sexta-feira, 28 de junho de 2013 | | 0 comentários

"Baderneiros", "arruaceiros" e afins

Desde o início da “Primavera” brasileira – ou das "Revoltas de Junho", como já vêm sendo chamados os protestos que tomaram as ruas do país nas últimas semanas -, pensei muito a respeito da presença de vândalos e baderneiros. Isto porque os atos de vandalismo e violência serviram de desculpa para uma boa parcela da população – via de regra reacionária e conservadora - colocar-se contra as manifestações.

Algo me incomodava nas análises que simplesmente focavam os protestos na presença de “baderneiros”, “arruaceiros” e “criminosos”, como passaram a ser classificados pela mídia em geral. Será que ninguém percebia que estavam dando atenção demais ao acessório e deixando de lado o principal – as milhares (quiçá milhões) de pessoas nas ruas e seus justos e legítimos pedidos?

Naturalmente, soa absurdo e insano, admito, defender qualquer ato de vandalismo e/ou violência. Não é exatamente isto que pretendo. Confesso, pois, que as informações a respeito de eventuais “prejuízos” causados pelos “baderneiros” não me chocavam. Ou melhor: me chocavam às avessas.

Quando li que os danos à sede da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) somariam R$ 2 milhões, pensei: “prejuízo é o que os parlamentares corruptos causam a este país e, garanto, é muito maior do que estes dois milhões”. O mesmo me veio à mente quando vi o balanço dos gastos com os objetos públicos destruídos em São Paulo.

Nesta quinta-feira (27/6), li um artigo que traduz bem o que eu penso e sempre pretendi dizer sobre o assunto. Reproduzo a seguir parte dele (a íntegra está disponível no link ao final):

(...) O poder, quando não é efeito de graça divina, vem dos próprios cidadãos e é condicional: só posso reconhecer e respeitar a autoridade que me reconhece e me respeita. Uma autoridade que me desrespeita merece uma violência equivalente à que ela exerce contra mim. 
Além disso, é bom não perder o senso das proporções. "Olhe, olhe!", grita um repórter, enquanto a tela mostra alguém que foge de uma loja saqueada levando algo no ombro. Tudo bem, estou olhando e não estou gostando, mas minha indignação é mais antiga e por saques muito maiores. 
Outro repórter pensa nos coitados que perderão o avião, em Cumbica, por causa dos manifestantes que bloqueiam o acesso ao aeroporto. Mas o verdadeiro desrespeito é o de nunca ter construído uma linha de trem entre São Paulo e o maior aeroporto do país. 
O ministro Antonio Patriota se declarou indignado com o vandalismo contra o Palácio do Itamaraty. Com um pouco de humor negro, eu poderia suspeitar que os apedrejadores talvez tenham precisado um dia dos serviços de um consulado no exterior. Mas, deixemos. Apenas pergunto: se esses forem vândalos, então o que são, por exemplo, os latifundiários desmatadores da Amazônia? 
Enfim, à presidenta Dilma gostaria de dizer: não acredito que os "baderneiros" das últimas semanas tenham envergonhado o Brasil - nem mesmo quando alguns depredaram o patrimônio público. Presidenta, você sabe isto mais e melhor do que muitos de nós: o que envergonha o Brasil é uma outra baderna, bem mais violenta, que dura há 500 anos e que gostaríamos que parasse. 
Fonte: Contardo Calligaris, “Qual baderna?”, Folha de S. Paulo, Ilustrada, 27/6/13, p. E8.

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Dilma e a crise

A presidente Dilma Rousseff não gosta de ouvir que é centralizadora, mas não sequer consultou seu vice ao elaborar, num momento de crise, o pacto proposto a governadores e prefeitos.

A mesma Dilma não gosta de ouvir que é fraca, mas – num momento de crise - correu se consultar com Lula, em São Paulo, a respeito dos protestos de rua que varreram o país nas últimas semanas.

Ou seja: a presidente da República, num momento de crise, mostrou fraqueza e falta de habilidade política.

quinta-feira, 27 de junho de 2013 | | 0 comentários

Uma cidade na visão de um cachorro

Que tal conhecer uma cidade a partir da visão de um cachorro?

É mais ou menos (digo "mais ou menos" porque, naturalmente, não se trata de fato da visão do cão) o que apresenta o livro "Peggy Lee loves London - My London Guide". 

A Peggy Lee do título é uma poodle branca, que guia as autoras Katrina Leskanich e Sher Harper pela capital inglesa. O livro é uma coletânea de fotos da cidade, todas com a presença da pequena Peggy Lee. Afinal, como escreve Katrina, as fotos são fruto de uma jornada que é tanto dela como da cachorra. "O resultado é um conjunto peculiar dos nossos lugares favoritos de Londres", diz.

Já Sher lembra que toda cidade tem lugares especiais para onde você sempre volta - uma 
vez e outra e outra. "Estes (os do livro) são alguns dos nossos", afirma. 

"Nossos", nas duas falas, significa de cada uma das autoras e, claro, de Peggy Lee.

Apresentar a cidade por meio de um cachorro já é, por si, uma ideia inusitada. A obra, porém, tem outros diferenciais. O foco não é a Londres que costuma ser mostrada nos guias turísticos e sim uma cidade conhecida dos "londoners", ou seja, dos moradores, com um olhar particular para a música, comida, arte de rua e as curiosidades locais.




O livro pode ser comprado no site oficial e custa 8,99 libras (algo em torno de R$ 35).

* Leia mais sobre Londres no blog Piscitas - travel & fun.

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Frase

"Entre o querer ser e o crer que já se é, vai a distância entre o sublime e o ridículo.”
José Ortega y Gasset, filósofo

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"Drones para jornalistas"

A utilização de drones na cobertura jornalística marcou o primeiro dia de debates do encontro de editores de jornais da Global Editors Network (GEN), que ocorreu entre os dias 19 a 21 deste mês, em Paris.

Os drones, palavra que em inglês significa zangão, são os veículos aéreos não tripulados (vant), que, se utilizados com câmaras ou filmadoras, constituem mais uma ferramenta para o jornalismo.

A BBC, a ABC News e outros grupos de mídia já têm usado os drones, mesmo que não haja uma legislação específica sobre o tema nos países em que atuam.

