quinta-feira, 30 de junho de 2011 | | 0 comentários

Flagrante limeirense 1

Episódio: "O relógio da Praça Toledo Barros".

6h49 ou 6h59... Afinal, que horas são? 

quarta-feira, 29 de junho de 2011 | | 0 comentários

Só para constar

Uma constatação inútil: bati o recorde mensal de postagens aqui. Foram até agora mais de 50, o número mais elevado desde que o blog surgiu, em julho de 2008. 

Até então, o maior número de postagens tinha sido 43, em dezembro de 2008.


Explicações para o novo recorde? Inspiração e solidão (durante a semana).

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Cores da cidade

Do amanhecer ao anoitecer:






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Mais sobre a farra da Copa

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou hoje, em primeira votação, o projeto da prefeitura que concede isenções fiscais para a construção do futuro estádio do Corinthians, em Itaquera. As isenções somam R$ 420 milhões e foram concedidas porque o futuro estádio deverá ser usado na Copa do Mundo de 2014. É dinheiro que o município de São Paulo deixará de arrecadar.

É certo, como disse o prefeito da capital, Gilberto Kassab (PSD, em criação), que a Copa deverá trazer para a cidade bilhões de reais em turismo e negócios. Essa montanha de dinheiro, porém, viria de um modo ou de outro – ou seja, com ou sem isenções fiscais. O que se questiona, portanto, é: por que dar isenção para uma obra privada, que trará lucro para os seus empreendedores (clube, construtores e patrocinadores)?

Mais: não prometeram que as obras da Copa não teriam dinheiro público? No caso do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), os empréstimos ainda serão pagos. O caso de São Paulo é diferente: trata-se de isenção, ou seja, a prefeitura está abrindo mão de recursos públicos.

Não se trata de questionar benefícios a um clube ou outro. Trata-se de discutir a aplicação de recursos públicos, dinheiro do contribuinte, do cidadão. No caso, como não é dinheiro a ser dado, mas sim não recebido, trata-se de questionar a não destinação de recursos para projetos, obras e serviços públicos.

Com a aprovação do projeto de isenção em primeiro turno, a preparação da Copa do Mundo segue o seu roteiro: orçamentos estourando, prazos estourando, dinheiro público a rodo e poucos, bem poucos, lucrando.

Como escreveu recentemente Juca Kfouri em sua coluna no jornal “Folha de S. Paulo”, apropriadamente intitulada “E qual é a surpresa?”: e você, por que não reage?

terça-feira, 28 de junho de 2011 | | 0 comentários

Da série "Isto é... incrível!"

Sexo ao vivo num jogo de vôlei – pela TV!

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Da série “Acredite se quiser…”

segunda-feira, 27 de junho de 2011 | | 1 comentários

O mundo a um clique

Desde que foram criados, os serviços de geolocalização do Google – o Maps e o Earth – revolucionaram o modo dos internautas verem o mundo. Com eles, é possível viajar sem sair de casa (eu sempre checo por meio do Maps a localização de um hotel quando vou viajar).

Olhar os dois serviços pode revelar situações curiosas. Além dos flagrantes amplamente relatados pela imprensa mundo afora sempre que o veículo do Google Street View - um serviço dentro do Maps - passa por uma cidade, outras curiosidades podem ser descobertas.

Recentemente, olhando despreocupadamente o Google Maps, deparei-me com cenários interessantes. Foi o caso dos bairros circulares de Três Lagoas (MS) e Rubiácea (SP). Ou ainda dos círculos na região rural de Itapura, em São Paulo, cidade próxima da divisa com o Mato Grosso do Sul.



Ao fazer estas descobertas, lembrei-me das famosas – e misteriosas – linhas de Nazca, no Peru. Não vou explicá-las aqui porque mais informações podem ser facilmente obtidas por meio de uma busca na Internet. Prefiro colocar as imagens que captei. Por elas é possível ver curiosidades, como um suposto astronauta, uma baleia, um colibri e um outro pássaro.

É realmente fascinante saber que isso existe e mais interessante ainda poder ver tudo isso por meio do Google Maps (por mais que algumas imagens fiquem ruins por causa da distância em que foram captadas).





Então, que tal passear pelo Google Maps você também? Faça suas descobertas!

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A criminalidade na região


A análise comparativa dos dados da criminalidade divulgados agora mensalmente pela Secretaria Estadual de Segurança Pública evidenciam algumas situações interessantes na região. Os números permitem concluir que Rio Claro é a cidade mais perigosa das quatro envolvidas neste estudo no que diz respeito aos crimes contra a vida.

Já nos crimes patrimoniais (exceto veículos), Limeira é a que apresenta os maiores índices disparadamente. Antes que digam que a população limeirense é maior, basta fazer os porcentuais para verificar que a proporção de furtos e roubos (exceto veículos) em Limeira é, sim, bem maior do que nas demais cidades.

Limeira também lidera em furtos e roubos de veículos (embora outras cidades apareçam na frente em cada item isolado). Neste item, porém, pode-se atribuir um empate técnico nominal com Americana. Considerando a população, pode-se dizer que é mais arriscado perder o veículo em Americana do que em Limeira. Nos primeiros cinco meses deste ano, ladrões levaram em Limeira 645 veículos, contra 643 em Americana, 516 em Rio Claro e 345 em Santa Bárbara d´Oeste.

