sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011 | | 1 comentários

Sampa

Em homenagem a Jack Kerouac, que escreveu "Cidade pequena, cidade grande", eis a grande cidade, São Paulo.


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"Mudanças sem razão"

Esta é uma coluna especial. Escrevo numa etapa bastante importante da minha vida. E, desta vez, vou me dedicar menos aos aspectos da tecnologia e compartilhar com os leitores um momento único e especial de minha carreira profissional.

Nesta semana comecei uma nova etapa. Uma etapa precedida da mais fantástica experiência que alguém pode ter sonhado, liderando a empresa que será sempre referência para outras gerações. Mas, como nosso mundo vive em constante transformações, achei que era a hora de partir para outros desafios.

Mudar sempre é um processo complexo. Principalmente quando envolve organizações tão fascinantes. Novamente escrevo de alguma parte do mundo, fora do Brasil. Reflexo de que realmente o que gosto é do movimento, de coisas novas, de sempre olhar novos horizontes, não importa a altura.

No domingo antes de viajar, uma das minhas filhas me questionou, chorando, por que eu estava saindo de viagem por quase três semanas, se há pouco mais de um mês já havia anunciado que nova viagem apenas em família, no Carnaval.

Expliquei a ela que houve uma mudança importante na minha vida e que era fundamental fazer essa viagem. Obviamente ela não entendeu e praguejou a tal mudança.

Chego ao controle de passaporte nos EUA e o agente me pergunta quais eram os meus planos para aquela semana. Explico que estava chegando para conhecer em profundidade a nova empresa, o Facebook. Ele me pergunta onde trabalhava antes e fuzila: mas por que você saiu de empresa tão boa?

Fiquei pensando quantas vezes mais deveria interpretar os motivos pelos quais as pessoas questionam uma mudança. E concluí também que uma mudança é cercada de variáveis que só quem está mudando pode realmente entender.

Diferentemente do que parece, mudanças acontecem menos por questões racionais e muito mais por questões emocionais. É tão comum perguntas como: mas por que você saiu da empresa tão boa, com tanta gente, todos gostavam de você, as projeções eram tão positivas etc.

Recentemente, duas pessoas muito próximas realizaram mudanças radicais em suas vidas. O primeiro, um senhor de 70 anos, dos quais 68 vividos de maneira absolutamente cosmopolita entre Rio de Janeiro, Nova York e São Paulo.

Durante um final de semana, ao visitar os amigos em uma pequena cidade do interior, volta dizendo que se mudaria imediatamente para a tal cidade. Espanto geral, filhos duvidando. Em menos de dois meses, ele estava instalado na cidade, onde vive há dois anos sem a menor perspectiva de voltar para São Paulo.

A segunda pessoa, uma executiva muito bem-sucedida, que nos últimos dez anos ocupou posição de destaque na área de marketing de uma empresa de cartões de crédito. Há dois meses, leu uma entrevista sobre o projeto Make A Wish e, em pouco mais de duas semanas, mudou completamente o status de executiva de uma multinacional para o de colaboradora de uma instituição sem fins lucrativos.

Admiro muito a coragem que essas pessoas têm de se desprender das questões materiais e tomar decisões baseadas em seus sonhos. Nos casos citados, o processo de mudança está muito mais vinculado ao emocional, ao sentimento do que a uma série de estatísticas racionais.

O senhor que visitou a pequena cidade se encantou com a tranquilidade, sentiu a diferença entre as duas realidades e decidiu mudar. A executiva que leu o texto sobre a instituição de auxílio a crianças enfermas foi tocada por uma sensação de que podia ajudar outras pessoas, fato que acendeu a vontade de mudança.

John Kotter, professor na Harvard Business School, descreve o processo de mudança em três passos: uma pessoa vê algo que a faz sentir-se de uma maneira única e especial e essa sensação resulta no desejo de mudança. É um processo olhar-sentir-mudar.

Num mundo tão dinâmico, é fundamental tratar as novas oportunidades aquém do racional. Mudanças não requerem uma razão. É fundamental enxergar a magia do novo, o desejo de construir, a vontade de impactar. Aqui vamos nós em mais uma jornada emocionante e transformadora.


Fonte: Alexandre Hohagen, “Folha de S. Paulo”, Mercado, 24/2/2011.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011 | | 0 comentários

O peso dos tributos

Conhecer um determinado lugar é muito mais do que simplesmente ir a seus pontos turísticos. Neste sentido, sempre quando viajo busco observar detalhes da sociedade local a fim de aprender mais sobre aquela comunidade e aquele lugar.

Um fato que costuma chamar minha atenção nas viagens ao exterior, por exemplo, são as propagandas. Elas dão um belo painel de vários aspectos da vida das pessoas, quais os alimentos preferidos, como está a economia, etc.

No caso dos veículos, há tempos tenho notado uma diferença monumental no preço dos veículos no Brasil em relação aos Estados Unidos e à Europa Ocidental. Numa recente viagem à Itália, fiz questão de anotar os preços de vários carros que apareciam nas propagandas (todos 0 km):

Mégane – 15.700 euros (cerca de R$ 43 mil)
Spark – 7.500 euros (cerca de R$ 20 mil)


Cruiser – 15 mil euros (cerca de R$ 41.250)
Sandero – 7.350 euros (cerca de R$ 20 mil)
Nissan Qashqai – 17.500 euros (cerca de R$ 48 mil)

Nos EUA a situação é semelhante. Até na Argentina o carro é mais barato (e muitas vezes é um modelo brasileiro...).

