terça-feira, 31 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Frase

"In this blue shade my tears dry on their own."
Amy Winehouse, Nickolas Ashford e Valerie Simpson na música "Tears dry on their own"

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Flagrante italiano 16

Em Florença, um artista de rua fazia caricaturas de anônimos e famosos:


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Uma constatação e um agradecimento (2)

Algumas pessoas fazem coisas pela gente que são realmente atitudes de irmão - irmão de alma, de coração. E eu só tenho que agradecer. 

Sempre digo: doar-se por alguém, ceder algo ao próximo (seja um objeto, um pouco de atenção, um pouco do seu tempo) é uma atitude rara hoje em dia.

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A "Primavera Limeirense"

A crise política que se instalou em Limeira desde o dia 24 de novembro último tem despertado sentimentos distintos entre a população. Muitos têm criticado a cidade, outros consideram que o município dará um exemplo a tantos outros.

É indubitável que a repercussão midiática nacional dos escândalos envolvendo a família do prefeito afastado Silvio Félix (PDT) trouxe uma projeção negativa para Limeira. Ao mesmo tempo, a forma como a sociedade lida com isso tem servido de estímulo.

Recentemente, ouvi de uma jornalista que em Campinas - também envolvida numa crise política sem precedentes que culminou com a cassação do então prefeito e vice - não houve a mobilização popular que se vê em Limeira. Isto é, sem dúvida, um fator positivo a destacar na crise limeirense.

Tenho ouvido também nos últimos dias belos discursos e mantido boas conversas a respeito do atual cenário em Limeira. Em particular, dois interlocutores enxergam na atual crise uma grande oportunidade de mudança de paradigma.

Como se sabe, toda ruptura é dolorosa – e com Limeira não seria diferente. Para um dos interlocutores, o que ocorre na cidade é uma mudança poderosa do velho jeito de fazer política (coronelista, demagógico e personalista) para um novo modelo, com ampla participação popular e novos valores. Para este interlocutor, trata-se de um caminho sem volta, seja qual for o resultado do processo político-administrativo envolvendo Félix.

Um outro interlocutor enxerga em Limeira o reflexo de uma mudança mundial. Estão aí a Primavera Árabe, que resultou na deposição de ditadores em alguns países, e movimentos como o “Ocupe Wall Street”. Para os místicos, são os efeitos da propagada era de Aquário, que sacudiria o mundo. Aliás, este interlocutor admite carregar sua parcela de misticismo. “É a minha mística que me move”, disse.

O outro interlocutor vai por caminho semelhante: “O mundo está mudando!”. Isto envolve não só o aspecto público, mas também privado. “Em casa, minha filha de dez anos quer participar das decisões familiares. Antes não era assim, os pais impunham suas vontades”, observou.

Não resta dúvida de que a participação popular - em casa, no trabalho e na vida pública – veio para ficar. Contribuem para isso a propagação e o poder das redes sociais e uma maior presença e democratização dos meios de comunicação. Isto leva a uma troca de ideias sem precedentes na história e a um consequente despertar maior de consciências.

Quem não enxergar estas mudanças corre sério risco de ser massacrado por elas.

PS: no caso específico da crise envolvendo o prefeito afastado, muitos dirão que a participação da comunidade é movida por interesses pessoais e partidários. No primeiro aspecto, cumpre lembrar que, na história da humanidade, sempre houve líderes para mover as massas. Foi assim na Revolução Francesa, na Revolução Russa, nos movimentos de independência, etc. Por que seria diferente agora? No que diz respeito à participação de partidos, trata-se de uma ação legal e legítima.

Em tempo: sete anos atrás, quem criou o slogan da campanha então vitoriosa de Félix para a Prefeitura de Limeira talvez não imaginasse quão certo estaria – embora por vias tortuosas. Hoje, não me resta dúvida de que “Limeira vai melhorar” após todo este processo, seja qual for o resultado.

domingo, 29 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Desagravo à imprensa

Deve-se repudiar as recentes ameaças sofridas por membros da imprensa local. Registre-se que tais ameaças já são alvos de investigação em inquérito policial que tramita no 1º DP de Limeira e em procedimento de inquérito civil por parte do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), órgão do Ministério Público estadual.

