terça-feira, 31 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Frase

"In this blue shade my tears dry on their own."
Amy Winehouse, Nickolas Ashford e Valerie Simpson na música "Tears dry on their own"

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Flagrante italiano 16

Em Florença, um artista de rua fazia caricaturas de anônimos e famosos:


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Uma constatação e um agradecimento (2)

Algumas pessoas fazem coisas pela gente que são realmente atitudes de irmão - irmão de alma, de coração. E eu só tenho que agradecer. 

Sempre digo: doar-se por alguém, ceder algo ao próximo (seja um objeto, um pouco de atenção, um pouco do seu tempo) é uma atitude rara hoje em dia.

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A "Primavera Limeirense"

A crise política que se instalou em Limeira desde o dia 24 de novembro último tem despertado sentimentos distintos entre a população. Muitos têm criticado a cidade, outros consideram que o município dará um exemplo a tantos outros.

É indubitável que a repercussão midiática nacional dos escândalos envolvendo a família do prefeito afastado Silvio Félix (PDT) trouxe uma projeção negativa para Limeira. Ao mesmo tempo, a forma como a sociedade lida com isso tem servido de estímulo.

Recentemente, ouvi de uma jornalista que em Campinas - também envolvida numa crise política sem precedentes que culminou com a cassação do então prefeito e vice - não houve a mobilização popular que se vê em Limeira. Isto é, sem dúvida, um fator positivo a destacar na crise limeirense.

Tenho ouvido também nos últimos dias belos discursos e mantido boas conversas a respeito do atual cenário em Limeira. Em particular, dois interlocutores enxergam na atual crise uma grande oportunidade de mudança de paradigma.

Como se sabe, toda ruptura é dolorosa – e com Limeira não seria diferente. Para um dos interlocutores, o que ocorre na cidade é uma mudança poderosa do velho jeito de fazer política (coronelista, demagógico e personalista) para um novo modelo, com ampla participação popular e novos valores. Para este interlocutor, trata-se de um caminho sem volta, seja qual for o resultado do processo político-administrativo envolvendo Félix.

Um outro interlocutor enxerga em Limeira o reflexo de uma mudança mundial. Estão aí a Primavera Árabe, que resultou na deposição de ditadores em alguns países, e movimentos como o “Ocupe Wall Street”. Para os místicos, são os efeitos da propagada era de Aquário, que sacudiria o mundo. Aliás, este interlocutor admite carregar sua parcela de misticismo. “É a minha mística que me move”, disse.

O outro interlocutor vai por caminho semelhante: “O mundo está mudando!”. Isto envolve não só o aspecto público, mas também privado. “Em casa, minha filha de dez anos quer participar das decisões familiares. Antes não era assim, os pais impunham suas vontades”, observou.

Não resta dúvida de que a participação popular - em casa, no trabalho e na vida pública – veio para ficar. Contribuem para isso a propagação e o poder das redes sociais e uma maior presença e democratização dos meios de comunicação. Isto leva a uma troca de ideias sem precedentes na história e a um consequente despertar maior de consciências.

Quem não enxergar estas mudanças corre sério risco de ser massacrado por elas.

PS: no caso específico da crise envolvendo o prefeito afastado, muitos dirão que a participação da comunidade é movida por interesses pessoais e partidários. No primeiro aspecto, cumpre lembrar que, na história da humanidade, sempre houve líderes para mover as massas. Foi assim na Revolução Francesa, na Revolução Russa, nos movimentos de independência, etc. Por que seria diferente agora? No que diz respeito à participação de partidos, trata-se de uma ação legal e legítima.

Em tempo: sete anos atrás, quem criou o slogan da campanha então vitoriosa de Félix para a Prefeitura de Limeira talvez não imaginasse quão certo estaria – embora por vias tortuosas. Hoje, não me resta dúvida de que “Limeira vai melhorar” após todo este processo, seja qual for o resultado.

domingo, 29 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Desagravo à imprensa

Deve-se repudiar as recentes ameaças sofridas por membros da imprensa local. Registre-se que tais ameaças já são alvos de investigação em inquérito policial que tramita no 1º DP de Limeira e em procedimento de inquérito civil por parte do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), órgão do Ministério Público estadual.

É baixo, vil, covarde e torpe qualquer tentativa ilegítima e ilegal de calar uma voz. Quando esta voz ecoa a voz das ruas, como faz a imprensa, está posto um atentado à democracia. E contra isso não podem se calar as vozes que representam a ética, a honestidade, a transparência e a verdade.

É preciso manifestar ainda que, acima de qualquer ameaça individual, está em jogo um dos princípios fundamentais de todo cidadão, o direito de ter acesso à informação, conforme garante o artigo 5º, inciso XIV da Carta Magna de 1988.

Está em risco também um direito constitucional e pilar fundamental da democracia, a liberdade de expressão e de imprensa - pela qual muitos lutaram durante períodos obscuros de nossa história recente, cedendo à esta luta por vezes a própria vida.

É justamente em respeito a estes princípios, a esta luta, à memória de muitas pessoas e à sociedade em geral que a imprensa não pode, não deve e não irá se calar. Em respeito a um compromisso maior, uma missão, a de informar, que o trabalho isento e honesto de profissionais que dedicam a esta nobre causa importante parcela de suas vidas deve e irá prosseguir.

Afinal, pode-se eventualmente calar uma voz, mas nunca o anseio legítimo e conjunto por uma sociedade melhor e mais justa. Isto nem as piores ditaduras, com práticas das mais repugnantes, conseguiram. E para garantir esse justo anseio, haverá sempre uma voz para se fazer ouvir!


PS: texto lido por mim durante ato de entidades civis de Limeira em desagravo à imprensa, alvo de ameaças na cobertura do escândalo político envolvendo o prefeito afastado Silvio Félix (leia mais aqui e aqui).

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Frase

"Com efeito, viver muito tempo quem decide é o destino. Viver plenamente, o teu espírito."
Sêneca, em “Aprendendo a viver”, L&PM Pocket, p. 90

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Félix mentiu - e a pergunta segue sem resposta

O prefeito afastado Silvio Félix (PDT) mentiu. Ou durante sua participação na comissão processante na última quarta-feira ou numa entrevista à imprensa na sala de reuniões do Edifício Prada, sede do Executivo limeirense, no dia 25 de novembro – um dia após a megaoperação do Ministério Público que resultou na prisão de sua esposa, filhos, parentes e funcionários das empresas de sua família.