A explicação para tamanha diferença em relação ao preço dos carros no Brasil é simples: o peso dos impostos. Por aqui, a carga tributária chega a 40% do valor final do veículo, como informa uma reportagem do portal G1 (leia
aqui). Em alguns modelos importados, o porcentual é ainda maior.

* Imagens retiradas do Google

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O som da notícia

Muito legal isto!



Claro que o vinheteiro virou personagem de uma reportagem do “Jornal Nacional”. Para assistir, clique aqui.

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"O jornal de papel e o papel do jornal"

Se for verdade o dito popular de que amigo não é aquele que lhe bajula, mas sim o que lhe diz a verdade, a Folha, 90, é uma grande amiga do Brasil. O papa Bento 16 tem uma frase que eu amo: "Quando se trata da verdade, não se negocia um centímetro".

Eu gosto de coisas irredutíveis, como os troncos das árvores sagradas do candomblé.


Num mundo que concede tanto, que é tão permissivo, é bom ter gente irredutível. Amo Maria Bethânia porque ela não faz concessões. Roberto Carlos, idem. João Gilberto também.

A Folha, a meu ver, é assim. Em vez do ponto de !!!, ela é ponto de ???. É singular porque é plural. É amiga de todos porque não é amiga de ninguém.

Não gosto de ficar tomando porrada da Folha e espero que ela não faça dessas bordoadas um bordão. Nestes anos todos, mesmo como agência de propaganda do jornal, ele jamais me poupou.

Quando Fernando Altério e eu inauguramos o Credicard Hall, naquele vexame de estreia, em 1999, ela nos deu as boas-vindas com o misericordioso título: "Titanic afunda em São Paulo".

E a Folha foi a primeira a dar a notícia da minha separação. Só que eu ainda estava casado...
Por isso, leitor, não dá pra não ler, pra não seguir, pra não acessar, pra não baixar, pra não tuitar...

Eu, particularmente, gosto do jornal de papel. Dizem que ele vai acabar, mas eu duvido. Que os jornais crescerão muito mais na rede, não tenho dúvida.

Mas o jornal de papel só vai acabar quando nós, os leitores do jornal de papel, acabarmos. E somos uma raça de leitores obstinada e crescente nos países emergentes.


O jornal de papel tem de ter seu avatar digital. O sujeito acaba a matéria, mas com um clique no avatar ele vê todos os desdobramentos sobre aquela matéria por meio das novas tecnologias.

Ou seja, o sujeito lê a Folha de manhã e, por meio do avatar da Folha, acompanha o noticiário o dia inteiro, do seu bolso via celular. Modelo de negócios: Folha custa tanto, o avatar custa um tanto mais.

Essa parte não será fácil, mas a indústria vive uma frenética busca de gestão e de inovação que produzirá mais de uma solução. Já está produzindo. E é muito mais difícil mudar o papel do jornal do que atualizar o jornal de papel.

Após décadas de ditadura e uma economia de filme de terror, os melhores mestres do jornalismo estão nas áreas críticas do nosso país: política e economia.

Os maiores jornalistas brasileiros que eu conheço sabem muito sobre esses dois assuntos que definiram a nossa geração. Mas grande parte deles praticamente não se preocupa com nada mais. Eles não se preocupam com fofoca, com culinária, com turismo, com esportes para valer, com decoração, com frescuras. Coisas "inúteis", mas essenciais à vida.

E é aí, e não na tecnologia, que o bicho pega.

Eu espero que a Folha entenda isso. E convide mães, pais, filhos e filhas para opinarem na Folha dos próximos 90 anos.

Afinal, foi com o "seu" Frias conversando e ouvindo "os meninos" que nasceu o jornal mais moderno e mais instigante do Brasil.

Nestes dias em que a Folha celebra conosco seus 90 anos, termino celebrando o "seu" Frias, o DNA deste jornal.

Ele sonhava acordado, com os pés no chão, e influenciou toda uma geração de jovens empreendedores que se seguiram a ele. Vendo um homem já de certa idade, mas com um pensamento tão jovem, nos sentíamos empurrados por aquele peculiar pragmatismo sonhador.

O sonho não acabou. Mas está se transformando. E desse jeito é gostoso envelhecer. Feliz aniversário.

Fonte: Nizan Guanaes, "Folha de S. Paulo", Mercado, 22/2/2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011 | | 0 comentários

Limeira na rota do tráfico

Para quem ainda não tomou consciência de que Limeira, por sua posição geográfica privilegiada (é cortada por três das principais rodovias do país, Anhanguera, Bandeirantes e Washington Luiz, sem contar a pista que leva ao Sul de Minas Gerais e os 840 quilômetros de vias rurais), é rota do tráfico de drogas, reveja três apreensões ocorridas em apenas oito meses:

* 28/3/10 - Mais de cem quilos de maconha foram apreendidos durante vistoria a um veículo na Rodovia Osni Matheus (SP-261), em Piraju – a 335 quilômetros da Capital - por volta das 13h20. Policiais da 3ª Cia. do 2º Batalhão de Polícia Militar Rodoviária (2º BPRv) interceptaram um veículo Chevy 500, cinza. No carro, cujas placas são de Limeira (SP), havia um casal, que seguia de Foz do Iguaçu (PR) para Campinas – cidade onde mora.


