domingo, 18 de novembro de 2012 | | 0 comentários

Serenidade e perdão

Nada mais forte do que o poder da oração para trazer de volta a serenidade e aplacar a raiva.

Junto disso, vem o perdão - talvez o mais difícil dos sentimentos, pois não há como existir se não partir do fundo do coração.

Serenidade e perdão, bons ingredientes para recomeçar.

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Um passeio por Chicago

Flagrei o casalzinho aí (ou seriam apenas "bons amigos"?) passeando tranquilamente pela região do Navy Píer, em Chicago (EUA):


O Navy Píer é uma área muito legal da cidade. Mistura marina com recreação (parque de diversões, o Museu das Crianças e barzinhos diversos). 







Além de entretenimento, o local proporciona uma das mais belas vistas de Chicago, seja do seu "skyline", olhando para a parte urbana, seja do lago Michigan e suas tranquilas águas esverdeadas, sobre as quais voam gaivotas e albatrozes pacificamente, num belíssimo balé.










E se por acaso um fog invadir a paisagem, deixando o céu ainda mais cinzento e um tanto assustador (com um certo ar de Gotham City, a cidade fictícia do Batman), acredite: o cenário continuará interessante e belo:




* A primeira foto do Navy Píer é de Carlos Giannoni de Araujo; todas as demais são minhas

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Direto do toca-CD (23)

And here's to you, Mrs. Robinson,
Jesus loves you more than you will know. (Wo wo wo).
God bless you please, Mrs. Robinson,
Heaven holds a place for those who pray
(Hey hey hey, hey hey hey).

We'd like to know
A little bit about you
For our files.
We'd like to help you learn
To help yourself.
Look around you. All you see
Are sympathetic eyes.
Stroll around the grounds
Until you feel at home.

(...)

What's that you say, Mrs. Robinson?
"Joltin' Joe has left and gone away"
Hey hey hey, hey hey hey.

("Mrs. Robinson", de Paul Simon)

sexta-feira, 16 de novembro de 2012 | | 0 comentários

A reputação

“(...) as pessoas praticam o que Paul Valéry chamou de ‘profissões delirantes’, aquelas carreiras que dependem de segurança pessoal e da opinião dos outros em vez de habilidades comprovadas. As profissões delirantes, eu arriscaria dizer, compreendem literatura, crítica, design, as artes visuais, atuação, publicidade, toda a mídia (...). Mas todas as profissões delirantes, não há padrões estabelecidos, exigem apresentações e alianças, protetores e patrocinadores, professores famosos ou aplauso de alguém célebre. Em resumo, dependem da mais instável de todas as posses: reputação.”
Edmund White, “City Boy – Minha Vida em Nova York” (p. 192-3)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012 | | 0 comentários

"Cidades aéreas" (3)

Agora sim chegou a vez de Chicago (EUA) na série que retrata as cidades vistas do alto. As imagens foram feitas a partir do observatório da Willis Tower:





  
  


   


Leia também:

- "Cidades aéreas" (1)

- "Cidades aéreas" (2)

- Chicago!

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Frase

"A força da TV vem do noticiário, do que seleciona para noticiar. A simples escolha de uma notícia é uma decisão editorial, em TV mais forte que qualquer editorial explícito."
Paulo Francis, jornalista, em "Televisão, o grande eleitor americano" (crônica tirada do livro "Paulo Francis - Diário da Corte", p. 22)

terça-feira, 13 de novembro de 2012 | | 0 comentários

NY contra o crime: um exemplo

“Em Nova York, pagávamos para o motorista de táxi esperar na calçada até termos trancado a porta de entrada com segurança. Estávamos sempre conscientes de qualquer pessoa em nossa proximidade imediata. Ninguém ficava conversando na rua, mas tínhamos de estar alerta o tempo todo. Cuidávamos de ter sempre ao menos 20 dólares no bolso toda vez que saíamos de casa, para o ladrão não nos dar um tiro por frustração, mas tínhamos também o cuidado de não levar mais – nem de estar muito bem-vestidos. Sempre que saíamos à noite, deixávamos o rádio ligado e a luz acesa para desencorajar os ladrões. Ao nos aproximarmos de nosso prédio, já preparávamos a chave com a mão no bolso para não perder nem um segundo mais que o necessário diante da porta. Caminhávamos em linha reta pela calçada e só no último momento virávamos para nossa porta, para não dar nenhum indício de nossas intenções ou nossa vulnerabilidade a algum malandro de plantão. No metrô, ninguém olhava para os outros passageiros. (p. 52-3)

