segunda-feira, 30 de junho de 2014 | | 0 comentários

O PT de hoje

Deu na "Folha de S. Paulo":

Em Alagoas, só um petista se animou disputar cadeira de deputado. Por decisão de Lula, o partido apoiará Renan Filho (PMDB) ao governo e Fernando Collor ao Senado (PTB).

Que fase! E depois os petistas querem dizer o quê?

Quem te viu, quem te vê, PT... Pensar que um dia Luís Inácio falou...

***

Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou
São trezentos picaretas com anel de doutor
Eles ficaram ofendidos com a afirmação
Que reflete na verdade o sentimento da nação
É lobby, é conchavo, é propina e jeton
Variações do mesmo tema sem sair do tom
Brasília é uma ilha, eu falo porque eu sei
Uma cidade que fabrica sua própria lei
Aonde se vive mais ou menos como na Disneylândia
Se essa palhaçada fosse na Cinelândia
Ia juntar muita gente pra pegar na saída
Pra fazer justiça uma vez na vida
Eu me vali deste discurso panfletário
Mas a minha burrice faz aniversário
Ao permitir que num país como o Brasil
Ainda se obrigue a votar por qualquer trocado
Por um par se sapatos, um saco de farinha
A nossa imensa massa de iletrados
Parabéns, coronéis, vocês venceram outra vez
O congresso continua a serviço de vocês
Papai, quando eu crescer, eu quero ser anão
Pra roubar, renunciar, voltar na próxima eleição
Se eu fosse dizer nomes, a canção era pequena
João Alves, Genebaldo, Humberto Lucena
De exemplo em exemplo aprendemos a lição
Ladrão que ajuda ladrão ainda recebe concessão
De rádio FM e de televisão
Rádio FM e televisão
("Luís Inácio [300 Picaretas]", de Herbert Vianna)

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Trabalhando...

Estrangeiros estão descobrindo um Brasil além da Copa:


Presença de estrangeiros na Copa é legado positivo para o Brasil:

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Se há justiça no futebol, a Copa não será do Brasil

O jogo contra o Chile mostrou claramente que o Brasil não tem time para ganhar a Copa do Mundo - seja do ponto de vista técnico (o meio-campo não existe) ou emocional (a carga de jogar em casa paralisou o time nitidamente).

Se no futebol deve vencer o melhor, não era o Brasil que deveria ter saído vencedor da disputa por pênaltis. O Chile controlou o jogo no segundo tempo e na prorrogação.

Agora é a vez da Colômbia - quatro jogos, quatro vitórias, artilheiro da Copa. Uma campanha disparadamente melhor que a do Brasil (duas vitórias e dois empates).

Por justiça, quem deve avançar são os colombianos. Uma Copa não pode ter um campeão do mundo com campanha tão modesta quanto a que a seleção brasileira faz até o momento.

Mas quem disse que o futebol é justo? E que o melhor vence sempre?

Por isto, o Brasil pode sim ganhar o hexa, mas se assim for, dificilmente algum cronista ou torcedor mais lúcido poderá dizer que o melhor time venceu.

A esta altura, já deu para perceber que não há uma grande seleção (as tão faladas Alemanha, Holanda e Argentina sofreram para ganhar jogos). Talvez a França esteja despontando - e ninguém deu atenção devida a ela...

O fato é que o Brasil não faz por merecer.

Contra o Chile, meu senso de justiça (às vezes um tanto extremo) me impediu de torcer pela seleção. Não torci contra, apenas não senti entusiasmo para torcer. Não vi em campo um time com perfil e potencial de campeão. Apenas assisti ao jogo - meio sonolento com tamanha falta de qualidade.

Ok, torcida não precisa ser racional, aliás é bem emocional mesmo, mas eu não sou assim...

Até gostaria, honestamente, que o Brasil ganhasse, por jogadores como Júlio Cesar, David Luiz, Thiago Silva e alguns (poucos) outros. Estes me dão orgulho. E só. 

***

Da parte da torcida, parece prevalecer uma exagerada dose de ignorância, que se manifesta por comportamentos agressivos e xingamentos, a tudo e a todos, pela falta de modos em relação às demais pessoas (aos vizinhos e aos moradores da vila Madalena, em São Paulo, por exemplo) e por um ufanismo despropositado.

Não compartilho de sentimentos nacionalistas diante de uma Copa do Mundo. Sou pragmático - minha vida não vai mudar com uma eventual vitória ou derrota da seleção brasileira. Acompanho os jogos porque gosto de futebol e até vibro com tudo o que envolve um Mundial, mas passo longe de comemorações que pretendam passar um sentimento inexistente de nação, do tipo "estamos unidos" ou "unidos pelo Brasil" ou ainda "todos juntos".

Somos um país extremamente desigual, dos mais desiguais do mundo. Vivemos numa sociedade egoísta, individualista, em que cada um quer tirar proveito do outro. Louvamos o tal "jeitinho", que muitas vezes implica em trapacear. Nosso senso de justiça é quase nulo. 

Portanto, não caio na tentação das Copas de fingir, por um mês, que somos todos iguais, uma só torcida. Para mim, o "Vai Brasil" não significa nada - ou significa ir para onde quer quer seja.