O grupo L'Express, da França, fez uma experiência de três meses de cobertura com drones equipados com filmadora. Para contornar o custo da experiência, os jornalistas da empresa contaram com a parceria de uma fabricante de drones, a Parrot, que durante o encontro em Paris vendeu o equipamento ao preço de 300 euros, na versão básica, com autonomia de 15 minutos e com peso inferior a 500 gramas.

Os jornalistas do L'Express contam que a Parrot cedeu dez unidades para a experiência, mas que ao menos quatro foram perdidas, por falta de perícia no manuseio. Com humor, Raphael Labbé, um deles, contou que um drone caiu no Sena quando tentava fazer a cobertura de uma manifestação, pois o aparelho dependia de conexão wi-fi e se afastou demais da base. A sua exposição no evento do GEN se chamava "Drone it".

Guy Pelham e Nicholas Pinks, da BBC, disseram que a palavra drone assusta os ingleses e que grande parte do trabalho para a adesão a essa ferramenta passa por convencer a opinião pública da sua utilidade.

Em geral, as regras para a utilização de veículos aéreos não tripulados fazem distinção em função do tamanho e do peso das engenhocas.

Em alguns países, como na Austrália, há a expectativa de que os aparelhos que pesem menos de dois quilos sejam liberados pela legislação, podendo voar sem qualquer tipo de licença. A Austrália atualmente exige autorização para uso do equipamento, que pode custar até U$ 8.000.

Mas, mesmo que sem licença alguma, é claro que a utilização do drone sempre gera responsabilidade, pois um acidente pode causar grande estrago, com danos inclusive à reputação da empresa que o provocou.

Há drones para todos os gostos e mais de um milhão deles voando por aí. Desde aqueles de uso militar, como tem sido notícia nos EUA, com autonomia de 24 horas e que podem custar milhares de dólares, como os da Parrot e alguns outros que pesam menos de 50 gramas, bem pequenos, com um design similar ao de um inseto.

Alguns podem ser pilotados por uma só pessoa e outros necessitam de uma equipe com pessoas de diferentes especializações.

Os jornalistas apontam algumas vantagens na utilização dos drones, a primeira delas relativa à segurança. Mark Corcoran, que narrou as experiências da Australian Broadcasting Corp com os drones, afirma que, na cobertura de uma guerra, por exemplo, não é necessário que jornalistas corram os mesmos riscos que os soldados.

Os drones com câmeras ou filmadoras podem se aproximar mais dos eventos, poupando os repórteres. Ele mesmo, que esteve em zonas de combate, defende que a segurança dos jornalistas talvez seja a maior vantagem da utilização dos drones.

Mas há também vantagens ecológicas, se comparados a helicópteros, e também de custo e flexibilidade. A Fox Sports, por exemplo, contou que tem autorização para ficar a cinco metros dos jogadores, o que é um privilégio para algumas práticas esportivas.

As implicações da utilização dos drones são diversas. Vão desde as mais óbvias, como a questão da privacidade e a proteção de dados, até a que envolve a discussão das liberdades civis e da utilização do espaço aéreo.

As legislações americana e inglesa limitam a aproximação de um drone de uma pessoa a 500 metros de distância e a 400 pés (122 m) de altura, o que, a julgar por notícias publicadas, parece não ser muito respeitado.

De qualquer modo, a disseminação do uso dos drones para fins jornalísticos já faz com que algumas redações pensem em adotar um código de melhores práticas para a sua utilização. 

Fonte: Taís Gasparian, “Folha de S. Paulo”, Opinião, 26/6/13, p. 3.

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Visões do Rio

Do alto:



Do chão:



E a imagem das imagens, a visão das visões:


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Uma reflexão profissional

Jornalismo é profissão de fé. Ponto.

Jornalismo consiste na busca incansável pela informação e a consequente transmissão desta ao público - seja por qual meio for.

Qualquer coisa além disto pode até ser trabalho de jornalista, como assessorias em geral, mas não é nem nunca será jornalismo. É o que penso, foi o que aprendi.

Ponto.

PS: a observação feita nesta postagem não tem nenhuma intenção de crítica a quem quer que seja, trata-se apenas de uma reflexão.

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"A vez da mídia"

Partidos, Congresso, sindicatos, governantes - não há instituição democrática que não esteja sob o foco de críticas. Falta falar de outra instituição, a imprensa. Ou "a mídia", como prefere dizer quem já se põe no campo de ataque.

Acho que há três pontos a destacar. Em primeiro lugar, a ideia de que as redes sociais, como o Facebook, aposentaram a mídia tradicional. De um ponto vista, faz sentido. De outro, não.

Claro que, graças ao Facebook, foi possível avaliar, por exemplo, se valeria ou não a pena participar da manifestação de segunda-feira passada, dia 17 de junho. Quanto mais adeptos no mundo virtual, mais se sente que o momento de passar à vida real já chegou.

Não é tão claro o raciocínio de que, com as redes, elimina-se a função dos jornais e das empresas de comunicação. Muito do que se compartilha no Facebook, em termos de notícia e opinião política, tem origem nos órgãos jornalísticos organizados, sejam impressos, audiovisuais ou da própria internet.

Passo com isso ao segundo ponto. Quem está protestando contra o pastor Feliciano, a PEC 37, Renan Calheiros, os gastos da Copa, e outros mil problemas, teve sua indignação despertada pelas notícias dos jornais e da TV.

São as reportagens de sempre, com sua rotina de sempre, que acumularam essa insatisfação contra o sistema político. E, se a mídia noticiou os casos de vandalismo, também foram indispensáveis para mostrar os abusos policiais.

A imprensa sai então glorificada dessas movimentações? Com toda evidência, não. Houve ataques contra emissoras de TV e contra repórteres respeitabilíssimos, como Caco Barcellos. Há mais.

Acredito que, graças à conquista de um poder de autoexpressão possibilitado pela internet, as pessoas que se manifestam nas ruas e nas redes se sentem mal representadas na mídia tradicional.

Em parte, a "crise de representação" que se verifica no caso de partidos e Congresso se reflete nas relações entre imprensa e cidadãos.

Existe a sensação, claro, de uma desigualdade de poder de fogo: grandes empresas de comunicação podem mais do que sites e blogs isolados.

