sábado, 5 de outubro de 2013 | | 0 comentários

"Surge nova aurora"

A estrada era longa...


O tempo estava nebuloso e cinzento...


Caía um temporal e havia congestionamento...



Havia também obstáculos pelo caminho...


Mas eu cheguei, mas eu cheguei...


... E a estrada que era longa 
Até parece breve:
Tu caminhas sempre mais
Não te cansarás jamais.
Se te lanças na aventura de amar,
Somente amar,
Sempre mais aquela meta alcancarás...*

* Trecho da música "Surge nova aurora"

quinta-feira, 3 de outubro de 2013 | | 0 comentários

Uma cidade sem lideranças

“É uma vergonha para Limeira.”

Assim reagiu um amigo, sem nenhum envolvimento político-partidário, trabalhador comum, vigia noturno, a respeito da confirmação da instalação de uma unidade da Mercedes-Benz em Iracemápolis.

Um outro amigo, mais ligado à área política, embora não atuante, perguntou-me: “E aí, qual a repercussão da Mercedes?”

Respondi com a frase do amigo vigia.

Por mais que pareça simplista, a frase desse meu amigo resume muito do sentimento do limeirense comum: o de quem se sente abandonado.

Limeira, há tempos, carece de líderes.

Tomemos a história recente do município. Nos últimos 20 anos, seis prefeitos comandaram a cidade: Jurandyr Paixão, Pedro Kühl, José Carlos Pejon, Silvio Félix, Orlando Zovico e agora Paulo Hadich.

Nenhum deles foi o líder que os limeirenses esperam.

Paixão era o que mais possuía características de liderança, mas fez um mandato (1993-96) desgastado, sem grandes realizações, envolto em polêmicas – como a concessão do sistema de água e esgoto. Deixou a prefeitura com um alto índice de rejeição e de forma um tanto melancólica para quem fora deputado federal e ditara os rumos políticos da cidade por quase quatro décadas.

Kühl assumiu com respaldo popular e apoio do empresariado por sua ligação com a Associação Comercial e Industrial (Acil) e a maçonaria. Fez, porém, um governo tímido e, embora tenha ensaiado assumir voos mais altos (foi candidato a deputado federal) e vivesse manifestando sua amizade com o então governador Mário Covas (PSDB), nunca conseguiu se impor politicamente além das fronteiras limeirenses nem sequer dar à cidade um papel relevante no Estado e no país.

Pejon fez um “meio governo” (assumiu após a renúncia de Kühl e ficou pouco mais de dois anos no cargo). Tentou deixar algumas marcas, como a compra do Edifício Prada para sediar a prefeitura, mas passou longe de colocar a cidade no mapa político do Estado e do país, por mais que tenha tentado se aproximar da cúpula do PSDB estadual.

Félix, tal como Paixão, exibia traços de liderança, mas a soberba e a ambição desmesurada impediram que alçasse voos. Era mal visto no governo estadual por críticas que fazia à gestão Geraldo Alckmin (PSDB). Um deputado disse certa vez que dava vergonha agendar audiências do então prefeito com secretários estaduais porque, ao invés da necessária humildade para quem vai passar o chapéu, Félix costumava querer saber mais que o anfitrião.

Tinha certa influência junto à liderança do PDT (leia-se o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, hoje no Solidariedade), mas viu sua carreira política afundar diante do escândalo de corrupção que atingiu seu governo. Acabou melancolicamente cassado.

Zovico mal teve tempo para ser prefeito (comandou a cidade por dez meses após a cassação de Félix).

Hadich assumiu há pouco. Tem perfil de liderança, comandou entidades e conseguiu arregimentar forças para sair candidato a prefeito – e vencer. O seu modo de governar, porém, impede que se destaque. Adota uma postura retraída, silenciosa, não consegue transmitir à população a imagem de um comandante (e, queira ou não, o prefeito é um comandante).

Independentemente do perfil, porém, o fato é que nenhum dos chefes do Executivo – nem qualquer outra liderança política – conseguiu dar a Limeira um papel mais relevante no contexto estadual e federal, para fazer jus à posição da cidade como uma das principais economias de São Paulo.

