segunda-feira, 31 de maio de 2010 | | 4 comentários

Uma deputada corajosa

"Quem fica rico no poder é ladrão. Eu não conheço uma única pessoa honesta que tenha enriquecido ganhando R$ 7 mil."

"A corrupção neste país está no DNA das pessoas."
Cidinha Campos (PDT), deputada estadual no Rio de Janeiro

| | 0 comentários

Lista de compras

Vi recentemente um interessante documentário sobre consumo em um desses canais a cabo tipo National Geographic, Discovery ou algo assim. Ele mensurava quanto um ser humano consume, em média, durante toda a vida. Confesso que nunca tinha parado para pensar a respeito. Confesso também que os números me surpreenderam.

Infelizmente, não me recordo o nome do documentário – ele realmente começou a me interessar depois que os números surgiram. Tive tempo, porém, de anotar alguns dados (lembrando que se trata da média, você pode não consumir algo da lista abaixo, mas haverá alguém que consumirá por você – a minha cota de chocolates, por exemplo, deve ser maior...).

O objetivo do documentário era despertar uma consciência ecológica sobre o nosso atual padrão de consumo.

Eis, portanto, a lista do que você consume durante a vida:

* 13.345 ovos
* 4.283 pacotes de pão de forma
* 5.272 maçãs
* 10.866 cenouras
* 10.000 barras de chocolate ou 8,2 quilos anuais de chocolate
* 845 latas de feijão
* 1.200 frangos
* 4 vacas

* 15 porcos
* 16.000 litros de leite

* 10.351 copos cerveja
* 1.694 garrafas vinho

Isso resulta em:

* 8,5 toneladas de lixo só de embalagens de comida
* 2.865 quilos de fezes

* 35.815 litros de gases emitidos
* 4.239 rolos de papel higiênico usados

Este é o tamanho do nosso consumismo desenfreado, o custo da nossa existência.

E então, despertou?

Ainda durante a vida, conhecemos 1.700 pessoas (sejam amizades eternas ou encontros efêmeros) e pronunciamos 123.205.740 de palavras. Leremos 2.455 exemplares de jornais, o que significa 1,5 tonelada. O papel usado na nossa leitura de jornais e livros exigirá o corte de 24 árvores. E daremos 415 milhões de piscadas de olhos.

PS (acrescentado em 5/6): acabei de rever o documentário. Foi no NetGeo. O nome dele é “As marcas da humanidade” e tem como base o consumo médio de um cidadão da Grã-Bretanha.

| | 0 comentários

As obras de pavimentação

A Neopav Pavimentação e Terraplenagem tem acertado na agulha nas ofertas de preços nas licitações da Prefeitura de Limeira. A empresa acaba de vencer a concorrência para duplicação da Via Francisco D'Andréa (Anel Viário) entre as estacas 224 e 309 (trecho do Sesi ao Jardim Anavec). Valor da obra: R$ 5,198 milhões. O resultado saiu no Jornal Oficial do Município (JOM) número 3.308, de 15 de maio, sábado.

Cinco dias depois, na edição 3.311, de 20 de maio, quinta-feira, saíram mais quatro extratos de contratos da prefeitura com a mesma Neopav. Um para pavimentação do bairro Dom Oscar Romero (R$ 368.454); outro para execução de loteamento e infraestrutura no Bairro da Geada (R$ 3,012 milhões); um terceiro para pavimentação do prolongamento da Avenida Ambrósio Fumagalli (R$ 248.936), no Parque Egisto Ragazzo; e um último, no mesmo bairro, para pavimentação do prolongamento da Avenida Laranjeiras (R$ 321.054), trecho a partir do Bar da Montanha.

Total: R$ 9,148 milhões.

Só para constar: a Neopav foi responsável também pela duplicação da Via Francisco D'Andréa (Anel Viário) no trecho entre as estacas 44 a 158 (do Anavec à rotatória de acesso à Rodovia Limeira/Cordeirópolis. O prazo de conclusão da obra teve sua quinta prorrogação publicada no mesmo JOM do dia 20 de maio.

Em tempo: no seu site, a empresa informa “cumprir rigorosamente qualquer cronograma de obras”. Um atraso desse tamanho (cinco prorrogações) se deveu a quê?

Só em 2010, a Neopav recebeu da Prefeitura de Limeira os seguintes valores:

1) Pavimentação de vias públicas - nota fiscal 00701, pagamento feito em 5 de fevereiro no valor de R$ 100.018;

2) Recapeamento de vias públicas - nota fiscal 00707, pagamentos feitos em 24 de fevereiro nos valores de R$ 80.127 e R$ 295.297; nota 00720, pagamentos feitos em 25 de março nos valores de R$ 204.702 e R$ 222.200; e nota 00755, pagamentos feitos em 4 de maio nos valores de R$ 7.799 e R$ 543.217 (total deste item: R$ 1,353 milhão).

Para uma empresa constituída em 15 de março de 2007, conforme seu cadastro na Receita Federal, até que os resultados são positivos.

PS: os dados dos pagamentos foram obtidos no Portal da Transparência, recém-inaugurado pelas prefeituras de cidades com mais de 100 mil habitantes para atender a Lei Complementar 131, de 27 de maio de 2009. Até domingo, 30 de maio, a última atualização feita pela Prefeitura de Limeira datava do dia 24. Nesta segunda-feira, consta uma nova atualização com a data de 31 de maio.

Conforme o artigo 1° da LC 131, que altera o artigo 48 da Lei Complementar 101/2000 (a Lei de Responsabilidade Fiscal), os governos devem permitir o "acompanhamento da sociedade, em tempo real, de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira, em meios eletrônicos de acesso público" (os destaques são meus).

quinta-feira, 27 de maio de 2010 | | 1 comentários

Para quem pode

Esta é para o Danilo Fernandes, editor da TV Jornal. Curta aí:

quarta-feira, 26 de maio de 2010 | | 0 comentários

Uma conversa com Mercadante

Durante a crise que culminou com a renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado, no final de 2007, inconformado com a postura do PT e, especialmente, do senador Aloizio Mercadante votando a favor do peemedebista, enviei um e-mail ao petista manifestando minha contrariedade. Na ocasião, avisei a Mercadante que não receberia votos meus em futuras eleições.

Para minha surpresa, o petista respondeu justificando sua posição. Obviamente, discordei.

No último dia 8, reencontrei Mercadante (já o tinha entrevistado anos atrás) numa visita dele a Limeira para o 2° Congresso Estadual do PDT (partido que deve apóia-lo na eleição para o governo de São Paulo este ano). Não perdi a oportunidade de comentar com o senador a troca de e-mails. Mercadante, de imediato, perguntou se ele tinha me convencido. Respondi que não. Ele tentou novamente explicar sua posição. Ouvi, respeitei, mas discordei.

