quinta-feira, 21 de março de 2013 | | 0 comentários

Vida no interior - o jogo de futebol

A vida no interior – por mais que as cidades cresçam – ainda é capaz de guardar preciosidades que não são vistas nas capitais. Certas experiências são únicas.

Experimente, por exemplo, acompanhar um jogo de futebol no meio da torcida. Você de cara vai reparar que o público é outro: nada dos torcedores profissionais, organizados (incluindo alguns vândalos). Gente simples, jovens e velhos, pais, filhos, gente que vai ao estádio acima de tudo para se divertir.

Será que em algum estádio da capital você encontra um senhor na altura dos seus 70-80 anos, cabelos brancos, pele marcada pelas rugas, quieto, radinho de pilha colado ao ouvido, boina estilo italiano para espantar o frio que mal chegou? Ou o senhor que acompanha o jogo com tiradas pouco engraçadas, tirando sarro (no sentido mais pueril do termo) dos jogadores adversários, a quem chama de “salário mínimo” ou “juvenil”, quase como quem conversa com um colega num bar?

Será que na capital os torcedores vão vibrar inocentemente quando o outro time da cidade tomar um gol? “O Galo está tomando ferro!”, “Ih, o Galo empatou...”, “O Batatais fez 2 a 1, aí é bão”, “Gol do Galo...”. Assim, inocentemente, como se contasse ao colega do lado uma notícia importante em primeira mão.

Será que em algum estádio da capital você verá o torcedor cobrando, com a mesma inocência com que comemora os gols tomados pelo outro time da cidade e com a intimidade de quem está lidando com um colega, que os jogadores do seu time se esforcem? “Vamos gente, vamos jogar!”, “Vamos gente, vamos pra cima!”

Será que na capital você vai se deparar com piadinhas de antigamente, com palavras de antigamente, com um jeito todo simples e caipira de ser e de torcer? Será que na capital você vai ver um senhor brincalhão, depois de um ataque perigoso do adversário, dizer para um jovem tranquilamente e em tom de deboche: “Você está secando a gente hein”?

Será que num estádio da capital você encontrará gente de todo tipo, ricos e pobres, velhos e novos, solteiros e casados, sós e acompanhados, com calor e com frio, torcendo todos juntos, compartilhando o prazer do momento, vibrando, sofrendo, mas acima de tudo vivendo pacificamente em comunidade?

Onde mais o torcedor vai conversar com o gandula ou com o maqueiro como quem conversa com o vizinho?

Talvez na famosa Rua Javari, na Mooca, ou no campo do Nacional você encontre cenas parecidas. Mas nada, absolutamente nada vai se comparar ao estilo único do interior.

***

Infelizmente, os “sábios” que administram nosso esporte deixaram o futebol interiorano ir para a UTI (num estágio quase irreversível), mas o pouco que restou ainda tem um charme irresistível.

“Domingo vai ter um joguinho aí...”

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Homenagem a um campeão

Parafraseando o ditado, quem é ídolo nunca perde a posto.

Um torcedor da Internacional fez uma justa, bonita e singela homenagem ao artilheiro do Campeonato Paulista de 1986 e um dos ícones da equipe que conquistou o inédito e histórico título naquele ano.


O banner estava no Limeirão no jogo da última quarta-feira entre Inter e Itapirense (vitória por 2 a 1 do time de Limeira).

quarta-feira, 20 de março de 2013 | | 0 comentários

Constatação

Está cheio de gente neste mundo deixando de lado suas colchas de retalhos...

Se não entendeu, leia a música da postagem anterior ("Direto do toca-CD [32]").

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Direto do toca-CD (32)

Aquela colcha de retalhos que tu fizeste
Juntando pedaço em pedaço foi costurada
Serviu para nosso abrigo em nossa pobreza
Aquela colcha de retalhos está bem guardada

Agora na vida rica que estás vivendo
Terás como agasalho colcha de cetim
Mas quando chegar o frio no teu corpo enfermo
Tu hás de lembrar da colcha e também de mim

Eu sei que hoje não te lembras dos dias amargos
Que junto de mim fizeste um lindo trabalho
E nessa sua vida alegre tens o que queres
Eu sei que esqueceste agora a colcha de retalhos

Agora na vida rica que estás vivendo
Terás como agasalho colcha de cetim
Mas quando chegar o frio no teu corpo enfermo
Tu hás de lembrar da colcha e também de mim

(“Colcha de Retalhos”, de Raul Torres)

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A aula (ou um dia no museu)

Felizes aqueles que podem aprender "in loco", nos museus, vendo e tocando aquilo que a maioria de nós, mortais, só conhecemos pelos livros ou pela Internet.