Reforço: isto não quer dizer que eu não aprecie a festa do futebol ou não queira participar dela. Curto. Como uma festa, um espetáculo esportivo, um grande evento comercial, nada mais do que isto.

A "guerra" entre nações é algo fora de contexto para mim.

Leia também:

- Brasil vai indo, medíocre até nos pênaltis

- Drama contra o Chile expõe virtudes, defeitos e nervos à flor da pele

- A lição da Copa

quinta-feira, 26 de junho de 2014 | | 0 comentários

Uma outra visão do Brasil

(...) Em vez de se esconder com medo do turbilhão político que contagiou a sociedade brasileira, nossa diplomacia deveria tirar vantagem da energia cívica que daí emana.

Dos rolezinhos aos protestos, do embate pela desmilitarização da polícia às cotas raciais, da Lei de Responsabilidade Fiscal à da Ficha Limpa, somos um país em ebulição. Essa é a mensagem que vai nos ajudar a reduzir o deficit global de informação a respeito daquilo que somos e daquilo em que estamos nos transformando a passo acelerado.

Fonte: Matias Spektor,
“A virada”, Folha de S. Paulo, Mundo, 25/6/14.

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Um pedaço da Holanda no Brasil

Estive recentemente em Holambra, na região de Campinas, para gravar uma reportagem a respeito da Copa do Mundo. A cidade, de 12 mil habitantes, surgiu fruto da colonização de holandeses, que criaram uma espécie de distrito - depois elevado a município.

Pelo trabalho do paisagista Jan Boon, Holambra se vestiu de verde, amarelo e laranja, as cores das bandeiras do Brasil e da Casa Real Holandesa.



   

   
  





   
Como lá é a capital nacional das flores (a cidade responde por 45% do mercado brasileiro de flores e plantas ornamentais e sedia há mais de 30 anos a Expoflora, maior exposição do setor na América Latina), até as placas de trânsito são turísticas:









Em tempo: a reportagem que eu citei pode ser vista aqui.

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Apenas versos

Olha lá vem o sol, vai chegar novo dia
Lá vou eu inventar esperanças de novo
(...)

Nessa altura da vida eu não acho direito
Passar noites em claro assim relembrando
(...)

Essa mistura de saudade e de dor
É um preço que eu cansei de pagar
(...)
Lá vou eu me desculpar outra vez
Na esperança de você perdoar.

(“Vida Minha”, de Peninha)

terça-feira, 24 de junho de 2014 | | 0 comentários

Reflexão para os jornalistas

Para a imprensa refletir: para estrangeiros, a violência no Brasil “parece maior nas páginas de jornal que nas ruas”.

Algo me parece errado quando o que se vê no mundo real não é exatamente o que a imprensa - cuja função é reproduzir fatos - escolhe noticiar.

Não se trata, absolutamente, de esconder fatos, mas de buscar um necessário equilíbrio para garantir um retrato mais próximo possível da sociedade.

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Trabalhando...

Existem políticos sem mordomias? Sim, na Suécia...



Polícia tenta identificar "black blocs" que destruíram lojas:

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Uma medida para os governos

Mais do que qualquer projeto, programa, medida ou pesquisa, para mim o melhor indicador para avaliar um governo - qualquer governo, federal, estadual ou municipal - é responder a uma simples pergunta: a vida do cidadão está melhor?

Importante: a resposta deve considerar sempre o período de um mandato, não mais que isto, já que por definição e lógica cada governante deve se empenhar para deixar melhor o que recebeu - a cidade, o Estado ou o país.

Infelizmente, pelo que vejo nas ruas, os governos em geral estão reprovados.

São incapazes de melhorar o transporte de modo significativo, de deixar as cidades limpas e bem cuidadas, de tornar as ruas mais seguras e bonitas, de melhorar a qualidade da educação, de fazer algo ousado, novo e criativo - aliás, alguns são incapazes até mesmo de fazer o óbvio.

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A vida cobra, por isso pense antes de agir

Arrisco-me a uma sentença que parecerá definitiva: numa visão de longo prazo, a humanidade tende à evolução e à bondade.

Dito assim, num momento em que o mundo se apresenta violento, intolerante e egoísta, até parece uma sentença absurda e sem fundamento. É preciso, portanto, olhar num grande retrovisor da história e num grande projetor do futuro.

Vamos, pois, ao microcosmo da sentença. Há um ditado que diz: “Não faça para o outro o que não gostaria que fizessem para você”.

Traiu alguém - seja um amigo, um amor ou uma empresa? Participou de uma traição/adultério ou colaborou para que isto ocorresse? Tirou vantagem indevida do outro? Falou maldades? Pregou a divisão ou contribuiu para que ela se desse? Foi rancoroso, alimentou ou semeou o ódio?

Se age ou agiu assim, tenha certeza de que na vida “o que se faz, paga-se” e que “colhe-se o que se planta”.

O “troco” não virá necessariamente na mesma moeda. Ou seja, não é porque traiu ou participou de uma traição que será obrigatoriamente traído (embora eu já tenha visto isto). A vida irá “cobrar” seus atos, mas de formas que a própria razão desconhece.

A lei do universo é mais sutil do que pensamos, mas o fato é: o que se fez para outro em algum momento, de alguma forma, voltará para você. Alguns chamam isto de "lei do retorno".