O trânsito em Limeira também é mais violento considerando os acidentes com vítimas (feridos e mortos). O número de casos com feridos em Rio Claro também chama atenção.

Merecem destaque os números envolvendo tráfico de drogas. Limeira tem mais casos disparadamente – o que pode indicar tanto a maior atuação de traficantes na cidade quanto uma ação mais efetiva das forças policiais no combate a esse tipo de crime (os números de Rio Claro e Santa Bárbara d´Oeste causam estranheza).

Segundo a Secretaria de Segurança, o número de homicídios dolosos (quando há intenção de matar) voltou a cair em São Paulo. “Em maio, foram registradas 337 mortes intencionais no Estado – 29 a menos que em maio de 2010. De janeiro a maio, a quantidade de crimes contra a vida caiu 14,63% no Estado, de 1.982 casos, nos primeiros cinco meses de 2010, para 1.692 este ano – 290 casos a menos.

As estatísticas mostram ainda que, pelo quinto mês consecutivo, o número de homicídios em São Paulo ficou fora da zona epidêmica. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera epidemia 10 ou mais mortes intencionais por grupo de 100 mil habitantes/ano. A taxa de homicídios desses primeiros cinco meses no Estado é de 9,73/100 mil”, cita a secretaria.
Para ler a notícia na íntegra, clique aqui. Para ver as estatísticas criminais, clique aqui.

* Os dados em negrito no gráfico indicam a cidade que lidera cada item. 

PS (acrescentado em 28/6): abaixo, o comentário do jornalista Gilberto Dimenstein para a rádio CBN São Paulo a respeito da queda do número de assassinatos no Estado:


sábado, 25 de junho de 2011 | | 0 comentários

Abandono e desperdício de dinheiro no horto

Esta é uma obra da Prefeitura de Limeira no Horto Florestal. São campos de futebol, cuja construção começou há pelo menos seis meses. Hoje, a obra está assim: terraplenagem feita e os suportes de concreto para o alambrado colocados. E só. Importante: muitos suportes estão caindo ou quebrados – o que indica desperdício de dinheiro PÚBLICO. Sim, porque o fechamento do local com alambrado custou (ou custará) ao município R$ 137 mil, conforme informou o site jornalistas.blog.br (veja aqui).

Aliás, problema semelhante está acontecendo no novo zoológico, obra da prefeitura também no Horto. Enquanto a fase de acabamento não começa, a cerca de madeira já está quebrando em alguns pontos. A impermeabilização do lago sequer foi iniciada. A água acumula no local e há pontos com erosão.

Aliás, a sujeira predomina no local. Como predomina também em todo o horto, um espaço de lazer precioso, porém mal cuidado. Incrível como uma cidade com cerca de cinco mil funcionários na prefeitura não consegue designar alguém para cuidar de um parque. Que nome se dá a isso se não for incompetência?

Qualquer cidade razoavelmente administrada tem um parque minimamente cuidado.

Em tempo: está lá também no site jornalistas.blog.br a informação de que a Prefeitura de Limeira contratou uma empresa – a mesma dos alambrados - para dar manutenção nos campos de futebol do horto. Valor: R$ 139,8 mil (leia aqui). Não é preciso dizer qual o estado em que se encontram os campos do horto né... Um deles é um terrão, o outro tem tantas touceiras que a prática do futebol está inviável e o terceiro, em melhor situação, tem tudo menos grama bem cuidada.

Das duas, uma: ou o serviço atrasou ou não foi feito. É dinheiro público indo para o ralo?

PS: a seguir, reproduzo trecho de reportagem da Assessoria de Comunicações da Prefeitura de Limeira de 13 de abril de 2010, quando o ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, esteve na cidade.

“Além do PAC das Olimpíadas, Limeira já tem cerca de R$ 2 milhões de parcerias em andamento com o Ministério do Esporte. Essa verba será investida no ginásio que será construído no bairro Santa Eulália, na cobertura de uma das piscinas do complexo 'Alberto Savoi', em dois campos como centro de treinamento no Horto Florestal e na reforma – cerca de R$ 1 milhão – dos dois estádios.” (para ler a íntegra, clique aqui)

É dispensável comentar o prometido investimento de R$ 1 milhão nos estádios municípios e ver a situação em que eles se encontram...

Só para registrar: até outubro de 2012, quando ocorre a eleição para prefeito, estas e outras obras hoje paradas devem ser concluídas.

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Trabalhando

Entrevista com Di Ferrero, líder do grupo NX Zero, no show de aniversário da rádio Jornal FM 100,7, no dia 19/6, no Gran São João:


* Foto retirada do site Topvibe

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"Porto solidão"

Rimas, de ventos e velas
Vida que vem e que vai
A solidão que fica e entra
Me arremessando
Contra o cais...

("Porto Solidão", composição de Zeca Bahia e Gincko, sucesso com Jessé)

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O céu e o sol

Uma imagem da tarde de sábado:

sexta-feira, 24 de junho de 2011 | | 0 comentários

Alguém pode responder?