É certo que uma conquista como a Mercedes passa muito além da figura do prefeito. Diria até que, entre tantos fatores relevantes (como a oferta de mão-de-obra), o aspecto político é secundário. O que não significa que não seja importante.

Valmir de Almeida (PT), prefeito de Iracemápolis, não é responsável direto e maior pela atração da nova empresa. Mas é também responsável e, naturalmente, colherá os frutos políticos.

Está, como Hadich, no início de gestão. Mais do que Hadich, contudo, “comprou a briga” quando a cidade se viu ameaçada de perder a empresa ao cobrar publicamente o Sindicato dos Metalúrgicos – que ameaçava melar a negociação entre prefeitura e Mercedes.

E que fique claro: ao tratar da falta de lideranças em Limeira, não falo apenas do chefe do Executivo.

Neste episódio da Mercedes, o que mais chama a atenção é o silêncio generalizado: o cidadão comum entende que “é uma vergonha para Limeira” e não se vê praticamente ninguém indignar-se.

Onde foi parar a capacidade de indignação? Onde estão os líderes da oposição? E os ex-prefeitos? O que disse a respeito o presidente da Acil? E do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo)? Que plano estas e outras entidades, mais o Poder Público, têm para que a cidade deixe de ser coadjuvante e assuma um papel de protagonista na região?

O que disseram os vereadores? E os secretários municipais? E o empresariado em geral? E a imprensa?

Ou então acharemos eternamente normal Limeira assistir à instalação de megaempresas ao seu redor (Hyundai em Piracicaba, Honda em Sumaré e Itirapina, Toyota em Indaiatuba, além da Mercedes em Iracemápolis, só para ficar nas montadoras de veículos) sem que a cidade se coloque como alternativa viável para receber estas e outras multinacionais – papel que já desempenhara no passado?

Será que vamos ter que reclamar ao bispo...?

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Pontes

Já escrevi neste blog que gosto de túneis e pontes - pelo que simbolizam para a vida. Dos primeiros, já postei fotos. Faltavam as pontes.

Vistas por fora, de longe...


... e por dentro, de perto.


Em tempo: a primeira ponte fica na região de Niagara Falls, no Canadá, e a outra em Chicago (EUA).

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Frase

"Quando um ônibus passa ao lado de carros engarrafados, temos um símbolo de democracia. O interesse coletivo está acima do particular."
Enrique Peñalosa, economista e ex-prefeito de Bogotá (Colômbia), em entrevista à “Folha de S. Paulo”

quarta-feira, 2 de outubro de 2013 | | 0 comentários

Abaixo os "mensaleiros" (e asseclas)!!!

Li dia desses que o vocalista da banda Skank, Samuel Rosa, foi atacado nas redes sociais depois que criticou a aceitação pelo STF (Supremo Tribunal Federal) dos chamados embargos infringentes em favor de condenados no caso do "mensalão". A tradicional "patrulha" petista postou vídeos antigos em que Rosa aparece manifestando apoio ao hoje senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato à presidência em 2014.

A notícia provocou em mim um desabafo: esta "patrulha pseudo-esquerdista" (porque de esquerda o PT já não tem quase nada mais...) já deu.

Quem disse que cobrar o STF pela decisão em favor dos "mensaleiros" significa necessariamente apoiar o PSDB? Quem disse que ser a favor da condenação dos "mensaleiros" significa necessariamente ser contra o governo Dilma Rousseff (PT)? E ainda que o vocalista do Skank e qualquer outro cidadão seja apoiador de Aécio ou de qualquer outro político, quem disse que isto é impeditivo para criticar o "mensalão"?

Eu sou a favor da condenação dos "mensaleiros" unicamente porque sou contra a CORRUPÇÃO!!! 

E, queiram ou não, o "mensalão" foi - como está provado e julgado - um gigantesco e monstruoso esquema de compra de apoio de partidos e parlamentares em favor do governo Lula (ainda que os pagamentos não tenham sido necessariamente mensais, o que não justificaria o nome dado ao esquema, mas isto é detalhe - embora eu já tenha ouvido petista desqualificar a acusação em razão disso...).

À merda, então, os "mensaleiros" e seus asseclas.

