"Dedico o prêmio a todos os jornalistas. O oxigênio da profissão é a liberdade de imprensa."
Da jornalista Elvira Lobato, ganhadora do Prêmio Esso de Jornalismo - um dos mais importantes da área - pela reportagem "Universal chega aos 30 anos com império empresarial", publicada em 15 de dezembro de 2007 no jornal "Folha de S. Paulo".
A reportagem provocou uma reação institucionalizada da Igreja Universal, que moveu - por meio de fiéis - 105 ações judiciais contra a repórter e a empresa que edita a "Folha". Detalhe: todas as ações, semelhantes, foram protocoladas em cidades muito distantes, em vários estados brasileiros. Até agora, o jornal e a repórter ganharam as 58 ações já julgadas.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 06:37 | 0 comentários
Um suspiro
terça-feira, 9 de dezembro de 2008 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 13:48 | 0 comentários
Ronaldo e o fenômeno (da Internet)
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 16:39 | 0 comentários
Sifo ou sifu - uma questão silábica (só?)
"Não me incomoda muito que o presidente da república tenha usado a expressão 'sifo' num discurso no Rio. Conheço pessoas que estavam lá e ficaram revoltadas. Dou-lhes razão. Mas não me abalei muito. Me aborrece mais que todos os jornais do país, ao contar a história, tenham grafado 'sifu'. Não entendo a razão. Me parece que assim os jornais mostraram no mínimo tanta vulgaridade quanto Lula.
'Sifu', assim escrita, é uma palavra oxítona. O 'u' final cria o problema. Ele entrou aí porque palavras relativas a sexo são vistas como sujas: não têm história. O verbo que está abreviado na segunda sílaba da palavra composta não contém a vogal 'u': é 'foder'. Mas leio até em livros eruditos 'culhão' no lugar de 'colhão', 'buceta' no lugar de 'boceta' e 'fuder' no lugar de 'foder'.
'Sifo' é, assim escrita, a palavra paroxítona que o presidente pronunciou - e sua segunda sílaba é a primeira do verbo abreviado. Escrevê-la com um 'u' é transformar a primeira página dos jornais brasileiros em parede de banheiro suja de parada de ônibus. (...) Cariocas e baianos não escrevem 'chuveu' nem pernambucanos, 'cibola'. Não. 'Sifu' é uma indecência oxítona que a imprensa consagrou."
Fonte: "Obra em progresso", blog de Caetano Veloso.
PS: para quem não viu o que o presidente Lula disse em discurso num evento no Rio para justificar seu estímulo ao consumo pelos brasileiros, eis a pérola: "Imagine se um de vocês fosse médico e atendesse um paciente doente. O que você falaria para ele? 'Você tem um problema, mas a medicina já avançou demais. Vamos dar tal remédio e você vai se recuperar', ou você diria: 'Meu, sifu'!".
Pois é, acho que "sifu(demos)". Ou seria "sifo(demos)"?
| Postado por Rodrigo Piscitelli às 09:49 | 0 comentários
O futebol, o Brasil e a meritocracia
"Há ainda um cheiro de pré-história sob vários aspectos quando se trata da organização do esporte mais popular do país. Mas também são inegáveis alguns avanços no futebol.
A conquista do campeonato brasileiro de 2008 pelo São Paulo Futebol Clube ajuda a disseminar no Brasil um valor quase inexistente no país: a meritocracia. Vence quem se esforça e trabalha mais ao longo de todo o campeonato.
Os torcedores de outros times ficam chateados, claro. Reclamam do gol irregular do SPFC no jogo de ontem, contra o Goiás, na vitória por 1 a 0 (o atacante Borges estava impedido). Fala-se também que o SPFC não jogou um futebol dos sonhos ao longo da competição (é verdade).
Os mais atentos também deverão notar que os erros de arbitragem ocorreram para todos os lados no campeonato. Para citar apenas um, em 17 de agosto, o Grêmio ganhou do São Paulo por 1 a 0 com um gol de Perea também totalmente impedido.
Sobre jogar um futebol mais vistoso, cheio de lances "a la seleção de 82", a pergunta que fica é: qual equipe no futebol hipercompetitivo de hoje consegue atuar dessa forma? Resposta: nenhuma.
Tudo somado, a vitória do São Paulo representa a premiação, por mérito, à equipe que mais se preparou e se organizou para vencer. O SPFC gasta R$ 12 milhões por ano em um centro de treinamento fora da cidade de São Paulo, onde treinam cerca de 400 garotos. O técnico do SPFC, Muricy Ramalho, é um dos mais longevos no cargo no Brasil, mostrando que a regularidade administrativa é um valor necessário não apenas em governos e empresas, mas também no esporte.
Antes, o futebol era cheio de octogonais e quadrangulares decisivos. Havia rebolos, repescagens e chances de viradas de mesa. Equipes completamente desorganizadas, sem interesse pelos treinos diários, acabavam vencendo um ou dois jogos no final do ano e sagravam-se campeãs.