Meus bons amigos, onde estão?
Notícias de todos quero saber
Cada um fez sua vida
De forma diferente
Às vezes me pergunto
Malditos ou inocentes?

("Meus bons amigos", Barão Vermelho)

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Mais uma aventura

Hoje, pelo segundo dia seguido, acordei por volta das 4h. Às 5h, novamente já estava na rua para fazer uma reportagem. Desta vez, uma aventura. O material foi ao ar nesta sexta-feira no programa "A Hora Informação Verdade", da TV Jornal (17h45-19h30). Para quem não viu, deixo uma pista abaixo. E posso dizer que foi uma curtição!


PS: a reportagem deverá ser postada aqui na próxima semana.

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Para hoje

It's my life
It's now or never
I ain't gonna live forever
I just want to live while I'm alive
(It's my life)
My heart is like an open highway
Like Frankie said
I did it my way
I just wanna live while I'm alive
It's my life.

("It's my life", de Jon Bon Jovi, Richie Sambora e Max Martin)

quinta-feira, 23 de junho de 2011 | | 0 comentários

A tradição do tapete de Corpus Christi

Nesta quinta-feira, feriado de Corpus Christi, fiz uma atividade completamente diferente. Acordei às 4h30 (bem, um pouco antes com o barulho em casa, já que minha mãe teve que acordar às 4h...) e às 5h15 já estava na rua fazendo uma reportagem. Tema: a preparação do tradicional tapete de serragem para a procissão de Corpus Christi.

Atividade tradicional há décadas em diversas cidades brasileiras, a confecção do tal tapete costumava reunir em Limeira crianças e jovens atendidos em projetos do Ceprosom (Centro de Promoção Social Municipal). Em 2010, a diocese decidiu fazer uma experiência e descentralizou a festa, deixando a cargo de cada paróquia a celebração.

Este ano, a festa voltou a ser centralizada na Catedral Nossa Senhora das Dores. Para sorte da comunidade, a procissão com o tapete voltou a ser feita. Mais do que uma atividade de fé, trata-se de um ato de grande riqueza cultural e histórica.

Com o dia ainda escuro, vi centenas de pessoas - crianças, jovens e adultos - mobilizando-se para preparar a decoração das ruas. Gente chegando ao Centro de todos os cantos da cidade. Cada grupo representava uma paróquia (desta vez, a criação do tapete ficou a cargo da Igreja). O que observei foi um povo alegre e disposto, fazendo um trabalho voluntário com muito carinho. Percorri a pé todo o trajeto, conferindo desenho por desenho.
 

Em menos de duas horas, desde os primeiros rabiscos até a finalização, o tapete de serragem estava feito.

Sem dúvida, foi uma grande e rica experiência: ver uma tradição se materializando na minha frente, conversar com novas pessoas, ouvir histórias, ver o dia nascer no coração da cidade. Um dia realmente inspirador e contagiante.

Parabenizo todas as pessoas que colaboraram para manter viva esta importante tradição e que nos acolheram (o cinegrafista Leandro Santos e eu) tão bem durante a reportagem.
 




 