Quer saber mais? Já estou de saco cheio de PT, PSDB e etc. Acho que os governos petista no Brasil e tucano em São Paulo deram o que tinham que dar, agora é só rescaldo. É hora de mudar - o que não significa necessariamente apoio a ninguém, pois é prematuro defender quem quer que seja.

O fato é que PT e PSDB, como já escrevi várias vezes neste blog, tornaram-se farinhas do mesmo saco. Como, de resto, quase todos os partidos no Brasil. São meros instrumentos para conquista de dinheiro e poder, estando uma coisa atrelada à outra. O interesse público passa ao largo das siglas - com raras exceções pessoais em uma ou outra.

Em 2014, NÃO vou votar na Dilma, NÃO vou votar no Alckmin e NÃO sei em quem irei votar - e se irei votar em alguém.

Não sou daqueles que acreditam que votar em branco é apoiar "quem está na frente" ou omitir-se. O voto branco é tão legítimo como qualquer outro - tanto que está lá na urna eletrônica como opção. É uma clara manifestação de protesto.

E que não digam que quem não vota depois não pode cobrar e/ou reclamar: sou cidadão, pago impostos como todos e tenho os mesmos direitos que qualquer um.

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História viva



O protesto mostrado nas fotos - flagrado em Niagara Falls, no Canadá, em abril de 2012 - era em favor da libertação de espiões cubanos detidos na Flórida (EUA) há anos.

Para entender bem esta história, recomendo a leitura do livro "Os últimos soldados da Guerra Fria", do jornalista Fernando Morais:





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Reflexão do dia

Nunca diga nunca se o motivo pelo qual você diz não depende apenas de você.

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Constatações brasiliensis

- A Polícia Militar brasileira definitivamente não tem preparo para lidar com multidões. Veja o que ocorreu no Rio de Janeiro – e a cidade vai sediar os Jogos Olímpicos... A única coisa que sabem fazer é atirar bombas de efeito moral e de gás lacrimogênio e usar spray de pimenta.

- A Polícia Militar brasileira ainda não entendeu totalmente que os tempos sombrios ficaram para trás. Veja o caso de Amarildo de Souza, também no Rio...

- Não é exatamente o excesso de partidos que prejudica a democracia no Brasil e sim o motivo pelos quais as siglas são criadas e o uso que se faz delas – servem unicamente para angariar poder e dinheiro, sem ideologia ou programas.

- José Roberto Arruda, ex-senador que se viu forçado a renunciar ao mandato após se envolver no escândalo da violação do painel de votações do Senado, conseguiu se eleger governador do DF. Nessa função, foi flagrado e mostrado em rede nacional recebendo dinheiro de corrupção (o chamado “mensalão” do DEM) para favorecer determinados grupos no governo. Ficou preso dois meses e perdeu o mandato.

Agora ensaia se candidatar a deputado federal pelo PR (pesquisas indicariam que ele ganharia fácil uma vaga). Aí pergunto: o problema é só dos políticos ou também de quem aperta os botões na urna eletrônica?

Arruda, Collor, Renan, Jader, Maluf e tantos outros... Acorda povo brasileiro!

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Uhmm!!


Bolo com recheio de leite condensado cozido: "amo muito tudo isso!"

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Direto do toca-CD (43)

Ah! Se o mundo inteiro me pudesse ouvir
Tenho muito pra contar
Dizer que aprendi

E na vida a gente tem que entender
Que um nasce pra sofrer
Enquanto o outro ri

Mas quem sofre sempre tem que procurar
Pelo menos vir a achar
Razão para viver

Ver na vida algum motivo pra sonhar
Ter um sonho todo azul
Azul da cor do mar

(“Azul da cor do mar”, de Tim Maia)

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Frase

“Um Deus Católico não existe... Eu acredito em Jesus Cristo, em sua encarnação. Jesus é meu mestre e meu pastor, mas Deus, o pai... é a luz e o criador. Esse é o meu ser.”
Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, em entrevista para o editor do jornal “La Repubblica”

terça-feira, 1 de outubro de 2013 | | 0 comentários

E a Mercedes vem aí

O mercado automobilístico no Brasil é muito promissor, afirmou Andreas Renschler, CEO da Mercedes-Benz, após reunião com a presidenta Dilma Rousseff nesta terça-feira (1°) no Palácio do Planalto. A montadora alemã anunciou investimentos de € 170 milhões, cerca de R$ 500 milhões, com a criação de uma nova fábrica em Iracemápolis (SP), que gerará mil empregos diretos.