O petista admitiu, porém, que no caso José Sarney (PMDB-AP), o PT errou.

Ouça a seguir a conversa informal com Mercadante. O áudio em alguns momentos está ruim porque foi captado pelo cinegrafista da TV Jornal, Vinícius Cuccio, já que não se tratava de uma entrevista formal.


A ex-prefeita de São Paulo e ex-deputada federal Marta Suplicy (PT) – pré-candidata ao Senado - também esteve no evento em Limeira. Foi a primeira vez que a entrevistei. Repare na resposta dela quando perguntei sobre o trânsito em São Paulo.



Também pré-candidato ao Senado, o cantor e vereador paulistano Netinho de Paula (PCdoB) participou do evento do PDT em Limeira. Sério (ao contrário de como costuma ser visto), ele falou com a imprensa. Mostrou-se atencioso e articulado. Já no evento, retomou o que parece ser um personagem e, usando o tom de voz que já se tornou típico, pediu apoio para o “negão”.

domingo, 23 de maio de 2010 | | 0 comentários

Brincadeira

O jeito moderno de andar sobre a água...

| | 2 comentários

"Novos" jornais, "novo" jornalismo (?)

Não é o jornal do futuro. Falar em jornal do futuro é estratégia de marketing. A reformulação gráfica e editorial apresentada pela “Folha de S. Paulo” neste domingo (23/5) é, no máximo, o jornal do presente. E com certo atraso, como diz uma jornalista no documentário sobre as mudanças no jornal, lembrando o “velho” Frias. Fosse esta a fórmula do jornal do futuro e o futuro dos jornais não seria tão incerto como é – e a crise dos veículos impressos não seria tão grave como se mostra.

Isto posto (e não é pouco), vamos à análise: a “Folha” tenta, com sua mais recente reforma, ajustar-se aos novos tempos. Por isso, a reformulação me soou mais bem sucedida no campo conceitual do que propriamente gráfico.

Sobre as mudanças gráficas especificamente, recomendo a leitura da postagem feita pelo estudante de Jornalismo, Carlos Giannoni, no blog “O que rola na mídia” (clique aqui). Destaco apenas a mudança positiva do caderno de esportes (um modelo que, aliás, propus quando era editor-chefe do “Jornal de Limeira”, e que não foi implantada).

Nesta postagem, vou ater-me à questão conceitual. Quando “O Estado de S. Paulo” apresentou sua reforma gráfica recentemente, observei uma mudança drástica de conceito. Dos jornais de São Paulo, o “Estadão” foi o primeiro a radicalizar o fim do “hard news” e a aposta em reportagens de maior fôlego, descritivas, interpretativas e/ou analíticas. Via de regra, o “hard news” foi relegado às notas, presentes em todas as editorias, e ao site do jornal.

A reforma do “Estadão” também prenunciou algo que se confirmou com a da “Folha”: a valorização gráfica e editorial da opinião e análise (leia mais aqui). Do mesmo modo, “Estadão” e “Folha” acentuaram a busca da convergência entre mídia impressa e eletrônica. E apostaram com maior afinco no material exclusivo (seja um “furo” ou uma história de vida – que, aliás, ganhou uma seção na estreia da nova diagramação da “Folha”).

De modo diferente, os dois jornais optaram por um texto mais enxuto. No “Estadão”, isso se deu com as notas; foram mantidos textos longos nas reportagens principais de cada editoria. Na “Folha”, até mesmo as reportagens principais sofreram o impacto dos textos mais curtos; o que vale agora é o conjunto editorial (os complementos).

Ainda assim, nenhum deles aderiu – e isto é extremamente positivo e relevante – à “ditadura” dos textos curtos como única saída para os jornais, algo que se pretendeu tornar regra anos atrás.

A grande reportagem tradicional, na “Folha”, ficou reservada ao “Ilustríssima”, novo caderno que substitui o “Mais!” – aliás, a estreia abordando a questão do crack merece leitura. No “Estadão”, ela aparece eventualmente nas diversas editorias (aqui é importante registrar o “eventualmente”, pois a edição de estreia de um projeto gráfico costuma ser mais caprichada. É preciso, portanto, ver como esse projeto vai se desenvolver com o decorrer dos dias).

Cada um a seu modo e mantendo suas características e tradições, “Folha” e “Estadão” buscam com as recentes reformas responder às demandas e aos desafios dos novos tempos do jornalismo. Se as respostas serão bem sucedidas e quanto tempo elas vão durar, só o futuro saberá responder.

Em tempo: em que pese a mídia impressa ter mais perguntas do que respostas, o documentário institucional sobre o processo da reforma da “Folha” é uma aula de jornalismo em seu grau mais concreto – a concepção de um jornal de verdade. Vale a pena!



PS: para comparar com o projeto gráfico de 2006 da "Folha", clique aqui.

| | 1 comentários

Poema para um amigo

Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

"Poema Enjoadinho", de Vinícius de Moraes

Dedicado ao amigo Henry Villela, à Rita e ao filho deles, Vinícius

sexta-feira, 21 de maio de 2010 | | 0 comentários

Nós, robôs (?!)

Não bastassem todas as ameaças que surgem diariamente à mídia tradicional, agora os cientistas japoneses inventaram um robô que substitui os... jornalistas. O experimento, de um instituto de tecnologia da Universidade de Tóquio, consegue capturar mudanças ao seu redor, decidir se elas são relevantes, tirar fotos, fazer consultas à Internet e, se necessário, entrevistar pessoas. Os resultados são redigidos e publicados online.

A tentativa de automatizar o trabalho jornalístico não é novidade. “Nós temos visto uma tendência crescente por jornalismo automatizado no último ano. Há um software que pode escrever uma matéria de esporte ou gerar notícias por vídeo compilando imagens e opiniões disponíveis na web. Os jornalistas robôs, porém, estão realmente levando este fenômeno para um outro patamar”, escreveu Aaron Saenz no blog Singularity Hub.

Uma experiência com uma espécie de jornalista-robô já tinha sido feita em 2002. A ideia era cobrir a Guerra do Afeganistão. O protótipo, digamos assim, era teleguiado. A novidade do robô japonês é o fato dele ser autônomo.

Para saber mais, clique aqui (texto em inglês).

* Imagem retirada do blog Singularity Hub.

quarta-feira, 19 de maio de 2010 | | 0 comentários

Arte na Câmara

Para quem está acostumado a ver disputas – algumas vezes pouco republicanas – e conchavos na Câmara de Limeira, acaba de ser aprovado um projeto que fixa o hall de acesso aos gabinetes dos vereadores como espaço cultural. A proposta foi da Mesa Diretora com base numa ideia do vereador José Farid Zaine (PDT).

