sexta-feira, 8 de novembro de 2013 | | 0 comentários

Há vagas (2)

Depois da primeira oferta de trabalho no governo federal, agora surge outra. Se está desempregado, anote aí: coordenador-geral da Coordenação-Geral de Produção Associada e Desenvolvimento Local do Departamento de Qualificação e Certificação e de Produção Associada ao Turismo da Secretaria Nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo do Ministério do Turismo.

Aí um amigo chega e pergunta: o que você faz no governo?

E talvez a pessoa sequer saiba responder...

quinta-feira, 7 de novembro de 2013 | | 0 comentários

Sobre calçadas e shoppings: a cidade que queremos



(...) Calçadas seguras e transitáveis são um dos elementos centrais da mobilidade na cidade. Não se trata, porém, de tema fácil de ser equacionado.

(...) Por um lado, é totalmente ilusório achar que o poder público teria capacidade financeira e de gestão de, da noite para o dia, consertar todas as calçadas da cidade e implantá-las onde não existem.

Por outro, calçadas seguras e confortáveis para todos têm que ser parte integrante de um sistema geral de produção da cidade, que historicamente gasta milhões com o asfalto onde andam os veículos e regula milimetricamente o que se pode construir lote adentro, mas jamais priorizou os espaços de circulação dos pedestres.

Fonte: Raquel Rolnik, “O longo caminho por calçadas seguras”, Folha de S. Paulo, Cotidiano, 4/11/13, p. C2.

***

(...) Com raras exceções, a lógica dos shoppings é a do modelo de mobilidade por automóvel: chegar de carro, deixá-lo em um estacionamento e usufruir de um espaço que concentra opções de compras, serviços, gastronomia e atividades culturais.

A não cidade, fingindo ser cidade, segregada: com raríssimas exceções, os shoppings simplesmente destroem a continuidade do tecido urbano, descaracterizando e matando as ruas ao redor.

(...) Em nome das ruas, da multiplicidade de pequenos comércios, da cidade que quer se mover a pé, de bicicleta e por transporte coletivo, chega de shopping!

Fonte:
Raquel Rolnik, “Chega de shopping”, Folha de S. Paulo, Cotidiano, 21/10/13, p. C2.

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Imprensa: que fase!!!

Aperta o cerco contra a imprensa mundo afora. Na Argentina, a Justiça validou a chamada Lei de Mídia, orquestrada pelo governo Cristina Kirchner. Na Inglaterra, foi aprovada a regulamentação da imprensa.

E assim caminha a humanidade...

Pelo menos no Brasil parece ter virado pó a tentativa de censurar as biografias não autorizadas – refiro-me ao tal “Procure Saber”. Aliás, esta é (foi?) uma discussão descabida.

Alguém tem dúvida de que qualquer filtro ou limite (inclusive o sugerido pelo cantor Roberto Carlos, os tais “certos ajustes”) é censura? E que uma biografia só é possível quando baseada na liberdade de informar?

Antes que alguém questione o direito constitucional à privacidade, recorro a trecho de um artigo de Vinicius Mota publicado na “Folha de S. Paulo” de 4/11:

“Sim, a liberdade de expressão é também a liberdade de injuriar, caluniar e difamar. Para esses males, a lei determina remédios. Mas é sobretudo a liberdade de criticar e contar histórias e versões menos abonadoras sobre quem quer que seja. E de oferecê-las ao crivo do debate público".

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Duas frases, uma definição

"São Paulo é isso aí, trânsito..."

"São Paulo é isso, correria..."

Em tempo: frases ouvidas de dois cinegrafistas.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013 | | 0 comentários

Imortal

Uma breve passagem pelo Cemitério do Araçá (Avenida Dr. Arnaldo), em São Paulo, na véspera do feriado de Finados:




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Sobre as esquerdas: provocações

(...) No cenário geral, desde a maldita ditadura, colou no país a imagem de que a esquerda é amante da liberdade. Mentira. Só analfabeto em história pensa isso. Também colou a imagem de que ela foi vítima da ditadura. Claro, muitas pessoas o foram, sofreram terríveis torturas e isso deve ser apurado. Mas, refiro-me ao projeto político da esquerda. Este se saiu muito bem porque conseguiu vender a imagem de que a esquerda é amante da liberdade, quando na realidade é extremamente autoritária.

(...) Em vez do debate de ideias, passam à violência difamatória, intimidação e recusam o jogo democrático em nome de uma suposta santidade política e moral que a história do século 20 na sua totalidade desmente. Usam táticas do fascismo mais antigo: eliminar o descrente antes de tudo pela redução dele ao silêncio, apostando no medo. (...)

Fonte: Luiz Felipe Pondé, “Eu acuso”, Folha de S. Paulo, Ilustrada, 4/11/13.

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Reflexão do dia

Nada como um dia depois do outro...

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A semana em fotos (4)

Um pouco da arquitetura do centro de São Paulo (em tempo: as faixas com a sigla FLM são da Frente de Luta por Moradia, um dos movimentos populares que organizam ocupações de prédios geralmente abandonados na capital):





  


O clássico Copan:


Uma visita à zona leste...:


... e à região do Jardim João 23, entre Osasco e Taboão da Serra:





Ufa!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013 | | 0 comentários

Quando se tem um amigo

When you're down and troubled
And you need some loving care
And nothing, ooh, nothing is going right.
Close your eyes and think of me
And soon I will be there
To brighten up even your darkest nights.