“Estamos muito felizes que a partir de 2016 vamos produzir veículos de passeio no Brasil. Concordamos com a presidente que o mercado automobilístico no Brasil é muito promissor, e por isso a Mercedes-Benz também deveria estar produzindo veículos de passeio no país. A partir de 2016 inauguraremos a fábrica… Essa fábrica terá mil empregos diretos (…) A Mercedes está no Brasil há 56 anos já (…), nós confiamos no futuro do mercado brasileiro”, disse Andreas Renschler.

A planta de Iracemápolis terá capacidade de produção de 20 mil unidades/ano. O executivo afirmou que a empresa tem a expectativa de que o mercado de veículos de luxo no país cresça de 30 mil unidades/ano para 100 mil unidades/ano até 2017.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, avaliou que o investimento reafirma a confiança de investidores na economia brasileira. O ministro também disse que é positiva a chegada das montadoras do segmento premium, um nicho de alta tecnologia que afeta positivamente todos os níveis da indústria por atrair fornecedores novos, além de propiciar a transferência de conhecimento tecnológico.

Fonte: Blog do Planalto, “Executivo da Mercedes-Benz diz que mercado brasileiro é promissor e anuncia investimento de R$ 500 milhões”, postado em 1/10/13.

* A foto é de Roberto Stuckert Filho/PR

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“Devaneios sobre a ociosidade”

Ironia: a única coisa que tolero em Karl Marx é, bem vistas as coisas, o genro. O nome do cavalheiro é Paul Lafargue e o seu "Direito à Preguiça" é texto que guardo junto à cama. Para ler e reler quando a ociosidade me ataca. Que nos diz Lafargue?

O óbvio: haverá coisa mais triste do que uma existência inteiramente dedicada ao trabalho? Sobretudo a um trabalho que nos escraviza e desumaniza?

Por isso Lafargue defende: mais importante do que os "direitos do homem" são os "direitos à preguiça". Que um dia, escreve ele, serão respeitados por uma civilização tecnologicamente avançada. Trabalharemos três horas, não mais. As máquinas farão o resto por nós. (...)

Fonte: João Pereira Coutinho, “Folha de S. Paulo”, Ilustrada, 1/10/13 (íntegra aqui).

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Gigantes dos mares (e não são peixes nem mamíferos)

Eles são cada vez mais comuns no litoral brasileiro, mas ficaram bem estranhos na paisagem de Nova York (EUA) e Veneza (Itália) - cidades tão díspares que, cada qual por seus motivos, não combinam com os gigantes transatlânticos.

Em Veneza, o navio cruzou o Grande Canal na frente da praça de São Marcos. Nem parecia que dava para passar um transatlântico por ali. Ele ficou tão dominante no cenário que reduziu momentaneamente tudo ao seu redor. Pareceu um verdadeiro monstrengo mesmo:





Em NY, o navio foi flagrado próximo da ilha que abriga a Miss Liberty, a famosa estátua da Liberdade:





Leia também (complemento postado em 18/10):

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Setenta vezes sete

Sete vezes desprezei minha alma:
A primeira vez quando a vi disfarçar-se com a humildade para alcançar a grandeza.
A segunda vez quando a vi coxear na presença dos coxos.
A terceira vez quando lhe deram a escolher entre o fácil e o difícil, e ela escolheu o fácil.
A quarta vez quando ela cometeu um mal, e consolou-se com a ideia de que outros cometem o mal também.
A quinta vez quando aceitou a humilhação por covardia, e atribuiu sua paciência à fortaleza.
A sexta vez quando desprezou a fealdade de uma face, e não sabia que era uma de suas próprias máscaras.
E a sétima vez quando considerou uma virtude elogiar e glorificar.

(Khalil Gibran, filósofo e escritor libanês, em "Areia e espuma" - "Sand and foam" no original)