É baixo, vil, covarde e torpe qualquer tentativa ilegítima e ilegal de calar uma voz. Quando esta voz ecoa a voz das ruas, como faz a imprensa, está posto um atentado à democracia. E contra isso não podem se calar as vozes que representam a ética, a honestidade, a transparência e a verdade.

É preciso manifestar ainda que, acima de qualquer ameaça individual, está em jogo um dos princípios fundamentais de todo cidadão, o direito de ter acesso à informação, conforme garante o artigo 5º, inciso XIV da Carta Magna de 1988.

Está em risco também um direito constitucional e pilar fundamental da democracia, a liberdade de expressão e de imprensa - pela qual muitos lutaram durante períodos obscuros de nossa história recente, cedendo à esta luta por vezes a própria vida.

É justamente em respeito a estes princípios, a esta luta, à memória de muitas pessoas e à sociedade em geral que a imprensa não pode, não deve e não irá se calar. Em respeito a um compromisso maior, uma missão, a de informar, que o trabalho isento e honesto de profissionais que dedicam a esta nobre causa importante parcela de suas vidas deve e irá prosseguir.

Afinal, pode-se eventualmente calar uma voz, mas nunca o anseio legítimo e conjunto por uma sociedade melhor e mais justa. Isto nem as piores ditaduras, com práticas das mais repugnantes, conseguiram. E para garantir esse justo anseio, haverá sempre uma voz para se fazer ouvir!


PS: texto lido por mim durante ato de entidades civis de Limeira em desagravo à imprensa, alvo de ameaças na cobertura do escândalo político envolvendo o prefeito afastado Silvio Félix (leia mais aqui e aqui).

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Frase

"Com efeito, viver muito tempo quem decide é o destino. Viver plenamente, o teu espírito."
Sêneca, em “Aprendendo a viver”, L&PM Pocket, p. 90

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Félix mentiu - e a pergunta segue sem resposta

O prefeito afastado Silvio Félix (PDT) mentiu. Ou durante sua participação na comissão processante na última quarta-feira ou numa entrevista à imprensa na sala de reuniões do Edifício Prada, sede do Executivo limeirense, no dia 25 de novembro – um dia após a megaoperação do Ministério Público que resultou na prisão de sua esposa, filhos, parentes e funcionários das empresas de sua família.

Naquele 25 de novembro, ao inquirir o então prefeito, questionei o que segue:

- Félix, a denúncia do Ministério Público menciona que a Fênix Plantas foi declarante do Simples Nacional nos anos de 2008, 2009 e 2010. Quem declara o Simples é porque não possui grandes receitas. Como uma empresa que declara o Simples, sem grandes receitas, pode ter comprado milhões em imóveis?

A resposta de Félix foi simples e um tanto evasiva, mas não deixou margem para dúvida naquela ocasião:

- Não, está errado aí (na denúncia). A empresa não é declarante do Simples.

Ele alegou que não tinha como provar naquele momento, mas que poderia fornecer as declarações de renda da empresa posteriormente para confirmar o que dizia.

Pois bem. Exatamente dois meses depois, em 25 de janeiro, Félix falou à comissão processante (CP) da Câmara Municipal na condição de réu. Parte do depoimento foi pública e parte secreta. Após os trabalhos, em entrevista à imprensa, o agora prefeito afastado informou ter entregue aos membros da CP, entre outros documentos, a Declaração Anual do Simples Nacional da Fênix entre 2009 e 2011 (referentes ao ano-base 2008 a 2010). Isto consta nas reportagens publicadas pela imprensa (leia aqui).

Daí a conclusão que Félix mentiu numa ocasião ou em outra. E, considerando que disse ter entregue à CP as declarações do Simples Nacional da Fênix Plantas, volta-se à questão inicial:

- Como uma empresa que declara o Simples, sem grandes receitas, pode ter comprado milhões em imóveis?

Eis a resposta que Félix ainda não forneceu...