Pode parecer pouco, mas para uma cidade carente de espaços artísticos é uma boa iniciativa.

E a estreia do novo espaço - que já sediou várias exposições - não podia ter sido mais divertida: o “Projeto Câmara” traz caricaturas de dez dos 14 vereadores limeirenses. Para uma Casa de Leis, que costuma ser sisuda, a mostra garante um pouco de humor.

Estão lá o presidente da Câmara, Eliseu Daniel dos Santos (PDT), à la Super-Homem (ou SuperEliseu); Farid com um Oscar na mão; a vereadora e delegada Nilce Segalla (PTB) com uma estrela de xerife, entre outros. Organizada por Roberto Bonomi, a mostra marca o lançamento do 6° Salão de Humor de Limeira.


“Ficou muito bacana, o artista soube destacar os pontos fortes de cada vereador representado. Não ficou agressivo, ficou sutil, divertido”, disse Eliseu por meio da assessoria de imprensa da Câmara. “Gostei da minha caricatura, da cinturinha fina, só não aprovei as pernas, ficaram finas demais”, brincou a vereadora Elza Tank (PTB), também via assessoria. “Não foi apenas fazer as caricaturas, reproduzir a imagem do vereador. O artista fez um estudo e buscou informações sobre cada um e destacou estes pontos”, comentou César Cortez (PV).

Também estão na exposição os vereadores Raul Nilsen Filho (PMDB), Almir Pedro dos Santos (PSDB), Silvio Brito (PDT), Ronei Costa Martins (PT) e Miguel Lombardi (PR). A mostra pode ser visitada até dia 21, das 8 às 18h. A Câmara fica na Rua Pedro Zaccaria, 70, Jardim Nova Itália.

* Fotos de divulgação/assessoria de imprensa da Câmara.

| | 0 comentários

Memórias de Limeira 2

Outro dia reproduzi neste blog trechos do livro “Ibicaba – o paraíso em mente” (de Eveline Hasler) no qual são descritas cenas da vila de Limeira em meados do século 19 (leia aqui). Ficção ou realidade, não se sabe.

Agora surge um outro relato, este sem contornos de ficção. Trata-se do memorando feito por Jean Jackes von Tschudi, nomeado ministro plenipotenciário da Confederação Helvética para apurar a situação dos imigrantes suíços e alemães nas colônias de parceria na Província de São Paulo. Ele desembarcou em Santos em 21 de julho de 1860. Passou pela Capital, por Jundiaí, Amparo, Campinas, Limeira, Rio Claro e Piracicaba.

Sobre a Vila de Limeira, com cerca de 15 mil habitantes e onde apontou haver 55 plantações de café, nove de cana e duas propriedades destinadas à pecuária, Tschudi escreveu:

“Trata-se de um lugarejo decadente e sem importância. Suas miseráveis ruas são ladeadas por algumas casas em bom estado. Até mesmo os seus moradores desconhecem o motivo dessa decadência. Isso não é muito promissor para uma vila que ostenta um grande poderio agrícola.”

A descrição está na página 95 do livro “A revolta dos parceiros na Ibicaba”, do pesquisador José Eduardo Heflinger Júnior, um dos maiores estudiosos da história da imigração europeia de cunho particular para o Brasil. Ele descobriu o memorando de Tschudi em uma de suas pesquisas nos arquivos europeus, mais precisamente no Arquivo Federal de Berna, na Suíça.

| | 2 comentários

A emoção das novelas

O que faz com que a dona-de-casa se emocione ou até mesmo sinta raiva diante de uma cena de telenovela? Por que este tipo de dramatização suscita sentimentos e reflexões sobre a própria condição do telespectador? Para responder a estas e outras questões sobre a telenovela brasileira, a psicóloga Cristiane Valéria da Silva mergulhou em estudos teóricos sobre o tema, com foco na psicologia social. Ela quis entender as estratégias narrativas que prendem o telespectador em uma trama que perdura, em média, de seis a sete meses.

“Trata-se de um fenômeno que atinge todas as idades e gêneros e chama a atenção em qualquer lugar que se vá. Mesmo quem não acompanha uma determinada novela, sabe do que trata o enredo, muitas vezes em detalhes. Por outro lado, o assunto é permeado pelo preconceito, principalmente na academia”, destaca Cristiane.

Suas considerações acerca do tema resultaram em dissertação de mestrado apresentada no Instituto de Artes (IA), sob orientação da professora Cláudia Maria Braga. Cristiane partiu do princípio de que o processo de identificação com o personagem e com a situação da dramatização em questão indica necessidades de se emprestar experiências que não podem ser vividas. “Existe a necessidade de que fagulhas de uma vida não vivida se apresentem como possibilidades de experiência, mesmo que emprestada”, destaca.

Segundo Cristiane, um conceito de Umberto Eco, a consolação, ajuda a pensar a telenovela como uma fuga ilusória do cotidiano. Muitas vezes o telespectador funde o cotidiano concreto e o ficcional e isto leva ao envolvimento na trama de tal forma que o faz refletir sobre suas próprias situações. “São configurações psíquicas que são acionadas diante da necessidade de consolação que a sociedade possui. Um sofrimento ou impedimento de superação engendra uma fuga ilusória do cotidiano como mecanismo de defesa”, explica.

O fenômeno está cada vez mais presente no cotidiano da população. Se há alguns anos uma única emissora apresentava as novelas em dois horários, hoje se observa um número espantoso de diferentes histórias em horários e emissores diferentes. Este fato desperta críticas e questões em torno da alienação. No entanto, em sua pesquisa, a psicóloga defende que a telenovela não é a vilã da história. “A questão da alienação passa por uma organização social que promove o embotamento dos sentidos. Há que se pensar ainda que as possibilidades de formação cultural são praticamente nulas e, por isso, a telenovela parece substituir a experiência”, esclarece.

Fonte: "Dissertação de mestrado analisa estratégias narrativas de telenovelas", Raquel do Carmo Santos, Jornal da Unicamp, ano 24, nº 462.

terça-feira, 18 de maio de 2010 | | 0 comentários

A bomba brasileira

Sabe aquela brincadeira da notícia boa e da notícia ruim? Então, isso acontece com o Brasil. Qual você quer primeiro? A ruim: o país está criando uma bomba relógio. Com prazo definido para explodir – entre 30 a 40 anos. Agora a boa: há solução para isso, há tempo para solucionar e há receitas já testadas em outros países que podem ajudar a indicar o melhor caminho.