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A vez do Brasil

Com o cocar na cabeça, o cacique Almir Suruí bateu nas portas do Google aqui, nos EUA, convencido de que poderia usar sistemas de monitoramento por internet para preservar as terras de sua tribo, localizada na fronteira do Acre com Rondônia. Se, de início, parecia uma maluquice, a ideia, aprimorada com a distribuição de smartphones na tribo, virou uma solução. Qualquer invasão ou queimada sobe em tempo real para o Google Earth.
Por ter ajudado a criar uma nova função na internet, nosso cacique entrou na lista das cem pessoas mais criativas do mundo dos negócios, lançada neste mês pela revista americana "Fast Company".
Um índio repensando a internet serve de síntese do que estou sentindo nesta minha temporada americana em relação à imagem internacional do Brasil, especialmente nos Estados Unidos.
Constrói-se um Brasil da fantasia entre o exótico e o contemporâneo.
Pelo menos em meio à elite empresarial e acadêmica, somos vistos não apenas pelos indicadores econômicos mas como um país alegre, criativo e aberto à diversidade. Avoluma-se uma série de fatos para colorir ainda mais essa imagem.
A maior parada gay do mundo, mais uma vez, enche a avenida Paulista na próxima semana, somada às cores sofisticadas da São Paulo Fashion Week, dando mais uma pincelada em nossa imagem.
Para completar, um ranking internacional feito pela Hub Culture apontou, neste ano, a cidade de São Paulo como a que melhor resume o espírito contemporâneo. Na frente de Nova York, Londres e Berlim.
Nessa lista dos criativos da revista, há nomes que estão ajudando a inovar os negócios no planeta de modos os mais extraordinários. Sebastian Thrun está desenvolvendo um carro que anda sem motorista - aliás, o motorista até atrapalha. Salman Khan revoluciona a educação transformando o YouTube na maior sala de aula do planeta, ensinando como deixar claros e atraentes, sem muitos recursos, os conhecimentos de ciência.
Lá estão, além do nosso cacique, o brasileiro Alex Kipman, que desenvolveu para a Microsoft um sistema capaz de fazer que o corpo humano vire um game, o publicitário Nizan Guanaes, que está guindando uma agência de publicidade ao posto de uma das mais importantes do mundo, Eike Batista, que entrou tão rapidamente e com projetos ousados no ranking dos bilionários, e Oskar Metsavaht, da Osklen, que produz uma moda que une a sustentabilidade à sensualidade.
Essa combinação de gays, índios, publicitários, engenheiros de tecnologia da informação e fashionistas parece a composição exótica de uma fantasia de Carmem Miranda.
Somem-se aí o sucesso do filme "Rio", dirigido por um brasileiro, e a própria cidade do Rio, cujas obras e mobilização para a Copa do Mundo e para a Olimpíada viram motivo de cobiça em escala planetária. É das cidades que mais se vêm reinventando no planeta.
Para completar a composição da nossa imagem, existe o Felipe. É o brasileiro casado com Elizabeth Gilbert, autora do best-seller "Comer, Rezar e Amar", sucesso nas telas. Felipe (nome fictício) é cosmopolita, compreensivo, maduro, sensível, sem nenhum traço do macho latino. É o que se idealiza aqui como o homem do século 21.
Há muito de fantasia nessa composição da nossa imagem externa. A base, porém, é real. Apesar da imensa pobreza, da desigualdade e da violência, o Brasil é democrático, sem ódios, e, nos últimos anos, teve um presidente operário sem educação formal, um renomado sociólogo e, enfim, uma mulher.
Conseguimos transmitir a mensagem de que somos um lugar confiável para fazer negócios e aberto à modernidade tecnológica. Nossas descobertas em biocombustíveis são admiradas há muito tempo e tendem a crescer se for mesmo aprovada a decisão do Congresso americano de facilitar a entrada do álcool brasileiro.
A rede social do Google (Orkut) é majoritariamente brasileira. Na semana passada, foi divulgado que o Brasil é o país onde o Facebook mais cresce.
Uma empresa especializada em medir apenas o impacto do Twitter, chamada Twitalyzer, colocou dois brasileiros, Rafinha Bastos e Luciano Huck, entre os dez mais importantes perfis. Não é sem motivo que, muitas vezes, temas locais aparecem entre os "trending topics" daquela mídia social.
São avanços notáveis. Difícil não sentir certo prazer com nossa imagem. Até há pouco tempo, o grande personagem brasileiro era Pelé, e o principal produto, o café. Nem sabiam que Brasília era a capital do Brasil. Mas estamos tão longe de sermos uma nação civilizada e inovadora quanto Felipe está longe de ser o padrão do homem brasileiro, e as imagens do filme "Rio" estão longe de se parecerem com a realidade da cidade.
Mede-se a civilidade de um país pela qualidade das escolas e das universidades. O resto é fantasia.
PS - Precisa vir alguém de fora, como o pessoal do Culture Hub, para dizer que São Paulo, apesar de sua selvageria cotidiana, é uma das cidades mais interessantes do mundo por atrair talentos. Até então, quem dizia isso era maluco ou bairrista. Às vezes, é preciso mesmo o olhar estrangeiro para nos vermos melhor.

Fonte: Gilberto Dimenstein, "Fantasia Brasil está na moda", Folha de S. Paulo, Cotidiano, 19/6/2011.

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Mundo animal 5

Os patos:


quarta-feira, 22 de junho de 2011 | | 0 comentários

Poesia da amizade

Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.

Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.

(Fernando Pessoa)

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Tolerância zero!

Quem teve a oportunidade de acompanhar a edição do último sábado do quadro “Lar Doce Lar” do programa “Caldeirão do Huck”, da Rede Globo, entenderá melhor a manifestação que se segue.

A repulsa à corrupção deveria ser inerente ao caráter humano. Fosse assim, porém, esta praga simplesmente não existiria.

O que chama a atenção no Brasil é o nível que esse negócio atingiu. Um nível “endêmico”, institucionalizado, como manifestou certa vez um diplomata norte-americano (o que, aliás, gerou uma pequena crise entre os governos brasileiro e dos EUA).

Ao ler recentemente sobre a defesa que o ex-presidente Lula fez do prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos, cujo governo e cuja esposa estão afundados até na lama em denúncias de corrupção, minha repulsa aos corruptos aumenta ainda mais. Lula - para quem as denúncias são políticas (como se promotores e juízes tivessem algum interesse político no episódio) - deveria ter maior noção do que representa e do peso de suas palavras e seus exemplos.

Ao ver no noticiário o esquema fraudulento comandado por um grupo de médicos em hospitais públicos de São Paulo, fico ainda mais revoltado e enojado. Como pode alguém que teve a oportunidade de se formar em uma das profissões mais nobres que existem, cujo objetivo é justamente atender o próximo, roubar dinheiro público? O mesmo dinheiro que deveria servir para melhorar o sistema público de saúde!

(Por isso sou veementemente contra a criação de um imposto para o setor; dinheiro existe, basta fechar o ralo da corrupção.)

Ao confrontar a história emocionante mostrada na TV da mãe que criou as filhas, com dignidade, tendo uma renda mensal de apenas R$ 300 com as manifestações do ex-presidente, com as práticas de Brasília e a corrupção dos médicos, vejo minha indignação justificada.

