É muito fácil fundar uma igreja no Brasil. No último domingo, esta Folha publicou reportagem em que relatava como três de seus profissionais criaram a Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio, com custo de R$ 418.
Ninguém seja maluco de participar de igreja de jornalista, mas, ironias à parte, com a sua nova doutrina, Hélio Schwartsman e seus dois "bispos" puderam fazer operações financeiras isentas de IR e IOF.
Pela lei, como qualquer outra, a Igreja Heliocêntrica está dispensada de pagar IPTU (imóveis urbanos), ITR (imóveis rurais), IPVA (veículos) e ISS (serviços). A Constituição concedeu imunidade tributária às igrejas como forma de proteger a liberdade de culto. Na prática, esse princípio vem sendo sistematicamente desvirtuado.
Um dos efeitos históricos dessa distorção, para falar do que importa, foi a consolidação de um novo grupo de milionários da fé, basicamente composto por pastores-empresários e pastores-políticos. Eles se valem do dinheiro obtido por meio da religião (o dízimo, não tributado) para alavancar atividades mercantis que deveriam estar sujeitas ao recolhimento de impostos.
Não há como decidir por princípio se uma igreja é "séria" ou "vigarista". Aos olhos do fiel, a sua igreja será sempre legítima. Para um ateu, todas têm o dom de iludir.
A questão aqui é outra: o pastor pode pregar para (ou enganar) seus fiéis à vontade; só não pode é usar a Bíblia para ludibriar a Constituição. Igrejas não podem ser biombo de práticas comerciais nem a fé pode ser pretexto para atos ilícitos.
Quando alguém extrai lucro de um estacionamento ao lado de um templo e não paga IPTU por isso, temos aí um pequeno delito. Quando o dinheiro dos fiéis está na origem de um conglomerado empresarial que tem como joia da coroa uma TV (concessão pública) avaliada em R$ 2 bilhões, então o problema é bem mais sério. E pior fica quando esses piratas do Senhor se tornam figuras respeitáveis da República com o respaldo do governo.
Fonte: Fernando de Barros e Silva, Folha de S. Paulo, 2.12.09, p. 2.
PS: eis o que eu penso. E está dito! Aliás, as autoridades em Limeira podiam dar uma checada na situação dos "piratas da fé".
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 19:52 | 2 comentários
"Piratas da fé"
| Postado por Rodrigo Piscitelli às 19:47 | 0 comentários
"O olhar externo sobre 2010"
No Foro Eurolatinoamericano de Jornalismo, que foi o que me trouxe a Lisboa, em conversas com personalidades ibero-americanas, em mesa redonda na TV portuguesa sobre a Cúpula ibero-americana que começa hoje -em toda a parte, a sensação que se respira são duas: uma, a de que o Brasil é o país da moda hoje.
A outra é a de que o resultado da eleição de 2010 não vai mudar grande coisa no país. A mais contundente afirmação nesse sentido veio de Felipe González, ex-presidente do governo espanhol (1982-1996), um dos mais brilhantes políticos do quarto final do século passado.
Para ele, há, no Brasil, uma "linha de continuidade entre o presente e o futuro", do que decorre a visão de que, "qualquer que seja o vencedor [em 2010], o Brasil não vai mudar sua estratégia básica".
De certa forma, é uma elaboração mais sofisticada da tese do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que não haverá "trogloditas" na iminente disputa eleitoral.
Tendo a concordar com essa avaliação, embora definir quem é ou não "troglodita" seja uma questão subjetiva. Lula era "troglodita" para, por exemplo, uma parte considerável do empresariado, os mesmos que hoje babam na gravata diante do presidente.
A única dúvida sobre as duas sensações citadas no início surgiu em conversa informal com uma das mais experientes personalidades do mundo ibero-americano, um analista excepcional.
Ele pergunta a si próprio se a projeção internacional do Brasil é do Brasil ou de Lula. Acho que é de ambos, mais do Brasil (pelo tamanho, população, economia etc). Mas Lula também pesa. A dúvida é pertinente: quanto pesará o/a ganhador/a? Como será a primeira eleição em que a política externa tende a ter presença, a resposta dirá se a "estratégia básica" muda ou não.
