sexta-feira, 31 de agosto de 2012 | | 0 comentários

Reflexão

Infelizmente (ou felizmente, sei lá...), não convivo bem com a mediocridade. Das pessoas e dos lugares.

Será exigir muito pensar grande?

quinta-feira, 30 de agosto de 2012 | | 0 comentários

Frase

“A única coisa que muda em nós quando viajamos é que a vida normal não é mais atraente.”
Brook Silva-Braga, autor do documentário “De mochila pelo mundo” (exibido nesta quinta-feira pelo canal “GNT” – veja resumo abaixo)

“E se você saísse de férias e nunca mais voltasse? Foi isso que o nova-iorquino Brook Silva-Braga fez. Ele deixou tudo para trás para viajar durante um ano pelo mundo. No documentário ‘De Mochila pelo Mundo’, (...) Brook conta como foi essa aventura: ele tinha em mãos apenas o roteiro dos lugares que visitaria, mas sem saber onde dormiria cada noite - e muito menos quem conheceria no caminho. Assista (a) um trecho” aqui.

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Coisa de cidade grande

Uma das características de que mais gosto nas cidades grandes é o fato de você encontrar coisas que não vê em outros lugares.

Hoje, por exemplo, assistindo a um programa do canal “Discovery”, conheci uma loja de Nova York (EUA) especializada em bizarrices, como crânios, esqueletos, etc. Trata-se da Obscura Antiques & Oddities (além do site, a loja também tem um blog).



Andando por NY em abril último, também me deparei com uma loja muito legal. Não é tão bizarra quanto a Obscura, mas tem de tudo. Ou quase tudo. E tudo meio bagunçado, algo típico de... Nova York.

Trata-se da Fleamarket Antiques & Collectibles. Fica na 112 West 25th Street, na região de Chelsea, em Manhattan.



* As fotos da Obscura foram retiradas do site e do blog da loja; a da rua que mostra a Fleamarket é do Google Street View e a da fachada é minha

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Direto do toca-CD (8)

Se todos fossem
Iguais a você
Que maravilha viver
Uma canção pelo ar
Uma mulher a cantar
Uma cidade a cantar, a sorrir, a cantar, a pedir
A beleza de amar
Como o sol, como a flor, como a luz
Amar sem mentir, nem sofrer

Existiria a verdade
Verdade que ninguém vê
Se todos fossem no mundo iguais a você

("Se todos fossem iguais a você", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes)

quarta-feira, 29 de agosto de 2012 | | 0 comentários

De onde vem, afinal, o dinheiro das campanhas?

Na CPI do Cachoeira, em Brasília, o ex-diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antonio Pagot, afirmou que o senador cassado Demóstenes Torres (sem partido) pediu-lhe que favorecesse a empreiteira Delta em obras do governo federal. “Ele me disse: ‘Tenho dívidas com a empresa Delta, porque ela apoiou minha campanha. Preciso ter obra com meu carimbo’”, segundo o G1.

No julgamento do “mensalão” também em Brasília, vai ficando claro que o PT montou um grande esquema de compra não só diretamente de votos, projeto a projeto, mas principalmente de apoio político ao governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (que dizia nada saber a respeito). E o pior: com dinheiro público, saído dos cofres do Banco do Brasil.

Em Limeira, os bastidores das campanhas eleitorais fervem com boatos sobre apoio de empresas a determinados candidatos – verba “não contabilizada”, no jargão petista para o tal “mensalão”. O caso chegou a ser tratado de modo direto no horário eleitoral gratuito por um dos candidatos a prefeito, que confirmou sua manifestação ao blog “Limeira 2012”.

Pois bem: até quando os brasileiros teremos que assistir a uma sucessão de escândalos de corrupção pelos quatro cantos do país, todos com a mesma raiz, qual seja, o financiamento escuso das campanhas eleitorais?

Ou alguém ainda é inocente de imaginar que os valores declarados pelos candidatos (eleitos ou não) à Justiça Eleitoral são verdadeiros?

Pura peça de ficção!

Este blog já registrou a fala do prefeito cassado Silvio Félix (PDT), quase uma confidência, nos bastidores de um programa de televisão. A conta para eleger o próximo prefeito de Limeira, segundo o pedetista, chegaria a R$ 5 milhões. Quem pagaria agora cobraria depois.

É bom o eleitor ficar de olho. Em Limeira e em todo o Brasil. O financiamento das campanhas tem custado muito caro à sociedade. E os políticos não parecem nem um pouco dispostos a mudar a forma de fazer política – ou seja, a propalada reforma política seguirá eternamente como uma ideia.

Alguém se habilita a propor alguma alternativa para este cenário sombrio ou seguiremos todos acreditando em Papai Noel?

Em tempo: feliz Natal!

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Para onde ir?

Qual é mesmo o caminho?



Ah, sem dúvida este aqui, a sonhada Rota 66 - que um dia, em breve, farei.


Em tempo: as duas primeiras fotos foram tiradas em Atlanta e Chicago; a última é do início da Rota 66 na W Adams Street em frente ao Instituto de Arte de Chicago.

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Frase

"Vossa Excelência é o retrato do seu discurso. Não há um hiato, uma brecha sequer. A autenticidade está nisso, no que se teoriza e o que se pratica."
Carlos Ayres Britto, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), dirigindo-se ao colega Cezar Peluzo

terça-feira, 28 de agosto de 2012 | | 0 comentários

A política e a polícia fracassaram

Aparecido Capello assumiu o comando da Delegacia Seccional de Limeira em 27 de março de 2002. Tão logo tornou-se chefe, reuniu a imprensa para se apresentar. Eu era repórter do “Jornal de Limeira” na ocasião e cobri a chegada do novo comandante da Polícia Civil na regional de Limeira.

