terça-feira, 30 de abril de 2013 | | 0 comentários

É, não teremos Paris para sempre...

(...) O que ele foi obrigado a prescindir por causa dela. O que ela foi obrigada a prescindir por causa dele. Um clássico: nada perturba tanto as vidas que vivemos como as vidas que não vivemos. O psicanalista Adam Phillips, em livro recente, explica.

Mas seria injusto condenarmos Jesse e Céline como se fosse possível ter sempre Viena e Paris. Até porque existe alguma beleza nas ruínas. Não porque as ruínas são a expressão tangível do que se teve e perdeu. Mas porque elas são a expressão tangível do que sobreviveu. (...)

Fonte: João Pereira Coutinho, “Não teremos sempre Paris”, Folha de S. Paulo, Ilustrada, 30/4/13.

| | 1 comentários

O Brasil não está preparado para a Copa

Tive recentemente a oportunidade de estar em quatro dos aeroportos que servirão à Copa do Mundo de 2014 e, em um caso, aos Jogos Olímpicos de 2016. Viracopos (Campinas), Santos Dumont (Rio de Janeiro), Guarulhos (São Paulo) e Pinto Martins (Fortaleza). No ano passado, estive também no Galeão (Rio de Janeiro).

Os aeroportos de Campinas e Guarulhos foram recentemente concedidos pelo governo federal à iniciativa privada. O do Galeão, principal porta de entrada para estrangeiros no Rio, deve seguir o mesmo caminho este ano.

É cedo ainda para avaliar com segurança a validade das concessões (elas não completaram sequer um ano). Nos dois aeroportos concedidos, há alguma melhoria. Pouca, porém.

As recentes visitas a estes aeroportos me permitem afirmar com tranquilidade e categoria: do ponto de vista da infraestrutura, a pouco mais de um ano da Copa (e a um mês da Copa das Confederações), o Brasil NÃO ESTÁ preparado para receber os eventos.

As falhas estruturais são gritantes, saltam aos olhos. Vamos a algumas situações:

1 – Viracopos e Cumbica/Guarulhos ganharam “puxadinhos”. Para quem os conhece, será fácil entender as descrições seguintes.

Em Campinas, o antigo corredor coberto que ficava entre o saguão de embarque e o pátio de parada das aeronaves virou uma nova área de embarque, uma espécie de “terminal 2”. Se seu portão for além da letra G (ou H, não me recordo com exatidão) será levado até lá. Foi adaptado com rapidez, é verdade, tem piso de granito, tudo novo, mas só vi um estande para comes e bebes. Não deixa de ser paliativo.

Em Guarulhos, além do terminal 3 que já havia sido feito fora da estrutura então existente, o que exige pegar um ônibus até lá, um novo saguão foi erguido no meio do pátio de parada das aeronaves. Tanto que dele é possível ver os aviões de companhias estrangeiras que chegam a São Paulo e ficam esperando o voo de retorno. Como em Campinas, tem piso adequado, tudo novo, mas não deixa de ser um “puxadinho”.

  
Aliás, não entendo porque Guarulhos ainda recebe voos regionais, como para Passo Fundo (RS), Joinville (SC) e Ribeirão Preto (SP). Um outro aeroporto devia sediar estas operações, deixando o maior aeródromo do país exclusivamente para voos internacionais e nacionais de maior demanda.

2 – em nenhum dos aeroportos o sistema de informação funciona adequadamente. Em Viracopos, tive que perguntar a um funcionário onde estava o meu portão de embarque, já que eu desconhecia o “puxadinho” e praticamente não havia placas indicando o local.

Em Cumbica, você desce uma escada para acessar os portões A1, A2... A15. E lá tem que ficar atento à chamada do seu voo para pegar o ônibus que o levará ao tal “puxadinho”. Santos Dumont, no hall de entrada, parece uma rodoviária lotada. Em Fortaleza, tive que “intuir” onde ficavam os portões de embarque (no andar de cima).

3 – as informações de acesso também deixam a desejar. Em Fortaleza, não havia uma placa sequer indicando o local para deixar os carros alugados (serviço essencial num aeroporto). Como havia apenas duas entradas – indicando “estacionamento” e “embarque” -, dirige-me a uma delas. Tive que parar o carro, descer e perguntar onde deveria entregar o veículo. Fui orientado a sair do estacionamento (quase tive que pagar se demorasse mais um pouco) e pegar, acredite, a entrada de ônibus – isto mesmo, a placa indicava apenas “Ônibus”.

Ainda em Fortaleza, o mapa que recebi no hotel (e, talvez, o GPS) me levou a um aeroporto que não mais é usado. Corri o risco de perder o voo (fiz o check-in correndo e meu nome foi chamado no sistema de som para “embarque imediato”). Não bastasse a indicação equivocada no mapa (que devia ser antigo), o tal aeroporto velho mantém o nome do novo – Pinto Martins. Ou seja: um turista desavisado como eu achará que está no lugar certo.

5 – funcionários e serviços em geral não parecem preparados para receber o público específico de um grande evento como a Copa. Em Fortaleza, dos seis guichês de aluguel de carros, quatro não tinham veículos disponíveis. Ora, como uma cidade que vive do turismo e irá receber a Copa não aumenta a oferta desse tipo de serviço diante de tal demanda?

A funcionária que me atendeu, embora muito gentil, não sabia falar inglês. Num restaurante, a atendente do caixa mal conseguia pronunciar o nome do molho “Caesar” da salada (ela falou tal como se lê, “Ca” – “e” – “sar”).