Ao vistoriar a Chevy, os patrulheiros encontraram, ocultados em várias partes do carro, 151 pacotes de maconha, totalizando cerca de 109,9 quilos da droga. (Fonte: Valéria Nani, SSP)

* 25/7/10 – Cento e noventa e três pacotes de cocaína foram apreendidos por policiais rodoviários no final da tarde de domingo no km 150 da Rodovia Anhanguera (SP-330), em Limeira. A droga estava escondida em uma Scânia, com placas de Porto Velho (RO).

O motorista encostou o caminhão no acostamento e, após fornecer seus documentos, acompanhou a minuciosa revista feita no veículo, onde os policiais encontraram, em um compartimento do semirreboque, 193 pacotes de cocaína, totalizando 193,6 quilos da droga. (Fonte: Setor de Comunicação do Comando de Policiamento Rodoviário, SSP)

* 29/11/09 - Policiais da 2ª Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) prenderam, por volta das 20h30 do domingo, dois homens na Rodovia Anhanguera, na região de Limeira. Eles transportavam 766 quilos de maconha em um caminhão e um carro.

Ao efetuar revista no caminhão, os policiais descobriram um compartimento secreto onde os 766 quilos da droga estavam escondidos. W.P.A, de 29 anos, motorista do caminhão, disse que a droga pertencia ao outro suspeito, R.G.S, de 46, que dirigia o Corolla. Ele confirmou ser o dono dos entorpecentes e afirmou que pagou R$ 200 mil pela maconha. (Fonte: Leonardo Aragão, SSP)




* Imagens do site da SSP

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"Jornalismo justiceiro"

A ideia de que o jornalismo praticado na televisão pode fugir do formato convencional para se transformar em uma arma de provocação e confronto tem vários pais, mas creio que ninguém fez isso de forma tão consistente e estruturada quanto Michael Moore.

Inicialmente no documentário "Roger and Me" (1989), depois nos programas "TV Nation" (1994-95) e "The Awful Truth" (1999-2000), e em todos os seus filmes seguintes, Moore estabeleceu alguns padrões até hoje seguidos na cobertura crítica e abusada de governos, políticos e corporações.

O presidente de uma grande empresa não quer falar? Moore vai até a sede da companhia e o chama com um megafone. A venda de armas é descontrolada nos EUA?Moore vai às compras.

Os taxistas de Nova York são racistas? Moore coloca um homem branco mal vestido ao lado de um negro de terno, ambos acenando para os taxistas na rua, e observa a reação dos motoristas.

Ernesto Varela, criado por Marcelo Tas em meados da década de 80, é anterior a essas experiências de Moore.

Sua abordagem a Paulo Maluf é clássica e tornou-se uma referência para jornalistas brasileiros: "Muitas pessoas não gostam do senhor, dizem que o senhor é corrupto. É verdade isso, deputado?".

DEGENERAÇÃO
Algumas experiências recentes na televisão brasileira mostram uma grave deformação das tentativas de Moore e Tas.

Em primeiro lugar, acho espantoso ver repórteres como Danilo Gentili, do "CQC", da Band, considerarem que os entrevistados têm obrigação de falar com a mídia no exato momento em que eles desejam.

Nessas situações, prevalece um comportamento demagógico, de cunho "udenista". Destemido, com o microfone na mão, ele tenta convencer o espectador de que o político tem coisas a esconder e está com medo do herói, digo, do repórter.

O trabalho se completa na ilha de edição, com a inclusão de cenas que invariavelmente revelam seguranças violentos e maus.

Outra degeneração ainda mais grave é o que eu chamaria de "jornalismo justiceiro". Não satisfeitos em denunciar a corrupção ou inépcia dos poderes públicos e privados, como Moore sempre fez, jornalistas estão tomando para si a tarefa de resolver com as próprias mãos os problemas que apontam.

O repórter Elcio Coronato, do "Legendários", da Record, está se especializando nesse tipo perigoso de jornalismo que é chamado pelo criador do programa, Marcos Mion, de "do bem".

No primeiro programa de 2011, ele quis mostrar, em um shopping de São Paulo, que motoristas desrespeitam a reserva de vagas para idosos.

Para isso, impediu, com seu próprio carro, que veículos burlando a lei deixassem o local. Dessa forma, obrigou os motoristas a ouvirem seu sermão sobre aquilo que haviam feito.

COLETOR DE CONES
No segundo programa, exibido no sábado, dia 12, Coronato pretendeu mostrar a falta de fiscalização de estacionamentos irregulares em São Paulo. Sinal disso são os cones, colocados por guardadores particulares, em espaços públicos.

Dentro de uma van, o repórter passou por uma rua recolhendo cones e, por fim, foi à porta da CET e os despejou na calçada.