Então você pode pensar: se cometi um erro, é inevitável que eu pague por ele?

De alguma forma sim, mas a vida e o universo são tão sagazes e perfeitos que dão ao ser humano a oportunidade de corrigir eventuais equívocos. Para isto, há três passos (e o trabalho só estará completo se TODOS estes passos forem dados): verdade, perdão e reconciliação (consigo, com outrem, com o mundo).

Por isto, neste permanente processo de depuração, creio que o mundo tende ao bem. O processo é longo, bem longo, leva gerações, mas um dia a humanidade há de chegar lá.

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Resposta (bem-humorada) aos "hermanos" argentinos

Legal, então jogadores argentinos comemoraram a vitória (apertadíssima e injusta, registre-se!) contra o "fortíssimo" Irã na Copa do Mundo tirando sarro do Brasil...



Para quem não entendeu, porque realmente é difícil entender, a música diz mais ou menos o seguinte: "Brasil, me diz como é ter em casa o seu 'papai' (referência a Maradona). Eu juro que mesmo que passem os anos nós nunca vamos esquecer que Diego te driblou, Canniggia te ferrou e que vocês estão chorando desde a Itália até hoje (referência à derrota brasileira para a Argentina na Copa da Itália por 1 a 0). E o Messi vocês vão ver que a Copa ele vai trazer. E Maradona é maior do que o Pelé".

Realmente deprimente um time ter que comemorar - para zombar do outro - um vice-campeonato... Pois até onde me recordo a Copa da Itália foi vencida pela Alemanha contra a Argentina. "Hermanos" argentinos, vocês não têm nada melhor para comemorar sobre o Brasil?

Outra perguntinha: quantas estrelas vocês têm no peito mesmo? Duas... Ah, só para saber... (não custa lembrar que a Copa de 78, lá na Argentina, foi um dos maiores escândalos do futebol mundial, não é mesmo?). Só gostaria de lembrar que o Brasil tem cinco.

Ah, e se uma vitoriazinha que não levou a nada numa Copa do Mundo é só o que vocês têm a comemorar sobre o Brasil, ou seja, se vale qualquer joguinho, então que tal relembrar o TÍTULO brasileiro sobre a Argentina na final da Copa das Confederações da Alemanha em 2005?

Placar? 4 a 1...



Em tempo: é bom mesmo que Messi leve a Copa porque assim, quem sabe, vocês terão de fato algo a comemorar porque já se vão 28 anos né...

PS: eu citei em postagens anteriores que rivalidade esportiva vale!

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Frase

"Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liberdade."
Fernando Pessoa, poeta português, no "Livro do Desassossego" (p. 70)

quinta-feira, 19 de junho de 2014 | | 0 comentários

O caminho (fácil) para a audiência

Outro dia, fazendo uma reportagem que necessitou de um depoimento mais dramático de uma mãe que perdeu o filho assassinado, comentei com um colega da equipe: “Está vendo, é fácil dar audiência na TV. Está cheio de histórias de desgraças humanas, sejam frutos da violência ou de doenças. Basta explorar”.

O comentário, claro, foi em tom irônico. Não pretendia fazer isto nem este é o objetivo do trabalho desenvolvido pela TV Cultura (em tempo: há uma recomendação expressa da chefia de Jornalismo para não explorar lágrimas alheias nas reportagens, pois a desgraça basta por si).

A questão me veio à mente recentemente ao ler um artigo assinado por Mauricio Stycer, colunista de TV do UOL. “Dois programas da Record têm investido num gênero perigoso, que mistura jornalismo com entretenimento, sem medo algum do ridículo”, escreveu. Ambos, segundo o colunista, vêm “cometendo barbaridades para alavancar a audiência”.

Antes de mais nada, é preciso lembrar o que os bancos das faculdades de Jornalismo ensinam (ou devem ensinar): jornalismo e entretenimento não se misturam – e quando se misturam, a notícia é prejudicada e a verdade ameaçada.

Vide a cobertura que algumas emissoras fazem de certos eventos esportivos dos quais são parceiras.

Voltando ao cerne da questão, Stycer rebate o argumento de que a televisão precisa ser popular.

Difícil dizer o que não é "para o povo" na TV aberta brasileira. Há de tudo, de atrações que fazem o espectador pensar até aquelas que, mais grosseiramente, o seduzem com prêmios ou aviõezinhos de dinheiro. 
O caso em questão é de outra ordem. O que assusta em apelações como "será que Michael Jackson está vivo?" é o descaramento. Os envolvidos em operações "jornalísticas" deste naipe sabem exatamente o que estão fazendo e, possivelmente, acham graça. É literalmente um vale-tudo em nome da audiência. 

E, não custa lembrar, dar audiência (a qualquer custo) não é tão difícil assim...