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Resumo do mês

Um velho ditado diz que "uma imagem vale mais do que mil palavras...". Pois a imagem a seguir resume o que foi o mês de janeiro em Limeira:


A imagem foi feita a partir da janela da cozinha da TV Jornal, na Vila Cláudia, num final de tarde qualquer.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Nos bastidores, Félix busca recuperar apoio

Coisas estranhas começaram a ocorrer nesta quinta-feira nos bastidores do mundo político, em Limeira. Curiosamente, todas envolvem o prefeito afastado Silvio Félix (PDT). Curiosamente, ocorrem um dia após o depoimento dele à comissão processante da Câmara Municipal e no dia em que o pedetista sofreu uma pesada derrota no Tribunal de Justiça, que rejeitou seu recurso para tentar voltar ao cargo (leia aqui).

Vamos aos fatos. A manifestação a seguir foi postada pelo presidente em exercício da Câmara, Raul Nilsen Filho (PMDB), em seu perfil no Facebook:


Tive uma "SURPRESA" a poucos minutos atrás quando no final do expediente com meus funcionários na Câmara Municipal recebi a visita do prefeito afastado Silvio Felix, sem avisar e sem ser convidado!!!!!(encontrei-o na porta da minha sala,após já ter adentrado o espaço da presidência!!!!).Ele me solicitou se poderia ser convocada uma reunião com os vereadores para que ele desse explicações e mostrasse documentos que elucidavam rendimentos de empresas da família.Lógico que eu disse que não seria possivel fazer isso sem que fosse feito em forma de ofício e tramites legais já que alguns destes documentos poderiam estar na comissão processante e isso poderia de alguma forma prejudicar o seu andamento.Ele disse entender e que faria isso de maneira formal. "ESTRANHO!!!!!!"
(sic)

Os demais fatos não podem ser tornados públicos. Fontes ouvidas por este blog garantem que Félix - sentindo que seu mandato subiu no telhado e que perde apoio a cada dia - decidiu partir para o tudo ou nada. Para isso, tem apostado no contato pessoal, inclusive com apelos em prol de "justiça". É uma tentativa de recuperar algum apoio neste momento delicado.


Se vai funcionar, só o tempo dirá. 


Por enquanto, os passos de Félix têm se mostrado cada vez mais ineficazes, com efeitos contrários ao que ele pretende.


* Colaborou o jornalista Carlos Giannoni

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Efeito colateral

Em que pesem as ameaças a jornalistas, a crise política que se instalou em Limeira desde o dia 24 de novembro último teve um efeito bastante positivo na imprensa: separou, de modo escancarado, o joio do trigo.

De um lado, gente nova e velha que trabalha duro todos os dias, de modo honesto e digno, cumprindo seus deveres profissionais.


De outro, gente nova e velha que mama nas tetas do poder - estes estão perdendo espaço (e nem é preciso muito esforço para reparar).


Se quisermos construir uma cidade melhor, a faxina em Limeira deve passar também pela imprensa.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Um prefeito no banco dos réus


O prefeito afastado Silvio Félix (PDT) falou hoje à comissão processante (CP) da Câmara Municipal que o investiga por possível corrupção (a família dele é alvo de apuração do Ministério Público por suposto enriquecimento ilícito). O depoimento começou por volta das 10h e seguiu até por volta das 17h30 – apenas parte dele foi pública.


Durante todo o tempo, Félix insistiu em dois pontos: 1) não pôde fazer cópias dos documentos da denúncia e 2) não podia dar detalhes das empresas de sua família, já que se trata de negócios de terceiros (oficialmente, o prefeito deixou as empresas em 2004, pouco antes de assumir o mandato).

Muitas pessoas perguntaram minhas impressões sobre o depoimento de Félix. A uma questão dessa magnitude (pela primeira vez na história recente da cidade um prefeito foi à Câmara para ocupar o banco dos réus da política, podendo ter seu mandato cassado), não cabe só um ponto de vista.

Então vamos lá.

Do ponto de vista de Félix, por mais que populares presentes à Câmara não tenham gostado, foi feito o jogo legítimo de autodefesa. Não se podia esperar muito mais de quem está numa posição tão delicada como a dele – ameaçado de perder o mandato. Félix se defendeu com as armas de que dispunha. E de modo legal (inclusive ao pedir parte da reunião de modo secreto para expor documentos).