O "jornalismo justiceiro" é primo de outras formas de "fazer justiça com as próprias mãos". Mais que autoritário, revela o desconhecimento das regras sociais numa sociedade democrática.

O desrespeito à lei não pode justificar outros desrespeitos. Jornalista não é polícia ou juiz.


Fonte: Maurício Stycer, jornalista e crítico de TV do UOL e da "Folha de S. Paulo. In: "Legendários" faz "jornalismo justiceiro", "Folha de S. Paulo", Ilustrada, 20/2/2011.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011 | | 4 comentários

Uhmmm!!!

"Amo muito tudo isso"! Tá, o slogan é do concorrente, mas eu prefiro o Burger. Já escrevi isto no Twitter. O hambúrguer é incomparavelmente melhor, os tender (ou chicken) também, sem contar os lanches com cebola. O cardápio geral de lanches também me parece mais variado.

E pelo jeito não sou só eu que prefere o Burger King...

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As confissões de Félix

“Hoje de manhã estive em Americana no lançamento de empresa coreana. O governador Geraldo Alckmin também estava lá (...)” (leia aqui)

“Sobre as ambulâncias, até que enfim a empresa vencedora cumpriu com sua obrigação e entregou hoje 6 novas ambulâncias. (...)
O que é difícil da população entender é o tamanho da burocracia atual do serviço público.”
(leia aqui)

“É um absurdo (os problemas no velório do Cemitério Parque)! Não é possível que os funcionários não perceberam isso e não passaram para seus chefes. É lamentável! (...)

Providências foram tomadas e espero que haja mais responsabilidade. Se é para cuidar dos prédios públicos com o mesmo amor que se tem com a própria casa, imagina como estão as casas dessas pessoas.” (leia aqui)

“Vale ressaltar a necessidade de Limeira ter um ginásio de esportes.” (leia aqui)

As frases acima podem até parecer protestos da oposição, mas foram escritas pelo próprio prefeito Silvio Félix (PDT). Estão no blog dele. Por incrível que pareça... Não sei se as manifestações indicam que o prefeito tem bom-senso (já que reconhece problemas da sua administração) ou se realmente perdeu o senso de vez.

O chefe do Executivo limeirense registrar que o governador do Estado esteve na vizinha cidade de Americana para o lançamento de uma empresa deveria ser motivo de vergonha.

Da mesma forma, deve ser motivo de vergonha o prefeito admitir publicamente – após seis anos de governo! - a deficiência da cidade na área de infraestrutura esportiva. Aliás, segundo Félix, “tudo o que fizermos em benefício do esporte deve ser considerado investimento social”. Bom constatar que ele sabe disso porque o investimento da prefeitura na área é pífio. Faltam projetos públicos de relevância.

É risível o prefeito criticar funcionários pelos problemas no velório. Ora, se os servidores são incompetentes, devem ser demitidos. Se não foram, quem deve sair é o chefe. Se o responsável direto nada fez, quem está acima dele deve tomar providências. Ou quem manda na prefeitura não é mais o prefeito?

Em tempo: há quem garanta que não é...

Obviamente, uma pessoa só não tem como saber de todos os problemas de uma cidade com quase 300 mil habitantes. Não é isso que está em questão. Falo da omissão geral de secretários e diretores, que nada fazem e não são advertidos ou exonerados pelo chefe – o prefeito. Aliás, Félix admitiu certa vez, numa conversa informal, que um determinado setor da prefeitura era incompetente. Como nada fez para mudar o setor, conclui-se que a incompetência é compartilhada por ele também.

O prefeito citou que “se é para cuidar dos prédios públicos com o mesmo amor que se tem com a própria casa...”, não quero conhecer a casa da família Félix da Silva. Afinal, o histórico Edifício Prada – sede do Executivo limeirense – está numa situação lastimável (com exceção das salas do gabinete do prefeito, claro).

Aliás, um servidor me confidenciou dia desses que o chefe do Executivo passou apenas uma vez pelo local em seis anos de governo... E olha que o local está com problemas estruturais sérios, com parte do teto caindo.

E, por fim, ver o prefeito reclamar que o povo não entende “o tamanho da burocracia do serviço público” é de chorar. Afinal, ele não foi eleito para superar também esse tipo de problema? Se for para ficar reclamando do óbvio, melhor pedir para sair...

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Pequena aula de jornalismo

O jornalismo da TV Cultura pode receber uma série de críticas (como de resto de qualquer veículo). Só não se pode acusar a Cultura de não buscar inovações. O novo formato (leia aqui) do “Jornal da Cultura” (segunda a sábado, 21h) coloca diariamente analistas comentando as notícias. É um formato próximo do que vi certa vez numa TV do Canadá, em material apresentado durante o curso de Jornalismo na Unesp/Bauru.

No último dia 16, ao comentar uma notícia, os convidados - o sociólogo Demétrio Magnoli e o jornalista Eugênio Bucci – acabaram discutindo a realização da própria reportagem. Deram, assim, uma pequena e rápida aula de jornalismo, acompanhados pela apresentadora Maria Cristina Poli.

Vale a pena ver:




Para ler mais, clique aqui e aqui.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011 | | 1 comentários

Quem avisa...