6 – Em nenhuma das cidades, salvo o Rio, vi obras estruturais. Onde estão os corredores de ônibus? Trens de superfície? Metrôs? Urbanização? Melhorias? Em São Paulo, o acesso a Guarulhos continua restrito para quem não tem carro. Transporte público (leia-se ônibus circular) é um caos. Sobram os táxis com preços abusivos. O desembarque está caótico – e a polícia estava multando os infratores por lá.

Quem recorre aos estacionamentos particulares da região chega a esperar de 30 minutos a uma hora para ser pego pelas vans. Isto se achar vaga nos estacionamentos, costumeiramente lotados. Se precisar mudar de terminal ou recorrer aos de carga terá que pegar um táxi, pois ficam distantes (o que não é o principal problema) e com difícil conexão ou até desconectados (este sim o principal problema).

Em Fortaleza, o acesso ao aeroporto passa por regiões de pouca infraestrutura e aparente insegurança, o que pode amedrontar os turistas (principalmente estrangeiros). Tampouco vi alguma obra de acesso ao estádio do Castelão – ele fica um pouco afastado e só se chega até lá de carro ou ônibus circular, ainda assim há poucas placas indicativas.

Na capital paulista, não é preciso dizer, o Itaquerão está à espera das obras viárias prometidas pelos governos estadual e municipal.

Em Campinas, que não sediará jogos da Copa, mas deve receber turistas em conexão para as cidades-sede, é preciso facilitar a ligação direta de Viracopos com São Paulo. Hoje, é preciso ir até a rodoviária para esta conexão.

7 – detalhes simples, mas importantes, deixam a desejar nos aeroportos. Em Guarulhos (concedido à iniciativa privada!), o banheiro estava sujo e fedorento. Dois funcionários estavam ao lado dos mictórios conversando... Em Fortaleza, sob controle da Infraero, o mau cheiro do banheiro era ainda pior – como também a sujeira. Será tão difícil melhorar ao menos isto no curto prazo?

8 – em alguns casos (no meu), atendentes de companhias aéreas não demonstram muito esforço para ajudar os passageiros em suas dúvidas.

Paro por aqui porque o relato já está longo. Gostaria apenas de fazer uma última observação: todas estas situações e dificuldades foram enfrentadas por mim, brasileiro. Imagine como será para um estrangeiro que não conhece nossos hábitos, nossa cultura e nossa língua?

Ainda há tempo para melhorar...

Em tempo: tirando os novos estádios, já não tenho mais dúvida do tal legado da Copa para a população: quase zero (salvo a inevitável movimentação econômica que o evento provoca nas cidades).

| | 0 comentários

Violência e juventude: o problema real

A necessidade e a urgência de bloqueio ao uso de menores por bandidos e monstros como os incendiários da dentista indefesa Cinthya de Souza, em São Paulo, não podem continuar pendentes da discussão tergiversante sobre a menoridade penal. A menos que se continue admitindo, com estupor mas passivamente, que crimes se propaguem amparados na pena máxima de três anos de "reeducação" para o falso principal autor.

O truque adotado pela bandidagem é inteligente. Suas ações passaram a ter, como norma, a presença de um menor de 18 anos. No caso de mau resultado final do crime, a gravidade maior do ato é atribuída ao "dimenor" e, como passaporte para o primeiro nível da bandidagem, por ele assumida. Não considerado criminoso e preso, como de fato é, mas como "apreendido" para reeducação nos tais três anos máximos, proporciona aos criminosos "dimaior" penas muito mais leves, como coadjuvantes. E saídas da prisão muito mais cedo, com os benefícios presenteados pela lei.

(...) À parte a idade penal, as autoridades ditas responsáveis, nos governos e no Congresso, e mesmo nas polícias, precisam remediar o problema já. Ou ser pressionadas a fazê-lo. Agravante de corrupção de menor, agravar pesadamente a prática de crime de adulto acompanhado de menor, levando a pena a ultrapassar a vantagem do truque, são exemplos de providências adotáveis com rapidez. Mesmo que o marginal de 17 ou 18 anos em nada se diferencie do marginal de 20 ou mais, e mesmo que seu aprendizado criminal nos presídios não seja maior do que o aprendizado fora, não é possível perder mais tempo discutindo idades. (...)

Fonte: Janio de Freitas, “Protetores do crime”, Folha de S. Paulo, Poder, 30/4/13, p. 6.

| | 0 comentários

Companhia de viagem

A lua estava dominante no céu de Fortaleza (CE) na semana passada. E me acompanhou quase até São Paulo, grandiosa, brilhante, onipresente, protagonista do voo - repare que dá para ver a pontinha da asa do avião.


| | 0 comentários

Frase

"Não dá pra gente passar a vida toda com medo de perder alguma coisa que a gente não tem."
Frederico Gonzales, personagem interpretado pelo ator Miguel Thiré na série "Copa Hotel" (GNT, segunda, 22h30)

segunda-feira, 29 de abril de 2013 | | 0 comentários

Por aí

Ainda bem que eu trouxe
Até meu guarda-sol
Tenho toda tarde
Tenho a vida inteira
Já se foi aquele tempo
Da ladeira, irmão!

Meu escritório é na praia
Eu tô sempre na área
Mas eu não sou
Da tua laia, não!
Meu escritório é na praia
Eu tô sempre na área
Mas eu não sou
Daquela laia, não!

Então!
Deixe viver, deixe ficar
Deixe estar como está

(...)

O dia passa
Horas se estendem
As pessoas ao redor
Nunca me entendem

(“Zóio de lula”, de Champ!)

| | 1 comentários

Pelo ar

E lá fui eu voar de novo - está virando rotina (rs). Destino: Fortaleza (CE). A primeira vez no Nordeste brasileiro.