Nova York era uma cidade empobrecida, literalmente no limiar da bancarrota. Uma mulher que eu conhecia comprou uma casa geminada de pedra marrom no Village por 30 mil dólares e disse: 'Sei que nunca irá valorizar, mas sou sentimental com a cidade'. O lixo não recolhido se empilhava nas calçadas. O pavimento estava rachado e levantado pelas raízes das árvores. As lâmpadas queimavam e não eram substituídas. A taxa de criminalidade era alta. (p. 96)

Nos anos 1970, Nova York era tão vagabunda, tão perigosa, tão negra e porto-riquenha que o resto dos Estados Unidos branco erguia as saias e saía correndo na direção oposta. O turismo era decadente (...). A campanha da 'Big Apple' e o lema 'I Love New York' (com o ícone do coração no lugar da palavra love) foram inventados para remover a maldição da cidade. O contrário era verdadeiro. Ninguém amava Nova York (...). Às vezes, na empresa química eu encontrava pequenos funcionários de Staten Island que tomavam o metrô e a balsa de ida e volta para o trabalho. Desciam do metrô diretamente para o prédio e nunca ousavam vagar pelas ruas de Manhattan em torno dele. Estudantes da Columbia eram aconselhados a nunca ir a pé para o sul da rua 110, e é claro que nunca acima da 125, entrando no Harlem. Escolares de outros condados eram trazidos em ônibus praticamente debaixo de guarda até o Metropolitan Museum, passavam depressa, em grupo, pelas vastas coleções e eram levados diretamente para casa em Five Towns, Long Island. Darryl Pinckney, o grande romancista e crítico negro, descreve como, ao andar por uma rua, para tranquilizar uma mulher branca sozinha que ia à sua frente, ele brandia seu exemplar de Heidegger, mas não adiantava. Mesmo assim ela olhava para trás, entrava em pânico e quase saía correndo.”
Edmund White, “City Boy – Minha Vida em Nova York” (p. 233-4)


Se Nova York (EUA) era assim e conseguiu vencer a criminalidade, Limeira também pode. O Brasil também pode!

Repare que, no relato do escritor, há uma relação direta entre a insegurança vigente décadas atrás na cidade e o estado de abandono de algumas áreas e serviços públicos. 

Por isso defendo a tese - materializada em Nova York pelo programa "Tolerância Zero" e em ações semelhantes em Cali, Medellín e Bogotá, na Colômbia - de que só a intervenção e a presença do Poder Público poderão mudar a realidade de áreas degradadas seja pela falta de infraestrutura e/ou pelo crime.

Em tempo 1: ao menos em Limeira, o prefeito eleito Paulo Hadich (PSB) compartilha da mesma ideia. Há, pois, esperança.

Em tempo 2: a foto que ilustra esta postagem foi feita em Nova York em abril deste ano. Ao contrário do que ocorria antes, segundo o relato de White, a coleta de lixo na cidade agora é regular - e feita à noite para não prejudicar o movimento turístico e econômico.

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Lições e virtudes

(...) Cada golpe recebido no passado foi também uma maneira de aprender alguma lição, e evitar armadilhas no futuro.

O verdadeiro caminho está baseado nas quatro virtudes, e querer limitá-lo à sua manifestação física, é querer deixá-lo mais pobre – porque o corpo tem seus limites.

A alma, entretanto, é tão grande como o universo, e pode entender tudo que o amor nos ensina.

O verdadeiro guerreiro está sempre armado com três coisas: a espada radiante da pacificação, o espelho cristalino da sabedoria e amizade, e a joia preciosa da luz Divina. E esta luz Divina não está no céu nem na terra, está dentro de cada um.