Lembro bem da ocasião: com a fala calma que lhe é característica e observado pelos olhos claros e de ar sombrio da garota do quadro que há anos estampa a parede dos fundos da sala do seccional, Capello elegeu o combate ao furto e roubo de veículos como prioridade de sua gestão.

De imediato, anunciou a criação de uma força-tarefa para combater esse tipo de crime e também os que estão diretamente ligados a ele, como a receptação de peças pelos desmanches.

Então uma verdadeira praga em Limeira, os furtos e roubos de veículos tinham somado 772 casos em 2001. Já no primeiro ano de Capello à frente da Seccional, o número saltou para 859. Em 2003, a primeira redução em muito tempo – 800 ocorrências. No ano seguinte, uma pequena alta: 828. Uma nova queda foi verificada em 2006 (882 casos) após uma “explosão” nos casos no ano anterior (993).

Capello deixou a Seccional no final de 2008. Entregou ao sucessor um índice de 1.020 roubos e furtos de veículos. Desde então, a unidade policial já teve dois comandantes – Sebastião Antonio Mayrinques e o atual, José Henrique Ventura. Desde então, a ação dos ladrões de veículos só cresceu na cidade. Em 2011, foram 1.564 casos (média de quatro por dia), um recorde histórico.

Tem-se, portanto, que em dez anos esse tipo de crime dobrou em Limeira, o que não se deu com a população nem com a frota veicular (que cresce assustadoramente, mas não na mesma proporção).

Na polícia, sempre que tais números são apresentados, surge o argumento de que muitos casos decorrem do chamado “golpe do seguro”. Deve ser fato – hoje e ontem. Ou seja, a alegação que vale para agora também há de valer para dez anos atrás, ainda que em menor número, mas não o suficiente para justificar o aumento verificado nas estatísticas da Secretaria da Segurança Pública.

Embora eu acredite que a máxima “contra números não restam argumentos” merece ser relativizada, neste caso não há o que contestar. As forças de segurança – comandadas prioritariamente pelo governo estadual – fracassaram na política de repressão aos furtos e roubos de veículos.

Um fracasso que tem custado um alto preço à sociedade, seja diretamente pela perda do bem pela vítima (um prejuízo estimado em torno de R$ 23,5 milhões considerando só os casos de 2011 e tomando como valor médio dos veículos R$ 15 mil), seja indiretamente pelos donos de veículos ao pagarem mais pelo seguro – as companhias seguradoras apontam o problema como causa principal dos preços elevados do serviço em Limeira.

Em tempo: fenômeno semelhante ocorreu em Piracicaba (1.935 ocorrências em 2011) e Americana (1.539 casos), o que reforça a tese que se trata de um crime regional, combatido via de regra localmente porque faltam integração e inteligência conjunta para as polícias.

No que diz respeito aos furtos e roubos de veículos, a “política de segurança” do Estado - se é que há... - falhou.

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Mãos budistas

Alguém saberia explicar qual o significado dos gestos das mãos (aliás, várias mãos...) imortalizados pelas estátuas budistas?






Em tempo: as fotos foram feitas no Instituto de Arte de Chicago (EUA).

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Será?

Numa trapaça do destino, enquanto o Supremo Tribunal Federal julga o comissariado do mensalão, o ex-senador Luiz Estevão fez um acordo com a Viúva, devolvendo-lhe R$ 468 milhões.

O doutor foi o primeiro senador a perder seu mandato e recorre de uma condenação a 36 anos de cadeia. Seu caso completou 12 anos. As sentenças do mensalão sairão depois de sete. A teoria da farsa, enunciada por Lula, parece estar a caminho do lixo.

Nem todos os malfeitores estão a caminho da cadeia, mas Demóstenes Torres perdeu o mandato.

Passou-se o tempo em que um senador gravado quando extorquia um empresário era absolvido por seus pares.

Pindorama não está perto de virar uma Finlândia, mas começa a vigorar na terra a Lei de Serpico, enunciada para a polícia de Nova York: "É o corrupto quem deve ter medo do honesto, e não o honesto quem deve ter medo do ladrão".

Fonte: Elio Gaspari, “As coisas boas também acontecem”, Folha de S. Paulo, Poder, 26/8/12.

PS: Será que o Brasil está mesmo começando a tomar jeito...?

segunda-feira, 27 de agosto de 2012 | | 0 comentários

O destino de Nova Orleans

Li no final de semana que uma poderosa tempestade tropical que se aproximava da Flórida (EUA) desviou seu curso e ameaça virar um furacão. De nome Isaac, a dita cuja (que deve virar dito cujo) ameaça a Louisiana, estado onde fica Nova Orleans.

Para quem não se lembra, trata-se da cidade arrasada pela passagem devastadora do furacão Katrina em agosto de 2005.

Estive em Nova Orleans em abril deste ano. Na área histórica, quase não se veem marcas do Katrina. Aliás, é incrível pensar que toda aquela região foi destruída e estava debaixo d´água sete anos atrás. O estádio de futebol que serviu de moradia para os desabrigados, por exemplo, foi totalmente reformado, bem como a área ao seu redor.

Naturalmente, há áreas periféricas que ainda carregam os sinais da passagem do Katrina – tem até passeio turístico para ver a destruição causada pelo furacão. Nas margens do Mississippi, o rio que banha a cidade, é possível ainda ver edificações destruídas.



Na região da North Rampart Street, vi um conjunto de imóveis financiados pelo governo Barack Obama para as famílias que perderam suas moradias na passagem do furacão.