Ignorante, achei que fosse me deparar com uma paisagem árida ao entrar no Ceará. E o que vi pela janela do avião foi verde, muito verde.

Em tempo: a foto é do amigo Thiago Mettitier - a quem, aliás, devo esta viagem-aventura. Valeu "velhão"!

PS: foram tantas as surpresas e impressões desta aventura (que incluiu um giro pelo interior do estado) que muitas postagens serão necessárias - neste blog e no Piscitas - travel & fun.

| | 0 comentários

"Das coisas como elas são"

É claro que nem sempre as coisas acontecem como queríamos que acontecessem.

Existem momentos em que sentimos que estamos buscando algo que não está reservado para nós, dando murros em portas que não se abrem, esperando milagres que não se manifestam.

Ainda bem que as coisas são assim - se tudo andasse como a gente quer, em breve não íamos ter mais assunto para escrever o roteiro dos nossos dias.

Quando estivermos diante de situações que não conseguimos ultrapassar, relaxemos. O universo, embora não consigamos compreender, continua trabalhando por nós em segredo.

Nestes momentos em que não podemos ajudar, prestar atenção às coisas simples da vida - no pôr do sol, nas pessoas que passam na rua, num livro - é a melhor maneira de colaborar com Deus.

Fonte: blog do Paulo Coelho, postado em 27/4/13.

domingo, 28 de abril de 2013 | | 0 comentários

Apenas um poema

Abril é o mais cruel dos meses, concebendo
Lilases da terra entorpecida, confundindo
Memória com desejo, despertando
Lerdas raízes com as primeiras chuvas.
(...)
‘Tu me deste os primeiros jacintos faz um ano;
(...)
- No entanto, ao voltarmos, tarde, do jardim dos jacintos,
Teus braços repletos, teus cabelos úmidos, eu não podia
Falar, e meus olhos se turvaram, não me sentia
Nem vivo nem morto, e não sabia nada,
Olhando no âmago da luz, só o silêncio.

(Trechos do poema “A terra devastada”, de T. S. Eliot, tradução de Ivo Barroso)

sexta-feira, 26 de abril de 2013 | | 1 comentários

Sol nascente

E o dia vai nascendo na metrópole...


... iluminando o contorno da ponte estaiada:




PS: fotos tiradas na manhã da última quinta-feira (25/4) em São Paulo.

quinta-feira, 25 de abril de 2013 | | 0 comentários

Versos de uma canção

Vivendo e não aprendendo
Eis o homem, este sou eu
Que se diz seguro
Que se diz maduro

("15 anos", de Edgard Scandurra)

Minha professora, eu aprendi tudo errado

("Poço de Sensibilidade", de Edgard Scandurra)

quarta-feira, 24 de abril de 2013 | | 0 comentários

Frase

"Todos temos cicatrizes, por dentro ou por fora."
Sra. Hughes, personagem interpretado pela atriz Phyllis Logan na série "Downton Abbey" (GNT, quinta, 22h30)

| | 0 comentários

Sentimentos

Decepção e tristeza. É o que se pode dizer deste dia. Ou melhor, desta noite...

terça-feira, 23 de abril de 2013 | | 0 comentários

O mercado do futebol no Brasil

Apostar na paixão do torcedor.

Esta foi uma das conclusões de uma espécie de mesa redonda promovida pela ESPN por meio do programa "Segredos do Esporte" nesta terça-feira (23/4). A questão colocada era: qual o tamanho do futebol no Brasil?

Um dos expositores lembrou que o Brasil ruma para ser a quinta economia do mundo, estando à frente de Espanha e Itália por exemplo (esteve no ano passado à frente da Inglaterra, perdeu a posição este ano, mas as projeções indicam uma retomada em dois anos). Isto significa que grande parte do dinheiro do futebol hoje circula no Brasil. Bem mais do que na Espanha e Itália.

Por que, então, o Brasil não consegue ter campeonatos tão decentes (no que diz respeito à infraestrutura e desempenho geral)? Por que os clubes brasileiros estão longe de dominar o ranking dos melhores e mais ricos do planeta se o dinheiro circula aqui?

Alguns aspectos foram abordados. Por exemplo: ao contrário das ligas espanhola, italiana, alemã e inglesa, os times brasileiros ficam de quatro a cinco meses do ano disputando campeonatos deficitários e pouco atrativos - os estaduais. 

Tome-se o caso do Paulistão, o mais rico e de maior visibilidade entre todos: o campeonato perde valor a cada ano devido a fórmulas que reduzem a disputa a poucas rodadas, sem contar a falta de infraestrutura e conforto nos estádios e a baixa qualidade técnica das equipes.

Naturalmente, a geografia serve como um argumento em favor dos estaduais (os países europeus possuem dimensões bem menores, "dispensando" campeonatos regionais).

Há quem possa dizer que, no Brasil, a corrupção impera. Isto é verdade, mas os efeitos disto no futebol como espetáculo são relativos. Problema semelhante atinge a Europa e nem por isto os clubes e torneios lá são ruins.

Sandro Rossel, presidente do Barcelona, um dos clubes mais bem sucedidos do mundo, está envolvido em sérias denúncias de corrupção (inclusive no Brasil no caso do amistoso da seleção contra Portugal em Brasília). Uli Hoeness, presidente do Bayern de Munique - que ruma para a final da Copa da Uefa e é provavelmente o time mais bem sucedido da Alemanha -, é acusado de evasão fiscal.