Cada vez mais temos que ser mais intolerantes com a corrupção. Ela é a raiz de todos os males: da falta de segurança que assombra as cidades à péssima qualidade da saúde e educação públicas.

Resistir é preciso, denunciar é preciso, derrubar estes usurpadores do poder é preciso.

Para inspirar esta luta, reproduzo a seguir o poema “Só de sacanagem”, de Elisa Lucinda:

Meu coração está aos pulos!

Quantas vezes minha esperança será posta à prova? Por quantas provas terá ela que passar?

Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo duramente para educar os meninos mais pobres que eu, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?

É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", " Esse apontador não é seu, minha filhinha".

Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.

Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar. Só de sacanagem! Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba" e eu vou dizer: “Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez”. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.

Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau. Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? IMORTAL!

Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dá para mudar o final!


Em tempo: para quem não viu, o episódio do “Lar Doce Lar” citado nesta postagem pode ser acessado aqui.

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Pedaços de um poema

Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.
(...) Não preciso do fim para chegar.
(...) Do lugar onde estou já fui embora.

(Manoel de Barros, “O livro sobre nada”)
 

terça-feira, 21 de junho de 2011 | | 0 comentários

Cadê Limeira? Sumiu!

Limeira encolheu do ponto de vista de importância econômica. Definitivamente – e contra os números não restam argumentos.

Os anos 90 e 2000 foram particularmente cruéis com a cidade, frutos de governos que cometeram desmandos ou tiveram que corrigir desmandos de administrações passadas. Frutos de governos sem nenhum planejamento estratégico para o desenvolvimento da cidade, problema que continua até hoje.

Resultado: de uma cidade pujante e de destaque industrial, Limeira virou uma cidade pobre.

A cidade não aparece no ranking das 50 maiores rendas do país, divulgado no último domingo pela “Folha de S. Paulo”. Pode parecer coisa pequena, do tipo “ah, mas entre as 50 só deve haver grandes cidades”. Vejamos: Águas de São Pedro é a 10ª; Vinhedo a 12ª; Campinas a 17ª; Valinhos a 18ª; Jundiaí a 20ª; Santo André a 28ª; São José dos Campos a 29ª; Holambra a 30ª; São José do Rio Preto a 33ª; Paulínia a 36ª; São Bernardo do Campo a 37ª; Americana a 38ª; Piracicaba a 42ª; Botucatu a 46ª; Bauru a 47ª; São Carlos a 48ª; e Barueri a 49ª.

Não é preciso dizer mais (só não vê quem não quer...).

Entre Águas de São Pedro (10ª) e Barueri (49ª), a renda média familiar per capita varia de R$ 1.677,72 a R$ 1.120,12. Os dados têm como base o Censo Demográfico de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Que Limeira tem crescido e atraído empresas, não se discute. Isto, porém, é um fenômeno que se repete em várias outras cidades, em muitas delas com maior força inclusive (vide Sorocaba e Piracicaba). Tal fenômeno está muito mais ligado ao bom momento econômico vivido pelo país do que a alguma excepcionalidade limeirense. Do que resulta a ausência da cidade no ranking das maiores rendas.

Não custa lembrar que entre as principais atividades econômicas da cidade está uma que é conhecida por pagar salários baixos e ter grande quantidade de mão-de-obra informal.

Ainda há tempo de mudar o futuro, mas é preciso começar a planejar desde já. Pelo que se vê na atual administração e pelo que se antecipa das próximas eleições, porém, é mais provável que Limeira continue vendo o bonde da história passar...

PS: a perda da importância econômica de Limeira está diretamente ligada à perda de sua importância política. Já escrevi várias vezes neste blog (aquiaqui e aqui) sobre a falta de influência da cidade junto aos governos, o que representa desfavorecimento na distribuição de verbas, obras e serviços.

Para quem duvida, acaba de sair do forno mais um exemplo. Limeira discute há pelo menos 15 anos a duplicação do Anel Viário. A discussão ganhou força quando o Estado concedeu à iniciativa privada a Rodovia SP-147, cujos trechos (entre a cidade e Piracicaba e Mogi-Mirim) são interligados pelo Anel Viário limeirense.

Sem apoio algum, o governo Silvio Félix (PDT) decidiu iniciar a duplicação com recursos do próprio município. Há cerca de dois anos, o Estado ofereceu uma migalha: pouco mais de R$ 6 milhões para a obra entre o Sesi e o Jardim Anavec. A verba ainda não foi liberada apesar de um convênio já ter sido assinado.

Pois em Bauru, cidade administrada pelo mesmo PSDB que comanda o Estado há duas décadas, o governador Geraldo Alckmin inaugurou no último sábado o prolongamento de uma avenida para interligar duas rodovias. Um trecho de 3,5 quilômetros, que custou ao DER um total de R$ 58,6 milhões. É, segundo o Estado, a maior obra viária do interior paulista.

Para ler a notícia na íntegra, clique aqui.



* Fotos de divulgação do governo de São Paulo

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Poesia da felicidade

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

(Fernando Pessoa)

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Registro da história

Desde que completou 80 anos, há alguns meses, a “Folha de S. Paulo” decidiu disponibilizar todo o seu acervo por meio digital. Pelo material, é possível saber mais sobre a história do Brasil e do mundo. E até se sentir parte da história. Eu, por exemplo, tive a curiosidade de ver o que foi notícia no dia em que nasci. A primeira página do jornal de 10 de dezembro de 1976 trazia uma manchete típica dos tempos da ditadura.