Do ponto de vista da comunidade, foi um depoimento naturalmente decepcionante. O prefeito se esquivou de dar as explicações que todos esperavam. Fazendo uso dos recursos já citados, preferiu praticamente calar-se. Para o povo, passou a impressão de que não sabia se explicar, não tinha como se explicar. Falou-se no velho ditado de “quem não deve, não teme”.

Do ponto de vista jurídico, Félix optou pela cautela. Não falou para não correr risco de se comprometer. Foi uma estratégia pensada previamente. Algo assim: entre o povo e a lei, preferiu se preservar perante a lei.

Concretamente, o efeito do depoimento de Félix sobre o relatório a ser elaborado pelo vereador Ronei Martins (PT) é quase nulo. O mesmo vale perante a opinião pública (aliás, sendo rigoroso, neste quesito o prefeito afastado perdeu pontos). O jogo, porém, é no plenário, com 14 vereadores – e Félix precisa de apenas cinco votos.

Se perder o jogo político, restará o jurídico. Por isso as devidas cautelas (o prefeito parece decidido a alegar cerceamento de defesa e falhas na comissão no caso de uma eventual cassação).

Em tempo: o presidente da CP, vereador Miguel Lombardi (PR) e a assessoria jurídica da Câmara garantem que Félix e seus advogados tiveram acesso a todo o material da investigação. Do que era público, não fizeram cópia porque não quiseram. Do que era sigiloso, as cópias não eram permitidas sequer para os próprios membros da comissão.

PS: lamentável a atuação dos vereadores Nilce Segalla (PTB), Antonio Braz do Nascimento "Piuí" (PDT) e Almir Pedro dos Santos (PSDB) na comissão. Pelas perguntas ridículas que fizeram e pela pouca participação, parece que nem se deram o trabalho de ler os documentos da investigação. Depois reclamam das vaias do povo...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Frase

"Amor e desejo são coisas diferentes. Nem tudo o que se ama se deseja e nem tudo o que se deseja se ama."
Miguel de Cervantes, escritor e dramaturgo espanhol

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Homenagem a Londres (2)

Recentemente, postei neste blog um vídeo incrível em homenagem a Londres, a capital do Reino Unido. Trata-se de uma produção de Moritz Oberholzer. Ele filmou o cotidiano da cidade a partir dos tradicionais ônibus vermelhos de dois andares. 

Além do vídeo, Moritz fez também um trabalho fotográfico. Algumas imagens podem ser vistas na galeria "London Bus Tour", no Flickr, acessada por
aqui. São 49 fotos de pessoas e prédios em situações diversas.

Vale a pena conferir!


A seguir, três exemplares para deleite dos leitores deste modesto blog:




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Reflexões sobre as adversidades

"Tu ficas indignado e te queixa! Não compreendes que todo o mal provém não do que acontece, mas sim de tua indignação e de tuas reclamações? (...) Perdas, ferimentos cansaços, inquietudes me assolam? São coisas que acontecem. Indo além, elas devem acontecer, pois não são obras do acaso, estavam determinadas."
(Sêneca, em “Aprendendo a viver”, L&PM Pocket, p. 97)

"(...) para melhor equilibrar tua alma, dize a ti mesmo, cada vez que algo saia ao contrário do que esperavas: 'Os deuses julgaram melhor do que eu'.

(...) Desprezível é a alma obcecada pelo futuro, é infeliz antes da infelicidade, deseja ter para sempre as coisas que lhe causam prazer. Não terá descanso, e a necessidade de querer conhecer o futuro lhe fará deixar de lado o presente que poderia ser melhor desfrutado. Temer a perda de algo é o mesmo que já não tê-lo mais consigo."
(Idem, p. 100)

"As dificuldades não são a causa da nossa falta de audácia; é nossa falta de audácia é que cria a dificuldade."
(Idem, p. 130)

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"Democracia patológica": eleição e corrupção

A crise política que se instalou em Limeira desde a megaoperação do Ministério Público detonada em 24 de novembro último - quando foram presas 12 pessoas ligadas ao prefeito Silvio Félix (PDT), entre elas a primeira-dama Constância, os filhos Murilo e Maurício, cunhados e funcionários de empresas da família, todas acusadas de enriquecimento ilícito - trouxe à tona uma discussão bastante pertinente e complexa: a necessidade de uma reforma política.