Complemento postado em 24/6/14 - Em referência à junção entre jornalismo-entretenimento nos grandes eventos, vale ler o artigo cujo trechos reproduzo a seguir:

(...) A TV aberta é uma espécie de negativo das redes sociais. Em vez da falta de filtro, o filtro em excesso. Em vez da particularidade magnificada, a generalização sem diferenças. Se no Twitter o início da Copa foram protestos, greves e transtornos causados pela parceria Don Corleone-Didi Mocó que a organiza - o que é verdade -, em LCD o torneio vem sendo uma festa contínua cujo motor é a paixão de multidões - verdade também. 
 Claro que há nuances aí. Há esforço das emissoras em sair da armadilha dos extremos. "O que a Globo não mostra" é o que a Globo mostra, sim, porém menos do que deveria - em momentos secundários da cobertura, em menções demasiadamente rápidas. O mantra dos locutores é algo como "todos têm direito de se manifestar, mas tudo tem hora". A oração adversativa é a senha para que a euforia continue, agora sem pudor. 
Por outro lado, e mesmo que a mistura entre jornalismo e entretenimento (ou departamento comercial) seja fato há muitas Copas, há uma novidade simbólica e incômoda em 2014. A mesma Globo que não faz merchandising explícito, ao menos na boca de seus locutores, desistiu de parecer neutra no principal produto de seu pacote. Quem opina sobre o campeonato da Fifa nos jogos do Brasil é Ronaldo Nazário, que presta serviços à Fifa. (...) 
Fonte: Michel Laub, “Copa na TV aberta”, Folha de S. Paulo, Ilustrada, 20/6/14.

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Um passeio pelo MAM

Para quem gosta de arte moderna, o MAM (Museu de Arte Moderna) de São Paulo é uma boa pedida.





Na grande sala, estava em exibição a coleção Fadel de arte construtiva, que explora "os caminhos da abstração geométrica". 


Tinha ainda trabalhos de Lygia Clark e Hélio Oiticica, além de Tarsila do Amaral e até Di Cavalcanti (abaixo):


Na sala de fotografia, "Podres poderes - poder provisório" trazia imagens impressionantes que contam um pouco da história recente do Brasil. "O poder das imagens se manifesta como imagens do poder", cita o folder da mostra. "A história apresentada (...) é ao mesmo tempo passada e presente. Na verdade, é presente porque resulta de um passado que parece se perpetuar de maneira quase inalterada".


Em tempo: as exposições citadas aqui terminaram em 15/6. A postagem serve como aperitivo visando despertar interesse pelo museu. O MAM fica no Parque do Ibirapuera e é grátis.

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A "latinidade" dos nossos vizinhos

Recentemente, tive a oportunidade de entrevistar um peruano e um colombiano. Ambos falaram da Copa do Mundo no Brasil. E manifestaram um sentimento sul-americano que, sinceramente, creio estar um pouco distante de nós, brasileiros.

Ao ser questionado para quem torceria no Mundial, o peruano apontou Brasil e Argentina. Brinquei que ele devia escolher um ou outro, mas não poderia torcer para ambos. A resposta: “Sim, Brasil e Argentina. A Copa é na América do Sul, a taça tem que ficar na América do Sul”.

Já o colombiano disse que torceria, obviamente, para a seleção de seu país e mais o Brasil, a Argentina, o Chile, o Uruguai... “Todos os sul-americanos, a Copa tem que ficar aqui!”, justificou.

É preciso considerar que os dois torcedores não têm seleções com possibilidades reais de ganhar uma Copa – o Peru sequer se classificou para o Mundial. Daí a opção por outros países.

Para nós, brasileiros, vislumbrar o título para o Brasil é algo factível. Impensável, portanto, escolher outra seleção.

Feita a ressalva, não posso deixar de registrar que chamou minha atenção a exibição do que classifiquei de “latinidade” por parte do peruano e do colombiano.

Andando pela América do Sul e Central nos últimos meses, percebi dois fatos:

1 – temos uma história semelhante (ex-colônias exploradas, que se desenvolveram nos últimos dez anos, viram a economia crescer, mas ainda têm enormes desafios pela frente);

2 – há um sentimento comum entre nossos irmãos latinos, unidos que estão pelo idioma, o mesmo que nos separa do restante do continente.

Não noto entre nós, brasileiros, esta tal “latinidade” a que me refiro. Pelo contrário, arrisco dizer que temos um certo sentimento de superioridade em relação ao restante do continente (EUA e Canadá à parte), notadamente em relação aos vizinhos do sul.

Teríamos, de fato, uma posição imperialista? Somos vistos assim por nossos vizinhos?

O fato é que nos sentimos à parte na América do Sul. Meio como se fôssemos a parte rica e bem sucedida de um continente subdesenvolvido.

Como se não tivéssemos nossa parcela de culpa no subdesenvolvimento histórico (vide a Guerra do Paraguai). Como se não compartilhássemos os mesmos desafios e problemas. Como se não fôssemos, afinal, todos sul-americanos.
 

terça-feira, 17 de junho de 2014 | | 0 comentários

A crônica falta de educação brasileira

(...) Na raiz e na forma daquele fato está a realidade de que os brasileiros não têm educação nenhuma. (...)

A cafajestice é a regra, sem diferenciação entre as classes econômicas. Na vulgaridade da linguagem, na indumentária "descontraída", na ganância que faz de tudo um modo de usurpar algo do alheio, na boçalidade do trânsito, nos divertimentos escrachados, na total falta de respeito de produtores e comerciantes pelo consumidor, enganado na qualidade e furtado no valor - em tudo é o reinado do primarismo mental e dos modos da falta de educação.

O baixíssimo nível moral e intelectual do Congresso, o comercialismo dos dirigentes políticos e dos partidos, o negocismo que corrompe as administrações públicas, tudo isso é a própria falta de educação, invasiva e ilimitada. E crescente. (...)