O desenvolvimento brasileiro, fruto dos avanços dos últimos 15 anos, está se refletindo em setores diversos, da economia à saúde, da educação à demografia. Enquanto cai a taxa de natalidade, cresce a expectativa de vida. Ou seja: a população jovem cresce menos e a terceira idade se expande. A pirâmide etária brasileira, que eu aprendi no Ensino Médio, já está virando um barril.

Isto leva a uma conta: com menos jovens trabalhando e contribuindo com a previdência e mais gente aposentada (e recebendo da Previdência), o rombo atual as contas tende a aumentar. E aumentar, aumentar e aumentar...

A demografia virou uma ameaça invisível. Este é justamente o título de um livro que está saindo do forno. Assinado por Fábio Giambiagi e Paulo Tafner, a obra – a ser lançada no próximo dia 24 na Livraria da Travessa, no Leblon, Rio de Janeiro - apresenta este problema de proporções monstruosas e propõe soluções.

Giambiagi é economista; Tafner é do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas). Eles partem do pressuposto de que o Brasil não está dando a devida atenção ao problema - o tema já foi citado na pré-campanha eleitoral: o tucano José Serra defendeu uma nova reforma da previdência, a terceira (outras ocorreram em 1998 e 2003, nos governos Fernando Henrique Cardoso e Lula); a petista Dilma Rousseff é contra. Os autores pregam, claro, mudanças nas regras do jogo para evitar um previsível colapso.

A questão foi tema de entrevista dada por Giambiagi à "Folha de S. Paulo", publicada segunda-feira (17/5). "A essência do problema é essa progressiva mudança demográfica. No ano 2000, o número de pessoas com 60 anos ou mais era de 14 milhões de pessoas, enquanto o número de jovens, entre zero e 14 anos, era de 51 milhões. O perfil apontado pelo IBGE para 2050 é que a população jovem irá diminuir em termos absolutos de 51 para 28 milhões de pessoas. Já a população idosa de 60 anos ou mais vai aumentar de 14 para 64 milhões. Em 2050 teremos mais de três vezes o número de idosos, em termos absolutos, por população economicamente ativa do que hoje. Esse é o desafio", citou (clique aqui para ler).

Um desafio nada invisível, registre-se.

Contudo, como se vê, é um problema futuro. Foi o que ressaltou Tafner em entrevista ao jornalista Carlos Alberto Sardenberg na rádio CBN:



Na mesma entrevista, Tafner deu uma dimensão do problema:


Pois é, e o Josué? Esta é uma outra questão importante: os problemas da explosão demográfica, tal como do aquecimento global, não virão de imediato. Isto motiva um confronto inevitável entre individual e coletivo, presente e futuro. No caso da Previdência, coloca uma questão de justiça: por que eu, hoje, devo pagar essa conta?

Talvez a resposta esteja numa citação do ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, feita por Giambiagi na entrevista à "Folha": "Um dia nossos filhos olharão para nós e dirão: 'Mas onde é que vocês estavam quando isso estava acontecendo?'".

Em tempo: não é só a Previdência que sentirá os reflexos da explosão demográfica. "Esse panorama interfere em todas as dimensões da vida e terá grande impacto nas demandas de todos os setores da sociedade", frisa o governo de São Paulo. Os setores social e de saúde já notam a mudança há algum tempo. "Isso tem gerado um aumento na demanda por políticas públicas para idosos", ainda conforme o governo.

A Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) divulgou em abril um amplo estudo sobre o envelhecimento da população paulista e um fenômeno chamado "bônus demográfico". Um dos apontamentos: "se hoje a metade da população paulista tem menos de 32 anos, daqui a 40 anos terá mais de 45 anos".

Para ler mais - inclusive acessar a pesquisa - e entender melhor essa questão, clique aqui.

* A imagem da pirâmide foi retirada do blog "dia a dia, bit a bit", de Silvio Meira.

| | 0 comentários

Lula e a lei

O presidente Lula recebeu hoje mais uma multa - a terceira - por infringir as regras da legislação eleitoral. Tomado pela convicção de que deve eleger sua ex-ministra, o petista está fazendo campanha eleitoral antecipada, segundo a Justiça Eleitoral.

A multa atual, de R$ 5 mil, decorre de um discurso do presidente na inauguração de prédios na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Cururi, em Teófilo Otoni (MG) - leia notícia aqui.

As outras duas multas foram de R$ 5 mil e R$ 10 mil.

E olha que a Justiça nem julgou a propaganda partidária levada ao ar pelo PT na última quinta-feira.

Se o presidente da República, autoridade maior do país, não dá o exemplo (ao contrário, dá um mau exemplo ao infringir reiteradamente as normas eleitorais, indicando certo desprezo pela lei), o que esperar dos demais cidadãos?

| | 4 comentários

Menu

Pode escolher:

Espagueti à bolonhesa com legumes

Espagueti com molho de catupiri e castanha com legumes


Espagueti com molho de linguica e pimentões

| | 0 comentários

Ensaio sobre a covardia

Dentre todas as qualidades humanas, haverá alguma predominante? Será a humildade, a extrema capacidade de ser o que se é, nada mais; e de não se assoberbare pelo que se é? Será o respeito, que pressupõe a legítima existência do outro? Será o amor, que pressupõe uma entrega incondicional e absoluta?

E entre os defeitos, haverá o pior? Será a mentira ou a falsidade, que apenas por estar em oposição à verdade já merece a execração? Será a soberba, que significa em última instância a diminuição do outro? Será a covardia, que pressupõe o medo? Seja qual for, tem-se posta a fraqueza de caráter. É isto que representa qualquer destes - e de outros - defeitos, um desvio de caráter.

Virtudes e vícios são inerentes à condição humana. Não há quem não os possua - pressupor a ausência de um ou de outro já será, por si só, um defeito. Tampouco há quem possua unicamente qualidades ou defeitos. De todos, porém, exige-se o máximo das virtudes e o mínimo dos vícios. A quem pretende representar um coletivo, qualquer que seja este, algumas virtudes em especial se tornam imprescindíveis. A honestidade, o respeito e a humildade estão neste rol. Do mesmo modo, alguns desvios se revelam ainda mais execráveis. A mentira, a soberba e a covardia são bons (?) exemplos.


Tomemos a covardia como foco de estudo. Pelo Dicionário "Michaelis", ela é entendida como "medo, pusilanimidade; acanhamento, timidez; ação que denota medo ou perversidade". O Dicionário Houaiss a define como "comportamento que denota ausência de coragem; atitude, gesto que se caracteriza pelo temor, pelo acanhamento, pela falta de ousadia".