Naquele 25 de novembro, ao inquirir o então prefeito, questionei o que segue:

- Félix, a denúncia do Ministério Público menciona que a Fênix Plantas foi declarante do Simples Nacional nos anos de 2008, 2009 e 2010. Quem declara o Simples é porque não possui grandes receitas. Como uma empresa que declara o Simples, sem grandes receitas, pode ter comprado milhões em imóveis?

A resposta de Félix foi simples e um tanto evasiva, mas não deixou margem para dúvida naquela ocasião:

- Não, está errado aí (na denúncia). A empresa não é declarante do Simples.

Ele alegou que não tinha como provar naquele momento, mas que poderia fornecer as declarações de renda da empresa posteriormente para confirmar o que dizia.

Pois bem. Exatamente dois meses depois, em 25 de janeiro, Félix falou à comissão processante (CP) da Câmara Municipal na condição de réu. Parte do depoimento foi pública e parte secreta. Após os trabalhos, em entrevista à imprensa, o agora prefeito afastado informou ter entregue aos membros da CP, entre outros documentos, a Declaração Anual do Simples Nacional da Fênix entre 2009 e 2011 (referentes ao ano-base 2008 a 2010). Isto consta nas reportagens publicadas pela imprensa (leia aqui).

Daí a conclusão que Félix mentiu numa ocasião ou em outra. E, considerando que disse ter entregue à CP as declarações do Simples Nacional da Fênix Plantas, volta-se à questão inicial:

- Como uma empresa que declara o Simples, sem grandes receitas, pode ter comprado milhões em imóveis?

Eis a resposta que Félix ainda não forneceu...

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Resumo do mês

Um velho ditado diz que "uma imagem vale mais do que mil palavras...". Pois a imagem a seguir resume o que foi o mês de janeiro em Limeira:


A imagem foi feita a partir da janela da cozinha da TV Jornal, na Vila Cláudia, num final de tarde qualquer.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Nos bastidores, Félix busca recuperar apoio

Coisas estranhas começaram a ocorrer nesta quinta-feira nos bastidores do mundo político, em Limeira. Curiosamente, todas envolvem o prefeito afastado Silvio Félix (PDT). Curiosamente, ocorrem um dia após o depoimento dele à comissão processante da Câmara Municipal e no dia em que o pedetista sofreu uma pesada derrota no Tribunal de Justiça, que rejeitou seu recurso para tentar voltar ao cargo (leia aqui).

Vamos aos fatos. A manifestação a seguir foi postada pelo presidente em exercício da Câmara, Raul Nilsen Filho (PMDB), em seu perfil no Facebook:


Tive uma "SURPRESA" a poucos minutos atrás quando no final do expediente com meus funcionários na Câmara Municipal recebi a visita do prefeito afastado Silvio Felix, sem avisar e sem ser convidado!!!!!(encontrei-o na porta da minha sala,após já ter adentrado o espaço da presidência!!!!).Ele me solicitou se poderia ser convocada uma reunião com os vereadores para que ele desse explicações e mostrasse documentos que elucidavam rendimentos de empresas da família.Lógico que eu disse que não seria possivel fazer isso sem que fosse feito em forma de ofício e tramites legais já que alguns destes documentos poderiam estar na comissão processante e isso poderia de alguma forma prejudicar o seu andamento.Ele disse entender e que faria isso de maneira formal. "ESTRANHO!!!!!!"
(sic)

Os demais fatos não podem ser tornados públicos. Fontes ouvidas por este blog garantem que Félix - sentindo que seu mandato subiu no telhado e que perde apoio a cada dia - decidiu partir para o tudo ou nada. Para isso, tem apostado no contato pessoal, inclusive com apelos em prol de "justiça". É uma tentativa de recuperar algum apoio neste momento delicado.


Se vai funcionar, só o tempo dirá. 


Por enquanto, os passos de Félix têm se mostrado cada vez mais ineficazes, com efeitos contrários ao que ele pretende.


* Colaborou o jornalista Carlos Giannoni

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Efeito colateral

Em que pesem as ameaças a jornalistas, a crise política que se instalou em Limeira desde o dia 24 de novembro último teve um efeito bastante positivo na imprensa: separou, de modo escancarado, o joio do trigo.

De um lado, gente nova e velha que trabalha duro todos os dias, de modo honesto e digno, cumprindo seus deveres profissionais.


De outro, gente nova e velha que mama nas tetas do poder - estes estão perdendo espaço (e nem é preciso muito esforço para reparar).


Se quisermos construir uma cidade melhor, a faxina em Limeira deve passar também pela imprensa.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Um prefeito no banco dos réus


O prefeito afastado Silvio Félix (PDT) falou hoje à comissão processante (CP) da Câmara Municipal que o investiga por possível corrupção (a família dele é alvo de apuração do Ministério Público por suposto enriquecimento ilícito). O depoimento começou por volta das 10h e seguiu até por volta das 17h30 – apenas parte dele foi pública.


Durante todo o tempo, Félix insistiu em dois pontos: 1) não pôde fazer cópias dos documentos da denúncia e 2) não podia dar detalhes das empresas de sua família, já que se trata de negócios de terceiros (oficialmente, o prefeito deixou as empresas em 2004, pouco antes de assumir o mandato).

Muitas pessoas perguntaram minhas impressões sobre o depoimento de Félix. A uma questão dessa magnitude (pela primeira vez na história recente da cidade um prefeito foi à Câmara para ocupar o banco dos réus da política, podendo ter seu mandato cassado), não cabe só um ponto de vista.

Então vamos lá.

Do ponto de vista de Félix, por mais que populares presentes à Câmara não tenham gostado, foi feito o jogo legítimo de autodefesa. Não se podia esperar muito mais de quem está numa posição tão delicada como a dele – ameaçado de perder o mandato. Félix se defendeu com as armas de que dispunha. E de modo legal (inclusive ao pedir parte da reunião de modo secreto para expor documentos).

Do ponto de vista da comunidade, foi um depoimento naturalmente decepcionante. O prefeito se esquivou de dar as explicações que todos esperavam. Fazendo uso dos recursos já citados, preferiu praticamente calar-se. Para o povo, passou a impressão de que não sabia se explicar, não tinha como se explicar. Falou-se no velho ditado de “quem não deve, não teme”.