Há também um abismo geracional. Incluo-me entre os que envelheceram. E olhe que à minha volta, nos chamados formadores de opinião, nos analistas, comentaristas, sociólogos, filósofos, urbanistas, técnicos e economistas que, sempre os mesmos, são os entrevistados nessa época, a maioria está na ativa desde que eu era criança...

Quando o pensador mais ousado e "irreverente" da Globo se chama Arnaldo Jabor, talvez seja o momento de uma autocrítica.

A alienação, o distanciamento entre a imprensa e os manifestantes se dá em outros níveis também. Ao voltarem-se contra governantes, as passeatas denunciam o contraste entre o mundo oficial, movido a discursos eleitorais, planilhas técnicas e blá-blá-blá de marqueteiros, e uma realidade cotidiana da qual todos se esquecem assim que assumem o poder.

É injusto dizer que um jornal como a “Folha” se esquece de apontar falhas na saúde, nos transportes e na educação. Ao contrário, isso é noticiado todo dia, com investigação e detalhe.

Mas, assim como os políticos só parecem acordar para o interesse público às vésperas da eleição, também os jornais concentram-se excessivamente, a meu ver, no calendário eleitoral. Não há dia - mesmo nestas últimas semanas - em que não saiam notícias sobre as movimentações de Aécio e Eduardo Campos, ao lado dos clássicos prognósticos de que Dilma vai se reeleger se a economia não piorar muito.

A rotina desse tipo de cobertura mata os jornais, e interessa a pouquíssimas pessoas. As próprias reportagens sobre corrupção e mazelas administrativas me parecem difíceis, chatíssimas de ler.

Há a obrigação de revelar dados, estatísticas etc., sem o que estaríamos retrocedendo a um jornalismo da Idade da Pedra. Ao mesmo tempo, acho que isso trouxe um risco de rotinização e tecnicalismo que afasta o leitor - e não adianta "emburrecer" a linguagem para trazê-lo de volta.

Chamo "emburrecer" o processo que leva à elaboração de boxes, por exemplo, dizendo "entenda o que é o mensalão", "entenda o que é reforma política" ou coisa parecida. "Entenda, é sua última chance"... Mas os manifestantes destes dias parecem estar entendendo mais do que se pensa.

Fonte: Marcelo Coelho, "Folha de S. Paulo", Ilustrada, 26/6/13.

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Café da manhã



E depois não quer engordar...

quarta-feira, 26 de junho de 2013 | | 0 comentários

O massacre contra Ronei - uma breve história

“Aha, uhu, a prefeitura é nossa! Aha, uhu, a prefeitura é nossa!”

Os gritos - entoados em claro tom de comemoração, copos de cerveja em mãos, uma boa dose de futurologia e, àquela altura, uma certa prepotência – partiam de um grupo de petistas. No grupo, assessores e aliados do vereador Ronei Costa Martins (PT), talvez o ícone do que se deu naquela noite quente no Legislativo limeirense.

Era já início da madrugada de 25 de fevereiro de 2012. Horas antes, a Câmara de Limeira havia cassado, pela primeira vez na história da cidade, por 10 votos a 4, o então prefeito Silvio Félix (PDT). Chegava ao fim uma longa e desgastante batalha, iniciada em 24 de novembro de 2011 com uma operação do Gaerco (grupo do Ministério Público especializado na repressão e combate ao crime organizado) que levara à prisão familiares e assessores do pedetista.

Começava, naquele momento, o processo eleitoral de 2012, que resultou em 7 de outubro na vitória de Paulo Hadich (PSB) para prefeito e, como previam, os petistas na prefeitura, tendo o vice Antonio Carlos Lima.

O processo eleitoral, porém, não terminou aí. Um forçoso segundo turno se desenrola – e teve seu mais recente episódio na sessão da última segunda-feira (24/6) na Câmara. O alvo na ocasião foi Ronei, agora presidente do Legislativo, vereador com maior número de votos na história de Limeira (12 mil), o mesmo que saíra como herói na noite de cassação de Félix.

Em pouco mais de um ano, de herói a vilão. Pelo menos para o grupo que lotou o auditório da Câmara para dirigir insultos ao petista e cobrar sua renúncia. O que se viu na ocasião foi uma tentativa de linchamento moral do vereador, alvo de uma denúncia que pedia a sua cassação.

Com um aparente constrangimento e um tanto de incredulidade, mesclado a um certo tom de desafio em alguns momentos, o Ronei que se viu ali estava distante daquele herói saudado pela comunidade no final de fevereiro de 2012. O Ronei que se viu na última segunda-feira era uma cópia dos mais criticados governistas da era Félix – talvez encarnados na figura da delegada Nilce Segalla (PTB), ex-vereadora que tomou à frente na defesa do então prefeito.

Nilce era chamada de ladra. Ronei foi chamado de ladrão. Nilce foi ofendida com palavras de baixo calão. Ronei, idem. Nilce era acusada de corrupta. Ronei foi acusado de corrupto. Pediram para Nilce sair. Pediram para Ronei sair. “Ih, fora! Ih, fora! Ih, fora!”, repetiam os mais exaltados.

Ocorre que a trajetória política de ambos, Nilce e Ronei, é diametralmente oposta.

Ronei à frente, poucos metros, assistia a tudo ora impassível, ora buscando reagir sem bem saber como. Tentava, em vão, retomar a sessão legislativa com a leitura das denúncias contra Hadich e contra ele. Não conseguiu conter os ânimos de parte do público. Precisou chamar a Guarda Municipal, com seus homens fardados, escudos à mão. Eles se prostraram entre os vereadores e o público – que vaiou. Tempos depois, a GM se foi. O público não. As ofensas e gritos de guerra seguiram.

Num gesto que poderia soar como desespero, mas era a alternativa que restava diante do impasse, Ronei usou da prerrogativa do cargo e anunciou o fim da sessão. Convocou os vereadores para um novo encontro na próxima quinta-feira (27). Não chegou a convidar os desafetos que gritavam contra ele, mas não era preciso. Deverão estar lá novamente. Com a promessa de reforço da ala aliada ao vereador petista.

O clima em Limeira reproduz o que se vê nas ruas do Brasil nas últimas semanas. Com um detalhe: tem-se, em meio aos legítimos e justos protestos do povo, um grupo que busca fazer uso político da situação. Foi o que se viu na Câmara na última segunda-feira. Um visível e evidente confronto de forças políticas.