Daí relativizar a questão da idoneidade dos dirigentes para a qualidade do esporte. (Importante: isto não significa que esta questão deva ser relegada a segundo plano, mas sim que ela não é a única a ser combatida.)

Houve consenso de que atualmente, no Brasil, ir para um jogo de futebol é quase uma aventura. Falta lugar para estacionar o veículo, falta transporte público decente e que deixe o torcedor próximo do estádio, falta segurança dentro e fora das arenas, entre outros fatores.

Como resultado de tudo isto, a média de público nos estádios do Brasil atinge níveis incompatíveis com a riqueza dos atletas e do nosso futebol atualmente. Para se ter uma ideia, a média por jogo na Alemanha é de 45 mil pessoas. Até EUA (onde o futebol não é popular) e China (sem evidência nesse esporte) aparecem na frente do Brasil no ranking.


Outro dado: na Inglaterra, a média de ocupação dos assentos por jogo é de 97% - no Brasil é de 44%.

Eis uma provocação: quem é mesmo o país do futebol?

E qual seria a solução? Para o diretor de conexões com o consumidor da Ambev, Marcel Marcondes, a saída é óbvia: apostar e investir na figura do torcedor.

De acordo com ele, o Brasil tem cerca de 350 mil sócios-torcedores num universo de 150 milhões de jovens e adultos. Isto dá 0,2% do total - o Benfica (Portugal) tem 4% de torcedores como sócios.


Se um dos grandes clubes brasileiros tivesse 100 mil sócios pagando R$ 30 por mês, citou Marcondes, acrescentaria a suas finanças R$ 36 milhões/ano. É metade da receita de um clube como o Botafogo (RJ). Não custa lembrar que os maiores clubes do país têm milhões de torcedores (daí a marca de 100 mil ser absolutamente factível).

Uma projeção: se o Flamengo conseguisse ter 1% de seus torcedores como sócios, teria R$ 260 milhões no ano. Se atingisse o nível do Benfica, atingiria R$ 900 milhões.

Contudo, como disse um dirigente de um clube brasileiro, o que interessa é o dinheiro da televisão e dos patrocinadores. Traduzindo: o torcedor é apenas detalhe.

Deveria, pois, ser a razão do espetáculo. E do negócio.

Enquanto esta lógica não for invertida, os clubes seguirão penando com administrações amadoras e resultados ineficientes (salvo uma ou outra exceção). E nossos campeonatos seguirão em posições ingratas nos rankings mundiais, apesar do dinheiro estar circulando por aqui.

| | 0 comentários

"Das bênçãos"

Duas coisas não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo. Num espaço ocupado pela amargura e pelo medo, as bênçãos não conseguem entrar. Mesmo que elas batam na porta, e mostrem a luz que carregam com elas, a porta não se abre.

A alma precisa estar limpa, para que as bênçãos se manifestem.

Por isso é preciso lavar a alma com esperança. Neste processo, nós nos lembraremos de velhas tristezas, e sofreremos de novo a mesma coisa – mas sabemos que as bênçãos estão chegando.

E um dos principais poderes das bênçãos é a capacidade de curar a dor.

Uma alma limpa é aquela que, apesar de tudo, não está conformada com a situação atual. Uma alma limpa é uma alma corajosa que, mesmo lutando contra as trevas, deseja encontrar a luz.

Fonte: blog do Paulo Coelho, postado em 24/4/13.

| | 0 comentários

Reflexão do dia

Já manifestei neste blog que pessoas inteligentes não desperdiçam amizades.

Pois é o que a vida tem me mostrado ultimamente.

| | 1 comentários

Economia real

Esta eu capturei do "Conta Corrente" (GloboNews, 21h) desta terça-feira (23/4):


É o tipo de informação que o "brother" Danilo Fernandes adora ver...

Por isso, caro leitor, se você mora no Brasil, pague sempre sua fatura do cartão em dia!

segunda-feira, 22 de abril de 2013 | | 0 comentários

Frase

"Alguns caminhos não são escolhidos. São impostos pela força do tempo, do coração ou da natureza."
Frase da chamada de um novo programa do Discovery Channel

| | 0 comentários

"Dias melhores"

Vivemos esperando
Dias melhores
Dias de paz, dias a mais
Dias que não deixaremos
Para trás

Vivemos esperando
O dia em que
Seremos melhores
Melhores no amor
Melhores na dor
Melhores em tudo

Vivemos esperando
O dia em que seremos
Para sempre
Vivemos esperando
Dias melhores pra sempre
(Pra sempre!)...

(De Rogério Flausino)

| | 0 comentários

Um pouco de arte (de novo)

As cores e traços impressionistas e marcantes de um tal Vincent ("The Drinkers", de 1890, e "The Bedroom", de 1889):
  




Aqui, num autorretrato (não anotei a data):


E agora Henri de Toulouse-Lautrec (em destaque "At the Moulin-Rouge", de 1892-5):



Em tempo: os quadros estão expostos na Galeria de Arte de Chicago (EUA).

| | 0 comentários

Questões de Justiça (ou injustiça)

(...) De que adianta finalizar o primeiro dos quatro julgamentos do massacre do Carandiru mais de 20 anos depois do fato? Finalizar, aliás, é um termo impróprio: os 23 PMs condenados vão recorrer da sentença em liberdade. Sabe-se lá quando essa etapa vai acabar de verdade.

A resposta cabal da Justiça a esse evidente abuso deveria ter chegado ainda na primeira metade dos anos 1990. Teria sido pedagógica para as várias turmas de novos policiais que se formaram desde lá. Teria tirado os culpados das ruas e da convivência com colegas. Teria livrado os inocentes de uma carga torturante. (...)