A covardia se opõe à "audácia, bravura, brio, coragem, denodo, destemor, impavidez, intrepidez, valentia". É um vício de comportamento que definitivamente os grandes homens não possuem. Deles se aceita outros desvios, não este. Não haverá quem se queira grande, poderoso, que possa ter em si um mínimo de covardia. E que não se entenda que estes, os grandes homens, possuem aquela valentia estúpida que beira a intolerância e a presunção.

Não. Porque à ausência da covardia se soma a humildade. Pode-se pensar que esta mistura é desafiadora. E é! Tão desafiadora que só está presente no caráter dos grandes homens. Dos demais, espera-se tudo - inclusive a covardia. Afinal, são eles pequenos como um grão de areia ou a semente da mostarda.

PS: texto meu, publicado no Jornal de Limeira de 28/9/2008, véspera da eleição municipal.

domingo, 16 de maio de 2010 | | 1 comentários

Desfaçam as malas...

Promoção interessante esta de uma grande agência de viagens, publicada neste final de semana nos principais jornais do país.

Caribe: de R$ 2.397 por R$ 3.138.

Alguém se interessa?

| | 0 comentários

"Mandela no liquidificador"

Lula comparou Dilma Rousseff a Nelson Mandela no programa de TV do PT, anteontem à noite. É um disparate. A comparação entre o próprio Lula e Jesus Cristo, de que ele tanto gosta, soa menos extravagante. Ou, para falar em lulês: Dentinho pode fazer um gol extraordinário, um gol de Pelé. Continuará sendo Dentinho...

Mandela e Dilma participaram nos anos 60 de grupos adeptos da luta armada em seus respectivos países -num caso contra o governo racista, no outro contra a ditadura. Ambos foram presos políticos. Fim das "coincidências". Mandela já era uma liderança contra o apartheid na África do Sul quando foi detido. Permaneceu quase três décadas na cadeia e saiu de lá para se consagrar como um dos mitos do século 20.

Ou, como disse Lula na TV: "O tempo passou e o que aconteceu? Mandela virou um dos maiores símbolos da paz e da união no mundo". E, no caso de Dilma, o tempo passou e o que aconteceu? Nada. Pelo menos nada que merecesse registro histórico até que Lula a retirasse do anonimato para inventá-la como candidata. Tudo isso a partir de 2006, depois que os nomes até então cotados no PT foram inviabilizados numa nuvem de escândalos.

Aproximar as biografias de Dilma e Mandela é mais ou menos como colocar no site oficial da candidata a foto de Norma Bengell durante a Passeata dos Cem Mil. A imagem induz quem olha a achar que aquela é a petista, e não a atriz. Inventa-se, assim, uma Dilma fictícia.

Fonte: Fernando de Barros e Silva, Folha de S. Paulo, 15/5/2010, p. 2.

| | 0 comentários

Frases - a esquerda e a vida

"O mais importante para a esquerda é que seja realista. Toda aquela esquerda que achou que devia comportar-se apenas com retórica e com idealismo fracassou. Isso não serviu a ninguém, muito menos para os que precisam da esquerda para melhorarem suas condições de vida."
José Sócrates, primeiro-ministro de Portugal, em reportagem da "Folha de S. Paulo" (leia a íntegra aqui)

"Ah! Que loucura é a vida."
Fernanda Montenegro, atriz, em entrevista à "Folha de S. Paulo" (leia aqui)

sábado, 15 de maio de 2010 | | 0 comentários

As cores do crepúsculo

Uma das imagens que mais me impressionam e encantam é o crepúsculo (nada a ver com o filme!). Toda terça-feira, ao ir para o Isca Faculdades, a natureza me proporciona belas imagens do sol se pondo atrás do Morro Azul. Uma cena "monetiana", secular, inspiradora e pacificadora. A cada dia, um tom diferente.

O problema é dirigir e tirar foto ao mesmo tempo...

Estas são do fim de tarde visto da minha janela (por lá, de vez em quando, a natureza também capricha).

Em tempo: achei que já tivesse publicado estas fotos aqui, mas não achei. Seja como for, aí estão elas.

| | 0 comentários

O futuro (?) dos jornais - uma canção

Numa postagem do mês passado (clique aqui para ler), tratei de uma questão crucial para o jornalismo atual: a sobrevivência dos jornais. Crucial não pelo temor de que o jornalismo corra riscos caso o jornal impresso como o conhecemos hoje acabe; crucial por ser uma das questões mais discutidas – e sem resposta – na mídia. É quase o “sexo dos anjos” da imprensa, a história do “ovo ou a galinha”.

Pois o jornal canadense “The Globe and Mail” decidiu tratar dessa questão de uma forma bem humorada. Ele publicou um vídeo com uma música de lamentação pela decadência dos jornais impressos. Mais do que um fim anunciado, porém, a música soa com um grito de resistência. Basta reparar na letra.

A canção – chamada “Cantando sobre o infortúnio do jornal” – é entoada no vídeo pelo quarteto The Fine Grind. A letra é do jornalista Siri Agrell, do próprio “Globe”, com base na música “Crazy”. Infelizmente, o vídeo não tem código de compartilhamento, mas ele pode ser visto clicando
aqui. A letra vai a seguir, com tradução retirada do blog de notícias “Jornalismo nas Américas”.

"Lembro quando os leitores tinham tempo,

diziam que havia algo de prazeroso sobre a página de jornal
Mas agora a web responde com tanto espaço...

E quando você está online, sem tempo
Sim, você diz que o impresso parece desatualizado
Mas não é porque a gente não sabe o bastante,
a gente simplesmente sabe demais

Isso nos torna loucos,
querer que você nos leia?
Eu sei que os blogs estão

no melhor momento de suas vidas
Mas verifique seus fatos duas vezes
esse é meu único conselho

Qual é, Ariana, quem você acha que é?
A web 2.0
Você realmente acha que está no controle?
Oh, não

Acho que é preguiçoso
Agregar é preguiçoso
Acho que é preguiçoso
Por que você não lê?

Meus heróis tinham a coragem
De fazer reportagens no mundo inteiro
E tudo o que eu lembro
é de pensar: quero escrever como eles

Desde quando éramos pequenos
os jornais pareciam divertidos
E mesmo agora que a internet apareceu
eles não vão morrer

Talvez nós estejamos loucos
Talvez você esteja louco
Talvez estejamos loucos,
Provavelmente..."

| | 0 comentários

150 anos atrás...

“No Brasil, a riqueza, o parentesco e o espírito de partido são laços mais fortes, impossibilitando um julgamento imparcial.”
Trecho do Ofício do Conselho Federal à Alta Assembleia Federal Suíça, datado de 11 de julho de 1859. O documento – que trata da emigração suíça para o Brasil – é citado no livro “A revolta dos parceiros na Ibicaba”, do pesquisador José Eduardo Heflinger Júnior.