Há problemas em Limeira? Sim. Há problemas no governo Hadich? Sim. Há motivos para abrir uma comissão processante com o consequente afastamento do prefeito e uma eventual cassação ao final? Não.

Da mesma forma em relação a Ronei.

Que se façam todas as CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito) necessárias – inclusive a das consultorias, uma das reivindicações dos manifestantes. Em nome da transparência. CPIs fazem parte até do jogo político. E o jogo deve ser jogado – não da forma como se viu na última segunda-feira. Ali, o que se tentou, repito, foi o linchamento moral de um vereador.

Que, por força das circunstâncias, sim, mudou de lado, era oposição e hoje é governo. Aquele Ronei contundente que se via na era Félix não existe agora (talvez seja questão do petista repensar sua vida pública, pois fatos há que se cobrar neste e em qualquer governo). De fato, não é fácil ser vidraça. Ronei sabia disso, mas não esperava passar pelo que passou na última segunda-feira. Chegou, por um momento, a pensar em outra saída para o episódio.

Ronei – e Hadich, como já escrevi aqui – paga o preço das sementes que ajudou a plantar.

Não sei onde tudo isto vai dar. Só sei que Limeira ganha quando o interesse público é colocado acima de todos os outros, mas só tem a perder quando interesses políticos se sobrepõem ao que de fato interessa à sociedade. E pelo que vi na última segunda-feira na Câmara, o foco da ação está errado, desvirtuado. Ao menos por parte do grupo que teve Ronei como alvo.

Em tempo: todos os demais 20 vereadores assistiram impassíveis aos ataques contra o petista. Talvez não tenham se ligado que qualquer um deles pode ser a próxima vítima – ou o próximo alvo.

Numa Câmara que cassou um vereador com menos de seis meses de legislatura, tudo pode ocorrer.

PS 1: não tenho procuração para defender Ronei, tampouco tenho compromisso com quem quer que seja. Apenas considero que os motivos de enfrentamento devem ser outros – como os professores cobrando melhorias na educação, o Passe Livre pedindo melhorias no transporte, CPIs quaisquer e até eventuais questionamentos a respeito de promessas feitas por Hadich em sua campanha eleitoral.

PS 2: com todos os seus defeitos, o Legislativo mantém-se – por “força de ofício”, digamos assim – exposto à sociedade. É cobrado, fiscalizado e visitado com frequência. Lá é a “Casa do Povo” afinal. Daí estar sujeito a pressões como a que se viu na última segunda-feira. Dificilmente se verá cena semelhante no Executivo, que é mais fechado (fisicamente falando), e no Judiciário, também fechado (fisicamente e institucionalmente falando).

Soa um tanto injusto com os vereadores. Pelo bem, pelo mal, eles estão lá dando a “cara para bater”. O Executivo, até segunda-feira pelo menos, mantinha-se praticamente calado. Como se nada fosse com ele.

PS 3: apesar de todo o clima, Ronei manteve-se no plenário e no auditório após a tumultuada sessão na segunda-feira. Conversou até, com calma e paciência (o que não se via em alguns assessores do petista), com jornalistas e pelo menos um opositor. Se o presidente da Câmara já tinha se disposto a dialogar na sessão da última quinta-feira (20), quando os manifestantes foram ao Legislativo pela primeira vez, manteve a postura na ocasião em que foi o alvo principal dos protestos.

Este mérito há que se dar ao petista.

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Caminhando e cantando

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer
(“Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré)

Em poucas horas, a Câmara dos Deputados derrubou a PEC 37 - que restringia o poder de investigação de crimes por parte do Ministério Público - e aprovou a destinação dos royalties do petróleo para a educação, duas das demandas dos manifestantes Brasil afora.

Depois da Copa das Confederações provar que o Brasil, quando quer, consegue fazer obras em tempo adequado (vide os estádios) e dos protestos de rua levarem, em poucos dias, à redução das tarifas de transporte e à votação de duas importantes medidas no Congresso de acordo com a vontade popular, será difícil para os políticos encontrarem a partir de agora desculpas para não agir em favor do povo.

Parece que finalmente a sociedade descobriu o caminho: o da voz nas ruas!

Que assim seja para todo o sempre. Amém!

***

Os protestos dos últimos dias me fizeram ainda mais fã do Jota Quest e do Skank. Os motivos podem ser vistos aqui

É isso aí: cada um dando o recado da forma que lhe é mais adequada! O importante é marcar posição, tomar um lado, posicionar-se, não se omitir.

Por falar em omissão, o que o digníssimo ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse e pensa a respeito dos protestos?

O que as mais variadas denominações religiosas - Igreja Universal do Reino de Deus, Assembleia de Deus, Igreja Renascer, etc - pensam a respeito dos protestos? Só vi manifestações de líderes católicos, como o cardeal dom Claudio Hummes.

Nestas horas, o silêncio também fala - e muito. Aliás, é significativo...

terça-feira, 25 de junho de 2013 | | 0 comentários

Alô, Nova York?

Que tal voltar no tempo 20 anos por meio de telefones públicos?

Não entendeu? É isto mesmo: em qualquer esquina, uma viagem ao passado. Basta teclar.

Este é o mote do projeto "Recalling 1993". E ele só poderia ter nascido em Nova York (EUA), a cidade que dita moda, que carrega no sangue a inovação, o pioneirismo, a ousadia e a criatividade.

Tudo começou com uma exposição do New Museum, um interessantíssimo museu (a começar pelo seu prédio, de arquitetura ousada, que parece caixas dançando umas sobre as outras) localizado na Bowery Street, em Lower Manhattan, bem próximo de Little Italy.

A mostra - chamada "NYC 1993: Experimental Jet Set, Trash and No Star" - foi concebida como uma "cápsula do tempo", conforme o site oficial, "um experimento de memória coletiva que visa capturar um momento específico da cidade por meio da interseção entre arte, cultura pop e política". Em outras palavras, a exposição busca retratar a energia vital que movia a cidade duas décadas atrás.

E por que 1993? Segundo o vídeo oficial do projeto, aquele foi o ano do início da transformação de NY - marcada até então pela violência e por tumultos - para o que temos hoje, um exemplo bem sucedido de combate à criminalidade. O "ano decisivo" da mudança.