Do ponto de vista jurídico, Félix optou pela cautela. Não falou para não correr risco de se comprometer. Foi uma estratégia pensada previamente. Algo assim: entre o povo e a lei, preferiu se preservar perante a lei.

Concretamente, o efeito do depoimento de Félix sobre o relatório a ser elaborado pelo vereador Ronei Martins (PT) é quase nulo. O mesmo vale perante a opinião pública (aliás, sendo rigoroso, neste quesito o prefeito afastado perdeu pontos). O jogo, porém, é no plenário, com 14 vereadores – e Félix precisa de apenas cinco votos.

Se perder o jogo político, restará o jurídico. Por isso as devidas cautelas (o prefeito parece decidido a alegar cerceamento de defesa e falhas na comissão no caso de uma eventual cassação).

Em tempo: o presidente da CP, vereador Miguel Lombardi (PR) e a assessoria jurídica da Câmara garantem que Félix e seus advogados tiveram acesso a todo o material da investigação. Do que era público, não fizeram cópia porque não quiseram. Do que era sigiloso, as cópias não eram permitidas sequer para os próprios membros da comissão.

PS: lamentável a atuação dos vereadores Nilce Segalla (PTB), Antonio Braz do Nascimento "Piuí" (PDT) e Almir Pedro dos Santos (PSDB) na comissão. Pelas perguntas ridículas que fizeram e pela pouca participação, parece que nem se deram o trabalho de ler os documentos da investigação. Depois reclamam das vaias do povo...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Frase

"Amor e desejo são coisas diferentes. Nem tudo o que se ama se deseja e nem tudo o que se deseja se ama."
Miguel de Cervantes, escritor e dramaturgo espanhol

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Homenagem a Londres (2)

Recentemente, postei neste blog um vídeo incrível em homenagem a Londres, a capital do Reino Unido. Trata-se de uma produção de Moritz Oberholzer. Ele filmou o cotidiano da cidade a partir dos tradicionais ônibus vermelhos de dois andares. 

Além do vídeo, Moritz fez também um trabalho fotográfico. Algumas imagens podem ser vistas na galeria "London Bus Tour", no Flickr, acessada por
aqui. São 49 fotos de pessoas e prédios em situações diversas.

Vale a pena conferir!


A seguir, três exemplares para deleite dos leitores deste modesto blog:




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Reflexões sobre as adversidades

"Tu ficas indignado e te queixa! Não compreendes que todo o mal provém não do que acontece, mas sim de tua indignação e de tuas reclamações? (...) Perdas, ferimentos cansaços, inquietudes me assolam? São coisas que acontecem. Indo além, elas devem acontecer, pois não são obras do acaso, estavam determinadas."
(Sêneca, em “Aprendendo a viver”, L&PM Pocket, p. 97)

"(...) para melhor equilibrar tua alma, dize a ti mesmo, cada vez que algo saia ao contrário do que esperavas: 'Os deuses julgaram melhor do que eu'.

(...) Desprezível é a alma obcecada pelo futuro, é infeliz antes da infelicidade, deseja ter para sempre as coisas que lhe causam prazer. Não terá descanso, e a necessidade de querer conhecer o futuro lhe fará deixar de lado o presente que poderia ser melhor desfrutado. Temer a perda de algo é o mesmo que já não tê-lo mais consigo."
(Idem, p. 100)

"As dificuldades não são a causa da nossa falta de audácia; é nossa falta de audácia é que cria a dificuldade."
(Idem, p. 130)

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"Democracia patológica": eleição e corrupção

A crise política que se instalou em Limeira desde a megaoperação do Ministério Público detonada em 24 de novembro último - quando foram presas 12 pessoas ligadas ao prefeito Silvio Félix (PDT), entre elas a primeira-dama Constância, os filhos Murilo e Maurício, cunhados e funcionários de empresas da família, todas acusadas de enriquecimento ilícito - trouxe à tona uma discussão bastante pertinente e complexa: a necessidade de uma reforma política.

Trata-se, como se sabe, de um tema nacional. No Congresso, propostas são debatidas há anos, sem que algum passo concreto seja dado (obviamente, mudar as regras do jogo político vai afetar aqueles que se beneficiam do “status quo”, daí tal reforma ser uma tarefa difícil).

O fato é que os brasileiros em geral – e os limeirenses em particular - temos assistido a uma sucessão de escândalos envolvendo aqueles que elegemos para nos representar. Isto torna inevitável uma pergunta: a democracia representativa funciona?

Naturalmente, não se trata de uma crise do sistema, mas sim da forma como ele é aplicado.

Temos no Brasil, como bem definiu hoje o secretário jurídico da Câmara de Limeira, Luiz Fernando César Lencioni, uma “democracia patológica”. Dou crédito ao autor não só por uma questão de justiça, mas também – e principalmente – por se tratar de uma definição fulcral, que toca no cerne do problema.

Há em todos os escândalos uma raiz comum e ela está diretamente ligada à forma como a democracia representativa é aplicada no Brasil, ou seja, o nosso modelo eleitoral.

Qualquer candidato, para se eleger, precisa estabelecer uma base partidária forte. Isto pode se dar com um único partido (o que é raro) ou com um arco de alianças. Em tese, as alianças deveriam privilegiar a proximidade ideológica. Na prática, porém, têm mais importância a matemática dos votos e do coeficiente eleitoral e a futura distribuição de cargos.

Não bastasse isso, eleição custa caro. Sendo assim, qualquer candidato precisa angariar apoio financeiro. Em tese, este apoio deveria vir por identificação ideológica com o plano de governo e a ideologia partidária. Na prática, porém, prevalece a troca de favores. Paga-se hoje e cobra-se a conta amanhã, como disse o próprio Félix no ano passado.

Segundo o prefeito hoje alvo de investigação, a eleição do próximo chefe do Executivo em Limeira deverá custar cerca de R$ 5 milhões. Quem vai pagar essa conta? O candidato? O partido? Os apoiadores? Em troca de quê?

Nas respostas a essas questões residem as atuais crises que se arrastam pelo país.