Fonte: Janio de Freitas,
“O que se perdeu”, Folha de S. Paulo, Poder, 17/6/14.

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Trabalhando...

Micro e pequenas indústrias estão pessimistas com a economia:


Projetos bizarros se espalham pelos legislativos do país:

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Os jornais e o jornalismo têm futuro, diz Carr

(...) Ele (o jornalista David Carr) diz não ser pessimista em relação ao jornalismo e aos problemas que enfrenta devido à queda de circulação dos diários impressos e a competição com a internet.

"Pelo contrário, é uma época estimulante para estar no jornalismo. As pessoas vivem me perguntando se há futuro para o ofício, e eu respondo que, se alguém me dissesse há alguns anos que um blogueiro do (jornal britânico) ‘Guardian’ daria o furo do século, não acreditaria", diz Carr.

"Um fenômeno como o Wikileaks surgiu e precisou de jornais tradicionais para dar forma ao seu conteúdo. E, ainda, o dono da Amazon acaba de comprar o Washington Post'. Não me interesso tanto pelo futuro mais distante, mas sim pelo que vai acontecer agora, e o panorama é estimulante", defende.

Ativo em blog e no Twitter, por outro lado, Carr admite que há um risco na perda de leitores dos jornais impressos, embora reafirme a importância dos grandes jornais.

"Há métodos e modos de tratar certos assuntos, de cobrir os bastidores da política, que não vão ser suplantados por posts no Facebook ou tuítes. Considero ainda importante que existam grandes organizações por trás do ofício."

Para Carr, porém, discutir se o digital matará o impresso é uma abordagem equivocada. "Esses dois mundos já caminham juntos. E já há uma maneira de imaginar novas estratégias, de mudar a relação com o consumidor de notícias e com a produção de conteúdos, integrando novos atores e organizações."

Acrescenta, ainda, que considera as novas gerações muito bem informadas. "Eu convivo com gente jovem, tenho filhas, dou aulas. Eles sabem muito. Pode-se questionar a qualidade, mas não há como negar que a informação tem lugar importante na nossa sociedade", afirma.

Fonte: Sylvia Colombo, "A novela da mídia", Folha de S. Paulo, Ilustrada, 2/6/14.

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Frase

"Para mim, antes morto do que banal."
Daniel Alves, jogador de futebol, lateral direito da Seleção Brasileira e do Barcelona, em entrevista à revista "Top Magazine"

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O MAC é pura diversão!

O renovado MAC (Museu de Arte Contemporânea) de São Paulo é uma boa opção de diversão - além de ser gratuito. Para quem curte arte e, em especial, a irreverência e as maluquices da arte contemporânea, é um prato cheio.


Há algum tempo, o museu se mudou para uma nova casa, a antiga sede do Detran, ao lado do Parque Ibirapuera. O acesso é fácil: basta pegar a passarela no portão 3 do parque.


Um dos trabalhos mais interessantes em exposição (até 30 de novembro de 2014) é "Transarquitetônica", de Henrique Oliveira. Ocupa um grande espaço e é interativo.

Trata-se, em resumo, de um grande labirinto que culmina numa espécie de túnel, feito com materiais que vão do tapume de madeira a blocos de cimento. Do alto, parece um tronco de árvore gigante (as raízes de fato estão lá e é assim que a obra começa), até virar uma espécie de barraco e depois alvenaria. O legal é que os visitantes atravessam a obra por dentro, escolhendo entre diversos caminhos que surgem.

Travessias e passagens, aliás, são uma constante na obra de Oliveira. "Vivenciando seus diversos ambientes, ao mesmo tempo em que recebe vários estímulos que envolvem praticamente todos os seus sentidos, o visitante é instado a refletir sobre as diversas transformações passadas pela arquitetura desde o racionalismo modernista - que é a tônica que rege o edifício de Niemeyer onde a peça está inserida - até as cavernas que serviam de abrigo ao homem e à mulher há milênios", escreve o curador Tadeu Chiarelli no folder de apresentação da obra.

  


Também no MAC, uma das peças mais divertidas (atração imperdível para as crianças) é o gato gigante (são mais de três metros de comprimento) da igualmente gigante Nina Pandolfo. Ah, não deixe de fazer carinho no bichano porque ele gosta - e agradece ronronando.


Vale a pena conferir ainda (até 30 de novembro de 2014) os "Cenários" coloridos e provocativos de Vânia Mignone. "As composições (...) remetem ao outdoor publicitário. Entretanto, Vânia nos propõe outro mundo, em que suas composições revelam-se como enigmas para o espectador. Estamos, quem sabe, diante do subtexto, das entrelinhas, ou da dimensão das nossas vidas que não é dita, nem necessariamente revelada, mas que está ali", anota a curadora Ana Magalhães no folder da mostra.


segunda-feira, 16 de junho de 2014 | | 0 comentários

Eles não entenderam nada (ou o povo com nariz de palhaço)

O PMDB há 20 anos está na base dos governos tucanos em São Paulo e, agora, com candidato próprio, ataca o atual governador por não ter feito as obras do sistema de abastecimento de água previstas desde 2004.