Fonte: Vinicius Mota, “20 anos depois”, Folha de S. Paulo, Opinião, 22/4/13, p. 2.

| | 0 comentários

Pensando alto

Um dia, quem sabe, talvez...

| | 0 comentários

O histórico Santos Dumont

Eu nunca havia usado o tradicional Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio de Janeiro. Inaugurado na década de 1930, ele mais se parece com uma rodoviária. É famoso pela pista curta e por estar à beira-mar, o que dificulta as operações, tornando os pousos e decolagens um tanto arriscados.

Ele também é conhecido pela bela paisagem ao redor, com o Corcovado ao fundo de um lado e a ponte Rio-Niterói de outro, o que sempre encanta os passageiros.


Assim, pousar lá costuma dar sempre um "frio na barriga". As manobras dos aviões realmente parecem ser mais delicadas. No meu caso, o piloto abusou um pouco da curva e da rapidez na aproximação final, meio montanha-russa. Ainda assim, foi legal!






Em uma das cabeceiras da pista tem até uma espécie de "museu" de aviões:


E, para encerrar, uma imagem simbólica em preto & branco (que aprecio):


Leia também:

- "Pousos e decolagens" (9) - por este link é possível acessar toda a série de postagens

domingo, 21 de abril de 2013 | | 0 comentários

As bombas em Boston e a imprensa na berlinda

O caso dos atentados a bomba em Boston durante a famosa maratona internacional na última segunda-feira (15/4) reacendeu o debate a respeito do trabalho da imprensa. Tudo porque alguns dos principais veículos de informação dos Estados Unidos, na ânsia de sair na frente (dar um “furo”, no jargão jornalístico, uma informação em primeira mão), deram uma notícia equivocada (cometeram uma “barriga”, também no jargão da imprensa, informação falsa).

Uma agência de notícias e depois, em série, a rede CNN, Fox News e outros informaram que um suspeito havia sido preso. A polícia norte-americana precisou vir a público negar a informação. De fato, ninguém tinha sido detido.

Erros deste tipo costumam ocorrer em coberturas tensas e inesperadas como a dos atentados. Via de regra, a pressa para informar faz com que jornalistas e editores “pulem” etapas importantes da apuração, aumentando significativamente o risco de erros (ou das famosas “barrigas”).

No Brasil, notabilizou-se o chamado caso da escola Base na década de 1990 (responsáveis por uma escola infantil de São Paulo foram acusados indevidamente de abusar das crianças e a imprensa “embarcou” nas denúncias).

O que me chamou a atenção no caso foi o quase pioneirismo da CNN no erro. No ano passado, tive a oportunidade de conhecer a sede da emissora em Atlanta (EUA) e conversar com os principais jornalistas e executivos da empresa.

Um dos diretores do CNN Wire, Kurt Muller, falou do risco de erros em coberturas de maior vulto. Ele destacou o sistema que havia sido criado – o Wire - justamente para evitar a divulgação de informações erradas. Uma das ações foi centralizar a apuração dos dados que vinham de várias fontes e equipes e unificar a posterior divulgação.

Muller citou o caso da prisão do terrorista saudita Osama bin Laden, informada pela CNN antes mesmo do governo norte-americano (um “furo” arriscado). O diretor explicou que apenas quatro pessoas em toda a rede, ele incluído, podiam autorizar a divulgação de uma informação deste nível e baseada em fontes não identificadas.

Foi basicamente o que ocorreu no caso de Boston – as informações foram atribuídas a fontes oficiais.

Obviamente, não creio em má-fé da imprensa (principalmente da CNN, que conheci). Naturalmente, houve um erro de apuração (não sei exatamente se exclusivamente pela pressa ou por dar um nível de confiança exagerado a uma determinada fonte ou a determinadas fontes).

Muller talvez pudesse responder.

Leia também:

| | 0 comentários

Reflexão do dia

"Tem gente que não sabe escutar."

Saber escutar - eis o desafio.

| | 1 comentários

Mundo vegetal

Os primeiros limões-cravo de muitos que certamente aquele pé há de produzir - afinal, foi plantado com muito esforço e esmero (que o diga o Thiago)!



E o primeiro limão já foi usado.

| | 0 comentários

"In the end"

All I know

Time is a valuable thing
Watch it fly by as the pendulum swings
Watch it count down 'till the end of the day
The clock ticks life away

It's so unreal

(...)

I kept everything inside
And even though I tried
It all fell apart
What it meant to me will eventually
Be a memory of a time when

I've tried so hard
And got so far
But in the end
It doesn't even matter
I had to fall
To lose it all
But in the end
It doesn't even matter

(...)

I've put my trust in you
Pushed as far as I can go
For all this
There's only one thing you should've know

I've tried so hard
And got so far
But in the end
It doesn't even matter
I had to fall
To lose it all
But in the end
It doesn't even matter

(Gravada pelo Linkin Park)

sexta-feira, 19 de abril de 2013 | | 0 comentários

Frase

"Em um minuto tudo parece perfeito e em outro tudo vira cinzas."
Lady Mary, personagem interpretado pela atriz Michelle Dockery na série "Downton Abbey" (GNT, quinta, 22h30)

| | 0 comentários

Castelo de areia


Olhando este aí, os castelos de areia que eu costumava fazer na infância mereciam ser chamados de barracos.

Em tempo: esta é a nova mania nas praias do Rio de Janeiro. Praticamente em toda a orla turística há esculturas de areia das mais diversas. Coisa fantástica!

Só para se ter uma ideia, esta que eu fotografei era a mais modesta vista na ocasião.