... e 150 anos depois, avançamos?

| | 0 comentários

Música

Este menino é um fenômeno!

segunda-feira, 10 de maio de 2010 | | 0 comentários

PT x PDT ou PT e PDT?

A manhã de sábado foi agitada politicamente em Limeira. A cidade sediou o 2° Encontro Estadual do PDT, que selou a aliança do partido com o PT para as eleições deste ano. Foi uma mostra das nuvens da política, aquelas que mudam ao sabor do vento.

Vejamos: em 2006, o presidente estadual do PDT, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, apoiou a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin à presidência. Logo, conclui-se que ele não aprovava o governo Lula – que agora apoia. Era a favor do mesmo Alckmin contra quem faz discursos inflamados este ano.

Durante o governo José Serra, o PDT votou com o governo quase que sistematicamente. No caso do Projeto de Lei Complementar 29/09, que tratou da remuneração dos professores e que tinha a oposição da Apeoesp (o sindicato da categoria, ligado ao PT), os deputados pedetistas José Bittencourt e Rogério Nogueira foram a favor da proposta do governo. O mesmo Nogueira que discursou a favor de Mercadante no evento em Limeira.

E mais: o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Miguel Torres, filiado ao PDT, discursou no encontro em Limeira. Encontro pró-Mercadante. Curiosamente, no dia seguinte ao evento, reportagem da “Folha de S. Paulo” (clique aqui para ler) trouxe manifestação do sindicalista a favor de... Alckmin!

E assim caminha a humanidade...

Em tempo: os petistas (com exceção do vereador limeirense Ronei Costa Martins) pareceram à vontade em meio aos novos aliados. Registre-se que a ala radical do PT de Limeira não compareceu ao encontro do PDT.

Apesar de estarem à vontade, os petistas tiveram que ouvir discursos inflamados em favor do reajuste de 7,7% para os aposentados que ganham mais de um salário mínimo e do fim do fator previdenciário (que permite reduzir as aposentadorias), medidas que têm a oposição do governo Lula. Discursaram nesse sentido o deputado estadual Major Olímpio Gomes e o presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, João Batista Inocentini, além de Torres. Os petistas ouviram em silêncio.

Aliás, uma das pessoas – empolgada - chegou a bradar no discurso que era preciso “mudar o Brasil”. Ora, será que esqueceu que o PDT fechou apoio ao PT de Mercadante e da ex-ministra Dilma Rousseff?


Em tempo: o PDT também se esforçou para deixar os petistas à vontade. O prefeito de Limeira, Silvio Félix, por exemplo, chamou pelo menos sete vezes os colegas pedetistas de "companheiro" - palavra tão arraigada no discurso petista.

| | 1 comentários

Frases

“O passado nunca morre. Ele nem sequer é passado”.
Paulo Mattos, neuropsiquiatra, no “Marília Gabriela Entrevista”, do GNT, de 9/5.

“Nós não somos o mesmo partido, mas somos parte da mesma história.”
Aloizio Mercadante, senador e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, durante o 2° Encontro Estadual do PDT realizado no último dia 8/5, em Limeira. A história a que ele se referiu é a do trabalhismo e da luta contra a ditadura.

“Eu, que estou dentro do Centro Paula Souza, sei que Limeira não tem uma Fatec (Faculdade de Tecnologia) por uma questão política.”
José Henrique Heydman Júnior, diretor da Etec “Trajano Camargo”, de Limeira, em entrevista ao programa “Fatos & Notícias”, da TV Jornal, no dia 10/5.


Frases distintas e provocativas. Qual a sua opinião?

Ah, no que diz respeito à Fatec, os políticos de Limeira poderiam tentar explicar...

| | 0 comentários

Brasil Urgente!

A entrevista de José Luiz Datena publicada pela "Folha de S. Paulo" no último dia 3 serve de reflexão para os jornalistas. Normalmente, Datena é visto com certo preconceito pelo tipo de programa que comanda. Na entrevista, porém, ele revela uma outra faceta desconhecida do público. Vale a pena ler.

Para aguçar a curiosidade, reproduzo a seguir uma das perguntas, uma daquelas questões tipo "sexo dos anjos" das aulas de jornalismo.

"Folha - A audiência cai quando se reduz a parte policial do programa?
Datena - A audiência é a mesma, mas, quando há crimes pontuais, como esse de Goiás, que todas as emissoras exploram, a audiência sobe muito. Moral da história: a humanidade não mudou nada. Quando colocavam leões para comer os cristãos no Coliseu, ele lotava. Hoje, se pegarmos o Pacaembu, o Morumbi e colocarmos leões para comer estupradores e assassinos, vai lotar mais do que final de campeonato. Isso é triste. Eu sei. Mas, infelizmente a sociedade tem essa demanda de Justiça. O ser humano em geral."

Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui (é preciso ter senha do UOL ou da "Folha").

sábado, 8 de maio de 2010 | | 0 comentários

Os jardins de Monet

A cena apareceu no capítulo de sábado (8/5) da novela “Viver a Vida”, da Rede Globo. E imediatamente despertou minha atenção – e não só a minha. Os recém-casados Miguel (Mateus Solano) e Luciana (Aline Moraes) foram passear nos jardins de Monet. Impressionismo puro!

Quem acompanha meu blog Piscitas Travel & Fun, que traz minhas crônicas de viagens, sabe o valor que eu dou às sensações que os lugares despertam. Uma dessas sensações é justamente saber que você está num local que fez parte da história. É uma sensação única, indescritível – e que depende essencialmente da capacidade da pessoa de se abrir a ela.

Pois nos jardins de Monet, esse sentimento é levado ao extremo. Como os próprios personagens falaram, lá você tem a plena sensação de estar num quadro de um dos mais famosos pintores impressionistas de todos os tempos.

Os jardins ficam em Giverny, cidade a cerca de 50 minutos de Paris, no vale do rio Sena. É lá que está a casa onde Claude Monet viveu por mais de quatro décadas. É lá que estão os famosos jardins (são dois). É lá que está a famosa ponte de estilo japonês, imortalizada pelo pintor em 45 quadros (um deles ilustra esta postagem, em foto feita por mim no Museu de Arte da Filadélfia, nos Estados Unidos).

Ainda em Giverny, é possível visitar o Museu dos Impressionistas, criado em 2009 e que possui jardins tão belos quanto os de Monet. No museu, o visitante conhecerá mais sobre a história do impressionismo e verá trabalhos de nomes como Seurat, Pissarro, além de Monet, é claro. A tarifa individual custa 6,50 euros (a entrada é livre sempre no primeiro domingo de cada mês).