No entanto, Nova Orleans resistiu. E renasceu. Notadamente em razão da força de sua gente (embora milhares de pessoas tenham deixado a cidade) – é histórica a inação do governo George W. Bush durante a tragédia.

Hoje, o que se vê é uma cidade que sabe preservar suas raízes e, ao mesmo tempo, busca se modernizar. Na área histórica, o turista volta ao passado; na área central, perto da prefeitura, vive o presente e o futuro (dê uma olhada no novo Superdome...). Às vezes, revitalização e abandono convivem lado a lado, como vi na região da Canal Street.




Sem dúvida, Nova Orleans é um exemplo de resistência e persistência. Uma lição ao mundo. Pena que esteja eternamente ameaçada por novos Katrinas e Isaacs. A cidade e sua gente definitivamente merecem outro destino.

Leia também:

- Nova Orleans: "Have fun!"

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A questão do transporte

A mina de cabelo azul estava parada, celular na mão, fone no ouvido e sorriso nos lábios, em meio ao vaivém da estação Faria Lima, linha 4-amarela, metrô.

Eu vinha do modernoso e confuso formigueiro da estação Paulista, com aquelas escadas que caem no meio da plataforma e os caminhos que se entrecruzam e esbarram na falta de planejamento. A mina de cabelo azul pareceu-me uma representante classe A das moças da nova classe C. Style. Maquiada kabuki-máscara, jaqueta e All Star. Não resisti. "Posso tirar uma foto sua?", arrisquei, já encaixando o não. "Pode". Oba, clique, legal, prazer, obrigado. "Nada, desculpe, já estava ficando envergonhada".

A mina do cabelo azul e eu somos personagens de uma cena que se amplia e renova no congestionado mundo do transporte público paulistano. A cidade-automóvel ainda manda, mas sua estupidez está nua. Hoje faço tudo para não ter de circular de automóvel por São Paulo, prisioneiro daquele anda não anda, olhando de soslaio a moça da antiga classe A, parada ao lado, a retocar o batom na solidão refrigerada de seu Land Rover.

Nos últimos anos alguma coisa realmente melhorou no transporte público de São Paulo, ainda que naquele ritmo irritante que a gente conhece. Talvez porque o governador, seu candidato, o prefeito -e a maior parte dos opositores também- só entre em ônibus e metrô para catar voto em época de eleição.

Se durante um período procurassem fazer seus tradicionais percursos sem helicóptero, motorista ou sedan movido a verba pública, talvez parassem com esse blablablá sobre "mais não sei quantos quilômetros" e "novas diretrizes para modais" e partissem para as soluções.

Eu e a mina de cabelo azul sabemos que os problemas são muitos. Alguns caros e complicados, outros menos difíceis de resolver. A palavra é integração. Ou no jargão tecnocrático: "Sinergia entre os modais".

Modal, ignorantes, é o meio de transporte. Ônibus é um modal, trem é outro e a Soninha Francine, outro. Quer dizer, a bicicleta. E sinergia é como interligar para tudo ficar melhor.

Numa cidade como esta, a maioria não vai só de um modal. As coisas têm de ser feitas para que a pessoa possa sair de bike de casa, parar na CPTM, pegar o trem, trocar para o metrô, descer numa estação e fazer mais um percurso até o destino final.

Pode até ser de carro, mas se você quiser ir até a estação mais próxima, não vai encontrar estacionamento público. Só aqueles de terreno baldio, com preços tipo R$ 10 a primeira hora e R$ 1 milhão cada minuto excedente - com direito a uma lavadinha.

Para avançar na integração seria bom que existisse uma inteligência metropolitana. O quê?! Inteligência já é difícil, metropolitana parece ainda mais.

É verdade. São Paulo não é uma cidade, é um conglomerado de municípios que configuram esse assustador território urbano pelo qual as massas se locomovem. Só no metrô, eram 2,5 milhões por dia, em média, em 2005. No ano passado, estava perto de 4 milhões, resultado da ascensão social dos anos Lula, do Bilhete Único, da melhoria da qualidade da rede.

Voltando à inteligência metropolitana. É importante criar um órgão ou uma autoridade supramunicipal, que planeje e orquestre as ligações entre os modais na Grande São Paulo.

Sem isso, cada prefeito faz - ou deixa de fazer - o que quiser e eu e a menina de cabelo azul ficaremos sem a indispensável sinergia dos modais.

Fonte: Marcos Augusto Gonçalves, "A mina de cabelo azul", Folha de S. Paulo, Cotidiano, 27/8/12, p. C2.

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Tudo "Azul"

Esta postagem é uma homenagem à Azul Linhas Aéreas, a mais simpática de todas as companhias brasileiras (e também à sua irmã norte-americana, a JetBlue, tão simpática quanto a brasileira):





Em tempo: este blog não recebe nenhum tipo de financiamento ou vantagem da companhia aérea (desta ou de qualquer outra).

domingo, 26 de agosto de 2012 | | 0 comentários

Qual o valor do dinheiro?

Ao que tudo indica, nem o normalmente conservador Conselho Federal de Medicina (CFM) resistiu à pressão e já vai, pelas beiradas, aceitando a barriga de aluguel. Oficialmente, o CFM está apenas permitindo que uma mulher não aparentada ceda a outra seu útero por razões altruísticas, mas admite que não tem como saber se há ou não pagamento envolvido.

Como bom utilitarista, penso que, se um acordo qualquer é desejado pelas duas partes e não prejudica terceiros, esse não é um assunto no qual o Estado e suas autarquias possam interferir. Não tenho, portanto, nada contra barriga de aluguel, comércio de órgãos, prostituição e jogos de azar. É claro, porém, que minha posição está longe de ser unânime.