Para quem ficou curioso, o acervo pode ser acessado clicando aqui.

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Questões da Justiça - parte 2

Para quem achou exagero - na minha postagem “Questões da Justiça” - o apontamento de que a burocracia dos procedimentos judiciais talvez seja mais grave do que a dos códigos de processo civil e criminal no que diz respeito à morosidade da Justiça, veja a nota abaixo, divulgada hoje pela Agência Brasil: 

"
A burocracia é um dos entraves para o cidadão ter acesso a uma Justiça rápida. Segundo números divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cerca de 70% do tempo de tramitação de um processo são perdidos no vai e vem de papéis entre gabinetes, protocolos e cartórios. Para eliminar essas movimentações desnecessárias, o CNJ lança hoje (21) à tarde o Processo Judicial Eletrônico (PJe). O sistema promete integrar dados e unificar a tramitação de processos em todo o país.

N
ão é a primeira vez que o Judiciário recorre à informática para gerir melhor seus processos. Vários tribunais já têm seus próprios sistemas de tramitação eletrônica, mas isso acaba dificultando a troca de informações entre as cortes. Além disso, os múltiplos sistemas acabam criando barreiras para o trabalho dos advogados, que precisam se adaptar a cada uma das plataformas.” (grifo meu)

Para ler a notícia na íntegra, clique aqui.

segunda-feira, 20 de junho de 2011 | | 0 comentários

Copa do Mundo, Otoniel e Romário

“Quando as pessoas falam hoje de máfia e futebol, não sei se felizmente ou infelizmente, o nome de Ricardo Teixeira é sempre ouvido. Mas da minha boca não vão ouvir, pois não tenho provas. Mas, definitivamente, existe uma quadrilha no futebol.”
Romário Nazário, ex-atacante e deputado federal pelo PSB-RJ, em entrevista à “Folha de S. Paulo” (leia a íntegra aqui - é preciso ter senha)


A aprovação da polêmica Medida Provisória 527 - que cria o chamado Regime Diferenciado de Contratações Públicas visando flexibilizar as regras das licitações para as obras da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 no Rio – contou com voto favorável do representante de Limeira no Congresso, o deputado Otoniel de Lima (PRB).

Na sessão do último dia 15, o parlamentar votou contra a proposta de retirada de pauta da discussão da MP 527 e a favor de sua conversão em lei. Está lá no relatório de votações de Otoniel, que pode ser acessado aqui.

Como era de se prever, as vozes mais sensatas do país – e algumas até inesperadas, como a do presidente do Senado, José Sarney (PDMB-AP) – criticaram a aprovação do regime diferenciado e, principalmente, do artigo que prevê a não divulgação dos orçamentos das obras durante a licitação.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, criticou a MP. “É pouco dizer que seria uma coisa absurda, escandalosamente absurda. Você não pode ter despesa pública protegida por sigilo”, falou, conforme noticiou a imprensa (veja aqui). 

Nesta segunda-feira, a crítica veio de Sarney. “Cria muitas dúvidas sobre os orçamentos da Copa. Realmente não acho motivação nenhuma para que haja sigilo nas obras”, citou, conforme a Agência Brasil (veja aqui).

Quando a crítica a uma medida desse porte vem de alguém como Sarney, há de se suspeitar que o buraco realmente é mais embaixo, como diz o ditado.

Isto posto, somado à entrevista do ex-atacante e hoje deputado federal Romário à “Folha de S. Paulo”, publicada nesta segunda-feira, reforça-se a convicção – sempre presente, registre-se – de que a Copa e as Olimpíadas no Brasil serão mesmo uma farra.

Como escreveu Juca Kfouri em artigo ontem na “Folha” e citado neste blog algumas postagem atrás, “e você, por que não reage?”

Em tempo: nas outras duas votações polêmicas da atua legislatura, Otoniel foi a favor do salário mínimo proposto pelo governo (R$ 545) e a favor do texto do novo Código Florestal como defendido pelos ruralistas (e contra a orientação do Palácio do Planalto).

Registre-se, por justiça, que Otoniel votou contra a emenda 164, do deputado Paulo Piau (PMDB-MG), que dá aos Estados (e não à União) o direito de definir o que poderia ser cultivado nas chamadas APPs (áreas de proteção permanente). O governo queria derrubar a emenda, que acabou aprovado com apoio maciço do PMDB.

Leia mais sobre o código aqui.

PS: em quatro meses como deputado, Otoniel usou R$ 107.500,35 de sua cota parlamentar (gastos com viagens, carros, combustível, etc). Quase 40% deste valor – R$ 40 mil – foram gastos com uma empresa de consultoria, a Soma Lex Empresarial (que recebeu R$ 10 mil por mês).

Os gastos da cota parlamentar foram assim divididos: fevereiro, R$ 26.888,60; março, R$ 29.714,37; abril, R$ 27.082,75; e maio, R$ 23.814,63. Detalhes podem ser vistos aqui. 

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"O tempo"

A coisa mais misteriosa que existe: o tempo.