A foto é de uma aula sobre arte grega (ou egípcia, sei lá...) no Metropolitan Museum, em Nova York (EUA).

Sobre isto, leia a postagem "Muito prazer, Davi!" do blog Piscitas - travel & fun.

terça-feira, 19 de março de 2013 | | 0 comentários

Outro telefonema

Você sabe que tem amigos quando, após ficar ausente por duas semanas, eles ligam e perguntam: "E aí, está tudo bem? Apareça aqui!".

Porque amigos de fato são assim: curtem estar juntos, celebrar e viver a amizade.

segunda-feira, 18 de março de 2013 | | 0 comentários

Desagravo em favor de um promotor de Justiça

Manifestação do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Elias Rosa, no ato em desagravo ao promotor Luiz Alberto Segalla Bevilacqua, da 4ª Promotoria de Justiça da Comarca de Limeira, realizado nesta segunda-feira (18/3) no Fórum:

“Minhas senhoras e meus senhores. Eu, na condição de procurador-geral de Justiça, venho hoje a Limeira para, reunindo-me com os promotores de Justiça (...), reunindo-me com estes bons exemplos do Ministério Público, contando com o inequívoco apoio da Magistratura e da Ordem dos Advogados do Brasil, expressar ao nosso colega de instituição, Luiz Alberto Segalla Bevilacqua, eminente promotor de Justiça, uma inequívoca manifestação de apoio, uma inequívoca manifestação de repúdio aos crimes contra a sua honra já assacados, já cometidos, uma manifestação de repúdio aos crimes cometidos também em face da honra de magistrados de Limeira, uma declaração enfim de desagravo. (...) Todos associados para a manifestação inequívoca de desagravo, de apoiamento a um promotor de Justiça que se notabiliza pela seriedade, pela correção ética, pelo modo profissional com que conduz a sua vida de promotor de Justiça.

Luiz Alberto Segalla Bevilacqua torna concreto o ideal de Ministério Público sempre que atua e nós somos testemunhas disso. Atua com absoluta imparcialidade, atua com absoluta lealdade, busca concretamente a promoção da Justiça e nesta condição de promotor de Justiça está agora exposto de forma indevida em sua honra pessoal de modo a intranquilizá-lo pessoalmente.

O Ministério Público do Estado de São Paulo manifesta assim seu firme propósito de ver reparada não a honra, porque os ataques não foram capazes de maculá-lo, de maculá-la definitivamente, nem serão, nós o conhecemos, Luiz Alberto Segalla Bevilacqua. Mas a manifestação inequívoca de que o Ministério Público do Estado de São Paulo não aceita, não tolera, não admite que se invista contra um de seus integrantes ou também magistrados, por meio indevido e abusivo, porque conspira não contra as pessoas, mas contra um instrumento de defesa da democracia.

O Estado de Direito, o Estado Democrático de Direito, minhas senhoras, meus senhores, se assenta na liberdade de opinião, na livre manifestação do pensamento, na possibilidade a qualquer modo de expressão, mas assenta-se também num regime de responsabilidade, de quem quer que seja e por qualquer tipo de conduta. Assenta-se também o Estado Democrático de Direito, que foi conquistado no Brasil há menos de 25 anos, assenta-se também em instituições e poderes livres, autônomos, corajosos, serenos e equilibrados. Poderes e instituições que se encarregam de tornar concreto o ideal de construção de uma sociedade livre, justa e igualitária. E qualquer manifestação abusiva contra os poderes e as instituições democráticas, como é o caso da Ordem dos Advogados do Brasil, do Ministério Público, contarão sempre com o repúdio, contarão sempre com a responsabilidade compatível com a gravidade do ataque ou da ofensa.