Quem articula com maestria argumentos contrários aos meus é Michael Sandel, no recém-lançado "O Que o Dinheiro Não Compra". Para o professor de Harvard, a crescente monetização da sociedade, além de afastar ricos de pobres, pode muitas vezes destruir valores como altruísmo, solidariedade, patriotismo etc.

Ele apresenta tantos exemplos e articula tão bem suas ideias que é difícil discordar. O que me incomoda no discurso de Sandel é que ele põe tanta ênfase na ideia de que o dinheiro degrada tudo o que toca que acaba favorecendo um certo reacionarismo de esquerda, que rejeita o avanço do mercado mesmo quando isso pode ser benéfico para a maioria.

É claro que a "commoditização" da vida cria uma série de problemas e injustiças. Só que também tínhamos problemas e injustiças antes da invenção do dinheiro. Colocando as coisas em perspectiva histórica, o paulatino avanço dos mecanismos de mercado por diferentes aspectos da vida também é responsável pela era de pujança material e sanitária sem precedentes de que até as populações mais miseráveis do planeta se beneficiam. Será que devemos mesmo criar zonas sagradas que não podem ser tocadas pelo dinheiro?

Fonte: Hélio Schwartsman, "Zonas sagradas", Folha de S. Paulo, Opinião, 26/8/12, p. 2.

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Mais um show da garotada de Iracemápolis

“O inimigo é você o inimigo sou eu
às vezes você tem razão às vezes não.”
(Branco Mello)


Daniel Martins, diretor teatral, não é chegado à mesmice. Prefere arriscar – porque confia no seu trabalho e no dos que atuam com ele. Aposta na ousadia e na criatividade. Costumeiramente acerta!

O resultado de seu trabalho foi visto, com o brilhantismo de sempre, na noite deste domingo no encerramento de mais uma edição do Festival Nacional de Teatro de Limeira.

Desta vez, Martins levou ao palco “A Feiticeira”, uma montagem de vários textos do russo Anton Tchekhov. Em cena, a garotada do Núcleo de Vivência Teatral de Iracemápolis – que já deu um show em apresentações passadas, casos de “A Hora e Vez de Augusto Matraga” (em partes aqui, aqui e aqui) e “Chapeuzinho Vermelho”.

O elenco reuniu Amanda Angotti, Caio Rodrigues, Cleiton Ribeiro, Daniela Soares, Fabio Vinicius, Felipe Barreto, Gabriela de Souza, Gabriele Araújo, Hannah Cristina, João Gabriel, Lane Silva, Matheus Barreto e Wesley Cedroni.

* A imagem desta postagem é a que aparece no folheto da peça

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Frase

"Só fale se sua fala for melhorar o silêncio."
Rubem Alves, professor e escritor

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A denúncia de Kleber

Passou quase despercebida a denúncia feita pelo radialista e empresário Kleber Leite, candidato a prefeito de Limeira pelo PTB, no horário eleitoral gratuito da última sexta-feira (24/8). O petebista afirmou haver candidato que está “loteando” o município, ou seja, recebendo dinheiro de empresas em troca de favores futuros, caso eleito.

A denúncia foi confirmada pelo candidato, com mais detalhes, ao blog “Limeira 2012”.

Naturalmente, nenhum dos três adversários de Kleber na eleição – Eliseu Daniel dos Santos (DEM), Lusenrique Quintal (PSD) e Paulo Hadich (PSB) – vai querer “vestir a carapuça” e se defender de uma denúncia que não teve alvo definido.

Aliás, a gravidade da denúncia não coaduna com a forma como foi feita, de modo evasivo no horário eleitoral (embora Kleber tenha dito com todas as letras que um candidato estaria “loteando” a cidade para empresas de fornecimento de merenda, uniforme escolar, etc).

Em que pese o petebista tenha se recusado a falar nomes alegando não ter provas, seria de bom grado que, detendo algum tipo de informação, denunciasse à Promotoria ou à Justiça Eleitoral para que uma investigação fosse aberta.

Limeira entrou neste processo eleitoral com as sequelas da cassação de um prefeito acusado justamente de ter “loteado” a prefeitura em favor de empresas (embora a acusação formal não seja esta, é isto que está por trás do suposto enriquecimento ilícito dos familiares de Silvio Félix, então chefe do Executivo).

Para o bem da sociedade limeirense, Kleber deveria falar. Ou então deveria ser chamado pelas autoridades a se pronunciar.

É relevante destacar que reside justamente nos acertos escusos feitos durante uma campanha eleitoral escândalos como o que se viu em Limeira há pouco e o que se vê julgado atualmente em Brasília, o tal “mensalão” (tomando a versão dos acusados como verdadeira, tem-se que o PT repassou dinheiro de “caixa dois” a outros partidos em troca de apoio eleitoral).

Resta, pois, o apelo ao candidato Kleber Leite, às autoridades, à imprensa local e à sociedade em geral para que discuta a questão com a seriedade e profundidade que ela exige.

sábado, 25 de agosto de 2012 | | 0 comentários

Da Antiguidade

Esse povo antigo era meio assanhado né!


Até no antigo Egito, quem diria, tinha múmia "pagando peitinho" (bem, não era exatamente a múmia e sim o desenho no sarcófago).



Em tempo: as fotos foram tiradas no Metropolitan Museum, em Nova York (EUA).

sexta-feira, 24 de agosto de 2012 | | 0 comentários

A fórmula para resolver um problema

Três (incrivelmente simples) questões que as pessoas mais bem sucedidas costumam usar para mudar o mundo

Tenho ouvido dizer que as mais brilhantes ideias no mundo dos negócios são frequentemente as mais simples. Pela minha experiência, é verdade. De fato, quando tenho a sorte de receber conselhos de uma pessoa famosa por seu talento, sempre me pergunto: “Por que eu não pensei nisso?”. Então eu humildemente compartilho com vocês uma fórmula vencedora que vi líderes usarem várias e várias vezes... para mudar o mundo.