Isso leva a uma conclusão óbvia: enquanto o modelo eleitoral brasileiro não for alterado (fala-se em voto distrital, listas partidárias e financiamento público das campanhas), os escândalos vão se reproduzir como o mais evidente reflexo de um sistema feito para favorecer as negociatas e não o interesse público.

E para mudar o atual modelo, tem-se necessariamente que mudar aqueles com poder de decisão, ou seja, nossos legisladores. A bola, portanto, está com cada um de nós, eleitores.

Depois, não adianta reclamar...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Rir e chorar

Sorrir chorando
É o contraste de viver
Às vezes estamos rindo
Sem ao menos saber o porque

(“Sorrir Chorando”, de Eduardo [?], interpretada pela banda Catch Side)

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A saber

O prefeito Silvio Félix (PDT) subiu no telhado...

PS: a Câmara de Limeira aprovou nesta segunda-feira, por unanimidade, em primeiro turno, projeto do vereador Mário Botion (PMDB) que acaba com votações secretas. A proposta, votada em regime de urgência (aprovada também por unanimidade), ainda precisa passar por um segundo turno de votação antes de entrar em vigor.

Segundo o vereador, trata-se de uma forma de não pairar dúvida sobre a possível votação de cassação do mandato de Félix em fevereiro e outras questões cuja Lei Orgânica do município ainda previa votação fechada (contrariando um decreto-lei nacional). Envolvido em denúncias de enriquecimento ilícito de sua família, o prefeito é alvo de uma comissão processante na Câmara.

Em tempo: está mais do que claro que Félix perdeu toda a sustentação política na Câmara – principalmente quando a comunidade se faz presente. Diante da pressão popular e de olho nos votos em outubro, cada um quer salvar a sua pele. E, nestas horas, políticos são como passageiros num naufrágio: salve-se quem puder...

domingo, 22 de janeiro de 2012 | | 1 comentários

Frase

Luiza já voltou do Canadá. E nós já fomos mais inteligentes.”
Carlos Nascimento, jornalista e apresentador do “Jornal do SBT”

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Neoliberalismo secular

Estou a ler um livro saboroso (quem ousa dizer que os livros não possuem sabor?). "Paris - Quartier Saint-German-des-Prés", do ministro Eros Grau. Recém-lançado, fresco ainda. Poucas vezes viajei tanto ao ler uma obra quanto agora. Viajei mesmo, quase literalmente. Posso dizer que estive algumas boas tardes no Le Flore compartilhando um café com o autor.

Mas não é exatamente dele nem do livro que quero falar. Ou melhor, é do livro, óbvio, mas não exatamente das sensações que ele me despertou nem dos segredos germanopratins que revela.

Aprendi, ao ler "Paris...", de Eros Grau, que o neoliberalismo privatizante tão criticado pela esquerda nos anos FHC no Brasil é coisa antiga. Inclusive em um dos seus símbolos maiores em São Paulo, os pedágios das rodovias concedidas à iniciativa privada a partir do governo tucano de Mário Covas.

Conta o ministro em seu livro que a ideia de conceder obras viárias para a iniciativa privada surgiu na Franca em 1560, por iniciativa do rei Charles IX. Ele deu a concessionários o direito de cobrar pedágio em troca da responsabilidade pela conservação de pontes, caminhos e passagens. Se o serviço não fosse feito, a arrecadação do pedágio seria tomada pelo reino para o mesmo fim (pág. 76).

Mais: em 1604, por determinação do ministro Sully, foi aplicado pela primeira vez um instrumento hoje recorrente na esfera pública, a desapropriação mediante "prévia e justa" indenização do proprietário para realização de obras (pág. 77).

Sem contar que partiu de Sully também o que se pode considerar o embrião da Comunidade Europeia atual. Isto há 400 anos! No início do século 17, ele pensou um sistema político que integraria a Europa em torno de seis monarquias hereditárias, três repúblicas federativas mais a Itália. Haveria ainda conselhos regionais, uma assembleia supranacional e um conselho geral (pág. 80-1).

Bem que se vê que neoliberais mesmo eram os franceses, estes revolucionários...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Gaeco apura ameaças a jornalistas de Limeira (2)

“O episódio lamentável configura censura e mais um ataque à liberdade de expressão em plena democracia. Os profissionais que estão sendo ameaçados estavam em pleno exercício profissional e precisam ter esse direito preservado.”
José Augusto Camargo (Guto)presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo


* O assunto repercutiu agora no blog do Knight Center for Journalism in the Americas (leia aqui e veja o destaque na imagem a seguir) e no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (leia aqui).


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Gaeco investiga ameaças a jornalistas de Limeira

Baixe o Adobe Flash Player

* O assunto já repercutiu na Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Leia aqui.

sábado, 14 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Frase

“Amadureço, talvez. De repente, entro em contato com a finitude, apalpo-a.”
Eros Grau, em "Paris - Quartier Saint-Germain-Des-Prés" (Editora Globo), p. 221

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Flagrante italiano 15

Uma vitrina de doces em Florença, perto da festa de Halloween:


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Reconhecimento

"A essa distância/proximidade de querer bem que a idade que temos permite dá-se o nome de 'amizade'."
Eros Grau, em "Paris - Quartier Saint-Germain-Des-Prés" (Editora Globo), p. 172

Algumas vezes, somos severos demais com as pessoas. Noutras, complacentes. O fato é que cada um tem um jeito de ser e traz nele as marcas de seus “fantasmas”.

Eu, por exemplo, tenho um grande defeito: cobro demais das pessoas (ao menos daquelas que me importam). Cobro delas o que cobro de mim.

Acontece que não somos iguais. Por isso, quando estilos diferentes de pessoas se encontram, é comum haver choques. O mais importante, porém, é que deles resultem o diálogo, a aprendizagem, o crescimento e a mudança.

É difícil, contudo, reconhecermos o esforço de alguém em querer mudar. Ainda que seja mínima a mudança, sabemos o quanto isso exige de energia da outra pessoa. Por isso, qualquer sinal de avanço deveria ser motivo de elogio e reconhecimento.

Gostaria, pois, 
hoje de reconhecer o esforço de quem tem buscado ser um amigo melhor. E gostaria de agradecer aqueles que têm se mostrado presentes como sempre.

Tenho aprendido muito com todos vocês. Muito obrigado!