Nos últimos seis anos, equipes tradicionais tiveram de se submeter a uma passagem pela segunda divisão do futebol. Palmeiras, Grêmio e Corinthians são exemplos de superação. Devem ser aplaudidos. Desceram e subiram pelos seus próprios méritos. Mereceram cair. Mereceram subir. Assim deve ser em todos os setores da sociedade.
Alguns classificarão de sociologia antropológica de botequim, mas há uma mensagem relevante no futebol. No passado, com a bagunça de campeonatos com 40, 60 e até 100 times, chaves coloridas e vale-tudo no final, a mensagem era: não adianta trabalhar duro todos os dias; no Brasil, no final sempre dá-se um jeitinho de obter uma vitória "no talento" (sic).
A imensa maioria dos brasileiros ama o futebol. O sistema de disputa dos campeonatos nacionais exerce grande influência sobre uma massa enorme de pessoas. A bagunça reinante no passado deseducava os cidadãos por exalar um péssimo costume: "Trabalhar e se esforçar para quê? Quando chegar a hora 'h', a gente sempre dá um jeito".
Pelo atual modelo de pontos corridos (iniciado em 2003...), é sempre enorme a chance de o campeão ser o que mais se prepara e o que tem a estrutura mais séria. Todo jogo é importante. Todo dia é dia de trabalho. Para ser campeão brasileiro de futebol agora é necessário jogar todas as partidas como se fossem a última (comento no final as últimas suspeitas de fraude nas arbitragens).
Milhões de brasileiros humildes têm no futebol uma de suas únicas alegrias. Agora, de maneira subliminar, esses mesmos brasileiros podem enxergar no esporte algo além do jogo. As disputas entre os 20 times da elite do futebol são também um exemplo de como o mais aplicado acaba, quase sempre, premiado ao final.
A possibilidade de cair para a segunda divisão e voltar pelo seu esforço próprio é também um incentivo a todos os brasileiros.
Acostumado a fazer a cobertura da política brasileira, recheada de casuísmos e fisiologia, é alentador ver o futebol dar um exemplo de continuidade e regras claras.
Tudo isso não é pouca coisa. A meritocracia é uma característica vital de sociedades desenvolvidas. É bom que no Brasil comece a vigorar exatamente na mais popular de todas as manifestações culturais, o futebol."
Do blog de Fernando Rodrigues, jornalista e colunista da "Folha de S. Paulo". Em tempo: o autor torce para o São Paulo.
domingo, 7 de dezembro de 2008 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 16:57 | 0 comentários
Um tesão... de cerveja
Um amigo me apresentou recentemente à Devassa: "Muito prazer!". "Prefere uma negra, uma ruiva ou uma loura?" Ele me mandou as três! Este amigo as conheceu no Rio. Lá, experimentou as três versões (na verdade são quatro, tem também a índia). Gostou do que provou. Pudera. Por mais que eu tenha notado uma certa predileção dele pela ruiva, ele não abre mão de nenhuma delas.
Marcadores: cerveja
| Postado por Rodrigo Piscitelli às 16:38 | 0 comentários
O amor e o poliamor
Há algum tempo tento transmitir algumas idéias e encontro dificuldades. Pois foi num livro de cunho científico que encontrei uma saída para uma dessas idéias. O texto fala melhor do que eu:
"A antropóloga Helen Fisher, em Por que Amamos, exprimiu lindamente a insanidade do amor romântico, e quão exagerado ele é se comparado ao que seria estritamente necessário. Observe comigo. Do ponto de vista de um homem, por exemplo, é improvável que qualquer mulher que ele conheça seja cem vezes mais desejável que suas concorrentes, mas é assim que ele a descreverá quando 'apaixonado'. Mais que a devoção monógama fanática a que somos suscetíveis, uma espécie de 'poliamor' seria mais racional. (O poliamor é a crença de que é possível amar vários integrantes do sexo oposto simultaneamente, assim como se pode amar mais de um vinho, um compositor, um livro ou um esporte.) Aceitamos sem problemas que somos capazes de amar mais de um filho, mais de um progenitor, mais de um irmão, mais de um professor, mais de um amigo ou mais de um animal de estimação. Pensando assim, a exclusividade total que esperamos do amor conjugal não é esquisita?"
Fonte: "Deus, um delírio", de Richard Dawkins, Companhia das Letras, p. 244.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 14:35 | 0 comentários
Manias
| Postado por Rodrigo Piscitelli às 14:25 | 3 comentários
Muito obrigado!
"Chega de saudade,
a realidade é que sem ela não há paz,
não há beleza é só tristeza
e a melancolia que não sai de mim,
não sai de mim, não sai..."