O recado está dado!

Em tempo: a foto foi tirada no Litoral Shopping, na Praia Grande (SP).

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Caso da merenda: a derrota de Félix

O prefeito de Limeira, Silvio Félix (PDT), voltou a ter seus bens bloqueados em razão do processo movido pelo Ministério Público que o acusa de corrupção na licitação para terceirização da merenda escolar no município. O caso também é investigado por uma CPI na Câmara Municipal.

Após ter os bens liberados na análise preliminar do recurso (agravo de instrumento) que encaminhou ao Tribunal de Justiça contra decisão da Justiça de Limeira, Félix sofreu uma derrota no julgamento do mérito do recurso. A decisão, unânime, partiu da 11ª Câmara de Direito Público do TJ. O julgamento – no último dia 31 - teve a participação dos desembargadores Pires de Araújo (presidente, sem voto), Francisco Vicente Rossi e Aroldo Viotti. Eles acompanharam o voto da relatora Maria Laura de Assis Moura Tavares.

Em seu voto, a desembargadora manifesta que “há indícios suficientes da eventual prática de atos de improbidade administrativa pelo ora agravante (Félix), bem como de que, caso não seja mantida a indisponibilidade de seus bens, venha a se tornar inócua a medida, se determinada apenas a final”.

Maria Laura reforça os indícios contra o prefeito de Limeira ao escrever que “a decretação da indisponibilidade de bens é medida excepcional que somente pode ser aceita diante da certeza da ocorrência de atos de improbidade administrativa (...)”.

A desembargadora ainda aponta que “realmente se mostra razoável e proporcional a medida (o bloqueio de bens), dada a existência de provas de que o agravante (Félix) poderá dilapidar seu patrimônio, frustrando eventual ressarcimento de danos aos cofres públicos”.

Félix havia alegado no recurso que “a decisão de indisponibilidade de seus bens fere frontalmente os preceitos da razoabilidade, proporcionalidade e o disposto no inciso LIV do artigo 5° da CF (Constituição Federal)” e que “não há qualquer indício que revele dilapidação ou ocultação de bens, situação que demonstre risco de frustração de eventual ressarcimento”.


O pedetista citou no recurso “que possui ganhos médios e que sua evolução patrimonial é compatível com seus ganhos de prefeito e como produtor rural, sendo que muitos de seus bens foram adquiridos antes mesmo do mandato de prefeito”.

O caso envolve o contrato de fornecimento de merenda escolar celebrado entre a Prefeitura de Limeira e a SP Alimentação e Serviços Ltda. (contrato administrativo municipal n° 36/06) e seus respectivos efeitos (foram vários aditamentos). O contrato – que somou R$ 56.316.618,54 – resulta da concorrência pública n° 05/2005.

No relatório, Maria Laura lembra que o Tribunal de Contas do Estado “apurou irregularidades em relação à concorrência pública que originou o contrato (...), contando com o aval do ora recorrente, prefeito de Limeira, e outros” – fato que Félix sempre fez questão de esconder, como já citado neste blog (leia aqui).

Em tempo: o agravo de instrumento movido por Félix tem o n° 990.10.050380-4. Já o voto da relatora é o de n° 2.856. Ele está disponível na íntegra no site do TJ e pode ser lido
aqui.

PS: seria este problema que tem tirado o foco do prefeito da administração da cidade, cada vez mais negligenciada?

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Clube Erdinger 3

O Clube Erdinger acaba de receber um novo carregamento para as próximas reuniões. O material veio direto do distribuidor, em São Paulo. Passou por um apartamento, duas casas e dois porta-malas antes de chegar aos destinatários.

Agora é só marcar a reunião!

Ah, foi tudo pago certinho, dentro da lei, com recolhimento de impostos e nota fiscal!

Em tempo: a cerveja abaixo foi um presente trazido direto da fábrica, em Piracicaba.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011 | | 0 comentários

O azul do Caribe

O fotógrafo paulistano Cássio Vasconcellos fez um trabalho interessante. Ele clicou vários lugares do alto. O material foi disponibilizado recentemente pelo UOL. Em suas fotos (veja aqui), um dos destaques é o brilho azul do mar do Caribe.

Já escrevi sobre o azul caribenho no meu blog de viagens, o Piscitas – Travel & Fun. O texto “Simplesmente Azul” pode ser lido clicando aqui.

* A foto desta postagem foi copiada do UOL.

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"Com iPad, jornal digital se tornará mídia de massa"

Entre os muitos gurus com previsões sobre a nova mídia, o americano Ken Doctor se sobressai pelo otimismo pragmático de quem vê um futuro feliz para o jornalismo, mas não sem percalços.

Para ele, a seleção natural pela qual só os mais adaptados sobreviverão é inevitável nessa transição tecnológica.

E nada serve melhor a esse teste do que "The Daily", o jornal exclusivo para iPad lançado na última quarta-feira pelo bilionário e pioneiro da mídia Rupert Murdoch.O consultor vê o novo jornal como um marco na indústria da mídia voltada para as massas. A primeira revolução, diz, é o preço. O leitor paga, sim, mas em vez de uma assinatura o modelo será o do iTunes, com um aplicativo vendido a US$ 0,99 (R$ 1,66) semanais.