Ora, por que o PMDB não fez o alerta antes e, diante da omissão do governo, não deixou a base de apoio?

O PSC acaba de lançar a candidatura do pastor Everaldo para a Presidência da República mediante críticas ferozes ao governo da presidente Dilma Rousseff. “É um governo ausente, omisso e incompetente”, disse o candidato, segundo a “Folha de S. Paulo”.

Ocorre que o PSC fez parte da base governista até março deste ano. Será que o governo tornou-se “ausente, omisso e incompetente” nos últimos dois meses apenas?

Isto sem contar as recentes alianças do PT com o PP de Paulo Maluf em São Paulo, sem contar as alianças petistas com os “300 picaretas” que Luiz Inácio tanto criticou. Como se não fosse o PT o arauto da ética e da moralidade até 15 anos atrás... (porque os demais partidos sempre estiveram do “lado de lá” mesmo, daí serem normais alianças com Malufs, Renans e Sarneys, mas o PT não, os petistas sempre atacaram e combateram esta gente!).

São apenas alguns exemplos que confirmam a regra de um sistema político doente e viciado.

Como escreveu o jornalista Ricardo Mello em coluna na "Folha":

Políticos em sua totalidade, sem distinção partidária, costumam responder aos críticos das alianças heterodoxas de que participam com uma frase padrão: "Política não se faz com o fígado". Tudo bem, mas se faz também com memória. Cada vez que um candidato do PT aparece numa foto com olhar subserviente diante de um Paulo Maluf, uma legião de gente bem-intencionada torce o nariz. Por essas e por outras eu repito o que disse certa vez: em dia de eleição, só saio da cama depois das cinco da tarde.

Daí se constatar que os partidos e os políticos realmente não entenderam nada dos recados dados pelas ruas nas jornadas de junho de 2013.

Se a eleição deste ano tiver recorde de votos brancos e nulos não terá sido mera coincidência.

Por isto, enquanto não mudar o sistema, o Brasil estará fadado a um eterno mais do mesmo – corrupção, fisiologismo, aparelhamento do Estado, toma-lá-dá-cá.

É, pois, por um novo sistema de representação popular que devemos lutar!

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A lição do banheiro do aeroporto de Cusco

A vida ensina lições nas situações mais simples e inusitadas, em momentos inesperados.

Foi o que ocorreu comigo ao recorrer ao banheiro do aeroporto de Cusco, no Peru. O local fazia jus à antiga fama dos banheiros de aeroportos sul-americanos: era sujo e fétido.

Quando entrei na cabine, notei que o último usuário não havia feito a lição de casa da boa educação, ou seja, apertado a descarga. O trabalho sobrou para mim (outras cabines estavam igualmente sujas).

Ao sair do banheiro, pensei: “bom, ao menos deixei o local melhor do que o encontrei”.

Eis a lição: tudo o que fizermos na vida, das mais simples às mais complexas tarefas, devemos ter como missão ao menos entregar melhor do que recebemos. Isto vale para o ambiente familiar e do trabalho.

Ao refletir sobre a lição do banheiro do aeroporto de Cusco, fiz um breve “revival” mental a respeito da vida. Constatei satisfeito e – confesso – orgulhoso que nas empresas por onde passei sempre deixei os produtos e as equipes melhores e mais estruturados do que encontrei.

Eis um desafio para a vida.

As lições são postas a todo momento – aprendê-las e praticá-las cabe a cada um de nós.

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A bola como ela é...

Aproveitando a Copa do Mundo no Brasil, a Oca - espaço de exposições desenhado por Oscar Niemeyer no Parque do Ibirapuera, em São Paulo - abriga uma mostra que tem como foco a protagonista do futebol: a bola.

O objetivo da exposição "Arte & Bola", porém, não é tratar da dita cuja em seu sentido estrito, como objeto usado para jogar futebol, e sim da esfera em suas múltiplas possibilidades e usos.

O resultado da proposta ficou interessante, inusitado e divertido!









A entrada é grátis.

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Isto é a Copa do Mundo, meus amigos!

(...) Os contribuintes brasileiros pagaram por esses camarotes, assentos que os fãs brasileiros jamais poderiam comprar. Em nome da família Blatter, gostaria de agradecer a vocês. E também um muito obrigado da empresa Taittinger, dona do contrato exclusivo de distribuição de champanhe. O contrato de hospitalidade corporativa de todos os estádios foi concedido por tio Sepp à empresa Match, da qual a empresa Infront, do sobrinho dele, Philippe Blatter, é dona de uma parte. Os proprietários majoritários da Match são os irmãos mexicanos Jaime e Enrique Byrom, trazidos para o mundo dos lucros do futebol algumas décadas atrás por João Havelange.

Os irmãos Byrom são sortudos. Eles têm também um contrato para fornecer todos os 3 milhões de ingressos da Copa do Mundo. Das entradas, 450 mil são reservadas para a elite nos camarotes com seus chefs, garçonetes e estacionamentos privilegiados. (...)

Os brasileiros que percorrem grandes distâncias para assistir aos jogos vão precisar de quartos de hotel, e nisso os irmãos podem ajudar. Tio Sepp deu a eles o contrato da indústria hoteleira (...).

