folha de S. Paulo, 29.11.09, p. 2.
| Postado por Rodrigo Piscitelli às 19:40 | 0 comentários
Acontece...
Nossa, isso na Globo dá demissão!!!
(Acrescido em 8/12: lamentavelmente, o UOL retirou o vídeo que mostrava erros ocorridos no Jornal da Globo. Mantenho a postagem aqui).
E olha isso!
sexta-feira, 27 de novembro de 2009 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 19:48 | 0 comentários
Imagens de Limeira
| Postado por Rodrigo Piscitelli às 19:34 | 0 comentários
Belas imagens
Nossa, quanto tempo sem escrever... Tempo... Melhor repetir Bethânia: "Tempo, tempo, tempo, tempo..."
Para quem gosta de fotos, um link do jornal "Boston Globe" é imperdível - elas são da National Geographic. A seguir, reproduzo uma imagem (a minha preferida por vários motivos). Para ver as demais, clique aqui.
PS: o link foi uma dica que estava no Twitter do Pedro Andrade, um dos participantes do "Manhattan Conection", programa dominical do GNT.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 17:21 | 1 comentários
Cena noturna
| Postado por Rodrigo Piscitelli às 17:15 | 0 comentários
Pitacos políticos
A Prefeitura de Limeira literalmente não sabe o que fazer com o setor de transporte. Uma das duas empresas concessionárias do serviço fez os investimentos previstos e cobra um reajuste de tarifa, que chegou a ser autorizado; a outra empresa nada fez, e não merece ter o reajuste.
Como equacionar esta situação? O prefeito Silvio Félix (PDT) está sendo pressionado por uma empresa para dar o aumento. O secretário dos Transportes, Ítalo Ponzo Júnior, apostou no bom-senso e recomendou que a correção tarifária fosse adiada – o que ocorreu.
A questão é: até quando a prefeitura vai conseguir segurar esse rojão? Qual interesse deve pesar mais? Teoricamente o dos usuários, o que significa segurar o aumento. Isto, porém, pode levar a um colapso, pois trabalhadores já falam em paralisação e a empresa que fez os investimentos pode colocar o pé no freio.
A opção pelo rompimento do contrato de concessão com a empresa que não investiu também é problemática, pois transporte coletivo não se troca da noite para o dia.
Pelo que se vê, qualquer que seja a decisão haverá reflexos – seja entre as empresas, seja entre os usuários.
Não resta dúvida de que o setor de transportes, no qual o prefeito dizia ser especialista, é um dos maiores fracassos de seu governo.
Aliás, parece haver uma clara rota de colisão entre as manifestações de Félix e de seu secretário Ítalo. A dúvida: até quando isso dura?
Nos bastidores, o bloco é dado como formado. De um dos membros, ouviu-se o seguinte: “O Piuí (PR) já aderiu mesmo (ao governo). Mas os demais estão firmes”.
Noves fora, a conta é a seguinte: depois do PDT do próprio Félix, o PR tem a maior bancada na Câmara – e já fala em candidatura a prefeito em 2012, o que implica desgarrar do governo. Dos três vereadores que o PR elegeu, dois vêm adotando uma postura crítica à administração municipal (basta ver a postura de Lombardi na chamada CPI do Fantasma).
Detalhe incongruente desta história: o PR mantém um posto no alto escalão do governo Félix. O partido tem a presidência do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), com o todo-poderoso da sigla (ex-todo-poderoso do governo), René Soares.
***
Nos bastidores, Félix segue articulando a candidatura da esposa Constância a deputada estadual em 2010. O prefeito conseguiu com o passar do tempo tirar o poder do Centro de Promoção Social Municipal (Ceprosom), que virou um mero órgão administrativo, e dar poder ao Fundo Social de Solidariedade (presidido pela primeira-dama), que agora comanda todas as ações sociais.
Félix, porém, está preocupado com o cenário que vem se pintando para a eleição, principalmente na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa. É esperar para ver...
Pelo menos desta vez a Justiça restabeleceu o bom-senso, barrando de vez a posse de suplentes de vereadores este ano após decisão demagógica, inoportuna e ilegal do Congresso. Agora, o aumento do número de vereadores vai valer somente para a próxima eleição – o que é justo. Afinal, não se pode mudar a regra do jogo com o jogo em andamento (ou terminado...).
Em tempo: os suplentes perderam no Supremo por 8 votos a 1 em votação nesta quarta-feira.
terça-feira, 3 de novembro de 2009 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 12:13 | 0 comentários
"A Marcha de Jesus e o Diabo"
Uma multidão acompanhou ontem em São Paulo a Marcha para Jesus, manifestação das igrejas neopentecostais que existe no país desde 1993. A PM falava à tarde em pelo menos 1 milhão de participantes; os organizadores esperavam 6 milhões até a noite.Há muita imprecisão nessas estimativas, mas é fato que a marcha dos evangélicos -ao lado da Parada Gay, que mobiliza outras tribos e sentimentos- responde pela maior concentração popular da cidade, o que indica a força dessa nova fé.
São dezenas de igrejas reunidas, entre as quais a Universal do Reino de Deus, mas a coordenação é da Renascer em Cristo, do casal Estevam e Sônia Hernandes. O tema neste ano foi "marchando para derrubar gigantes" -e o maior deles, como dizia Estevam, "é o gigante da discriminação e do estereótipo".
O líder da Renascer usou o evento para fazer alusão ao episódio em que ele e sua mulher foram condenados e cumpriram pena nos EUA por contrabando de dinheiro. Para não deixar dúvidas, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), da Igreja Universal, dizia que a marcha era um "ato de revogação de todas as injúrias e difamações" contra o casal Hernandes. Aonde chegamos?
Há poucos dias, convidado a uma inauguração na Rede Record, o presidente da República disse que a emissora, como ele, era "vítima de preconceito". Lula, é claro, nada falou sobre o processo judicial em que Edir Macedo, dono da Record, e outros nove líderes da Igreja Universal são acusados de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
A fala do presidente sobre o "preconceito" que vitimaria a Record é muito parecida com o que diz o líder da Renascer a respeito da "discriminação". E o silêncio de Lula sobre as denúncias que atingem a cúpula da Universal e seus negócios equivale a um ato de revogação de qualquer suspeita sobre os amigos, como fez ontem o senador Crivella.Há um ar de família entre a marcha dos evangélicos e a marcha da política. Diante da coalizão entre Jesus e Judas, querer legalidade hoje no país parece até coisa do Diabo.
Fonte: Fernando de Barros e Silva, Folha de S. Paulo, 3/11/09, p. 2.segunda-feira, 2 de novembro de 2009 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 17:57 | 0 comentários
Uma frase
"As pessoas fazem escolhas. Não há nada de errado com a torta de blueberry."
(Frase retirada do filme "Um beijo roubado")