A outra é a interatividade - farta, mas sem pirotecnias, de forma a guardar propositadamente a imagem de uma revista ou um jornal.

A "Folha" ouviu Doctor no dia do lançamento do "Daily". A fórmula, afirma, criará um veículo de massas que vai acelerar a migração do impresso para os tablets -embora ele ressalte que os primeiros não vão deixar de existir tão cedo.

Folha - O "Daily" apresentou uma primeira edição caprichada, à qual o sr. se referiu como uma revista eletrônica. Essa qualidade sobreviverá ao ritmo diário?

Ken Doctor - Essa é a grande pergunta. Fazer isso todo dia com 130 pessoas entre editorial e produção parece uma subestimação. Claro que esperamos que, conforme eles peguem a manha, a coisa se torne mais fácil, mas é um desafio enorme.
Agora, se o "Daily" for bem-sucedido, terá criado um novo patamar no mundo das notícias. E todos os jornais que estão planejando produtos para tablets terão um modelo a superar.

Folha - No lançamento do "Daily", falou-se pouco em linha editorial e conteúdo noticioso. A plataforma se tornou mais importante que o conteúdo?
Doctor - O "Daily" é o "USA Today" (jornal que nos anos 80 desenvolveu uma edição enxuta, maior apelo visual e ênfase também em entretenimento e esporte) de 2011. Acho que o "Daily" copiou a fórmula e a atualizou.
Claro que as pessoas querem as notícias do dia. Mas, como no "USA Today", esporte e entretenimento são também muito importantes.
Já em termos políticos, acho que vai ser mais apolítico ou voltado para a comunidade (os veículos de Murdoch, como o "Wall Street Journal" e a FoxNews, são conservadores). Isso vai lhes dar mais público.

Folha - Se os tablets são o caminho a seguir no jornalismo, o sr. vê uma transição completa?
Doctor -
Não no caso das empresas "mainstream", que podem ter um produto alternativo para o tablet, mas ainda estão ganhando dinheiro com o impresso e querem manter essa fonte de renda. Afinal, o jornal impresso, depois de algumas perdas e cortes, voltou a ser lucrativo.

Fonte: Luciana Coelho, "Folha de S. Paulo", Mercado, 7/2/2011.

* Para ler a íntegra, clique aqui (é preciso ter senha do UOL ou da "Folha")

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011 | | 0 comentários

“A arte de fazer título”

Existe um trabalho invisível - mas muito importante- nas Redações. Pesquisas mostram que uma grande parte dos leitores apenas passa os olhos pelas páginas do jornal, zapeando os títulos principais.

Com a atenção cada vez mais disputada por outros meios de comunicação, o consumidor de informação só enfrenta -o melhor verbo é esse- um texto até o fim se julgá-lo realmente interessante.

Um bom título ajuda a convencê-lo de que vale a pena gastar alguns minutos naquela notícia. Não é fácil. Em um jornal mainstream como a Folha, não se permitem arroubos de criatividade típicos dos veículos populares. "Bom de bola, ruim de taco" foi manchete do "Notícias Populares" em 1990, diante de uma foto do jogador Maradona nu - doce vingança depois de o Brasil ter sido eliminado pela Argentina na Copa.

A Folha também não abre mão, pelo menos por enquanto, de informar seu leitor como se ele fosse "virgem" no assunto. No dia seguinte à última eleição, a manchete, em letras garrafais, anunciava "Dilma é a eleita", mesmo sendo difícil imaginar alguém que já não soubesse disso na manhã do dia 1º de novembro.

Ser atraente, sem apelar para o humor, e trazer informação nova já são desafios consideráveis. Além disso, os redatores, responsáveis pelos títulos, precisam atender regras básicas: fazer frases com verbo no presente (para dar ideia de ação recente), evitar o "pode" (afinal, tudo pode acontecer), esquecer negativas (notícia, em geral, é o que aconteceu e não o que deixou de ocorrer), abrir mão de pontuação (dois pontos, exclamação, interrogação), de adjetivos e, principalmente, não chegar a conclusões que não estão no texto. Tudo isso em frases com 40 toques em média, incluindo os espaços em branco entre as palavras.

Fica mais fácil entender os pecados mais frequentes dos títulos da Folha olhando alguns exemplos, pinçados nos últimos meses:

1. SER OFICIALISTA

"Copom tomará decisão técnica, diz Meirelles" (28/4): se o então presidente do Banco Central dissesse o contrário, que a alteração dos juros responderia a interesses políticos, aí sim haveria notícia.

"Cabral diz que abuso policial não será tolerado" (1º/12): o governador do Rio poderia afirmar algo diferente?

2. SER DIFÍCIL DE ENTENDER

"Fabu cadê o loso?" (10/6): parece dadaísmo, mas a reportagem, durante a Copa, dizia que o artilheiro Luis Fabiano, apelidado "Fabuloso", enfrentava um jejum de gols.

"Fuga de cérebros tem via na contramão" (18/7): a saída de pesquisadores brasileiros tem uma contrapartida, será isso?