"Life will go on"

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Entre a convicção e a vida

Mamãe, não quero ser prefeito
Pode ser que eu seja eleito
E alguém pode querer me assassinar
Eu não preciso ler jornais
Mentir sozinho eu sou capaz
Não quero ir de encontro ao azar
Papai não quero provar nada
Eu já servi à Pátria amada
E todo mundo cobra minha luz
Oh, coitado, foi tão cedo
Deus me livre, eu tenho medo
Morrer dependurado numa cruz

Eu não sou besta pra tirar onda de herói

Sou vacinado, eu sou cowboy
Cowboy fora da lei
Durango Kid só existe no gibi
E quem quiser que fique aqui
Entrar pra historia é com vocês!

(
"Cowboy Fora da Lei", de Cláudio Roberto e Raul Seixas)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Uma constatação e um agradecimento

Acho que estou precisando de férias... Descanso para o corpo e principalmente para a mente. Ah, coisa sadia essa tal de férias!

Também estou precisando dos (poucos) amigos, da conversa, do ombro, do apoio. Ah, bons amigos!


Hoje, preciso agradecer algumas pessoas em especial: 
Mirele Parronchi, Carlos Giannoni de Araujo, Altemício Rodrigues de Azevedo e Rogério Linares.

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Ainda (e de novo) o blog de Félix

O prefeito Silvio Félix (PDT), que não tem concedido entrevistas em Limeira, voltou a usar seu blog para tecer críticas à imprensa (desta vez direcionadas ao jornal "Gazeta de Limeira", a quem chamou de imparcial) e à Comissão Processante da Câmara Municipal que investiga denúncias contra ele (no caso do suposto enriquecimento ilícito de sua família).

Na postagem
"Sobre reunião ocorrida entre promotores e alguns vereadores", Félix fez seis considerações, das quais três podem ser facilmente respondidas e uma tem uma possível resposta:

1) Diz o prefeito: "A CP negou meus pedidos para conhecer os materiais
 enviados pelo MP".
Ora, uma parte do material é pública e Félix teve acesso a ela. A outra parte, sobre a qual o prefeito fala, a comissão decidiu devolver ao Ministério Público sem analisá-la, de modo que Félix não teria razão de acessar esse material que, por enquanto, não será usado na investigação (o MP mandou de volta os documentos e a CP vai decidir no próximo domingo se aceita ou não o material).

2) Diz o prefeito: "Minha defesa já foi entregue sem que eu pudesse ter conhecimento dessas provas".
Ora, Félix sabe (embora tente ludibriar a opinião pública neste item) que ele entregou apenas e tão somente uma defesa PRÉVIA, como prevê as regras da Comissão Processante. Prévia justamente porque a defesa na íntegra ainda será feita, inclusive com a possibilidade do prefeito falar pessoalmente à CP. Se a investigação mal começou, o prefeito queria se defender de quê até agora?

3) Diz o prefeito: "No episódio das gravações (provas ilegais) já houve vazamento".
Ora, e quem prova que o vazamento partiu dos vereadores da CP? Ou do Ministério Público?

4) Diz o prefeito: "
Outros vereadores não foram convocados e não participaram do colóquio".
Ora, não foi uma reunião formal, de modo que os promotores convidam quem quiser (se é que a iniciativa partiu dos promotores). Ainda assim, talvez outros vereadores não tenham sido convocados porque têm se mostrado governistas em demasia...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Frases

"Tudo passa, como o tempo passa, eu sei."
Eros Grau, em "Paris - Quartier Saint-Germain-Des-Prés" (Editora Globo), p. 207

"Avec le temps tout s’en va."

Idem, p. 233

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Vou-me (de novo) embora pra Pasárgada

Em 10 de fevereiro de 2009, há quase três anos portanto, postei neste blog um poema de que gosto muito: "Vou-me embora pra Pasárgada", de Manuel Bandeira.

Queria postá-lo novamente. No entanto, como aquela postagem de fevereiro de 2009 diz EXATAMENTE o que eu pretendia dizer agora, inclusive com a dedicatória, apenas recomendo que você, caro leitor deste blog, acesse aquela antiga postagem - tão pertinente hoje - clicando
aqui.

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Palavras...

Palavras apenas 
Palavras pequenas 
Palavras momentos 
Palavras, palavras
Palavras, palavras 
Palavras ao vento

("Palavras ao Vento", de Marisa Monte e Moraes Moreira)


Em tempo: palavras são fáceis, atitudes são difíceis!

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Seção besteirol

Sempre achei os gatos corajosos. Outro dia vi um gato enfrentar - e espantar - um cachorro no Parque Cidade. Eles, os gatos, têm aquela postura estranha: ficam quietos, só observando a aproximação do perigo, até que dão um salto, um chiado, fazem uma careta, mostram as (pequenas) garras... E vencem!

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"Desencanto"

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...

Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca

Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.


(Manuel Bandeira)

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Não

Não quero esmolas
Não aceito migalhas
Não quero fagulhas.

Do teu silêncio
Ouço o estrondo
Da indiferença.

Não sou mais um
Não sou mais
Não sou eu.

Da tua presença
Vejo o poder
Da ausência.

E assim sigo
E assim estou
Apenas eu.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Ausência (em estilo de frase)

“Na sua eventual ausência por uns dias, um do grupo, ou mais de um, perceberá que falta algo, o café já não será exatamente o mesmo. Desde a sua ausência, o café há de ser outro, cuja identidade somente será recuperada ao seu retorno.”
Eros Grau, em "Paris - Quartier Saint-Germain-Des-Prés" (Editora Globo), p. 215

PS: ou o café será o de sempre quando prevalece a indiferença...

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A lua

O que mais me chama a atenção nesta foto, feita num início de noite a partir da sacada do meu quarto, é a lua. Escondida, minúscula, quase imperceptível (no canto direito superior, para quem ainda não a viu).

Tão figurante na cena, tão protagonista no céu, tão maior e mais poderosa do que qualquer outro elemento desta foto.


PS: caso ainda não tenha encontrado a lua, clique na imagem que então a verá ampliada, a foto (ou a lua).

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"Tout va très bien, Madame la Marquise"

Allô, allô James!
Quelles nouvelles?
Absente depuis quinze jours,
Au bout du fil
Je vous appelle;
Que trouverai-je à mon retour?