Para promover a mostra, surgiu a iniciativa dos telefones. Cinco mil aparelhos públicos de Manhattan foram equipados com um sistema de geolocalização. Por meio dele, obtêm-se informações de quem passou por ali em 1993. Basta ligar para 1-855-FOR-1993 e será possível ouvir conversas gravadas por personalidades da área onde fica o telefone contando peculiaridades do lugar.

"'Recalling 1993' leva você para fora do museu a qualquer esquina de Manhattan usando uma das últimas relíquias daquela época: o telefone público", cita o vídeo promocional do projeto. 



Interessante, não?

Coisas de Nova York...

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Frase

“Não há manifestação de um milhão de pessoas em um dia que não exija uma revolução.”
Cristovam Buarque, senador (PDT-DF), em discurso no Senado. É dele também a seguinte constatação: “Nossos partidos não refletem mais o que o povo precisa com seus representantes, nem do ponto de vista do conteúdo, nem do ponto de vista da forma".

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E os políticos continuam surdos...

Para quem pretendeu assumir a dianteira na resposta às "vozes das ruas", a presidente Dilma Rousseff decepcionou com seu discurso em rede nacional na última sexta-feira (21/6) - para dizer o mínimo. Afora as bravatas que qualquer governante diria - como o apoio às manifestações pacíficas e a condenação aos atos violentos -, restou muito pouco da fala presidencial.

Dilma fez quatro "anúncios". Nenhum deles merece crédito. Vejamos:

1 - Plano Nacional de Mobilidade Urbana - não é nada mais que um arremedo de planos já anunciados para a Copa do Mundo e Olimpíada e que em sua maior parte não saiu do papel. Por que acreditar que agora sairá?

2 - Importação de médicos para o SUS - taí uma medida polêmica e que está longe de resolver os problemas da precariedade e péssimo atendimento da saúde pública. O que falta mesmo é mais verba, além de gastos mais eficientes, sem desvios de dinheiro público.

3 - Diálogo com os manifestantes - para um governo petista, chega a ser chocante constatar que a presidência é criticada justamente pela falta de diálogo com os mais diversos setores da sociedade. Receber lideranças do Movimento Passe Livre está longe de resolver a falta de interlocução do governo Dilma. Aliás, por que a presidente não se dispôs a receber os manifestantes antes se apoiava tanto assim as "vozes das ruas"?

4 - Repasse dos royalties do petróleo para a educação - medida requentada, fruto de projeto já enviado ao Congresso.

Além destes quatro pontos, totalmente ineficazes, a presidente falou da necessidade de uma reforma política (eis um diagnóstico real, porém de difícil execução, recorrente em falas presidenciais nos momentos de crise política) e do combate à corrupção (só não disse como fará isto - ela poderia começar retomando a famosa "faxina", interrompida em razão das negociatas para a campanha da reeleição).

Dilma afirmou que não abre mão do combate à corrupção, mas aceita de volta no governo PR e PDT, dois partidos defenestrados do alto escalão após seus líderes - então ministros - serem acusados de desvios de recursos públicos. Por que a presidente não deu o exemplo com atos? Sem atitudes, as palavras na TV soam vazias.

Por fim, Dilma foi falaciosa ao falar sobre os gastos do governo federal com a Copa do Mundo. A verdade é que dinheiro público está sim sendo usado para o evento, como mostrou reportagem do UOL.

Se a presidente da República está de fato interessada em ouvir as "vozes das ruas", deveria voltar à TV e reproduzir o discurso proposto pelo jornalista Geneton Moraes Neto em seu blog "Dossiê Geral". Medidas simples e que estão ao alcance dela - basta querer!

Em tempo: esta semana, Dilma reuniu governadores e prefeitos das capitais e fez novas propostas. Cinco pactos, que podem ser vistos em seu discurso feito na ocasião. Um deles - a proposta de uma constituinte exclusiva para a reforma política - foi alvo de críticas até mesmo dentro do governo (o vice-presidente Michel Temer, advogado, é contrário à medida) e já foi derrubada.

As propostas apresentadas nesta terça-feira (25/6) pela oposição são mais práticas e atendem de forma mais direta o que pedem as "vozes das ruas". E só dependem de Dilma. Mais uma vez, basta querer!

Pelo que se vê, os políticos continuam surdos...

PS 1: Dilma me parece bem intencionada, mas não consegue escapar do "sistema" (e do PT). Paga o preço por isto - e este preço pode subir a cada dia.

PS 2: após a redução das tarifas do transporte público, as "vozes das ruas" conseguiram mais uma vitória. A Câmara Federal derrubou a PEC 37, que restringia o poder de investigação do Ministério Público.

O povo descobriu o poder que tem. O resto do "serviço" depende de cada um de nós, na hora de votar.

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O maior espetáculo da Terra!

Ainda não assisti a nada mais bonito e espetacular do que o Cirque du Soleil. E ainda não encontrei palavras que possam descrevê-lo. Vale a pena em todos os sentidos! 


Em tempo: para mim, "Amaluna" - o espetáculo que vi em Montreal (Canadá), no ano passado - ainda é o melhor.

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Pensando alto

Um dia, quem sabe, talvez...

sexta-feira, 21 de junho de 2013 | | 0 comentários

"Anarquistas, graças a Deus"

Não tenho Facebook e, portanto, fico alheio aos bastidores dos protestos de rua que tomam conta do Brasil nos últimos dias. Sabe-se que a mobilização começou no mundo virtual. É de lá que partem também as mais distintas opiniões. Decidi, então, recorrer às aulas de Antropologia na faculdade para tentar buscar algumas explicações.