Use esta formula da próxima vez que você se sentir “preso” – se você está tentando mudar sua empresa ou sua vida pessoal – e eu garanto que funcionará.

Pergunta 1: “Qual o meu objetivo?”

A maioria das pessoas parece ficar “presa” no momento em que vive o drama de uma situação que não aprecia. Elas inconscientemente se colocam no papel de vítima e, como já registrei, vítimas não podem inovar porque estão focadas no problema – não nas soluções. Você vai ouvi-las falar sobre como as coisas não são justas, quem as prejudicou, e elas procuram por encorajamento ou desculpas para se sentirem melhor a respeito da situação. Embora isto as faça se sentir bem, ser movido pelos problemas é a receita para a inatividade.

Perguntar “Qual o meu objetivo?” (ou “Que resultado quero alcançar”?) força a mente a focar na meta final, não nos obstáculos do caminho. A magia desta pergunta é que imediatamente ela o coloca como uma “mente criativa”. Uma vez que as pessoas bem sucedidas focam no resultado final, elas rapidamente passam para o segundo passo que as fazem mudar o mundo.

Pergunta 2 – “O que está no meu caminho?”

(Hey, eu disse que eram questões simples.)

Os melhores líderes são mestres em identificar e priorizar obstáculos que estão entre eles e os objetivos que pretendem atingir. Então, buscam formas de eliminar, evitar ou neutralizar os obstáculos.

No ano passado eu vi George Clooney num “talk show” noturno. Ele tinha acabado de perder 20 “pounds” (medida de peso nos EUA) que havia adquirido para fazer um filme. O apresentador ficou fascinado ao constatar como Clooney estava bem e perguntou como ele tinha conseguido perder peso tão rapidamente. A resposta de Clooney foi mais ou menos como “Eu comi menos e me exercitei mais”.

Muitas vezes nos negócios, falamos sobre como é difícil “perder peso” enquanto buscamos uma batata frita. Mas líderes usam esta fórmula para se mover rapidamente do objetivo para o plano e daí para a execução.

“Eu quero perder 20 pounds”, diz o iluminado líder. “Então o que está no meu caminho?” Vamos ver...

Eu não tenho tempo para me exercitar.

Então eu vou começar o dia com exercícios ou vou achar tempo no meu calendário.
Então, a cada fim de semana vou arrumar minha mala de ginástica para a semana toda e colocar dentro do carro.

Eu preciso comer melhor porque uma dieta ruim vai tornar impossível (perder peso).

Então farei minha lição de casa, comprarei produtos mais saudáveis e comerei pequenas porções durante o dia.

Então vou arrumar meu almoço e parar de comer “fast food”.

Sem uma prestação de contas, nunca vou emagrecer.

Então direi para meus amigos, familiares e colegas de trabalho sobre minha meta e quando ela será atingida.

Então comprarei uma balança digital e vou me pesar todos os dias.

Pergunta 3 – “Quem já notou a mudança?”

Então agora nossos criativos identificaram as metas que querem atingir. Criaram uma lista de obstáculos, priorizaram a lista e identificaram meios para superar cada obstáculo. Este é o ponto em que alguns líderes partem para a ação enquanto outros param para roubar ideias. Sim, eu escrevi roubar ideias. Mas como roubar é politicamente incorreto, vamos chamar a estratégia de engenharia paralela.

Em meados dos anos 90, nossa companhia tinha crescido para cerca de 25 pessoas. Tínhamos dezenas de projetos ao mesmo tempo e precisávamos de um jeito mais eficiente para gerenciar a crescente complexidade do nosso negócio. Então, sendo brilhantes e ingênuos como éramos, naturalmente decidimos criar um sistema de software para nos ajudar a monitorar, gerenciar e otimizar cada projeto.

Depois de gastar US$ 185 mil e centenas de horas, descartamos o projeto. Após três telefonemas, compramos um sistema que fazia 90% das coisas que estávamos tentando construir por nosso próprio esforço.

Meu Deus, eu gostaria que tivéssemos parado para ter ideias de engenharia paralela.

Inteligência é aprender com seus próprios erros; sabedoria é aprender com os erros dos outros. É menos doloroso ser sábio do que inteligente. Também é muito mais barato. É por isso que esta terceira questão é tão importante.


PS: a tradução é minha, então perdoe-me eventuais erros.

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"No meio do caminho"

No meio do caminho tinha uma pedra 
tinha uma pedra no meio do caminho 
tinha uma pedra 
no meio do caminho tinha uma pedra. 

Nunca me esquecerei desse acontecimento 
na vida de minhas retinas tão fatigadas. 
Nunca me esquecerei que no meio do caminho 
tinha uma pedra 
tinha uma pedra no meio do caminho 
no meio do caminho tinha uma pedra

(Carlos Drummond de Andrade)

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Compras

Enquanto todo mundo passava com suas sacolas da Armani, Guess, Calvin Klein, etc, eu desfilava pelo Eaton Centre, em Toronto (Canadá), com a sacola da foto aí debaixo cheia de bugigangas...


Bom, cada um compra o que o bolso permite...

quinta-feira, 23 de agosto de 2012 | | 1 comentários

Quando a gente sabe que tem um amigo

Há alguns dias (e, em alguns casos, há algumas semanas), disparei contatos com alguns conhecidos convidando para uma cerveja e um bate-papo. Para alguns deles, deixei claro que eu precisava conversar para desabafar algumas angústias.

De alguns não tive resposta - e, confesso, isto me representou uma certa decepção, embora não tenha sido uma surpresa. 