Tout va très bien, Madame la Marquise,
Tout va très bien, tout va très bien.
Pourtant, il faut, il faut que l'on vous dise,
On déplore un tout petit rien:
Un incident, une bêtise,
La mort de votre jument grise,
Mais, à part ça, Madame la Marquise
Tout va très bien, tout va très bien.

Allô, allô James!
Quelles nouvelles?
Ma jument gris' morte aujourd'hui!
Expliquez-moi
Valet fidèle,
Comment cela s'est-il produit,

Cela n'est rien, Madame la Marquise,
Cela n'est rien, tout va très bien.
Pourtant il faut, il faut que l'on vous dise,
On déplore un tout petit rien :
Elle a péri
Dans l'incendie
Qui détruisit vos écuries.
Mais, à part ça, Madame la Marquise
Tout va très bien, tout va très bien.

Allô, allô James!
Quelles nouvelles?
Mes écuries ont donc brûlé?
Expliquez-moi
Valet modèle,
Comment cela s'est-il passé?

Cela n'est rien, Madame la Marquise,
Cela n'est rien, tout va très bien.
Pourtant il faut, il faut que l'on vous dise,
On déplore un tout petit rien:
Si l'écurie brûla, Madame,
C'est qu'le château était en flammes.
Mais, à part ça, Madame la Marquise
Tout va très bien, tout va très bien.

Allô, allô James!
Quelles nouvelles?
Notre château est donc détruit!
Expliquez-moi
Car je chancelle
Comment cela s'est-il produit?

Eh bien! Voila, Madame la Marquise,
Apprenant qu'il était ruiné,
A pein' fut-il rev'nu de sa surprise
Que M'sieur l'Marquis s'est suicidé,
Et c'est en ramassant la pell'
Qu'il renversa tout's les chandelles,
Mettant le feu à tout l'château
Qui s'consuma de bas en haut;
Le vent soufflant sur l'incendie,
Le propagea sur l'écurie,
Et c'est ainsi qu'en un moment
On vit périr votre jument!
Mais, à part ça, Madame la Marquise,
Tout va très bien, tout va très bien.

(Letra e música de Paul Muraski)

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"Quando a desobediência é virtude"

Perplexo e com indignação ética leio em nossos jornais a direção que a CP está tomando após ser ameaçada por meio de blog pelo alcaide em gestão. Não sou dos que fazem coro afirmando que também aqui tudo acabará em pizza. Ainda espero e acredito que há pessoas que sabem responder eticamente pela função ou cargo que ocupam.

Quero aqui lembrar que “O Direito de Resistência é reconhecido por todos, isto é o direito de negar lealdade e de oferecer resistência ao governo sempre que se tornem grandes e insuportáveis sua tirania e ineficiência” (Thoreau, H.D., "A desobediência civil e outros escritos", S.Paulo: Martin Claret, 2005). E aqui, em nosso caso, desobediência ao partido e ao governo que usam de todos os meios para manterem-se no poder, negando em teoria e prática seus compromissos com a justiça, o direito e o respeito à dignidade dos cidadãos, faz desta nossa ação uma grande virtude.

Sinto muito pela nossa cidade que tem que conviver com vereadores movidos mais por humores e temores do que pelo legítimo direito de resistir ao governo ou, até mesmo, de lutar para substituí-lo, demonstrando que cidadania é valor que se aprende para viver a vida toda. Em outra ocasião já escrevi que em política honestidade não é opção.

Por isso, senhores vereadores que se deixam intimidar, não desonrem a Casa que ocupam, e nem os compromissos com os cidadãos que os elegeram. Sejam dignos de vossos cargos e ensinem a nós, cidadãos, que vale a pena lutar pela moral, pela ética e pela justiça, para que o futuro de nossa cidade possa ser melhor.

Pe. Alquermes Valvasori
Professor doutor em Bioética

terça-feira, 10 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Frase

"Não deixemos nada para mais tarde. Acertemos nossas contas com a vida dia após dia."
Sêneca, em “Aprendendo a viver”, L&PM Pocket, p. 115-6

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Balança, mas não cai...

Flagrante feito dia desses no Parque Cidade:


Se eu não estiver com problema de visão, parece-me que um dos ônibus da Prefeitura de Limeira estava um pouco desalinhado...

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Nos EUA, a arena republicana ferve

Como se previa, o ex-governador Mitt Romney ganhou as prévias de New Hampshire, a segunda de uma série de 50 que vai definir o candidato republicano na disputa pela Casa Branca em novembro.

Embora mantenha o favoritismo com que entrou neste processo, Romney não tem tido vitórias tranquilas. Na primeira prévia, em Iowa, bateu Rick Santorum por apenas oito votos de diferença. Desta vez, embora tenha apresentado uma larga vantagem em relação aos demais postulantes (Santorum abriu mão de participar da série em New Hampshire), o problema de Romney foi o chamado “fogo amigo”.

Os pré-candidatos republicanos decidiram centrar fogo no ex-governador. Para isso, criticaram-no por fechar postos de trabalho num país que vive a pior crise econômica das últimas décadas.

Este é justamente o ponto fraco de Romney, especializado em comprar empresas em situação difícil e enxugá-las com medidas como a demissão de trabalhadores. Tal postura polêmica foi reforçada por uma recente fala do ex-governador. Ele disse gostar de ser capaz de demitir as pessoas que lhe prestam serviços.

Foi a deixa para a “guerra”. Segundo o “The New York Times” desta terça-feira, enquanto Romney tenta deslanchar, seus adversários no partido buscam justamente reduzir a marcha de sua aceleração. Para isso, usam as armas de que dispõem.

Jon Huntsman Jr., ex-governador de Utah, logo disparou: “O governador Romney gosta de demitir pessoas; eu gosto de criar empregos”. O governador do Texas, Rick Perry, foi mais criativo: convidou os eleitores a acessarem seu site e baixarem como um “ring tone” (ou seja, um toque de celular) a fala de Romney sobre gostar de demitir trabalhadores.

As críticas dos colegas à carreira de Romney chegaram a tal ponto que líderes republicanos tiveram que intervir. Afinal, os pré-candidatos estavam endossando o discurso dos democratas e do próprio presidente Barack Obama contra seu provável adversário.

A estratégia, porém, é exatamente esta. Para Newt Gingrich, um dos concorrentes de Romney na seletiva republicana, se o hoje favorito tem um ponto vulnerável, “melhor derrubá-lo agora antes da nomeação”.