Trata-se, como se sabe, de um tema nacional. No Congresso, propostas são debatidas há anos, sem que algum passo concreto seja dado (obviamente, mudar as regras do jogo político vai afetar aqueles que se beneficiam do “status quo”, daí tal reforma ser uma tarefa difícil).

O fato é que os brasileiros em geral – e os limeirenses em particular - temos assistido a uma sucessão de escândalos envolvendo aqueles que elegemos para nos representar. Isto torna inevitável uma pergunta: a democracia representativa funciona?

Naturalmente, não se trata de uma crise do sistema, mas sim da forma como ele é aplicado.

Temos no Brasil, como bem definiu hoje o secretário jurídico da Câmara de Limeira, Luiz Fernando César Lencioni, uma “democracia patológica”. Dou crédito ao autor não só por uma questão de justiça, mas também – e principalmente – por se tratar de uma definição fulcral, que toca no cerne do problema.

Há em todos os escândalos uma raiz comum e ela está diretamente ligada à forma como a democracia representativa é aplicada no Brasil, ou seja, o nosso modelo eleitoral.

Qualquer candidato, para se eleger, precisa estabelecer uma base partidária forte. Isto pode se dar com um único partido (o que é raro) ou com um arco de alianças. Em tese, as alianças deveriam privilegiar a proximidade ideológica. Na prática, porém, têm mais importância a matemática dos votos e do coeficiente eleitoral e a futura distribuição de cargos.

Não bastasse isso, eleição custa caro. Sendo assim, qualquer candidato precisa angariar apoio financeiro. Em tese, este apoio deveria vir por identificação ideológica com o plano de governo e a ideologia partidária. Na prática, porém, prevalece a troca de favores. Paga-se hoje e cobra-se a conta amanhã, como disse o próprio Félix no ano passado.

Segundo o prefeito hoje alvo de investigação, a eleição do próximo chefe do Executivo em Limeira deverá custar cerca de R$ 5 milhões. Quem vai pagar essa conta? O candidato? O partido? Os apoiadores? Em troca de quê?

Nas respostas a essas questões residem as atuais crises que se arrastam pelo país.

Isso leva a uma conclusão óbvia: enquanto o modelo eleitoral brasileiro não for alterado (fala-se em voto distrital, listas partidárias e financiamento público das campanhas), os escândalos vão se reproduzir como o mais evidente reflexo de um sistema feito para favorecer as negociatas e não o interesse público.

E para mudar o atual modelo, tem-se necessariamente que mudar aqueles com poder de decisão, ou seja, nossos legisladores. A bola, portanto, está com cada um de nós, eleitores.

Depois, não adianta reclamar...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Rir e chorar

Sorrir chorando
É o contraste de viver
Às vezes estamos rindo
Sem ao menos saber o porque

(“Sorrir Chorando”, de Eduardo [?], interpretada pela banda Catch Side)

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A saber

O prefeito Silvio Félix (PDT) subiu no telhado...

PS: a Câmara de Limeira aprovou nesta segunda-feira, por unanimidade, em primeiro turno, projeto do vereador Mário Botion (PMDB) que acaba com votações secretas. A proposta, votada em regime de urgência (aprovada também por unanimidade), ainda precisa passar por um segundo turno de votação antes de entrar em vigor.

Segundo o vereador, trata-se de uma forma de não pairar dúvida sobre a possível votação de cassação do mandato de Félix em fevereiro e outras questões cuja Lei Orgânica do município ainda previa votação fechada (contrariando um decreto-lei nacional). Envolvido em denúncias de enriquecimento ilícito de sua família, o prefeito é alvo de uma comissão processante na Câmara.

Em tempo: está mais do que claro que Félix perdeu toda a sustentação política na Câmara – principalmente quando a comunidade se faz presente. Diante da pressão popular e de olho nos votos em outubro, cada um quer salvar a sua pele. E, nestas horas, políticos são como passageiros num naufrágio: salve-se quem puder...