Fonte: blog do Paulo Coelho, "O caminho do guerreiro", postado em 13/11/12.

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Luzes da cidade

No momento em que é relançada em Limeira a campanha "Luzes da Cidade", eis minha modesta contribuição (em tempo: minhas luzes são naturais e artificiais):







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Constatação

Fico espantado em constatar como algumas pessoas não têm coração.

Ainda que vejam o próximo precisando de ajuda, ignoram.

A razão é simples: quem não tem coração é incapaz de amar (e só quem ama sabe perdoar).

Não sei porque ainda me espanto com isso, pois a vida tem me dado muitas lições ultimamente.

No fim das contas, tenho pena de pessoas assim. Porque um dia vão acordar, olhar para trás e constatar que nada construíram na vida.

Não de material (porque bens nada significam); falo mesmo de relações humanas.

Cada um sabe, porém, onde pisa e o caminho que trilha.

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"Julgamento para a história"

Fixadas pelo Supremo Tribunal Federal as penas que recaem sobre os principais acusados do mensalão, o julgamento de um dos maiores escândalos da história republicana vai chegando ao seu desfecho.

A compra de votos de parlamentares, com recursos desviados do patrimônio público, foi capitaneada pelo principal auxiliar do presidente Lula, o então ministro José Dirceu. Na sessão de ontem do STF, sua punição por formação de quadrilha e corrupção ativa, ainda sujeita a ajustes, foi estipulada em dez anos e dez meses de prisão, a ser cumprida inicialmente em regime fechado.

Não é o caso de celebrar, com espírito vindicativo, a decisão do tribunal. Haverá motivos para comemorar o resultado do julgamento apenas se, no futuro, o rigor e o cuidado que o presidiram se tornarem corriqueiros, e não, como ainda acontece, fatos excepcionais na política do país.

Um país em que a indignação dava lugar para o conformismo e em que todo escândalo estava destinado à impunidade e ao esquecimento - talvez esse país comece a ser outro, a partir de agora.

Até pelo ineditismo das circunstâncias, não se pode deixar de observar que o julgamento se deu com alguma dose de improviso. Não havia clareza quanto ao que fazer, por exemplo, no caso de empate entre os magistrados. Foi a meio caminho que se fixaram, ademais, critérios quantitativos para aumentar a pena dos condenados quando o mesmo delito se repetia várias vezes.

As discussões entre os ministros, que frequentemente extravasaram os contornos da serenidade que se espera de um tribunal superior, foram entretanto evidentes demonstrações de que a decisão se deu num clima de liberdade absoluta, com amplo espaço para a divergência.

Um julgamento minucioso, que resulta em condenações fundamentadas solidamente em nexos fatuais e lógicos, expôs-se dia a dia pelas câmeras de TV.

Culminou-se o trabalho do Ministério Público, da Polícia Federal e das CPIs que, deflagrado por revelações da imprensa crítica, desvendou uma das mais complexas e nefastas tramas criminais já urdidas nos bastidores do poder. Outros casos, a começar pelo das relações de Marcos Valério com o PSDB de Minas Gerais, terão de ser examinados sem demora.

Não será num dia que se banirá a impunidade da política brasileira, mas emergiram, como nunca, as condições para que isso aconteça.

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Mais um pouco de Boston

Para fechar à altura da cidade as postagens sobre Boston, seguem as imagens da baía local (Boston Harbor), às margens do oceano Atlântico:






Em tempo: o prédio de arquitetura futurista é o tribunal de Justiça local.

Leia também:

- "Cidades aéreas" (1) 

- Canções de Boston

segunda-feira, 12 de novembro de 2012 | | 0 comentários

A amizade

“(...) dava para dizer quem eram os melhores amigos de uma pessoa porque eram aqueles que ela nunca encontrava – só um amigo de verdade aceitaria ser infindavelmente esquecido.”
Edmund White, “City Boy – Minha Vida em Nova York” (p. 192)

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"Os jornais vão, sim, acabar"

Podem me chamar de Cassandra. Eu não ligo. Essa figura mítica grega, a quem Apolo ensinou os segredos da profecia, passou a ser tida por louca quando tentou comunicar aos troianos suas previsões de catástrofe e desgraças, todas realizadas.