Agora você já sabe: quando estiver em Paris, vale uma esticada até Giverny. Tenho certeza que você nunca mais verá um quadro de Monet da mesma maneira.

| | 1 comentários

Dúvida cruel

O que quer dizer mesmo a expressão "vida de cão"?

Em tempo: para quem não conhece, estas são a Luana (foto 1) e a Jully, duas das minhas quatro "irmãs" (ora, se minha mãe diz a elas: "vem que a mãe vai dar comida", elas são o que de mim?).

| | 2 comentários

Uma aposta no ser humano

Desde que comecei a trabalhar na TV, fiz poucas reportagens (minha atuação se concentra nos bastidores, na produção e edição). Das poucas que eu fiz, porém, as duas reproduzidas a seguir foram, sem dúvida, as melhores, as mais úteis e as mais gratificantes.

Elas são um exemplo de que é possível recuperar um ser humano. Basta dar uma chance. São um exemplo de que a dignidade e o respeito são edificantes. E de que o sistema prisional tem solução: basta que existam mais Centros de Ressocialização como o de Limeira e menos cadeiões.

Obviamente que presídios (inclusive de segurança máxima) devem continuar existindo para aquela pequena parcela da sociedade que não quer se recuperar. O que não podemos aceitar é o modelo atual, em que prevalecem as “universidades do crime”. Os CRs deveriam ser regra, não exceção.

Atualmente, existem 22 Centros de Ressocialização no Estado de São Paulo (veja a lista aqui) - de um total de 148 unidades prisionais.

As duas reportagens a seguir são também uma reflexão a todos aqueles para quem “bandido bom é bandido morto”.

Em tempo: como as reportagens estão sem os caracteres, os entrevistados não estão identificados. As imagens são do cinegrafista Marcos Booro e a edição de Tales Frezza.





PS: agradeço à Secretaria Estadual de Administração Penitenciária, que confiou na minha pauta e permitiu o ingresso à unidade; ao juiz da 2ª Vara Criminal de Limeira, Luiz Augusto Barrichello Neto, a quem devo o estímulo inicial para estas reportagens; ao diretor do CR, Nivaldo Zeferino, que nos guiou durante a visita; a todos os funcionários da unidade e, em especial, aos reeducandos, que confiaram no nosso trabalho.

sexta-feira, 7 de maio de 2010 | | 0 comentários

O otimismo de Paulo Henrique Amorim

“Boa noite. Como costuma dizer um amigo meu: ‘Olá, tudo bem?’.” Foi desta forma que o jornalista Paulo Henrique Amorim abriu a palestra que fez na última quinta-feira em Limeira, na 3° edição do Dia do Empreendedor – prêmio criado pela Prefeitura de Limeira. Como a noite pedia (no sentido figurado), a mensagem que ele passou foi de otimismo.

Em meio a alfinetadas (leia mais sobre isso no blog "Comunicação & Negócios", do jornalista e atual secretário da Cultura de Limeira, Adalberto Mansur) na Rede Globo (a quem se referiu como “aquela outra emissora”) e na “Folha de S. Paulo” (considerada “contra a boa notícia”), Amorim afirmou que o Brasil está sendo palco da “maior revolução capitalista do mundo”. E o mais importante: em meio a um regime democrático. A tal revolução, segundo ele, está diretamente ligada à ascensão de uma nova classe: a “C”. Hoje, a classe média - grupo que concentra famílias com renda mensal entre R$ 1,1 mil e R$ 4,8 mil - já representa 53,2% da população. É ela que está puxando o consumo – e, de resto, a economia nacional.

De acordo com o jornalista, a venda de computadores pessoais, por exemplo, cresceu 33% no primeiro trimestre. Impulsionada pelas classes “C” e “D”.

Amorim destacou alguns fenômenos que contribuíram para a ascensão dessa massa consumidora. Um deles foi a “banquerização”. Vencido o período da hiperinflação, o brasileiro acostumou-se com a economia estável e perdeu o medo de ir ao banco, guardar dinheiro, investir e, sobretudo, tomar empréstimo. Isso mesmo: assumir dívidas para abrir um negócio, crescer, gerar emprego e renda. Com responsabilidade, claro.

A entrada da mulher no mercado de trabalho também ajudou nesse fenômeno. Citando um estudo, o jornalista comentou que a mobilidade vertical “é maior quanto mais a mulher participa da renda da família”. Também apontou que a mobilidade é maior nas cidades médias do que nos grandes centros e que ela cresce conforme aumenta a escolaridade.

Para quem duvida do destino brasileiro, Amorim lembrou que entre os dez maiores países com extensão territorial, entre os dez com maior população e entre os dez com maior PIB (Produto Interno Bruto), apenas três aparecem em todas as listas: Estados Unidos, China e Brasil.

Ainda conforme o jornalista, o Brasil nos últimos anos mudou alguns paradigmas, que tornaram possível a tal “revolução” (ou são as marcas dela). São eles:

- consolidação democrática (as instituições funcionam, Justiça, Parlamento, leis, marcos regulatórios, etc);
- agricultura eficiente (tecnologia de ponta fez do país um dos maiores produtores de alimentos do mundo);
- economia sanada (após 508 anos como devedor, o Brasil quitou suas dívidas e hoje tornou-se um credor internacional);
- regime econômico responsável (a opção pelas metas de inflação, câmbio flutuante e Banco Central independente garantem que não haverá aventuras futuras);
- energia (o país se tornou uma potência energética, com o álcool, o pré-sal e as novas fontes, inclusive urânio);
- ascensão da classe média (a divisão por classes deixou de ter um desenho de pirâmide para se tornar um barril).

Em tempo: o encerramento da palestra não poderia ter sido de outra forma senão com um “boa noite e boa sorte”.

video

* A imagem está péssima, mas o que vale é o áudio (eu não pretendia usar isso como vídeo, mas não consegui converter só o som).

* A foto é de divulgação da Prefeitura de Limeira.


quarta-feira, 5 de maio de 2010 | | 0 comentários

Félix decide pisar em ovos

O prefeito Silvio Félix (PDT) mudou. Decidiu pisar em ovos. Da neutralidade nas eleições de 2006, ele agora optou pelo engajamento. E pode pagar caro por isso – justamente em razão daquilo que critica.

Até agora, o pedetista vinha tentando tirar de letra a acirrada disputa eleitoral que se desenha para este ano. Navegou com tranquilidade e habilidade na onda lulista ao receber com pompa, em 23 de janeiro, a então ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, pré-candidata à presidência pelo PT (leia aqui). Na ocasião, houve troca de elogios entre ambos. Félix ainda rasgou elogios ao relacionamento do governo Lula com os prefeitos. Disse que antes, de Brasília só se recebiam fotos. Hoje, obtêm-se verbas.