Por isso, agradeço aos amigos que se mostraram presentes e ofereceram seus ouvidos.
É nestas horas que a gente conhece os amigos. 
Valeu Danilo Janine e Danilo Fernandes! 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012 | | 2 comentários

Ouvidos ensurdecidos

Quando todos os ouvidos se fecham para você, é preciso olhar para si mesmo, para dentro.

Nestas horas, é você e seus fantasmas.

Quando todos os ouvidos se fecham para você, sobram o silêncio e a solidão.

Nestas horas, é você e seus fantasmas.

Quando todos os ouvidos se fecham para você, evidencia-se o egoísmo da nossa era.

Nestas horas, é você e seus fantasmas.

Ninguém há de esperar por respostas; bastariam os ouvidos alheios.

Nestas horas, não há ouvidos, não há pessoas, não há ninguém.

É você e seus fantasmas.

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A cidade e o rio

Um amigo meu disse outro dia que adotou como esporte diário andar de bicicleta no rio. Pensei que ele tivesse mudado para o Rio de Janeiro e estivesse pedalando pela orla carioca. Mas, não, ele falava de outro rio, o Pinheiros, que corta uma das regiões mais ricas do Brasil e do mundo.

De fato, é difícil relacionar São Paulo aos seus rios hoje em dia. A cidade criou um verdadeiro apartheid fluvial. Os rios paulistanos foram emporcalhados, enclausurados e defenestrados. Ninguém os ouve, ninguém os vê -só seu mau cheiro é percebido, com repulsa. Os rios, aqui, se tornaram o avesso do símbolo de vida que são. Aqui, não inspiram nem respiram -amedrontam.

Só falamos dos nossos rios pelas piores razões: quando eles inundam comunidades na época das chuvas, quando eles tomam nossos narizes pelo mau cheiro, quando algum corpo é "desovado" em suas águas. Todo mundo tem medo de um dia, por acidente, cair num desses rios. Diz a lenda urbana que a morte é certa.

Grandes cidades se colocaram o desafio de limpar e de revitalizar seus rios para devolvê-los aos moradores. São Paulo tenta, já há muito tempo, limpá-los, e gastou uma montanha de dinheiro no processo, sem muito resultado. Mais do que dinheiro, faltou até aqui o envolvimento das pessoas, das comunidades e das empresas que formam esta cidade.

Mas agora, com a ciclovia do rio Pinheiros, uma coisa enorme aconteceu: foi feito contato. Pela primeira vez em décadas, um número grande de paulistanos tem contato direto com o rio, um contato transformador. Vendo o rio de tão perto, o desejo de limpá-lo só aumenta.

São mais de 20 km de pista reta para pedalar, que serpenteiam as zonas oeste e sul da cidade, partindo do parque Villa-Lobos e indo até Interlagos, sem carros ou semáforos. O número de acessos à ciclovia, encravada entre o rio Pinheiros e a linha de trem urbano e as marginais, ainda é pequeno, mas crescente. Ela começou com uma vocação maior de lazer do que de transporte urbano, mas isso também pode mudar.

Basta ver o trânsito na marginal e o aperto nos trens metropolitanos que passam vizinhos para perceber que a bicicleta pode ser a melhor opção de transporte naqueles trechos na hora do rush. Bolsões de bicicletas gratuitas nos acessos da ciclovia, patrocinados por empresas, podem estimular seu uso.

Quanto mais perto o paulistano estiver dos seus rios, mais perto estaremos de sua transformação em vias vivas e limpas da cidade.

O principal desse processo de revitalização é estimular a participação da população, por meios individuais, das empresas, dos órgãos públicos e de ONGs. As mídias sociais são armas novas talhadas para essa mobilização.

A participação da iniciativa cidadã e privada aqui (como em tudo) é crucial.

Vimos arranha-céus incríveis serem erguidos às margens do rio Pinheiros nos últimos anos. Muitos desses escritórios têm paredões de vidro com vista para o rio, que lá no alto não cheira nem fede. Essas torres abrigam boa parte das maiores empresas e a maior concentração de doutores do país. Eles certamente querem ajudar as autoridades a encontrar o caminho para revitalizar o rio que veem da janela.

É um daqueles atos perfeitos onde todos ganham: a revitalização do rio estimula ação comunitária, aumenta a mobilidade urbana e o acesso, sem necessidade, de mais carros, trilhos e ruas, cria desenvolvimento econômico, impede enchentes, preserva e restaura a natureza e estimula práticas sustentáveis.

A revitalização do rio deságua na revitalização de suas margens, uma área contínua com potencial quilométrico de lazer, de cultura e também econômico.

Se há algum benefício por estarmos atrasados nessa corrida para salvar os rios urbanos, é que existem muito modelos já aplicados pelo mundo com diferentes participações das empresas, desde desonerações até o uso comercial de áreas revitalizadas.

A ciclovia já é uma pequena amostra de todo esse potencial hidrourbanístico. É um primeiro braço do abraço que os paulistanos precisam dar nos seus rios.

Esse é um bom tema para estas eleições municipais e também para as reuniões de conselhos corporativos às margens do rio Pinheiros.

Fonte: Nizan Guanaes, "Viva o rio", Folha de S. Paulo, Mercado, 21/8/12.

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Nova York no "espelho"

Inspirado por um livro de fotografias sobre os arranha-céus de Nova York (EUA) e outro sobre prédios que refletiam estruturas urbanas, decidi fotografar os reflexos dos prédios na minha mais recente passagem pela chamada Big Apple, em abril. O resultado aparece a seguir:











Leia também:

- A obsessão celestial de Nova York 

terça-feira, 21 de agosto de 2012 | | 0 comentários

"Jornalismo de qualidade é bom negócio"

O jornalismo de qualidade é importante para os cidadãos de todo o mundo e é também um bom negócio. Essa foi a mensagem do palestrante que abriu o nono Congresso Brasileiro de Jornais, ontem, em São Paulo.