Curiosamente, quem saiu em defesa de Romney (ou melhor, rechaçou a estratégia de criticá-lo pelas suas práticas profissionais) foi Santorum – que, segundo o “NYT”, disse acreditar no setor privado.

Diante da enxurrada de ataques, assessores de Romney saíram pela tangente. Alegaram que as críticas ajudam a mostrar que o ex-governador tem experiência como empresário e com gestão de empresas justamente num momento em que o país precisa recuperar sua economia.

Como este blog já registrou, tudo isso faz parte do jogo de cena da política norte-americana. Digladiam-se até que reste um sobrevivente. Ferido, mas não totalmente vencido. Até porque a disputa principal ainda nem começou...

Só não consigo realmente entender a vantagem de tanta exposição pública dos defeitos de um futuro candidato a presidente dos EUA.

PS: a próxima disputa é na Carolina do Sul.

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A ameaça de Félix aos vereadores voltou...

Pois é, menos de 24 horas após "sumir" do blog do prefeito Silvio Félix (PDT), como mencionado na postagem anterior, o texto "Divulgação de material sob sigilo" - no qual o chefe do Executivo limeirense intimida e ameaça os vereadores - voltou a ser postado.


Como prometi, segue o texto na íntegra (os grifos são meus; as letras maiúsculas estão como no original):


A prisão da minha família foi arbitrária e sem necessidade. O afastamento pela Câmara foi ilegal.


Na Comissão Processante fiz três pedidos legais e fundamentais para a defesa: para conhecer o material entregue pelo MP,
  para que a entrevista do MP seja degravada, para ter prazo de defesa depois de conhecer o que o MP entregou. TODOS OS PEDIDOS FORAM NEGADOS.


Material fiscal, sob segredo de Justiça, foi entregue aos vereadores. O Tribunal de Justiça acatou representação contra os promotores por vazamento de informação sigilosa. Outros também poderão responder por esse crime.


P
ela lei é crime a quebra de sigilo e a divulgação de informação fiscal e outras sob segredo de justiça.


Conversei com o Dr. Batochio 
 e outros advogados de nossa família. Se os vereadores da CP também cometerem esse crime, quebrarem o sigilo imposto pela lei ou divulgarem qualquer informação fiscal ou de material mantido sob segredo de justiça responderão na justiça.


Uma coisa são as diversas irregularidades da CP que inclusive já provocaram sua nulidade. Outra coisa é a CP e os vereadores que a integram não respeitarem uma lei federal penal sobre direitos constitucionais que protegem qualquer pessoa ou empresa privada.


Já disse que usaram minha família para me atingir. Mas mesmo na política tem que se ter limites. O limite deve ser a lei. Creio que é o que vão querer fazer valer os juristas.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

A ameaça de Félix aos vereadores sumiu?

O prefeito Silvio Félix (PDT) lançou a ameaça intimidatória por meio de seu blog. No domingo, 8/1, exatamente às 12h31, postou uma mensagem intitulada “Divulgação de material sob sigilo”. Nela, dizia claramente que seus advogados iriam à Justiça contra os vereadores que permitissem acesso a material sob segredo de Justiça envolvendo a investigação de possível enriquecimento ilícito por parte de seus familiares.

Não se tratava de uma ameaça velada; ao contrário, estava lá, com todas as letras, em tom imperativo, como é de costume de Félix.

Que o prefeito tenha buscado intimidar os vereadores, não é novidade. A surpresa foi alguns vereadores cederem à pressão, recorrendo exatamente aos mesmos argumentos usados pelo prefeito em sua postagem. Refiro-me a Nilce Segalla (PTB), Almir Pedro dos Santos (PSDB) e Antonio Braz do Nascimento, o Piuí (PDT).

Com votos deles, a Comissão Processante da Câmara Municipal que investiga o prefeito decidiu não acessar cerca de oito mil páginas de documentos sigilosos enviados aos vereadores pelo Ministério Público após determinação da Justiça (leia detalhes aqui).

Que Nilce, Piuí e Almir façam o jogo de Félix também não é surpresa. O que chama a atenção é a falta de controle dos partidos em Limeira sobre seus representantes na Câmara. O PSDB, por exemplo, endossou um documento cobrando investigação e transparência no caso envolvendo o prefeito e seus familiares. E seu único vereador vota justamente para dificultar a investigação. O mesmo aconteceu com o PTB.

Félix, legitimamente, está usando as armas de que dispõe para tentar salvar seu mandato.

É bom, porém, que os vereadores lembrem-se que serão cobrados pelos eleitores em outubro.

Em tempo: não se sabe o motivo, mas o fato é que o texto intimidatório de Félix não está mais visível em seu blog neste momento. Repare na imagem a seguir: o texto aparece no sistema de buscas do Google. Quando é acessado, porém, mostra-se desativado.


Pode ser que o texto volte a ser postado, não se sabe. Independentemente disso, amanhã eu o reproduzirei aqui.

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Provocações sobre o adultério

(...) O adultério é um pecado, principalmente quando há amor envolvido; talvez, somente quando há amor envolvido. E pecado aqui significa a consciência de que você não é dono de si mesmo. Suas reações, pensamentos e esquemas rotineiros de enfrentamento da vida entram em colapso. E dói.

E mais: é pecado porque o adultério faz você ver que existe alguém dentro de você que é despertado do sono por outra pessoa que não aquela que divide honestamente e cotidianamente o dia a dia da sua vida.

Aquela pessoa que envelhece com você ao longo de uma vida de "pequenos detalhes" (como diz nossa heroína Francesca) que, ao serem somados, representam uma parceria de confiança, retribuição e generosidade. A grandeza da pecadora Francesca só pode ser medida contra seu sacrifício em nome dos filhos e do fiel e dedicado marido.

A alma de um pecador é a sua consciência de que faz algo contra alguém que não merece. A pior tragédia do adultério se dá quando o traído é inocente.

Ao contrário do que muitas mulheres casadas pensam, muitos homens sacrificam suas vidas afetivas em nome delas e dos filhos, em silêncio. A virtude é sempre discreta.