"'Comédias' agora ganham afagos" (19/11): outro acesso de criatividade de Esporte. Desta vez "comédias" eram os jogadores do Corinthians execrados pela torcida.

3. NÃO SER COLOQUIAL

"Harry Potter é a próxima nova de Orlando" (29/4): a gramática até aceita, mas ninguém fala assim.

"Após conflitos, Bancoc vive tensa calma" (21/5): idem.

4. FAZER SOPA DE LETRINHAS

"Iraniano tenta convencer CS com jantar" (7/5): o que será CS? Era Conselho de Segurança da ONU. Siglas, só as mais conhecidas.

"AP vai criar "Ecad" de material jornalístico nos Estados Unidos" (26/10): para entender isso, a pessoa precisa saber o que é AP e Ecad.

5. SER ÓBVIO

"Perdas podem anular os lucros" (29/8): é verdade hoje e sempre.

"Você tem o poder de decidir o que fazer com o seu dinheiro" (17/1/ 2011): que bom que a Folha avisou.

"É preciso ter bom senso nas redes, dizem advogados" (30/1/ 2011): precisa ser formado em direito para dizer isso?

6. SER INCONCLUSIVO

"Safra de soja em 2011 repetirá a de 2010" (4/5): isso é bom ou ruim? Se você não sabe como foi a safra do ano passado, não terá ideia.

7. EXAGERAR EM REFERÊNCIAS

Nas capas de Esporte, Ilustrada e em algumas reportagens mais frias, o jornal admite títulos sem verbos, não informativos. O pecado, nesses casos, costuma ser o abuso no uso de nomes de filmes, livros e músicas. "Em nome do pai", por exemplo, foi usado quatro vezes só no ano passado. Recurso fácil, que demonstra imaginação curta.

Os títulos -e a manchete da Primeira Página é o principal deles- ajudam a moldar a identidade de um jornal e podem ser um instrumento para aprimorar a qualidade dos textos. Em geral, títulos ruins saem de reportagens mal apuradas, sem foco ou redundantes. Se o exército anônimo de redatores se recusar a "fechar" (colocar no tamanho, corrigir e titular) textos que matem de tédio o leitor no dia seguinte, o jornal melhorará muito. Ou sairá com grandes espaços em branco.

Fonte: Suzana Singer, “Ombudsman”, Folha de S. Paulo, 6/2/2011

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A arte do grafite - 2

Para quem viu a postagem anterior sobre a arte do grafite, a seguir a reportagem exibida no programa “A Hora Informação Verdade” (TV Jornal, segunda a sexta, 17h45):



PS: as imagens são do cinegrafista Leandro Santos. A edição é de Danilo Fernandes.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011 | | 1 comentários

Um ano depois

Três semanas atrás, o Brasil inteiro viu uma tragédia crescer, na Região Serrana do Rio de Janeiro, alimentada pelo número de mortos da enchente. Nesta sexta-feira (4), são 878 mortos, e ainda há 413 desaparecidos.

Todo mundo lembra que, no ano passado, o estado do Rio de Janeiro tinha enfrentado outras situações trágicas em tempestades. Foram 134 mortos.

O Jornal Nacional foi investigar como estão, hoje, os lugares que produziram tantas lágrimas e tantas promessas nas chuvas de 2010. A reportagem é de André Luiz Azevedo.

As obras de contenção ainda não chegaram nem à metade, e o sofrimento dos sobreviventes da chuva que matou 53 pessoas na noite de réveillon de 2010, no litoral sul do Rio de Janeiro, também parece ainda longe do fim.

Em Angra dos Reis, no Morro da Carioca, as obras estão atrasadas. O muro de contenção deveria ficar pronto em um ano e ter 260 metros. O prazo estourou, e o muro tem apenas 80 metros. Segundo os moradores, a primeira promessa é de que as casas para os desabrigados seriam entregue em seis meses. Seria uma obra rápida, mas a tragédia já completou um ano, e ninguém ainda pode se mudar.

Um casal de aposentados perdeu a casa, recebe aluguel social e mora em um local improvisado. Mais de 1,2 mil famílias também ainda dependem da ajuda. “A gente está esperando para ver”, afirma a senhora.

Angra recebeu R$ 110 milhões de repasses dos Governos Federal e Estadual. O prefeito da cidade, Tuca Jordão, diz que parte dos apartamentos já está pronta, e eles serão entregues ainda este mês. Os demais, só em abril. Ele reclama da burocracia para liberação do dinheiro.

“A gente precisa exatamente acelerar esse ponto. Essa liberação é fundamental para que as obras que poderão levar oito ou nove meses não levem um ano ou um ano e meio como está acontecendo aqui”, destaca Tuca Jordão.

O governo do estado, responsável pelas obras, afirmou que não houve demora nos repasses, mas que as chuvas de janeiro deste ano e brigas judiciais envolvendo moradores que não querem deixar as áreas de risco atrasaram as obras.

Em abril de 2010, foi a Região Metropolitana do Rio de Janeiro que enfrentou um temporal que provocou destruição e morte.

A promessa é de que ninguém ficaria mais em áreas de risco no Morro dos Prazeres em Santa Teresa, onde 34 pessoas morreram nas chuvas do ano passado, mas basta uma pequena caminhada, bem ao lado de onde houve o desabamento, e nós encontramos moradores que não querem sair de casa.