Depois que Cassandra se negou a dormir com Apolo, o deus vingativo lançou-lhe a maldição de que ninguém jamais viesse a acreditar na profetisa.

O nome de Cassandra surgiu na semana passada no debate promovido pelo jornalista Alberto Dines durante o programa "Observatório da Imprensa", na TV Brasil. A discussão era a morte dos jornais, assunto que voltou à baila com a recente extinção do paulistano "Jornal da Tarde" e com a decisão da revista norte-americana "Newsweek" de prosseguir atividades apenas on-line, não mais em papel.

Escrevi que podem me chamar de Cassandra, pois minha previsão é que os jornais vão, sim, acabar. Aliás, já estão acabando. Centenas sumiram nos últimos anos. Sinto muito, pois eu adoro jornais. Além disso, eles têm uma função política fundamental na defesa do interesse público e na sustentação da democracia, frequentemente superior ao desempenho de outros meios de comunicação especializados em notícias ligeiras, com pouca investigação.

Mas os tempos são de mudança. Quem quer comprar um jornal que não traz o resultado da eleição norte-americana, ocorrida na véspera? Quem, entre os usuários da internet, quer abrir mão de enviar artigos por e-mail, compartilhar notícias em redes sociais, comentar ou discutir um texto com o seu autor on-line, consultar arquivos na hora? Os jovens é que não são.

Ainda tenho o fetiche de empunhar um jornal e sentir o mundo nas mãos. Gosto da sua organização, da sua periodicidade, do seu material. Cresci com eles ao meu redor. Leio diariamente, com prazer e afinco.

Mas vejo que existe hoje um fetiche bem maior por iPhones, iPads, Galaxys e similares. Todos eles suportes possíveis para o bom jornalismo.

Então prever o fim dos jornais não é sinônimo de prever o fim do jornalismo, bem entendido.

Não faço parte das turmas que tentam vender a ideia de que jornalistas são dispensáveis num mundo em que qualquer um pode publicar o que quiser na internet.

O que me salta aos olhos na internet são outros mitos gregos: Eco e Narciso.
Narciso é um jovem magnífico que se apaixona pela própria imagem refletida na água. Acabou consumido pelo amor próprio e se tornou o nome da flor encontrada onde ele desapareceu.

Somos todos Narcisos no Facebook, no Orkut ou no Instagram, quando publicamos fotos dos nossos sorrisos e melhores momentos.

Eco é uma ninfa que amava os bosques e os montes, mas tinha um defeito: falava demais e sempre queria ter a última palavra em qualquer discussão.

Como Eco fez o papel de distrair Hera enquanto Zeus se divertia com outras ninfas, ela recebeu um castigo. Perdeu o direito à própria voz, que tanto amava. Foi condenada a repetir eternamente a última palavra do que os outros falassem.

Pois são muitos ecos que encontro no Twitter e em outras redes sociais. Repetições contínuas, em vez de um mar de palavras originais.

Fonte: Marion Strecker, “Três mitos gregos”, Folha de S. Paulo, Tec, 12/11/12, p. F6.

Leia também:



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"Pise na grama!"

Já escrevi neste blog diversas vezes sobre a forma como nós, brasileiros, e os estrangeiros valorizamos (ou não) o espaço público. Os exemplos vieram geralmente dos parques vistos mundo afora. Só para registrar mais um, seguem flagrantes do Public Garden, o parque no coração de Boston (EUA):



Em tempo: dia desses, caminhando pelo Parque Cidade, em Limeira, uma pessoa me abordou falando justamente da ocupação dos espaços públicos. E como esta pessoa é leitora do blog, o que muito me honra, brincou: "eu sei que aqui não pode pisar na grama...".

* As fotos são minhas e de Carlos Giannoni de Araújo

Leia também:

- Espaço público

- As áreas verdes

- A "invasão" dos espaços públicos