Fonte: Luiz Felipe Ponde, "Francesca", Folha de S. Paulo, Ilustrada, 9/1/12 (para ler na íntegra, clique aqui - é preciso ter senha do jornal ou do UOL)

domingo, 8 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Domingo de chuva e futebol

"Domingo, vai ter um joguinho aí..."

video

Dois anos depois, voltei ao "Major José Levy Sobrinho", o Limeirão, para mais uma partida da Copa São Paulo de Futebol Júnior, o tradicional torneio de juniores que abre a temporada do futebol brasileiro. Em campo, duas partidas: Santos x Assu (RN) e Inter de Limeira x Vitória (PE).


O dia prometia chuva - e fui preparado para isso. No jogo do Santos (vitória santista por 6 a 0), nada de água. Bastou começar o jogo da Inter, porém, um temporal desaguou sobre o Limeirão.



Para alguém, como eu, que durante toda a vida assistiu aos jogos na cadeira cativa ou na tribuna de honra do estádio, protegido, tomar chuva foi uma experiência interessante. Senti na pele o que os torcedores sentem. Entendi porque os comentaristas criticam jogadores que não se esforçam em campo, desrespeitando o torcedor que sofre na arquibancada, debaixo de sol ou de chuva.


E, ainda por cima, lavei a alma (sim, não deixei de encontrar um sentido psicológico nessa experiência).


Em tempo: a Inter venceu por 1 a 0, gol chorado, de pênalti, aos 48 minutos do segundo tempo, quando eu estava exatamente atrás do gol, indo embora, encharcado e feliz.


PS: para quem prometeu fazer de 2012 realmente um ano novo, a primeira semana valeu. Churrascos, bebedeira, noite na chácara, futebol, tomar chuva, sair com amigos para comer Burger King... E vem mais por aí!

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Frase

"A vida é suficientemente fecunda, mas nós sempre estamos ávidos de meios para viver e nos parece que sempre nos falta alguma coisa."
Sêneca, em “Aprendendo a viver”, L&PM Pocket, p. 52-3

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Lições de uma criança

Quem disse que para ensinar algo na vida é preciso necessariamente ter experiência? Quem disse que o adulto é sempre o “professor”? Quem disse que não podemos aprender com uma criança?

Eu, por exemplo, recebi de um garoto de dez anos algumas importantes lições na última sexta-feira: a de que a vida às vezes deve ser mais simples do que pensamos; a de que a alegria às vezes está nas pequenas coisas; a de que devemos nos permitir momentos felizes, sem pensar muito; a de que é preciso saber viver.

Estas lições surgiram em razão de uma simples piscina. Tinha ido dormir na chácara com alguns amigos sem a menor intenção de nadar - até porque o clima não parecia querer ajudar... No entanto, para uma criança, não existem obstáculos como nuvens ameaçadoras no céu e tempo escasso.

Foi, pois, com a inocência e a alegria típicas das crianças que recebi um pedido logo após o café:

- Posso nadar?

Pensei por um instante, já pretendendo dizer que o clima não estava tão propício e que não teríamos muito tempo na chácara, mas resolvi ceder. Afinal, era apenas uma criança querendo ter um momento de felicidade. Até que veio outra pergunta, surpreendente, em tom de intimação:

- Você não vai nadar com a gente?

Pensei por um instante (um pouco maior desta vez) e... resolvi ceder novamente. Chequei a temperatura da água (estava quente) e dei uma ordem:

- Eu pulo primeiro, preciso ver se dá “pé” pra você.

Era mentira, eu apenas me permiti um momento de “criancice” querendo ser o primeiro a mergulhar. E assim fiz. Outros amigos também pularam na água. E nos divertimos – apesar do céu encoberto e do pouco tempo que tínhamos para nadar.

Naquele momento, pensei em todas estas lições que um garoto de apenas dez anos me ensinou com toda a simplicidade de uma criança.

Aprendemos lições todos os dias, com pessoas diversas. Lições que nos são dadas gratuitamente. Basta, pois, estar com o espírito aberto para recebê-las.

Ah, também é preciso uma boa dose de humildade.

Em tempo: valeu Vinícius!

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O ano que chegará

Caro amico ti scrivo così mi distraggo un po'
e siccome sei molto lontano più forte ti scriverò.
Da quando sei partito c'è una grossa novità,
l'anno vecchio è finito ormai
ma qualcosa ancora qui non va.

Si esce poco la sera compreso quando è festa

e c'è chi ha messo dei sacchi di sabbia vicino alla finestra,
e si sta senza parlare per intere settimane,
e a quelli che hanno niente da dire
del tempo ne rimane.

Ma la televisione ha detto che il nuovo anno

porterà una trasformazione
e tutti quanti stiamo già aspettando
sarà tre volte Natale e festa tutto il giorno,
ogni Cristo scenderà dalla croce
anche gli uccelli faranno ritorno.

Ci sarà da mangiare e luce tutto l'anno,

anche i muti potranno parlare
mentre i sordi già lo fanno.

E si farà l'amore ognuno come gli va,

anche i preti potranno sposarsi
ma soltanto a una certa età,
e senza grandi disturbi qualcuno sparirà,
saranno forse i troppo furbi
e i cretini di ogni età.

Vedi caro amico cosa ti scrivo e ti dico

e come sono contento
di essere qui in questo momento,
vedi, vedi, vedi, vedi,
vedi caro amico cosa si deve inventare
per poterci ridere sopra,
per continuare a sperare.

E se quest'anno poi passasse in un istante,

vedi amico mio
come diventa importante
che in questo istante ci sia anch'io.

L'anno che sta arrivando tra un anno passerà

io mi sto preparando è questa la novità

("L'Anno che verrà", de
 Lucio Dalla)

PS: para ver a tradução, clique
aqui.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012 | | 0 comentários

Homenagem a Londres (uma outra visão)

A ideia é magnífica e o resultado, fantástico: o produtor londrino Moritz Oberholzer decidiu filmar a cidade a partir de seus tradicionais ônibus vermelhos de dois andares.

O que se vê no filme a seguir é a vida pulsante de uma das mais estimulantes metrópoles do mundo, com sua gente, suas ruas e seus prédios.

Foi a união perfeita entre meio e mensagem, já que Oberholzer usou um tradicional meio de transporte para mostrar a visão que um cidadão comum tem da sociedade onde vive.

Vale a pena conferir!

London Bus Tour from moritz oberholzer on Vimeo.

PS: esta postagem é uma homenagem à cidade dos meus sonhos, a minha preferida em todo o globo.