De modo aleatório, capturei alguns depoimentos no blog do jornalista Juca Kfouri. Vamos a eles, tal como foram redigidos:

Rodrigo Dayrell – “Protestar é legítimo, mas quando não se tem líderes formados corre-se o risco do movimento crescer demais (como já cresceu) e ficar incontrolável. E isso é péssimo, pois abre espaço pra bagunça e aproveitadores e as consequências podem ser desastrosas pra todo mundo.” 
Pensadortranquilo – “A copa é uma herança do Sr. Lula, que neste momento está escondido, quietinho, aguardando ser chamado para ser o salvador da Pátria.” 
Ronald Nowatzki - “Fico indignado quando vejo comentários de pessoas que ainda acreditam que a solução deste país está no voto, no ano que vem. Estes que acham que a solução está no voto, por favor me deem o nome do ‘Salvador da Pátria’, mas por favor mencione o nome do partido que ele pertence, e qual será a solução mágica que ele vai fazer para resolver os problemas deste pais. O Brasil acordou, ainda que meio sonâmbulo, mas andando e tentando achar o caminho, e o mais importante é que não é partidário, e sim por reais mudanças. O sentido é este, o povo cobrando e fiscalizando, e não querendo deixar nas mãos de um ‘Salvador da Pátria’.” 
Marcelo Silva – “E qual outro país poderia sediar a Copa? É claro que Alemanha, França, Inglaterra, Japão, Estados Unidos e alguns outros possuem uma infraestrutura urbana muito superior à do Brasil, mas... suas economias estão quebradas, à beira da recessão. Ou já se esqueceram que, outro dia, Obama teve que aumentar o teto da dívida pública americana de 14 para 16 trilhões de dólares? 
Alexandre Aquino – “Nesses países citados existe respeito e trabalho honesto.” 
CarlosEr – “Eu acho que todos estamos brincando com fogo. Não acho muito sensato elogiar, sem colocar algumas ressalvas, manifestações que querem incendiar o Itamaraty ou ameaçam pessoas, e que têm orientações tão opostas como tarifa zero de ônibus e deixar de pagar impostos porque a classe média está sendo massacrada. É lógico que precisamos ouvir o que as pessoas estão dizendo, pensar e tentar agir rápido para a situação não sair do controle, mas tem muitos que querem agora exatamente isso: que saia do controle. Não acho que leve a nada, senão ao caos. E não me venham com que já era um caos porque isso é um absurdo sem sentido.” 
Atahualpa – “Todos nós estamos criticando a FIFA, mas temos que reconhecer que não foi a FIFA que veio ao Brasil se ajoelhar para realizarmos a Copa. Igualmente as Olimpíadas. Sabemos dos nomes dos que estavam em Londres, Suíça, etc. E mais, não foi a FIFA que exigiu TANTAS SUBSEDES e sim a demagogia de nossos políticos, que pensavam na eleição de 2014.”

As manifestações permitem algumas observações:

1 – Há no movimento de protesto, de fato, um certo anarquismo – e um desejo para tal, manifestado quando um cidadão defende uma solução que não passe pelo voto. Desconheço qualquer sociedade em que a anarquia, como movimento social e político, tenha funcionado.

2 – Compreende-se o elevado grau de insatisfação do brasileiro com a violência, a alta carga tributária, os péssimos serviços públicos, a corrupção, etc, mas protestar sem uma causa definida, ou contra tudo e contra todos, soa contraproducente. Ao mesmo tempo, envia um forte recado: há um desejo generalizado de mudança.

Será que os políticos e governantes ainda não se deram conta de que o protesto é contra eles e o modo deles de agir? Afinal, enaltecem a democracia e falam em mudanças como se isto não passasse por eles.

Neste sentido, foi sensato o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, ao falar sobre os protestos e a Jornada Mundial da Juventude, programada para julho no Rio de Janeiro e que terá a presença do papa Francisco:

Os temas que estão colocados aí, sobretudo da corrupção, ou da não aceitação da corrupção, da exigência da ética na política, a exigência de serviços de qualidade, o que mais aparece é saúde, educação. Estão a exigir do governo atitudes nessa perspectiva e, quando eu falo governo, estou falando naturalmente das três esferas.

3 – Se há de fato um sentimento difuso nas manifestações, ele é simples de entender (por mais que tudo pareça surpreendente, complexo e surreal). Tal sentimento foi muito bem traduzido pelo jornal “The New York Times”em editorial: 

“(...) Para todas as realizações do Brasil ao longo dos últimas décadas - uma economia mais forte, as eleições democráticas, mais dinheiro e atenção voltadas para as necessidades dos pobres - ainda há uma enorme distância entre as promessas dos governantes de esquerda do Brasil e as duras realidades do dia-a-dia fora da elite política e empresarial. 
O Banco Mundial lista o Brasil como a sétima maior economia do mundo, mas o coloca nos últimos 10% em igualdade de renda. Seus adolescentes de 15 anos de idade estão próximos da parte inferior dos rankings globais de habilidades de leitura e de matemática. Uma sucessão de seus principais políticos têm sido implicados em esquemas flagrantes de propina e outros desvios de dinheiro público. (...)” 

4 – Há uma sensação pairando no ar de que os atuais governantes não concluirão seus mandatos caso as mobilizações continuem (e evoluam). É apenas uma sensação diante de cartazes como “Fora Dilma”, “Fora Hadich”. Não há nada mais de concreto além disto.

Contudo, a sociedade precisa fazer uma autocrítica: nenhum governante ou parlamentar está lá ao acaso ou por força de algum marciano. Foram todos colocados em seus lugares pela vontade popular, manifestada pelo voto.

Portanto, grande parte das mudanças cobradas atualmente passa NECESSARIAMENTE por um voto mais consciente. E isto, claro, está diretamente ligado ao grau de educação e instrução de um povo. Afinal, quem deu cargos a José Sarney (PMDB-AP), Renan Calheiros (PMDB-AL), Fernando Collor de Mello (PTB-AL), Paulo Maluf (PP-SP), João Paulo Cunha (PT-SP) e tantos outros foram os eleitores – em suma “nós, o povo”.

5 - Por uma coincidência do destino, uma daquelas coisas que só os astros podem explicar, o motivo catalisador dos protestos – o aumento das tarifas de transporte em São Paulo – coincidiu com a Copa das Confederações. Foi, como diz o ditado, a “união da fome com a vontade de comer”.

O descontentamento de parte da sociedade em relação aos gastos exagerados com os estádios da Copa, ao contrário do que os organizadores e governantes tinham prometido (de que não haveria dinheiro público no evento), e o fato da imprensa mundial estar de olho no Brasil aumentaram o ânimo dos manifestantes. Resultado: a Copa entrou no foco.


* A foto que ilustra esta postagem foi retirada do blog do jornalista Juca Kfouri e não tinha autoria identificada


** O título desta postagem é uma referência à obra da escritora Zélia Gattai. Trata-se apenas de uma referência poética, não havendo nenhum desejo de apologia ao anarquismo (que recebeu no texto postado, aliás, uma observação um tanto crítica).