("Chega de Saudade", de Tom Jobim e Vinícius de Moraes)
"Parece que este bar já vai fechar
E há sempre uma canção
Para contar
Aquela velha história
De um desejo
Que todas as canções
Têm pra contar"
( "Fotografia", de Tom Jobim)
>>> Duas homenagens necessárias nesta sexta-feira, 5 de dezembro. Talvez elas soem incompreensíveis, não importa. Valem como um muito obrigado! E chega de saudade...| Postado por Rodrigo Piscitelli às 14:04 | 0 comentários
O reino encantado
A rainha foi ao Parlamento. Faz parte das tradições da monarquia inglesa. Confesso que admiro o glamour dos palácios e títulos e a tradição secular (ou milenar em alguns casos) desse tipo de regime, mas não consigo entender como, em pleno século 21, uma sociedade pode pressupor haver pessoas que valem mais do que outras.
Por isso, entre a admiração por alguns aspectos e a incompreensão por outros, resta a consideração da monarquia como uma alegoria. Uma alegoria com contornos curiosos. Por exemplo: a ida da rainha Elizabeth 2ª ao Parlamento inglês restringiu-se à Câmara dos Lordes (a alta). Ela enviou um emissário para convocar os chamados "comuns" (deputados) para que participassem da solenidade.
Monarquia à parte, a rainha foi ao Parlamento ler uma série de projetos de lei do primeiro-ministro Gordon Brown. Entre eles estão a volta da classificação de clubes noturnos com strip tease e mulheres seminuas na mesma legislação que regula a prostituição e a limitação de descontos oferecidos pelos bares em bebidas alcoólicas nas "happy hours" para combater a violência relacionada ao alto consumo de álcool.
Ou seja: a terra da rainha ameaça se tornar chata. A Inglaterra já é toda certinha - o que não quer dizer chata, pois transpira vanguarda. Se alguns devaneios foram restritos, porém, corre risco de fazer jus a rótulos que eventualmente recebe. Como o de ser chata.
Em tempo: se há um rótulo - ou melhor, uma expressão - que é perfeitamente compreensível após uma passagem pela Inglaterra é o tal "para inglês ver". Se você duvida, vá até lá e fique horas lutando por espaço em frente ao Palácio de Buckinghan para ver a tal troca da guarda pontualmente às 11h. Faça isso e entenderá de onde surgiu a expressão "para inglês ver"...
PS: as fotos são da AP e foram retiradas do UOL.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 12:32 | 2 comentários
Um vôo azul (entrando para a história)
Participei ontem de uma experiência interessente. Estive no vôo inaugural da Azul Linhas Aéreas, em Campinas. Foram 45 minutos que se eternizaram. Entre os presentes, a sensação era a de fazer parte da história da nova empresa. Alguns mais exagerados diziam, em tom de brincadeira, que estavam entrando para a história da aviação.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 13:31 | 0 comentários
Vocação
"O primeiro compromisso de um repórter é ir atrás da história para os leitores, e esta é a razão de muitos aniversários perdidos ou casamentos desfeitos. 'Ser repórter é uma vocação', conclui Deborah."
A Deborah em questão é Deborah Howell, ombudsman do "The Washington Post". Retirado do artigo "Para ser um bom repórter".
| Postado por Rodrigo Piscitelli às 10:08 | 0 comentários
Visionário
"Claude Lévi-Strauss, o antropólogo francês, está fazendo 100 anos. Em 1935, ele era um jovem marxista com uma visão mecânica da vida, como tantos. Mas veio para o Brasil, embrenhou-se no mato com os nossos bororos e nambiquaras, comeu do cru e do cozido, e isso abalou suas certezas. Em 1955, a experiência rendeu-lhe um livro, "Tristes Trópicos".
Nos anos 50, Lévi-Strauss já acusava o homem de ser o vilão da ecologia, quando os dicionários ainda não tinham chegado a um acordo nem sobre o significado da palavra. Contrariando o espírito da época, também nunca aceitou a idéia de que, com a alfabetização em massa, o progresso da humanidade seria fatal -quem éramos nós para sair alfabetizando populações que viviam tão bem sem o alfabeto?
Por defender a necessidade de preservar as identidades étnicas e culturais, combateu a idéia da globalização ainda no berço. Para ele, a globalização conduziria à uniformização, à anulação das diferenças -e o fim das diferenças levaria à indiferença, que é uma das piores pragas que poderiam nos afligir. Pois é o que está acontecendo, e bem que ele avisou."
"Lévi-Strauss a dois", de Ruy Castro, quarta-feira (26/11), "Folha de S. Paulo"
| Postado por Rodrigo Piscitelli às 09:43 | 0 comentários
Mais um carro
Nossa, o Salão do Automóvel já ficou lá para trás e eu ainda não postei meu último vídeo. Como carro sempre interessa, aí vai:
| Postado por Rodrigo Piscitelli às 09:40 | 0 comentários
Outro
Atenção, outro blog de um aluno: www.oportalddonson.blogspot.com. Quem o define é o próprio autor, Daniel Marcolino: "é direcionado especialmente para quem gosta de leituras".