Por isto, o Ministério Público inteiro vem hoje a Limeira para, na companhia de advogados, de juízes de Direito, do empresariado, da classe política, expressar a uma só voz apoio a um agente do Estado, promotor de Justiça que se notabiliza por sua seriedade, e repúdio a uma forma indevida de atacar contra a democracia, contra a cidadania e contra a sociedade.

O que se coloca em defesa hoje é a tutela de uma instituição inteira que não perde a sua serenidade, que não perde o seu equilíbrio, que acredita na promoção da Justiça, mas que não pode e não irá jamais tolerar qualquer tipo de ofensa ou de ameaça.

O propósito muitas vezes daquele que procede um ataque injusto e imotivado não é apenas de macular a honra, mas sobretudo de intimidar o suposto ofendido.

Nós, porque somos do ofício da Justiça, da promoção da Justiça, aguardamos serenamente a apuração de todos os fatos, não se faz aqui qualquer condenação. Há que se apurar a real autoria, a autoria imediata, as autorias imediatas, aqueles que são partícipes, coautores, instigadores de todo tipo de crime, inclusive neste caso específico, se é que eles existam. E aguardaremos serenamente o pronunciamento final da Justiça e tendo o pronunciamento final da Justiça não será a honra pessoal de Luiz Alberto Segalla Bevilacqua que será reparada, porque ela não é atingida, mas será a imagem da instituição do Ministério Público, preservada em face da comunidade, da sociedade de Limeira e região, mostrando a todos - até num caráter educativo - que esta via, a via da afronta, não é a via adequada para o estabelecimento de qualquer tipo de verdade.

Luiz Alberto Segalla Bevilacqua: receba da Procuradoria-Geral de Justiça e de todos nós promotores de Justiça, procuradores de Justiça, a inequívoca expressão de apoio. E que a sociedade de Limeira saiba uma vez mais que o Ministério Público do Estado de São Paulo segue atento, firme, resoluto os seus reais deveres, o seu real papel.

E Limeira, que concedeu ao mundo jurídico Spencer Vampré no início do século, um dos primeiros professores da nossa faculdade de Direito, professor de Direito Romano; que concedeu a primeira prefeita da história republicana do Brasil, Maria Thereza, e a segunda deputada no Brasil; Limeira que tem tradição da boa política, mas que vez por outra se vê às voltas com noticiário não tão positivo; Limeira, para a qual nunca faltou Judiciário forte, Ministério Público forte, bom exercício de advocacia, saibam todos: o Ministério Público jamais se tornará ausente desta Comarca ou desta cidade, como de toda e qualquer cidade do Estado de São Paulo. Não apenas pela defesa de seus membros, mas antes e acima de tudo na defesa da cidadania.

Bevilacqua: fica o nosso respeito à sua trajetória pessoal e profissional e a todos muito obrigado.”

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Mais um pouco de arte

1) Paul Cézanne ("A baía de Marselha, vista de L´Estaque", 1885)


2) Paul Gauguin ("Dia de Deus [Mahana no Atua]", 1894)


3) Claude Monet (vários)






Todas as obras desta postagem estão expostas no Instituto de Arte de Chicago.

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O bom selvagem (sobre a natureza humana)

(...) Engana-se quem pensa que a tradição marxista comece com Marx, ela começa com Rousseau e seu bom selvagem. O princípio é que o homem é bom e a sociedade é que o perverte. A perversão do bom selvagem pelo "Das Kapital" é apenas uma decorrência do princípio do Rousseau, só que para Marx não partimos do bom selvagem, mas sim chegaremos a ele quando superarmos esta sociedade má.

Uma ideia assim (que somos bons e a sociedade nos corrompe, e aqui você pode colocar no lugar de "sociedade" a família, o patriarcado, a igreja, o capital, os EUA, o patrão, seu pai autoritário) faz almas fracas gozarem de prazer. Porque o que ela diz é que, ao final, não sou responsável por nada que faço. Não fosse pela "sociedade", eu seria um homem bom.

(...) Nossa origem é o bom selvagem? É por isso que australianos que não têm o que fazer se pintam de aborígenes e gritam por aí? Quanta bobagem! Quanto lixo escrito com tinta cara! (...)