O tempo acaba com tudo: com as árvores, com as montanhas, com as pedras, com a água - que se evapora -, com os sentimentos, com os bichos, com os homens.

O tempo acaba com o vigor físico, com o paladar, com o olfato, com o interesse pelas coisas; com a vontade de viajar, de comprar uma roupa nova, de reencontrar um velho amigo, até com a vontade de viver. É cruel, o tempo.

Quem se salva do passar do tempo? Os que não pensam, talvez, ou talvez os que só pensem no momento, aquele que estão vivendo; mas mesmo assim podem pensar que já viveram momentos parecidos e muito melhores que nunca mais vão se repetir, por culpa do tempo.

Qual de nós não foi mais feliz do que agora? E se não éramos, achávamos que iríamos ser um dia, quando tivéssemos mais dinheiro, quando encontrássemos o verdadeiro amor, quando tivéssemos filhos, quando eles crescessem, quando, quando, quando. E agora, você espera exatamente o quê, e a culpa é de quem? Apenas do tempo.

Dele, nada escapa: é o tempo que acaba com os grandes amores, e com os grandes entusiasmos que não resistem a ele, que passa e passa. Não são as coisas que passam: é ele.

Passar é modo de dizer: quando se está muito feliz, ele voa, e quando se está esperando muito por alguma coisa, é como se ele tivesse parado.

É como se estivesse sempre contra nós, e quando acontece de se ter uma vida razoavelmente feliz, um dia se vê que ela já passou, e com que rapidez.

Mas o tempo às vezes é amigo; quando se tem uma grande dor, não há dinheiro, viagens, distrações, trabalho ou aventuras que ajudem: só o tempo.

Não chega a ser um tratamento de choque, rápido, como se gostaria; é uma coisa vaga, lenta, que não dá nem para perceber que está acontecendo, mas um dia você acorda e se dá conta de que o sol está brilhando - coisa que passou meses sem perceber que acontecia diariamente -, se olha no espelho, tem uma súbita vontade de abrir a janela e respirar fundo.

Ainda não sabe, mas está salva. E um dia, muito depois, vai saber que foi o tempo, e só ele, que a salvou.

Nunca se pensa no poder do tempo, do quanto ele comanda nossa vida; também nunca se pensa no quanto ele é precioso, mas um dia você vai lembrar que ele passou e não volta mais. Lembra quando você tinha 20, 30 anos, e se achava infeliz? Se achava, não: era mesmo.

E quando era adolescente, não era também profundamente infeliz, como é obrigação de todos os adolescentes?

Mas será que ninguém tem um tio, desses meio doidos que todo mundo tem, que pegue um desses meninos ou meninas de 13, 15 anos, sacuda pelos ombros e diga "pare de achar que tem problemas, viva sua juventude, não perca tempo sendo complicada, neurótica, reclamando que sua mãe não te entende e que seu pai não te dá a devida atenção. Danem-se seu pai e sua mãe, aproveite a vida".

Para ter uma maturidade com poucos arrependimentos, é preciso não perder tempo, e mesmo fazendo uma bobagem atrás da outra, é melhor do que não fazer nada. Os pais querem que os filhos estudem para ter uma profissão, e estão certos; mas quem vai dizer aos adolescentes para eles aproveitarem o tempo para serem felizes em todos os minutos da vida? Quem?

PS - Quando terminei de escrever esta crônica, lembrei de uma entrevista que fiz há mais de 20 anos com Pedro Nava, dez dias antes de sua morte. Ele disse que os jovens, até 30 anos, não deveriam fazer nada, nem estudar, nem trabalhar, apenas viver a vida. Ele talvez tivesse razão.

Fonte: Danuza Leão, "Folha de S. Paulo", Cotidiano, 19/6/2011, p. C2.

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Cores de um domingo

Um ipê roxo no meio do verde


O sol se pondo no fim de tarde

domingo, 19 de junho de 2011 | | 0 comentários

Pedaços de jornal: textos que valem a pena

A edição deste domingo - 19/6 - da "Folha de S. Paulo" está bem elaborada, notadamente naquilo que o jornal tem de melhor, a análise e a opinião. Por isso, decidi compartilhar aqui alguns textos (infelizmente, o acesso a eles exige senha da "Folha" ou do UOL).

É espantoso como há quem se espante com as notícias em torno dos preparativos para que o país receba a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. 
Como se todos não soubessem o que já era público e notório desde que o Brasil se candidatou a sediar os dois maiores eventos do mundo. (...)
E você, por que não reage?
Juca Kfouri, E qual é a surpresa? (Esportes)

A verdade é que Lula - e agora Dilma -, tendo se transformado em autores dos projetos e programas que combateram, aliaram às medidas saudáveis do governo anterior - que liquidaram com a inflação e mantiveram estável a economia- outras abertamente populistas, visando conquistar o maior número possível de pessoas carentes.
Com isso, Lula garantiu a seu governo e seu partido uma popularidade de que jamais gozariam se tivessem persistido na pregação radical que sempre os caracterizou. Além do mais, aparelhou órgãos e empresas estatais, pondo-os todos a serviço da propaganda oficial. 
Ferreira Gullar, Às cegas (Ilustrada)

Quase no fim da entrevista, FHC se definiu como uma pessoa "de temperamento conciliador e pensamento conflitivo". A imagem é precisa para sintetizar sua atuação como político e sua força como sociólogo. 
Entre um e outro, a relação é mais complementar do que se imagina. De certa forma, o político FHC "realizou" o que o intelectual escreveu -muito mais, por exemplo, do que Lula cumpriu o que falava até chegar à Presidência.
 