You just call out my name,
And you know wherever I am
I'll come running, oh yeah baby
To see you again.
Winter, spring, summer or fall,
All you have to do is call
And I'll be there, yeah, yeah, yeah
You've got a friend.

(“You've got a friend”, de Carole King)

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Frase

“O povo foi para a rua pra dizer que precisa de mais coisas porque ele aprendeu a comer contra-filé e ele não quer voltar a comer acém. Ele quer comer filé de verdade.”
Lula, ex-presidente da República, ao comentar os protestos de junho no Congresso em solenidade para celebrar os 25 anos da Constituição brasileira

domingo, 3 de novembro de 2013 | | 0 comentários

Trabalhando...

Primeira matéria do bloco:


Ao vivo aos 7’30”: 

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Meros versos

O reflexo de nosso rosto no espelho muda a cada instante
e cada dia tem o seu próprio labirinto.

(Jorge Luis Borges)

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As coisas que se escreve...

(...) A história é mesmo, como diria um colega de Ricardo 3º, um conto sem sentido, cheio de som e fúria, mas ela é bonita ou mesmo sublime quando, por algum milagre, ela se torna concreta (...). Este é o poder do manuscrito: ressuscitar os corpos, pelo gesto da mão que persiste, inscrito na forma das letras.

É primavera, época tradicional de limpeza. Doe as velharias que você não usa mais, mas, por favor, não jogue fora levianamente cartas e papéis manuscritos.

Fonte: Contardo Calligaris, “O som, a fúria e as cartas”, Folha de S. Paulo, Ilustrada, 31/10/13.

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O Centro Cultural São Paulo: animal!!!

Outro dia, num belo domingo de sol e céu azul, fui ao Centro Cultural São Paulo (CCSP) ou Casa São Paulo. Trata-se de um espaço destinado à arte e suas diversas ramificações e manifestações - como a arquitetura. O local fica entre as avenidas Vergueiro e 23 de Maio.

O motivo principal que me levou até lá será relatado em detalhes numa outra postagem (posso adiantar que é sobre a 10ª Bienal de Arquitetura). Por ora, quero mostrar um pouco mais deste espaço ignorado por muitas pessoas na capital.


O CCSP é, além de um espaço de arte, um centro de convivência. 

No domingo em que lá estive havia centenas de pessoas, sozinhas ou acompanhadas, em família ou com amigos, gente de toda idade, lendo, fazendo tarefas escolares, apreciando as exposições, dançando (muitos grupos de dança faziam uma espécie de ensaio no espaço aberto e livre do CCSP) ou simplesmente descansando.

E é justamente sobre este item, o descanso, que quero falar. O telhado do CCSP é um amplo espaço verde, onde as pessoas sentam ou deitam para tomar sol, bater papo, ler ou tirar um cochilo. Simples assim, em meio à imensidão de concreto que circunvizinha o lugar (aliás, a vista que se tem de lá merece destaque).








Ao passear pelo telhado do CCSP lembrei do High Line, em Nova York, o parque linear construído sobre uma antiga linha de trem elevada. Naturalmente, há muitas diferenças entre ambos - da extensão (quilométrica no caso de NY, de algumas dezenas de metros em SP) à jardinagem em si, mas não pude deixar de notar semelhanças no uso que se faz de ambos os espaços (com o diferencial de que no CCSP é quase inviável fazer caminhadas porque o espaço é reduzido).

Embora pequeno se comparado ao High Line, o telhado do CCSP é grande o suficiente para abrigar uma horta, daquelas bem orgânicas, cultivada pela própria comunidade. Acredite: isto em cima de um prédio no coração da cidade, a poucos metros da Avenida Paulista. Uma vez por mês as pessoas podem ir até lá e fazer a colheita. Para proveito próprio.



Coisas de São Paulo. Que podem se espalhar por qualquer outro lugar, basta ter criatividade e vontade.

Em tempo: a arquitetura do CCSP também chama a atenção. Com suas rampas internas, o espaço lembrou o Mercado Municipal de Fortaleza (CE).



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"Três poderes e uma cidade"

Em qualquer sociedade democrática moderna, o processo de urbanização resulta da interação de três poderes: o político, o econômico e o social. Uma intervenção urbana, quando realizada unilateralmente por apenas um dos poderes, terá menos condições de viabilidade, resiliência e legitimidade do que os projetos devidamente costurados pelos três.

É o equilíbrio dessas forças que determina o sucesso e a sustentabilidade do "fazer cidade". (...)

O poder econômico, representado pelas grandes construtoras e incorporadoras e pelo mercado de capitais, dará contribuição fundamental se fomentar empreendimentos que promovam tecidos urbanos de uso misto com vastos espaços públicos, que combinem moradia digna, trabalho, comércio e serviços - espaços mais densos e menos dependentes do uso de carros.

Empreendimentos "exclusivos", cercados por muros, tendência do mercado imobiliário, precisam dar lugar a projetos "inclusivos", pois a geração de bens coletivos - parques, bulevares, calçadas - exponenciará a geração do valor econômico de suas construções.

(...) As cidades projetam no território aquilo que somos como sociedade. Resta-nos encontrar nossa melhor forma de expressão coletiva para a construção da cidade que queremos.

Fonte:
Philip Yang, “Folha de S. Paulo”, Opinião, 31/10/13 (íntegra aqui).