Para mim, verdadeira obra de arte - perecível, mas arte!

quinta-feira, 18 de abril de 2013 | | 0 comentários

Palavras do dia

Sonhando e esperando...

(Palavras ouvidas no terceiro episódio da série "Downton Abbey", que passa no GNT todas as quintas-feiras, às 22h30, e que são mais do que apropriadas para este momento.)

| | 0 comentários

Notícias de Brasília: democracia ou golpismo?

Sob o comando do governo, por meio de sua bancada, com apoio de alguns membros da oposição (caso do DEM), a Câmara Federal aprovou projeto que restringe o acesso de novos partidos às verbas do fundo partidário e do tempo de TV.

A medida, que num primeiro momento soa moralizadora (como de fato seria não fosse outro o interesse escondido nela), é o oposto do que se viu quando o então prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, agiu para criar um novo partido, o PSD - com promessa de apoio ao governo federal.

Agora, o alvo do projeto aprovado pelos deputados é a recém-anunciada Rede, o partido que está sendo criado pela ex-senadora Marina Silva (ex-PV) - pré-candidata a presidente em 2014. 

Outro alvo é a MD, Mobilização Democrática, partido que surge da fusão do PPS e PMN - com potencial de "roubar" deputados justamente, entre outros, do PSD de Kassab (após ter sido beneficiado pelo acesso ao tempo de TV e recursos do fundo, o ex-prefeito articulou em favor da aprovação do projeto que restringe as mesmas medidas para novas siglas).

O que seria, portanto, uma ação positiva e moralizadora não passa de mero oportunismo político-eleitoral.

É democracia, mas parece golpismo.

Leia também:

- História em rica em exemplos de casuísmo eleitoral explícito

| | 0 comentários

Anoitecer

Luzes e cores da cidade - Limeira - num belo início de noite qualquer:


Inspirador, não?

| | 0 comentários

Sentimentos

Temi que pudesse ser raiva, mas foram uma imensa saudade e uma boa dose de tristeza o que senti...

quarta-feira, 17 de abril de 2013 | | 0 comentários

Versos de uma canção

Um girassol sem sol
Um navio sem direção

(...)

Sou agora um frágil cristal
Um pobre diabo
Que não sabe esquecer

(“O Girassol”, de Edgard Scandurra)

terça-feira, 16 de abril de 2013 | | 0 comentários

Imagens de guerra

Quem gosta de história não pode deixar de dar uma olhada no projeto PhotosNormandie, no Flickr. Lá estão digitalizadas 2.983 fotos da famosa Batalha da Normandia, um dos ápices da Segunda Guerra Mundial.

As fotos mostram desde a destruição das cidades causada pela guerra até momentos descontraídos de soldados – homens e mulheres – nos campos de batalha, seja descansando embaixo das asas de um avião ou posando para fotos.

O projeto - uma iniciativa de Michel Le Querrec e Patrick Peccatte - resulta de uma coleção colaborativa, ou seja, as pessoas cedem as imagens, licenciadas em Creative Commons (uma espécie de licença aberta para atividades sem fins lucrativos).

A famosa batalha reuniu forças dos chamados Aliados (capitaneados por EUA, Reino Unido e França) contra as tropas nazistas na costa francesa, em 1944. A região estava sob ocupação alemã.



Infelizmente, não há informações em português nas fotos, mas ainda assim é possível saber data e local de cada imagem. Também é permitido deixar comentários. A ampla maioria das fotos – divididas em pastas – está em preto e branco.

Partindo do princípio de que cabe ao ser humano aprender com seus erros, ver (ou rever) os horrores da guerra talvez seja uma boa oportunidade para - além de ter um contato mais íntimo com a história - cultivar sentimentos como tolerância e respeito ao próximo.

| | 0 comentários

"Admirável gado novo"

Neymar fugiu da pergunta quando quiseram saber se ele concordava com seu técnico no Santos, que classificou como inoportuno o amistoso disputado pela seleção brasileira na Bolívia.

O menino repetiu as platitudes de sempre, ao falar de seu orgulho em servir a seleção e, lamentável, disse que não entraria na polêmica proposta pelo técnico do Santos, Muricy Ramalho.

Poderia perfeitamente ter feito as duas coisas: reafirmar a satisfação em jogar pelo time e concordar com seu treinador.

Sabe que o aconteceria com ele por tamanha coragem? Rigorosamente nada!

Mas não.

Na trilha da maioria de seus companheiros, Neymar não se expõe, é incapaz de uma atitude cidadã, razão pela qual é submetido aos calendários massacrantes, aos gramados ultrajantes e às botinadas sem castigo.

Neymar é um brasileiro típico, como aquele descrito por Zé Ramalho em sua música que está no título da coluna, mas que é mais conhecida como "Vida de gado".

Gado que é encaminhado para o matadouro sem mugir, porque as coisas são como são e o melhor é que cada um cuide do próprio umbigo, ou do bolso, onde, dizem, dói mais.

Neymar não disse, mas pode muito bem ter pensado, que, se em vez de Luiz Felipe Scolari fosse Muricy Ramalho o técnico de plantão na CBF, ele também convocaria quem foi convocado e não faria nenhuma crítica.

Infelizmente são raras as manifestações valentes de nossos jogadores e é ocioso relembrar de Tostão, Afonsinho, Sócrates, não por coincidência todos médicos, Paulo César Caju, Casagrande, Wladimir, ou, nos dias de hoje, Paulo André.

Aves sozinhas que não fazem verão, apenas arejam o ambiente para serem tratados como quixotescos - como se fosse uma ofensa.