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A magia de um templo do esporte

Em meio a protestos e críticas (justas, registre-se), há um outro lado da Copa das Confederações que não pode ser ignorado, principalmente pelos apaixonados por esporte e pelo futebol em particular.

Há uma certa magia que talvez nem todos entendam, principalmente os brasileiros, mas que astros do futebol mundial reconhecem. A magia envolvendo o esporte em si e a nossa história, aquilo que bem ou mal construímos e que se tornou uma espécie de lenda, mística. Um sentimento muito bem traduzido pelo craque espanhol Xavi Hernández em recente entrevista ao jornal “El País”:

Pregunta. ¿Qué le dice este estadio? 

Respuesta. Es lo máximo. De niños hablábamos de Maracaná como el estadio más mítico, lo más grande. Pirlo decía que es un sueño. Solo pisarlo para entrenarme ya lo es.

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Transporte em questão: só subsídio não basta

Li num jornal da cidade que a Prefeitura de Limeira pretende subsidiar até um terço do valor da tarifa de ônibus. Nada contra a medida – ao contrário, acredito que o transporte coletivo deve mesmo ser subsidiado em detrimento aos bilhões de incentivos fiscais dados nos últimos anos ao setor automobilístico (ou seja, ao transporte individual).

O que me chamou a atenção, porém, foi uma das justificativas do projeto: “A minoração do valor da tarifa incentivará o uso do transporte público, o que implicará em IMEDIATO benefício ao trânsito da cidade" (grifo meu).

Garanto: isto não ocorrerá! Não apenas com a redução da tarifa, como se colocou.

Ora, o preço do serviço é importantíssimo, mas não basta para atrair o cidadão. Como diz um especialista no assunto – aliás, secretário municipal de Planejamento, Felipe Penedo de Barros -, o transporte de qualidade se sustenta em quatro pilares: preço, pontualidade, conforto e acessibilidade.

Não basta, portanto, baixar o preço da tarifa para atrair usuários. Diante de um serviço de qualidade ruim (usuários vivem reclamando dos ônibus; só em 2012, pelo menos três deles tiveram problemas no eixo que os deixaram paralisados no meio da rua), de acesso difícil (a situação dos abrigos de ônibus, quando existem, é calamitosa), sem pontualidade alguma e praticamente sem informação a respeito das linhas será difícil fazer as pessoas deixarem carros e motos em casa.

Entende-se as dificuldades do setor, principalmente orçamentárias, mas o caminho para um transporte decente está ainda distante e vai muito além da simples redução da tarifa.

Aliás, experiências têm mostrado que o brasileiro até aceita pagar mais quando vê retorno do serviço – veja o caso dos pedágios nas estradas paulistas.

Leia também:

- Tarifa zero, um delírio?

quinta-feira, 20 de junho de 2013 | | 0 comentários

Arte e história no muro

E já que o assunto dos últimos dias envolve uma boa dose de rebeldia, protestos, mudanças e afins, que tal uma pitada de história nesta receita? Quem vai a Berlim, capital da Alemanha, não tem como não se impressionar com os marcos deixados pela passagem do século 20. E o mais simbólico deles é, sem dúvida, o muro que dividiu a cidade por décadas.

Sobre o muro em si pretendo falar em outra ocasião. Hoje gostaria apenas de convidar para que leiam um texto postado no meu site de viagens, o Piscitas – travel & fun.


É incrível constatar como algo que simbolizou por anos a brutalidade e a divisão pode hoje servir como arte – e tudo de positivo que dela decorre.

Sim, parte do Muro de Berlim está lá, intacto. Outras partes, porém, deram lugar à imaginação e ao sonho de muitos artistas, seja no local original (East Side Galery) ou em pedaços por aqui e por ali.

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Frase

“Sempre teríamos na transparência de nossos atos e na ética da vida política os valores fundamentais do PT, foi o que muitas vezes ouvi de você.”
Eduardo Suplicy, senador pelo PT-SP, em carta ao ex-presidente Lula

quarta-feira, 19 de junho de 2013 | | 0 comentários

A "Primavera" brasileira entrou para a história

Muito já se falou - e muito ainda há para se falar - a respeito da série de protestos contra o aumento das tarifas de transporte público, o custo de vida, a corrupção e afins que marcaram os últimos dias em todo o Brasil.

Como sabiamente escreveu Clóvis Rossi na "Folha de S. Paulo" de terça-feira (18/6), é difícil entender o que se passa - há duas semanas, nenhum sábio seria capaz de prever tamanho grau de insatisfação e revolta entre a população. Só o tempo permitirá uma reflexão mais complexa do que vem ocorrendo no país, mas a gravidade dos acontecimentos exige urgência nas análises.

Assim, gostaria modestamente de fazer alguns registros a respeito dos protestos:

- Ficou mais do que evidenciado que a AMPLA maioria dos manifestantes agiu com boas intenções e de forma pacífica. Tome-se o caso do Rio de Janeiro: na passeata de segunda-feira, que reuniu cerca de 100 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, uma pequena minoria - estimada entre 500 e mil pessoas - partiu para o vandalismo visto no final do protesto. Isto dá, no máximo, 1% do total de participantes. Cenário semelhante ocorreu em outras cidades, de modo que não se pode generalizar o movimento classificando-o de "ação de baderneiros". Esta generalização, como via de regra todas, é simplória, burra e mal-intencionada.

- Ficou mais do que evidenciada a insatisfação geral com os governos, políticos e partidos, tenham qual coloração tiverem. Deste modo, soou patética a troca de acusações entre tucanos e petistas, tentando um responsabilizar o outro pela causa dos protestos e da violenta repressão policial em São Paulo (cidade comandada pelo PT, estado nas mãos do PSDB).

Não é à toa que cresceu na última década, como mostrou a "Folha de S. Paulo", a descrença dos brasileiros em relação aos três poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário. O que se viu foi apenas reflexo deste sentimento, fruto dos crescentes desmandos país afora.