Fernando de Barros e Silva, O provocador cordial (Ilustríssima)

Não seriam estádios, elevados, avenidas e metrôs, e demais projetos pretextados pela Copa e pela Olimpíada, que escapariam ao cartel tão presente no interior dos governos quanto os próprios governos. E até mais, em determinadas áreas governamentais. Do mesmo modo nas instâncias federal, estadual e municipal. É uma das faces do Brasil desconhecido. Sigiloso, digamos.
Janio de Freitas, O lado sigiloso (Poder)

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Um balão no céu de Limeira

Flagrante feito sábado, 18/6, à tarde na Vila Castelar:



sábado, 18 de junho de 2011 | | 0 comentários

Oferta

Amigo, eis-me aqui.
Sempre alerta, a ajudar.

A lágrima compartilhada,
o ombro oferecido,
as confidências trocadas,
os sonhos revelados.

Eis-me, pois, amigo.
Sempre aqui, a esperar.

Um baú de tesouro,
um mapa secreto
jamais descoberto,
uma caçada infindável.

Amizade, raridade.
Amigo. Amigo?

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Flagrante italiano 7

Versão "Os gatos de Lucca":

 Tomando o sol da manhã...


... e de olho no almoço.

sexta-feira, 17 de junho de 2011 | | 0 comentários

Questões da Justiça

Reza o novo lema do governo federal que “país rico é país sem miséria”. À falta de miséria, porém, devem-se somar outros itens, como educação de qualidade (que promove cidadania) e justiça. Enquanto houver a impunidade gritante que se assiste por aqui, jamais – repito, jamais – o Brasil alçará voo seguro rumo ao desenvolvimento.

Acabar com a impunidade não é uma tarefa fácil. Até seria se não exigisse uma questão: disposição. Faltando isto, falta tudo. E nas últimas décadas o Estado brasileiro não tem demonstrado interesse (por meio de ações, não de discursos demagógicos) em mexer neste vespeiro. Resultado: a discussão vem e vai como onda, seguindo a maré.

Recentemente, o debate da morosidade da Justiça voltou à tona com o caso Pimenta Neves. Jornalista conceituado, editor de um dos mais importantes jornais do país, ele é réu confesso do assassinato da ex-namorada Sandra Gomide no ano 2000. A prisão dele 11 anos depois, após uma série de recursos às mais diversas instâncias da Justiça, colocou em xeque os trâmites processuais.

Presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Cézar Peluso defende a redução dos recursos (leia aqui). Prega também a execução da sentença em segunda instância. São ideias a debater – cujo mérito não quero discutir aqui.

Há, pois, um outro aspecto - que os chamados operadores do Direito conhecem bem - que parece ficar em segundo plano neste debate. Trata-se da ineficiência da Justiça devido à precariedade do sistema. Por precariedade entenda-se informatização deficiente, falta de prédios adequados e de funcionários.

E por que, afinal, este aspecto é negligenciado no debate? Simplesmente porque ele exige investimentos – e aí entra (ou melhor, não entra) o Estado, omisso.

Pode parecer coisa menor, mas não é. Experimente perguntar a qualquer advogado, juiz, promotor ou servidor do Judiciário a fim de saber quanto uma estrutura moderna agilizaria os trabalhos.

Quer exemplos? Vamos a eles: durante anos cobri, como repórter, a rotina do Fórum de Limeira. Cansei de ver funcionários subindo e descendo com processos simplesmente para dar um carimbo ou pegar uma assinatura. Cansei de ver servidores reclamarem da falta de gente para agilizar os procedimentos – é comum as prefeituras cederem trabalhadores à Justiça. Certa vez, fiz uma reportagem informando que funcionários de um determinado cartório tinham feito uma cotização para comprar uma impressora, já que a antiga não dava conta dos trabalhos. Isto mesmo, eles pagaram do próprio bolso!

Sem contar que, em tempos de Internet, os processos ainda seguem os mesmos ritos de carga para lá, carga para cá.

Há também uma falta de comprometimento de algumas partes que afeta todo o trabalho. Esta semana, ao analisar um processo envolvendo um crime, notei que havia seis – isto mesmo, seis! – ofícios de um delegado para outro colega (de uma outra cidade) pedindo informações. Isto significa tempo perdido, morosidade e impunidade.

Governantes irão dizer que não se trata da falta de dinheiro. É meia verdade. Já ouvi de alguns deputados que os tribunais gastam com obras suntuosas, despesas desnecessárias, e deixam de investir no que realmente precisa.

Naturalmente, os investimentos não excluem a necessidade de uma reforma dos procedimentos judiciais. Contudo, se esta é uma discussão complexa e demorada, ao menos a burocracia do dia-a-dia podia ser reduzida se houvesse um mínimo de vontade política.

Para que, porém, políticos iam querer agilizar os processos judiciais?