Fonte: Luiz Felipe Pondé, “Helena não tem culpa”, Folha de S. Paulo, Ilustrada, 18/3/13.

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Para uma amiga

Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.

(“Mais uma vez”, de Renato Russo)

PS: um dia a gente aprende, vale para você, vale para mim, mas espera que o sol já vem...

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Mundo civilizado

E se não for por educação, é pela lei mesmo: multando!


Em tempo: a placa estava numa área de praias em Chicago (EUA).

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A vida é entusiasmo!

Chega sexta-feira, você chega em casa e pega alguns jornais que não pode ler durante a semana. Liga a TV sem som, coloca um disco. Usa o controle remoto para passar de uma estação a outra, enquanto tenta ler algumas páginas dos jornais e revistas, e prestar atenção na música que está tocando. Os jornais não trazem nenhuma novidade, a programação da TV é repetitiva, e você já ouviu este disco dezenas de vezes. Sua mulher está cuidando das crianças, sacrificando o melhor da sua juventude, sem entender direito porque está fazendo isto.

Uma desculpa passa por sua cabeça: “bem, a vida é isto mesmo”. Não, a vida não é isto mesmo. A vida é entusiasmo, é o eterno deslumbrar-se com o milagre dos dias e das noites. Pense onde você deixou seu entusiasmo escondido. Pegue sua mulher e seus filhos, e vá atrás dele, antes que seja tarde demais. O amor nunca impediu ninguém de seguir seus sonhos.

Fonte: blog do Paulo Coelho, “Do tédio”, postado em 18/3/13.

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Versos de uma canção

E rever meu pé de cedro
Que está grande como que
Mas é menor que a saudade
Que hoje sinto de você.

Cresceu como minha mágoa
Cresceu numa força rara
Mas é menor que a saudade
Que até hoje nos separa.

(“Pé de Cedro”, de Goiá e Zacarias Mourão)

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Homenagem a NY

Um retrato da apaixonante Nova York na visão do diretor Sébastien Desmedt. Vale a pena!



PS: minhas visões de Nova York podem ser lidas no blog Piscitas – travel & fun.

domingo, 17 de março de 2013 | | 0 comentários

A vez do consumidor

Mais efetivo do que multas, a secretária nacional do consumidor, Juliana Pereira, acredita que carimbar as empresas com o "selo" de quem respeita ou desrespeita o consumidor é a melhor alternativa para puni-las.

A xerife do consumo explica que o governo criará um ranking com base não apenas em quantidade de reclamações, mas considerando também o tipo de problema, o que o ocasionou e a solução apresentada pela empresa.

"É direito do consumidor saber quem é quem no mercado de consumo", defende. Diz ainda que as empresas precisam parar de tratar o consumidor como um custo.

(...) Leia trechos da entrevista.

Não é a multa que vai melhorar?
Vários países passaram por esse processo da multa alta, da multa que vai sendo discutida longamente, a empresa começa a diluir isso no custo e, na hora que chega o dia para ela pagar, ela já tem todo o dinheiro.

E quando o problema for de infraestrutura?
Uma empresa de e-commerce me disse que o problema é das estradas. Eu disse: o problema é que você promete entregar em dez dias uma coisa que não consegue. Você mente para o consumidor.

Há os críticos que afirmam que, com isso, o governo vai quebrar empresas...
Esse é um discurso que tem 23 anos de atraso. O Código de Defesa do Consumidor existe desde 1990 e aconteceu o contrário. Vamos criar um índice para mostrar quem é quem. Consumo é relação de confiança. Deu problema, a pessoa procurou a empresa e resolveu, isso aumenta a confiança de que escolheu a marca certa. O consumidor precisa deixar de ser custo e ser tratado como um sujeito importante da relação.

Classificar as empresas que respeitam e as que desrespeitam os consumidores dá mais resultado?
É direito do consumidor saber quem é quem no mercado de consumo.

Fonte: Andreza Matais e Sheila D´Amorim, “O consumidor tem o direito de saber quem é quem”, Folha de S. Paulo, Mercado, 17/3/13.