Porque são poucas, também, as demonstrações cidadãs do povo brasileiro, acostumado a ser tratado feito gado e com estômago de avestruz.

Cerca de 8.000 pessoas no culto ecumênico na praça da Sé, em 1975, para denunciar o assassinato de Vladimir Herzog.

Um milhão e meio em comício pelas Diretas-Já, no vale do Anhangabaú, também em São Paulo, em 1984, logo depois que outra multidão de um milhão se reuniu na

Candelária, no Rio.

Cerca de 750 mil caras-pintadas, em 1992, outra vez no vale do Anhangabaú, para derrubar Fernando Collor.

E o que mais?

Collor, o primeiro presidente eleito depois das Diretas, está aí, todo pimpão.

Quem ajudou a complicar Herzog também, na CBF e no Comitê Organizador Local da Copa.

O Engenhão está interditado.

O Maracanã, superfaturado, terá de ser reformado para os Jogos Olímpicos, o complexo olímpico ao seu lado foi fechado e será demolido e, em Itaquera, e pelo país afora, moradores são removidos sem mais para obras da Copa do Mundo e dos Jogos de 2016.

Zé Ramalho tem carradas de razão.

Mas têm, também, Vitor Martins e Ivan Lins, com seus "Desesperar jamais".

Se bem que Neymar poderia ajudar um pouquinho que fosse.

Fonte: Juca Kfouri, “Folha de S. Paulo”, Esportes, 8/4/13.

PS: Infelizmente, o que vale para o Neymar vale para a ampla maioria dos jogadores brasileiros. Daí a situação do nosso futebol...

| | 0 comentários

Direto do toca-CD (35)

Logo, logo assim
Que puder, vou telefonar
Por enquanto “tá” doendo
E quando a saudade
Quiser me deixar cantar
Vão saber que andei sofrendo...

E agora longe de mim
Você possa enfim
Ter felicidade
(...)

Ontem demorei
Pra dormir
“Tava” assim
Sei lá!
Meio passional
Por dentro...

Se eu tivesse
O dom de fugir
Pra qualquer lugar
Ia feito um pé-de-vento
Sem pensar
No que aconteceu
Nada, nada é meu
Nem o pensamento...

(“Eu e você sempre”, de Jorge Aragão e Flávio Cardoso)

| | 0 comentários

Figuras cariocas

Os trabalhadores, as estudantes...




... e o Rio de Janeiro continua lindo!

| | 0 comentários

"Congresso de excessos"

(...) A recente criação de novos cargos e encargos na Câmara dos Deputados vai na contramão da promessa de austeridade, reduzindo em cinco vezes a "economia" anunciada antes. O número de deputados não aumentou, mas o surgimento de novos partidos cria e diminui bancadas.

Respeito ao erário seria redistribuir as funções gratificadas já existentes. Não são poucas: há nada menos que 10.636 secretários parlamentares nos gabinetes e 1.433 cargos de natureza especial (CNE). A estrutura da Mesa Diretora é contemplada com 288 deles. Até os suplentes são agraciados com 11 CNE's cada! Tal fartura explica a disputa encarniçada por essas posições...

Também as lideranças partidárias têm aparato exagerado e desequilibrado, indo de dois a oito servidores, para os menores dos 23 partidos hoje representados na Câmara Federal, até os 80 a 124 dos médios e grandes. É prudente medida de segurança que nem todos compareçam aos gabinetes ao mesmo tempo... (...)

Fonte: Chico Alencar, Folha de S. Paulo, Opinião, 14/4/13, p. 3 (para ler a íntegra, clique aqui – vale a pena!)

| | 0 comentários

Frase

"O aspecto mais difícil da democracia é que ela existe também para os tolos."
Reinaldo Azevedo, jornalista, em chamada do seu blog na revista "Veja" (edição 2.317, de 17/4/13)

| | 0 comentários

A arquitetura que liga Miami e Cuba

Cuba e Miami (EUA) parecem mesmo estar umbilicalmente ligadas - via de regra em oposição. 

Não vou entrar no mérito da parte histórica (para isto, recomendo a leitura de "Os últimos soldados da Guerra Fria", do escritor Fernando Morais). É que vi recentemente na Internet que Cuba discute uma forma de restaurar e preservar seus históricos prédios em arquitetura art decó

Pois é inevitável lembrar do Art Decó District, uma das principais atrações de Miami Beach, na famosa Ocean Drive, a principal avenida da cidade. Ou seja: os membros da diáspora cubana têm razões para se sentir em casa naquele pedaço de chão.



 



 


A diferença - como se vê nas fotos - é que enquanto em Miami os prédios já foram restaurados, estão preservados e viraram atração turística, em Cuba... Bem, por lá os prédios também são atração turística (só não se sabe até quando...).

Em tempo: acho que preciso acelerar minha visita a Cuba...

| | 0 comentários

Provocações

Diante da questão de Hamlet, "ser ou não ser, eis a questão", a resposta talvez seja "não ser". Deprimir-se ou resistir?

Dias assim, melhor dormir. Mas, como a vida continua, insistimos. Um tratado de "Crítica da Razão Deprimida" deveria começar pela descrença na democracia.

Como crer na democracia quando sabemos que a popularidade de nossa presidente é alta? Se o pastor Feliciano não tem o perfil para o cargo, tampouco ela o tem. Lembramos então do que dizia o líder inglês durante a Segunda Guerra, Winston Churchill: "Quando falo com os eleitores, duvido da democracia".

(...) Claro, o problema é que na democracia dependemos da maioria, e esta é quase sempre estúpida. Sei que muitos não concordam com essa ideia e, mais do que isso, entendem que há algo de "sagrado" na sabedoria do povo.