Gerente do serviço noticioso do jornal "The New York Times", Michael Greenspon detalhou o sistema de cobrança de conteúdo digital que o diário americano adotou em março de 2011.

Conhecido pelo nome de "paywall poroso", esse modelo permite o acesso gratuito a alguns textos por mês e permite que apenas assinantes leiam sem restrições.

"Alguns gurus diziam que não ia dar certo. Agora esses mesmos gurus dizem que esse modelo só funciona para o 'NYT'", afirmou Greenspon. "O modelo pode funcionar para qualquer um que ofereça jornalismo de qualidade."

Ele comparou a situação do jornal hoje e há dez anos.

Segundo o executivo, o número de assinantes mais do que dobrou, superando agora 2 milhões. O total de leitores do site passou de 10 milhões, em 2002, para 45 milhões agora. E o modelo majoritariamente dependente de publicidade deu lugar a uma divisão mais igualitária entre receita de assinaturas e receita comercial (que cresceu 10% no primeiro ano de cobrança pelo conteúdo).

"Deveríamos ter começado a cobrar antes", afirmou Greenspon. Segundo ele, uma pesquisa feita com leitores do "NYT" indicou que 40% das pessoas aceitam pagar pelo jornalismo que consomem.

No Brasil, a Folha foi o primeiro jornal a adotar o "paywall poroso", em junho.

Em outra apresentação do congresso da ANJ, o americano Bill Kovach defendeu o jornalismo colaborativo.

"Temos de usar a internet para ter um envolvimento mais profundo do público. Isso o dinheiro não pode comprar." Kovach é autor do livro "Os Elementos do Jornalismo", clássico nas escolas.

Ele citou o furacão Katrina, em 2005, como exemplo de jornalismo colaborativo, pela participação do público nas narrativas. "O Katrina alterou o fluxo de informação do cidadão para a mídia e da mídia para o governo."

Fonte: Folha de S. Paulo, Poder, "Jornalismo de qualidade é bom negócio, diz executivo do 'NYT'", 21/8/12 (a reportagem está sem assinatura de repórter).

Leia também:

Futuro do jornal exige modelo híbrido na web

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Festa - e sexo - no ônibus

Você já ouviu falar em um ônibus com uma festa ambulante, o “bus party”? Já viu algum?

Você já ouviu falar em um ônibus com uma festa “picante”, com sexo? Já viu algum?

Pois um desses ônibus passou ao meu lado na noite de 6 de abril deste ano na Canal Street, em Nova Orleans (EUA). Estava com um amigo quando vi um dos famosos “bus party”. De repente, meu amigo observou que a festinha no veículo estava bem quente: um casal fazia sexo ali dentro, na frente de todos, com os vidros do ônibus abertos. Ele em pé, ela meio agachada. E dá-lhe... bom, deixa pra lá!

Ah, não deu tempo de fotografar direito. Sabe né, a cena chamou um pouco a atenção e quando lembramos de fotografar, já era...


Leia mais sobre Nova Orleans aqui.

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Reflexões

Tivessem os portugueses pensado pequeno, sonhado pequeno, teriam se arriscado além-mar, rumo ao desconhecido, e descoberto o vasto Novo Mundo?

Tivesse Santos Dumont se conformado com os limites, teria apostado no impossível e encurtado as distâncias no mundo ao inventar o avião?

Grandes fatos só ocorreram porque um dia alguém sonhou, achou que era possível, correu riscos.

A história só se muda assim. A história do mundo, a nossa história.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012 | | 0 comentários

“Nada fica”

Nada fica de nada. Nada somos.
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva que nos pese
Da humilde terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.

Leis feitas, estátuas vistas, odes findas -
Tudo tem cova sua. Se nós, carnes
A que um íntimo sol dá sangue, temos
Poente, por que não elas?
Somos contos contando contos, nada

(Ricardo Reis, um dos quatro heterônimos mais conhecidos de Fernando Pessoa)

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Paisagens e sombras

Depois do sol da Filadélfia (EUA), agora é a vez da sombra:


E como aprecio fotos p&b, seguem mais alguns exemplares. Primeiro em Boston (EUA):




... em Chicago:


... em Montreal (Canadá):


... em Nova Orleans (EUA):


... e em Nova York (EUA):


Quem curte fotos em p&b, veja tambem:

- Em p&b

- Casa do Jeca em p&b

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Percepção alheia

Hoje me perguntaram no trabalho a razão de eu estar tão irritado ultimamente.

Curioso, não percebi que estava “tão” irritado, embora de fato esteja irritado.

Tampouco percebi que minha irritação era assim tão perceptível, pois quem perguntou me vê apenas cinco minutos por dia.

A pergunta inicial veio seguida de outra, cuja resposta é exatamente o motivo da irritação.

“Aconteceu alguma coisa?”

“Nada.”

PS: incrível como pessoas atentas - e preocupadas com o outro - percebem nosso estado de espírito.

domingo, 19 de agosto de 2012 | | 0 comentários

Ainda a questão do diploma para jornalistas

Parece-me despropositada a tentativa do Senado de contornar a decisão do Supremo que extinguiu a necessidade de diploma para o exercício da profissão de jornalista aprovando uma proposta de emenda constitucional (PEC) que reintroduz a exigência.