“Nós começamos também um trabalho de mapeamento de risco na cidade do Rio de Janeiro. Nesse mapeamento, nós vimos que não havia necessidade de retirar todas as famílias do Morro dos Prazeres. Então, nós nos concentramos naquelas famílias que tinham problemas de alto risco, problemas sérios que pessoas que estavam ali ainda poderiam sofrer consequência”, destaca o secretário municipal de obras do Rio de Janeiro, Alexandre Pinto.

Duzentas famílias foram removidas da favela. Quarenta moradores entraram na Justiça contra a remoção ou em busca de uma indenização maior.

Também em abril, o Morro do Bumba, em Niterói, deslizou, e 47 pessoas morreram. Hoje, o aspecto já é de uma área recuperada. Mas a situação de quem perdeu a casa é bem diferente.

Pelos números oficiais, sete mil famílias ficaram desabrigadas em toda a cidade. E a prefeitura admite que quatro mil famílias não receberam o aluguel social nem indenização. Outras 400 ainda vivem em abrigos.

A prefeitura prometeu a construção de 7,5 mil casas, mas a previsão é que elas só fiquem prontas no ano que vem. Enquanto isso, as famílias, que já passaram por três abrigos diferentes, vivem agora em um quartel do Exército.

“Estão nos fazendo de marionete. O que acontece é uma humilhação. Você pega os poucos móveis que você já tem. Quando você já vai montar, já está tudo capenga. Tem que botar tijolo, e é isso que a prefeitura está fazendo com nós. Esse é a dignidade que eles disseram que nós temos aqui”, critica a desabrigada Simone de Oliveira.

A entrada da nossa equipe foi proibida, mas fotos mostram que os galpões foram divididos com tapumes de madeira. “Essas pessoas estão dentro de cômodos. Você tem famílias com cinco ou seis crianças. Ou seja, seis pessoas na família. Realmente, não tem como essas pessoas ficarem”, diz Francisco de Souza, presidente da associação de vítimas do Morro do Bumba.

Adriana estava grávida quando a casa desabou. E a primeira moradia do pequeno João Pedro, de um mês, é o abrigo. “É meio precária a situação dele, mas está indo”, conta a jovem. Adriana também revela que não tem perspectiva de ir para um apartamento definitivo.


A prefeitura de Niterói preferiu se pronunciar por nota e negou que as condições dos abrigos sejam precárias. Sobre as quatro mil famílias que ainda não recebem o aluguel social, a prefeitura afirma que espera a assinatura de um convênio com o Governo do Estado para liberar a verba.


Fonte: "Jornal Nacional", TV Globo, 4/2/11 (para assistir à reportagem, clique aqui).

Eis algumas das razões pelas quais culpo o Poder Público pelas tragédias "naturais" que atingem o Brasil. Porque sempre há um dedo humano nestas tragédias...

Em tempo: belo trabalho jornalístico da equipe da TV Globo. Relembrar promessas, cobrar, mostrar para prevenir são diferenciais na cobertura factual.

PS: esta questão já foi tratada neste blog em algumas ocasiões. Leia aqui e aqui.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011 | | 0 comentários

A arte do grafite (um presente)

Recentemente, fiz uma reportagem especial para o programa “A Hora Informação Verdade” (TV Jornal, segunda a sexta, 17h45) sobre a arte do grafite, um dos expoentes da chamada “street art”, ou arte de rua, um braço do movimento hip hop. O personagem foi um dos maiores grafiteiros de Limeira, conhecido como Sono.

Na ocasião, ganhei dois presentes. Um quadro feito por ele e a grafitagem que se vê a seguir:






O começo do trabalho pode ser visto no vídeo abaixo (reparem que em nenhum momento ele procurou visualizar meu rosto).

video

Em tempo: tão logo consiga, tentarei disponibilizar aqui a reportagem na íntegra.

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Mais crônicas direto de Nova York



Esta é mais uma matéria da série “Crônicas de Nova York”, assinada pela jornalista Giuliana Morrone, correspondente da TV Globo na cidade norte-americana. Já falei sobre o assunto neste blog (leia aqui). A série é exibida pelo “Jornal Hoje” aos sábados.

Das últimas matérias, separei outras três que me chamaram a atenção. Infelizmente, não consegui o código de incorporação dos vídeos. Portanto, eles podem ser acessados apenas pelos links a seguir:

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Nova York atrai fotógrafos de todo o mundo

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Cores e romantismo do outono transformam Nova York

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Escadas de incêndio são símbolo cultural de Nova York

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"Pro dia nascer feliz..."

Dia desses, acordei muito cedo (literalmente madruguei) - porque dormi cedo. Acordei mais precisamente às 4h30, o que me permitiu terminar de ler um livro e ver o dia surgir. E foram belas vistas.

Da janela do meu quarto, vi o dia clareando com a lua ainda brilhando no céu.

Da janela do quarto dos meus pais, no lado oposto, vi o sol surgindo forte - embora ainda timidamente - no horizonte.


Foi, sem dúvida, um belo amanhecer - e uma experiência mágica.