Mas, sei também que quem afirma isso, conhecendo um pouco de história, o faz por má-fé, ou simplesmente, por mais má-fé ainda. Temo que esteja sendo redundante, mas a redundância é uma vantagem evolutiva em meio às obviedades contemporâneas. (...)

Fonte: Luiz Felipe Pondé, “Algumas razões para se deprimir”, Folha de S. Paulo, Ilustrada, 8/4/13.

| | 0 comentários

Versos que fazem sentido

Quanta gente a gente vive deixando pra trás
Mas tem coisas nesta vida que não voltam mais
A primeira namorada
A professora do jardim
Companheiros de estrada
Não se lembram mais de mim
Amizade abandonada
Só colegas de profissão
A família separada
Meus vizinhos eu nem sei quem são

(“Pior é te perder”, de Álvaro Socci e Cláudio Matta)

PS: ouvi esta música no fim de semana e fiquei pensando como de fato ela tem razão...

segunda-feira, 15 de abril de 2013 | | 0 comentários

Boston, 15/4/12 - um ano antes das bombas

- Você viu as bombas na maratona de Boston?

A pergunta, oriunda de um conhecido, colocou-me de imediato numa máquina do tempo. Voltei um ano, exatamente um ano, exatamente a 15 de abril de 2012. E respondi, um tanto estupefato:

- Eu estava lá exatamente um ano atrás, na mesma rua, no mesmo lugar...

Era domingo, um domingo ensolarado e um tanto frio. Cheguei a Boston acompanhado por um ex-colega de trabalho, vindos de Washington D.C. no voo 1790 da JetBlue. Destino inicial: a Monsignor O´Brien Hwy, onde ficava nosso hotel.

Até então, meu colega e eu não tínhamos entendido a razão dos hotéis em Boston custarem bem mais do que em qualquer das outras cidades pelas quais passaríamos (eram pelo menos dez). Tampouco sabíamos porque era difícil achar vagas na cidade. Só descobrimos quando iniciamos nosso passeio. 

Ao chegar no centro histórico, encontramos uma estrutura toda montada para a famosa Maratona de Boston, uma das mais importantes e históricas provas de atletismo de rua do mundo. Para se ter uma ideia, ela foi criada em 1897, sendo a segunda mais antiga - atrás apenas da maratona olímpica. 

A prova ocorreria no dia seguinte, segunda-feira 16, feriado. Naquele domingo, portanto, o espaço que sediaria o evento estava parcialmente bloqueado, disponível para os pedestres. E como havia gente na cidade! Fora os locais, atletas profissionais e amadores de diversas partes do mundo - daí a razão dos hotéis lotados e dos preços altos.

Passeamos tranquilamente pelas ruas, vimos a estrutura de apoio aos participantes, as arquibancadas e os banners com o logotipo da prova - tudo pronto! Nas fotos a seguir, as grades dispostas na calçada eram para a maratona, bem como o estande montado em frente à igreja (aliás, os atentados foram ali perto).



Um ano depois, ao tomar conhecimento dos atentados a bomba, confesso que me deu uma sensação curiosa. Uma mistura de indignação com a capacidade humana de produzir atos insanos e, ao mesmo tempo, um sentimento de pertencimento. Como se eu - por conhecer aquele lugar e ter estado exatamente no mesmo ponto um ano atrás, no mesmo dia 15 de abril - tivesse algo a ver com a cidade. Senti como os locais devem ter sentido.

Também, naturalmente, fiquei com uma sensação de nostalgia. Um ano atrás eu caminhava pelas ruas de Boston, mas esta parte da história tem capítulos que são um tanto dolorosos até hoje. Enfim, coisas da vida...

Leia também:


| | 2 comentários

Pensando alto

Um dia, quem sabe, talvez...

| | 0 comentários

Bestas ao volante

(...) O carro faz parecer que existia outro personagem que não o próprio condutor. Porém a lataria não pode ocultar o personagem e o Renavam não pode esconder a habilitação. O insulfilm não tem como mascarar o rosto e o deslocamento não tem como deixar para trás o que foi feito.

Porque fechar outro carro é como empurrar alguém no meio da rua. Porque buzinar é como chegar e gritar no ouvido do outro. Porque acelerar em direção a um pedestre é como levantar a mão em ameaça ao próximo. Porque estacionar trancando o outro é produzir um cárcere privado. Porque ultrapassar perigosamente é como sair armado.

(...) Sinal de que no carro somos outra pessoa, mais perigosa. Sinal de que nossa consciência assume que tem menos responsabilidade dentro do que fora dessa entidade.

O condutor é uma consciência e uma consciência é um bicho vestido. As sensações de anonimato e de que o pequeno espaço de nossa carroceria é privado fazem o bicho se despir como ele não faz do lado de fora. E o que vemos pela cidade são respeitáveis senhores e senhoras como bichos atrelados a um volante.

Dão vazão a violências que fora, vestidos, não dariam. Além das agressões e abusos que produzem, saem dos seus carros piores pessoas diante de suas próprias consciências. Seguem a rotina como se nada tivesse acontecido, mas trouxeram para dentro de sua casa, de sua alma, marcas de pneus. (...)

Fonte: Nilton Bonder, “Autoviolência”, Folha de S. Paulo, Opinião, 14/4/13, p. 3.

| | 3 comentários

Bons momentos!

Futebol da melhor qualidade, cerveja da melhor qualidade e um amigo do lado (também da melhor qualidade): há momentos que definitivamente valem a pena!


  




Em breve tem mais!