Fonte: Clóvis Rossi, Folha de S. Paulo, 29.11.09, p. 2.
| Postado por Rodrigo Piscitelli às 19:40 | 0 comentários
Acontece...
Nossa, isso na Globo dá demissão!!!
E olha isso!
sexta-feira, 27 de novembro de 2009 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 19:48 | 0 comentários
Imagens de Limeira
| Postado por Rodrigo Piscitelli às 19:34 | 0 comentários
Belas imagens
Nossa, quanto tempo sem escrever... Tempo... Melhor repetir Bethânia: "Tempo, tempo, tempo, tempo..."
Para quem gosta de fotos, um link do jornal "Boston Globe" é imperdível - elas são da National Geographic. A seguir, reproduzo uma imagem (a minha preferida por vários motivos). Para ver as demais, clique aqui.
PS: o link foi uma dica que estava no Twitter do Pedro Andrade, um dos participantes do "Manhattan Conection", programa dominical do GNT.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009 | Postado por Rodrigo Piscitelli às 17:21 | 1 comentários
Cena noturna
| Postado por Rodrigo Piscitelli às 17:15 | 0 comentários
Pitacos políticos
A Prefeitura de Limeira literalmente não sabe o que fazer com o setor de transporte. Uma das duas empresas concessionárias do serviço fez os investimentos previstos e cobra um reajuste de tarifa, que chegou a ser autorizado; a outra empresa nada fez, e não merece ter o reajuste.
Como equacionar esta situação? O prefeito Silvio Félix (PDT) está sendo pressionado por uma empresa para dar o aumento. O secretário dos Transportes, Ítalo Ponzo Júnior, apostou no bom-senso e recomendou que a correção tarifária fosse adiada – o que ocorreu.
A questão é: até quando a prefeitura vai conseguir segurar esse rojão? Qual interesse deve pesar mais? Teoricamente o dos usuários, o que significa segurar o aumento. Isto, porém, pode levar a um colapso, pois trabalhadores já falam em paralisação e a empresa que fez os investimentos pode colocar o pé no freio.
A opção pelo rompimento do contrato de concessão com a empresa que não investiu também é problemática, pois transporte coletivo não se troca da noite para o dia.
Pelo que se vê, qualquer que seja a decisão haverá reflexos – seja entre as empresas, seja entre os usuários.
Não resta dúvida de que o setor de transportes, no qual o prefeito dizia ser especialista, é um dos maiores fracassos de seu governo.
Aliás, parece haver uma clara rota de colisão entre as manifestações de Félix e de seu secretário Ítalo. A dúvida: até quando isso dura?
Nos bastidores, o bloco é dado como formado. De um dos membros, ouviu-se o seguinte: “O Piuí (PR) já aderiu mesmo (ao governo). Mas os demais estão firmes”.
Noves fora, a conta é a seguinte: depois do PDT do próprio Félix, o PR tem a maior bancada na Câmara – e já fala em candidatura a prefeito em 2012, o que implica desgarrar do governo. Dos três vereadores que o PR elegeu, dois vêm adotando uma postura crítica à administração municipal (basta ver a postura de Lombardi na chamada CPI do Fantasma).
Detalhe incongruente desta história: o PR mantém um posto no alto escalão do governo Félix. O partido tem a presidência do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), com o todo-poderoso da sigla (ex-todo-poderoso do governo), René Soares.
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Nos bastidores, Félix segue articulando a candidatura da esposa Constância a deputada estadual em 2010. O prefeito conseguiu com o passar do tempo tirar o poder do Centro de Promoção Social Municipal (Ceprosom), que virou um mero órgão administrativo, e dar poder ao Fundo Social de Solidariedade (presidido pela primeira-dama), que agora comanda todas as ações sociais.
Félix, porém, está preocupado com o cenário que vem se pintando para a eleição, principalmente na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa. É esperar para ver...
Pelo menos desta vez a Justiça restabeleceu o bom-senso, barrando de vez a posse de suplentes de vereadores este ano após decisão demagógica, inoportuna e ilegal do Congresso. Agora, o aumento do número de vereadores vai valer somente para a próxima eleição – o que é justo. Afinal, não se pode mudar a regra do jogo com o jogo em andamento (ou terminado...).
Em tempo: os suplentes perderam no Supremo por 8 votos a 1 em votação nesta quarta-feira.