Caso Sepp Blatter queira sair inteiro do aeroporto do Galeão, o Brasil precisa ser campeão da Copa do Mundo. Por isso, se Neymar, Fred ou Hulk quebrarem a perna ou se Marcelo sofrer um mal súbito como ocorreu com Ronaldo, em 1998, não há motivo para preocupação.

Por pior que seja o desempenho da seleção nos campos, Blatter tem muito poder sobre o resultado. No passado, alguns juízes das partidas não passaram de fantoches interessados apenas em viajar pelo mundo, receber quantias vultosas e participar de intercâmbios culturais nos bordéis. (...)

Fonte: Andrew Jennings, “Salvem o futebol das mãos da Fifa”, O Estado de S. Paulo, Aliás, 15/6/14, pg. 2-3.

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Onde foi parar o sonho de L. King?

É inacreditável constatar que existem “940 grupos de ódio em atividade nos EUA hoje, segundo o Southern Poverty Law Center (SPLC), centro que mapeia esse tipo de atividade no país”. “De 2000 a 2013, o número dessas organizações subiu 56%”, informa reportagem da “Folha de S. Paulo”.

É inaceitável ouvir frases como a de “William Johnson, presidente do American Freedom Party, listado como grupo de ódio pelo SPLC”:

"Diversidade e multiculturalismo são sinônimos de genocídio branco. Eu quero que nossas escolas primárias tenham só crianças loiras, de olhos claros, crescendo e aprendendo a ser boas para a comunidade. Eu não quero que nos tornemos o Brasil", disse.

Leia também:

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Trabalhando...

Testes mostram que não há como prever a trajetória de um rojão:


Este ano, amor disputou espaço com o futebol:

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Constatação

Triste (o) fim de Policarpo Quaresma...

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“O novo direito”

(...) A reivindicação não precisa ser justificável para ser um direito. A greve, reivindicatória ou de protesto, é um direito, se não é antissocial. Mas o que ocorre em muitas cidades brasileiras, como o ato violento dos aeroviários dirigidos pela Força Sindical, ou como a surpresa covarde dos metroviários paulistanos comandados pelo PSOL, e ações instigadas pelo PSTU como a violência "black bloc", pertencem a uma categoria nascente. São formas da pretensão de direito à violência contra o que não é violento, nem é responsável por violências econômicas, injustiças sociais nem a má qualidade de serviços públicos.

Essa pretensão de direito à violência cega, uma espécie de imitação da ditadura militar, é um chamariz para a violência contrária. É claro que a tolerância dos governantes tem limites, até porque em jogo está a sua sobrevivência política. É claro que a contenção inofensiva dos atos mais perturbadores, depositada na função das polícias, jamais ficará nos limites da civilidade se houver desafio físico à ação policial. E é o que tem havido. Quase sempre como intenção, mesmo. (...)

Fonte: Janio de Freitas, Folha de S. Paulo, Poder, 15/6/14 (íntegra aqui).

segunda-feira, 9 de junho de 2014 | | 0 comentários

Trabalhando... (no Peru)

Para quem não viu, eis a seguir o “Matéria de Capa” que gravamos – o cinegrafista Daniel Azeredo e eu – no Peru:

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Reflexão (provocação) a respeito da "violência criadora"

(...) duvido fortemente da suposta evidência de que sem movimentos de rua a sociedade deixe de se modernizar. A Revolução Francesa é um fetiche de professores que erotizam a política da violência "criadora". A França, como a Inglaterra, teria se modernizado sem a maldita revolução. A maioria dos movimentos políticos marcados por uma metafísica revolucionária (jacobinos, Rússia, Cuba, China, Vietnã, Leste Europeu até a queda do muro de Berlim e outros) não serviu para nada a não ser para matar seus inimigos com desculpas metafísicas ou enriquecer seus líderes corruptos com o passar do tempo.

É fato surpreendente que o mesmo tipo de gente que se diz contra guerras goza com a ideia de revoluções. (...)

Fonte: Luiz Felipe Pondé, “Hobbes de bike”, Folha de S. Paulo, Ilustrada, 9/6/14.

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Entusiasmo e ação

(...) O que determina nosso modo de agir é a maneira como administramos a nossa vontade.

Um homem é a soma de todas as suas vontades, que determinam sua maneira de viver e morrer.

A vontade é um sentimento, um talento, algo que nos dá entusiasmo. A vontade é algo que se adquire – mas para isso é necessário lutar a vida inteira. (...)

Fonte: blog do Paulo Coelho, “Modo de Agir”, postado em 7/6/14.

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Entre os antigos, Entusiasmo significa transe, arrebatamento, ligação com Deus. O Entusiasmo é Ágape dirigido a alguma ideia, alguma coisa. Todos nós já passamos por isto. Quando amamos e acreditamos do fundo de nossa alma em algo, nos sentimos mais fortes que o mundo, e somos tomados de uma serenidade que vem da certeza de que nada poderá vencer nossa fé. 

Esta força estranha faz com que sempre tomemos as decisões certas, na hora exata, e quando atingimos o nosso objetivo ficamos surpresos com nossa própria capacidade. Porque, durante o Bom Combate, nada mais tem importância, estávamos sendo levados através do Entusiasmo até nossa meta. (...)

Fonte: blog do Paulo Coelho, “Entusiasmo”, postado em 6/6/14.

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Trabalhando...