- De modo mais amplo, ficou evidenciada a insatisfação com qualquer tipo de organização social (não só partidos, mas também sindicatos e afins). Isto significa que o país atingiu tal nível de descalabro nas esferas oficiais que a sociedade não se sente mais representada por ninguém. Diante disto, é necessário rever os modos de ação dos mecanismos que, em qualquer sociedade, devem servir de intermediários entre o povo e os governos (partidos políticos incluídos).

- Está claro que, de agora em diante, nenhum governante estará imune a manifestações. Portanto, governantes de hoje e de amanhã, abram os olhos. "O gigante acordou", como diziam vários cartazes nas manifestações.

- A presidente Dilma Rousseff fez um belo discurso na manhã de terça-feira (18/6) a respeito dos protestos do dia anterior. Disse ela: "A mensagem direta das ruas é por mais cidadania, por mais escolas, melhores hospitais, direito de participação. Essa mensagem das ruas mostra a exigência de melhorias no transporte a preço justo, e o direito de influir nas decisões de todos os governos. Essa mensagem das ruas é de repúdio à corrupção e ao uso indevido de dinheiro público e comprova o valor intrínseco da democracia, da participação dos cidadãos por seus direitos". 

O diagnóstico está correto e vale também para ela. Dilma não é alvo único dos protestos, como registrou Clóvis Rossi. Talvez não seja sequer o alvo principal, mas é TAMBÉM alvo. É bom abrir o olho. Afinal, não se pode pregar o que ela pregou sendo chefe de um governo que tem 30 ministérios, grande parte dos quais servindo única e exclusivamente para negociatas e acertos políticos visando a eleição. Ou não foi Dilma que trouxe de volta ao governo chefes de siglas (PR e PDT) que tinham sido alvos da famosa "faxina" contra a corrupção?

- Ao anunciar nesta quarta-feira (19/6) a redução das tarifas do transporte, os prefeitos do Rio, Eduardo Paes (PMDB), e de São Paulo, Fernando Haddad (PT), falaram em sacrificar outras áreas para garantir as verbas necessárias para a medida. 

Governar é, de fato, estabelecer prioridades. No caso do Rio, o prefeito afirmou, em certo tom de ameaça: "São R$ 200 milhões que têm que ser arcados pelo poder público. Arcar com esses recursos significa, sim, a escolha de prioridades. Serão R$ 200 milhões a menos investidos em outras áreas".

Em São Paulo, o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, havia estimado um custo de R$ 300 milhões caso a tarifa voltasse ao valor pedido pelos manifestantes. Mais uma vez, isto significaria cortar verbas de outras áreas.

Como explicar, então, para a população que o município é capaz - como fez - de conceder benefícios fiscais de R$ 420 milhões em forma de CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) para a construção do Itaquerão, um estádio de futebol privado, que servirá para a Copa do Mundo, um evento privado?

Em outras palavras, a prefeitura abriu mão de receber R$ 420 milhões do Corinthians (dono do futuro estádio) e/ou da construtora responsável pela obra e depois alega que não dispõe de R$ 300 milhões para baratear a passagem de ônibus? Ora, talvez seja mesmo o caso de reforçar o que disse o prefeito do Rio: governar é escolher prioridades...

- Diante de cenários como o relatado acima, sobre o Itaquerão, entende-se a razão de tantos protestos contra a realização da Copa do Mundo no Brasil. Ou melhor: entende-se porque um movimento (pela redução das tarifas) ligou-se a outro (contra os gastos da Copa).

Aliás, os gastos do Brasil para a realização da Copa já somam R$ 28 bilhões.

- Por fim, se era possível reduzir as tarifas, por que os governantes não fizeram isto antes? Melhor dizendo, por que não evitaram o reajuste? Por que reagiram apenas depois que ficou claro que os protestos eram para valer e não teriam fim? Sentiram, de fato, o peso das ruas. Que sirva, portanto, de lição para o Brasil: o povo tem vez e voz. Basta saber fazer-se ouvir.

E que fique a lição para os governantes: não basta aprender a ouvir, é preciso mais. É preciso saber estabelecer prioridades. Se foi possível baixar a tarifa é porque era possível mantê-la no valor antigo. Ainda que isto custasse algum sacrifício do orçamento. Basta rever investimentos, como os destinados à construção de estádios milionários (ou bilionários, como os do Rio e Brasília). Prioridade - é, no fundo, o que o povo reivindicou nas ruas. Prioridade para o povo (educação, saúde, transporte de qualidade e etc).

Leia também:





Em tempo: quem viveu os acontecimentos dos últimos dias pode sentir orgulho de ter visto a história do Brasil construir-se ao vivo, em tempo real.

segunda-feira, 17 de junho de 2013 | | 0 comentários

Lembranças cearenses

E como o "Bem, Amigos" que mencionei na postagem anterior foi transmitido ao vivo de Fortaleza (CE), nada melhor do que buscar inspiração de uma cidade com paisagem inspiradora - à noite, tal como no programa.

Afinal, Fortaleza me deu bons momentos este ano.








* As fotos são minhas e do amigo Thiago Mettitier

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Uma bela palavra

E de repente sou obrigado a concordar com Galvão Bueno. Ele acaba de afirmar no encerramento do "Bem, Amigos" (Sportv, segunda, 21h): "Acho linda essa palavra - irmão".

Pois eu também - só lamento que nem todos deem o devido valor a ela (e aos sentimentos que a ela estão ligados).

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Cresce a "Primavera" brasileira

Segunda-feira, 17 de junho de 2013, um dia para ficar gravado na história: o povo vai às ruas em protestos em São Paulo (65 mil pessoas, segundo o Datafolha), Rio de Janeiro (100 mil pessoas, segundo especialistas; 40 mil de acordo com a PM), Belo Horizonte (20 mil, conforme estimativas), Brasília (com invasão do Congresso), Porto Alegre e em várias outras capitais Brasil afora.

Sinto cheiro de revolução. 

1789? 

Estaremos próximos da queda da Bastilha? 

Quem vai oferecer os brioches? 

E quem, afinal, irá para a guilhotina?

Salve o povo!

PS (acrescentado às 23h07): Segundo o UOL, o número de manifestantes nas principais cidades do país chegou a 250 mil. Já é a maior mobilização desde o impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello.

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Constatação

E às vezes é melhor estar só do que mal acompanhado...

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Vamos brindar!

E já que o "brother" Danilo Fernandes perguntou, aí vai:











É só uma amostra!