O Legislativo brasileiro adora um projetinho de regulamentação profissional. Pesquisa rápida no site da Câmara revela a existência de 6.893 itens cuja ementa faz referência a algum ofício. Difícil coadunar isso com o espírito da Carta, que, em seu artigo 5º, XIII, determina: "É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer".


É até razoável defender a regulamentação para ofícios que requeiram um saber técnico bastante preciso, como medicina e engenharia, ou exijam perícia específica, como piloto de avião, e cuja ausência represente risco físico para a população. Um jornalista até pode divulgar informações falsas que provocam grandes estragos. Mas é bobagem buscar um conjunto de matérias teóricas que capacitem o estudante a tornar-se um bom repórter.

Podemos afirmar que o engenheiro, para fazer com que a ponte fique em pé, precisa ter cursado cálculo I e II e conhecer noções de física que podem ser aprendidas nas escolas politécnicas. O médico, para receitar uma droga, precisa saber algo de bioquímica e farmacologia. Mas o que dizer do jornalista? O que ele precisa além de noções de português (em tese obtidas com a alfabetização) e de disposição para estudar o assunto de que vai falar? Ao que consta, o MEC não reconhece as disciplinas verdade I, II, III e IV.

Ninguém se torna ético só porque assistiu a aulas de ética na faculdade. Afirmar, como se faz por aí, que a exigência do curso de jornalismo é garantia de bom comportamento no exercício da profissão faz tanto sentido quanto dizer que quem vai à missa não comete pecados.

Fonte: Hélio Schwartsman, "Nada mais que a verdade", Folha de S. Paulo, Opinião, 19/8/12, p. 2.

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Dicas de moda

Muitas pessoas já ouviram falar no "american way of life" - o jeito americano de viver ou, dito de modo mais ajustado à realidade, o estilo de vida americano. Eis agora dois flagrantes do jeito americano de se vestir - o primeiro feito no CNN Center, em Atlanta, e o segundo em frente à catedral de Nova Orleans:



Este modelo aí foi visto numa vitrine chique de Nova Orleans:


* As fotos são minhas e de Carlos Giannoni de Araujo

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As CPIs em xeque

Definitivamente, é preciso rever o atual modelo de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), tanto em Limeira quanto em nível nacional. Os exemplos mais recentes e acabados de que o modelo está esgotado são da CPI do Cachoeira, no Congresso Nacional, e a CPI da Corrupção (vulgarmente chamada de CPI do Messias).

Há problemas evidentes. O primeiro deles é a falta de preparo técnico dos parlamentares em geral. Não é exatamente uma crítica – afinal, ninguém é obrigado a ter a habilidade de interrogar (da mesma forma que um jornalista não tem habilidade e conhecimento para, por exemplo, operar uma pessoa). Contudo, esta é uma dificuldade real e notável.

No caso de Limeira, vê-se claramente a falta de habilidade de alguns vereadores em questionar os depoentes. Falta-lhes capacidade técnica para tal.

Pode-se argumentar que os assessores técnicos existem justamente para suprir esta deficiência. Meia verdade. Há questionamentos básicos que surgem no decorrer do depoimento e precisam ser feitos de pronto pelos membros da comissão.

Da mesma forma, falta em geral preparo prévio para o depoimento e, em alguns casos, disposição para isso.

No caso da CPI da Corrupção, isto também ficou evidente. Vereadores ouviram o principal acusador num dia e, no dia seguinte, deixaram de questionar outros depoentes sobre fatos apontados 24 horas antes.

Da mesma forma, mostravam-se surpreendidos diante de previsíveis negativas. “O sr. entregou dinheiro a fulano?”, perguntavam. “Não, Excelência”, respondia o depoente. “Sem (mais) perguntas” – esta foi uma das frases mais ouvidas. Ora, ninguém há de esperar que uma pessoa compareça a uma CPI e fale algo como: “Sim, Excelência, fiz pagamentos ilegais a fulano, fruto de corrupção e etc.” Os questionadores devem se preparar justamente para o contrário, coisa que – ficou evidente – não fizeram.

Resultado: testemunhas falaram pouco, algumas quase nada, perderam tempo, tomaram tempo dos vereadores e saíram desdenhando da apuração – com razão, registre-se.

Até em razão disso, nem sempre convocar a pessoa para depor é o melhor instrumento de investigação. E uma CPI dispõe de poderosos meios para apurar uma denúncia. Por exemplo: diante da suspeita de que uma empresas superfaturava obras, pede-se cópias das licitações vencidas por ela, compara-se valores, checa-se se houve algum aditamento, etc. Ou, diante da suspeita de que um vereador recebeu propina, que tal quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônico?

Nada disso, porém, foi feito. Ficou no pouco produtivo “diz-que-me-diz”.

Pode-se argumentar que ainda é possível fazer estes pedidos, adotar tais medidas, mas por que não fazer isto de início, quando há mais tempo para apurar? Quem, agora, iria se dedicar a análise tão profunda e complexa?

A CPI, até agora, perdeu tempo. Ao menos com os depoimentos, que nada acrescentaram – a não ser revelar uma grande teia de mentiras e uma mistura entre público e privado.

Existe ainda mais um fator a considerar (não diretamente ligado à CPI, mas nem por isso menos relevante): a motivação. O que faz uma pessoa querer ser vereador?

Tomemos o caso da CPI da Corrupção: dos atuais cinco membros, um está nitidamente pouco ligado aos assuntos da comissão porque é candidato a prefeito; outro não tem capacidade técnica para estar numa investigação; outro está de saída porque perdeu o mandato; e outro sequer consegue ouvir direito o que falam para ele.

Por isso, caro eleitor: atenção redobrada na hora do voto. Os vereadores estão lá porque a comunidade os colocou. Em alguns casos, “sob as bênçãos de Deus”. Amém.