Na Assembleia Legislativa, deputado do PT se defende de denúncias:



Os detectores de mentiras funcionam?

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“Feitiços do Tempo”

(...) A novidade é um valor crucial para a modernidade. E, como qualquer valor, ela se torna um imperativo: renove-se, invente-se a cada dia. Desconfiamos do conformismo e prezamos o gesto de mudança e de ruptura - "revolucionário" se torna uma qualidade, mesmo sem saber de qual revolução se trate.

Claro, se a novidade e a mudança são valores, a repetição só pode ser aflitiva - a continuidade é uma chatice: o que importa nela é a procura de um ato que empurre o tempo e nossa vida para frente.

(...) Em suma, há culturas (como a nossa) em que o valor supremo é fazer uma diferença, e outras (como a nossa, antes da modernidade), em que cumprir o destino é o valor supremo e reviver sempre o mesmo dia poderia ser um ideal.

O engraçado é que receamos desperdiçar a vida na repetição, mas também temos nostalgia de um mundo dominado pela repetição, sem a obrigação angustiante de encontrar um ato transformador - são nossos sonhos de saída do mundo, de descanso e aposentadorias campestres e praianos, por exemplo. (...)

Fonte: Contardo Calligaris, “Folha de S. Paulo”, Ilustrada, 5/6/14 (íntegra aqui).

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"Autonomia" universitária: um debate necessário

(...) Trocando em miúdos, não faz muito sentido exigir que os impostos do favelado paulista subsidiem o estudante de medicina ou engenharia da USP, que, apesar dos relevantes serviços que prestarão, serão recompensados com vencimentos 15 ou 20 vezes maiores que a média nacional.

A questão, no fundo, é simples. A menos que incorrêssemos em alíquotas de imposto significativamente maiores que as atuais, o Estado não consegue oferecer "gratuitamente" tudo o que dele se exige. Precisamos fazer escolhas. E aí o caso da universidade é um dos mais difíceis de defender. A educação básica e a saúde, para citar apenas dois itens, me parecem prioridades bem mais claras.

Fonte: Hélio Schwartsman, “Não há almoço grátis”, Folha de S. Paulo, Opinião, 4/6/14, p. 2.

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A seguir, trecho de e-mail que mandei para o Schwartsman a respeito do assunto:

"O modelo das universidades no Brasil já se esgotou. Ou a autonomia é revista (não para derrubá-la, mas ao menos para impor uma espécie de lei de responsabilidade fiscal, ou se institui o modelo que você sugeriu).

Afinal, as universidades públicas paulistas consomem mais de 10% das receitas do ICMS do Estado mais rico da federação, um modelo único no mundo. Parece-me um custo desproporcional no que diz respeito ao conjunto da sociedade.

Ainda mais quando uma universidade comete a irresponsabilidade de comprometer 105% do seu orçamento com salários. Na iniciativa privada isto tem nome: insolvência.

Mas em relação à USP mal se pode tocar no assunto...

Que ao menos as alternativas sejam debatidas com racionalidade, sem dogmatismos ideológicos."

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Trabalhando...

Reportagem sobre o tal "padrão Fifa" e o "padrão Brasil":



Aécio Neves no "Roda Viva" (TV Cultura):

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Brasileiros e argentinos

Recentemente, tive a oportunidade de jantar com dois colegas jornalistas argentinos. Amenidades à parte, a conversa girou em torno de assuntos necessários, como a crise política-econômica na Argentina, sobre a qual já falei neste blog, e obviamente sobre a relação entre brasileiros e argentinos e o futebol.

Argumentei que as rivalidades esportivas são saudáveis e devem ser alimentadas, com alegria, criatividade e provocação, mas no limite do respeito mútuo. Estranho seria ver um argentino torcendo pelo Brasil e vice-versa.

Fora isso, disse que ambos os países, junto aos demais irmãos latino-americanos, compartilhamos qualidades, defeitos e desafios muito semelhantes. De alguma forma estamos todos num mesmo barco e é contraproducente torcer pelo pior em relação aos países vizinhos.

Neste sentido, parece-me ignorância brasileiros criticarem os argentinos, e vice-versa. No fim das contas, somos todos um – seres humanos.

Recentemente, o técnico da seleção argentina, Alejandro Sabella, o "Pachorra", deu uma bela contribuição para a tese que defendi. Disse ele em entrevista sobre a Copa do Brasil:

“Sempre existe uma grande rivalidade esportiva entre Brasil e Argentina. Queremos ganhar, respeitamos muito e sabemos do valor do futebol brasileiro, assim como sabem do nosso. É uma rivalidade que temos que deixar no plano estritamente esportivo e que não passe daí. Não podemos deixar de ser povos irmãos, o motor da América Latina. Dependemos muito um do outro, principalmente em termos de cidadania. Há um limite que não temos que passar. Temos que tentar ganhar, temos as brincadeiras, e não pode passar disso. Por mais importante que seja e a paixão que exista, é um esporte. Assim esperamos que seja”.

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Frase

"Numa democracia, os políticos se submetem ao questionamento dos jornalistas porque reconhecem que devem prestar contas à sociedade e entendem que a imprensa existe para fiscalizar os governos, não para elogiá-los."
Ricardo Balthazar, jornalista, em coluna na “Folha de S. Paulo”