Menos de um mês depois, o mesmo Félix que rasgou elogios ao governo do PT recebeu o então governador José Serra, pré-candidato do PSDB à presidência e o mais ferrenho adversário de Dilma. Foi na inauguração do Ambulatório Médico de Especialidades (AME), um investimento de quase R$ 10 milhões anuais do Estado na cidade. E Félix navegou na onda tucana, com a mesma habilidade.

Pois os tempos mudaram. O prefeito compareceu ao lançamento da pré-candidatura do senador petista Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo. E criticou o governo do PSDB no Estado. Ao menos é o que indica o site do PT. “O que tenho visto é que o governo Lula mudou muito a relação com os prefeitos e com os municípios, na distribuição de verbas do PAC, no atendimento e no respeito aos Prefeitos. Sonho com um governo no Estado que tenha a mesma postura republicana”, disse Félix (leia aqui).

Em tempo: uma interessante análise sobre esta declaração foi feita pelo jornalista Rafael Sereno no blog “O Informante” (clique aqui).

Não há nenhum problema em Félix declarar apoio publicamente a Mercadante – até porque o PDT é da base aliada do governo Lula e, como este blog já informou, os petistas de lá (do governo federal) já enquadraram os de cá (de Limeira) por causa da postura oposionista de seus membros em relação ao governo pedetista municipal (leia aqui).

A questão é que Félix tem mais três anos de mandato e tudo indica que o PSDB vai faturar mais uma eleição no Estado (o ex-governador e pré-candidato do partido, Geraldo Alckmin, lidera com muita folga as pesquisas de intenção de voto). Se as previsões se confirmarem nas urnas, a dúvida é: estará abalada a relação do governo estadual tucano com a prefeitura de Limeira? Félix conseguirá recuperar o espaço provavelmente perdido com não apenas o apoio à candidatura de Mercadante, mas também – e principalmente – à crítica ao modo tucano de governar o Estado?

Só o tempo dará a resposta.

O fato é que Félix colocou a mão na cumbuca. E isso pode custar caro.

Em tempo: pré-candidata a deputado estadual pelo mesmo PDT, a primeira-dama Constância Félix foi questionada por mim sobre sua postura política, caso eleita, num eventual governo Alckmin. A resposta pode ser vista aqui. Só para registrar: a resposta foi dada antes da manifestação de Félix.

segunda-feira, 3 de maio de 2010 | | 1 comentários

Marcas na parede

Banheiro da antiga estação ferroviária do Bairro do Tatu, em Limeira. E juro que não fui eu!

| | 0 comentários

Frase

"A amizade não é um convite. É um acaso. O melhor de todos os acasos. E quem é amigo de dezenas, ou centenas, ou milhares de pessoas, obviamente não é amigo de uma só. A amizade implica tempo, disponibilidade. E, como no amor, existe na amizade uma dimensão de sacrifício e exclusividade que o ruído cibernauta contamina."
(João Pereira Coutinho, em artigo na "Folha de S. Paulo" citado duas postagens antes)

| | 0 comentários

Memórias de Limeira

“Bárbara prefere andar pelas ruas, por entre aquelas construções de um só andar, quase sem janelas. Algumas parecem casas de boneca, com a pintura colorida, uma delas até tem a fachada de azulejos pintados de azul. (...)

Na confusão de ruas, Bárbara chega de repente a uma praça. Atrás de duas escadarias de pedra com corrimão abaulado, como um navio sobre altas ondas, a luz quebrando-se sobre a proa, a igreja.
(p. 186)

(...) tinha sentido falta da cidade, dos ângulos retos, da geometria clara. Mas a cidade ia se estreitando como um funil. (...)


Uma fachada com azulejos azuis, um arco. Chega numa outra rua, as frentes das casas se juntam. Um pesadelo, uma armadilha, um labirinto de ruas no calor febril da tarde.

Davatz sente falta de ar, começa a tossir. Uma igreja atrai sua atenção. Duas torres de sino em estilo português, como toucas lembrando guloseimas.


Demora-se bastante debaixo da porta, reconhece a Simmen lá na frente, no interior escuro, um brilho dourado o atrai magicamente para a abóbada.


O altar é como a porta de uma câmara de tesouros: anjinhos, pilastras de madeira, folhas douradas. Sete camadas de nuvens, que vão se estreitando em direção ao alto, conduzindo ao tabernáculo. Um abismo escuro. (...)

Bárbara disse mais tarde que tinha gostado da igreja. O crepúsculo como na floresta, as palhetas faiscantes das folhas, as escamas da cobra de madeira com pintura metálica, as pilastras em caracol como um saca-rolhas, corações trabalhados em filigrana prateada sob o tabernáculo.” (p. 188-9)

Nos livros, relatos da Limeira de ontem, ainda que seja ficção (será mesmo só ficção?).

O texto acima está no livro "Ibicaba – o paraíso em mente", de Eveline Hasler (Indaiatuba, Rumograf, 2007. Título original "Ibicaba - das paradies in den köpfen"). A obra, um romance, relata as dificuldades enfrentadas pelos primeiros imigrantes que foram à Fazenda Ibicaba, do senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, como colonos no sistema de parceria, em meados do século 19.

Davatz é um personagem real. Trata-se do mestre-escola suíço Thomas Davatz, líder da revolta dos colonos de Ibicaba. Seus relatos mudaram os contratos de parceria e resultaram no famoso livro "Memórias de um colono no Brasil".

Com tanta mistura entre ficção e realidade, por que a tal igreja citada não poderia ser real? Na época, eram marcantes na cidade a igreja matriz (reformada nos anos 1870) e a Boa Morte (de 1867). Como a ficção dá asas à imaginação, por que não?

* A foto foi tirada do Wikipedia e sua autoria é atribuída a Mateus Rosada.

domingo, 2 de maio de 2010 | | 0 comentários

A necessidade de esquecer

Esquecer. Eis o grande segredo dos novos tempos. Segredo e desafio. Afinal, com o mundo virtual, tudo fica eternizado. E numa dimensão nunca antes imaginada. Se você pensa que é exagero, deve ler (clique aqui) a entrevista que o pesquisador Viktor Mayer-Schöenberger deu recentemente ao jornal “Folha de S. Paulo”.

Nela, o autor do livro “Delete - The Virtue of Forgetting in the Digital Age” (Princeton University Press) diz que a capacidade (isto mesmo, capacidade!) de esquecer, de apagar da memória, que o ser humano possui é antes de tudo uma virtude, a engrenagem de um motor que o impulsiona para adiante.

Obviamente que, para Mayer-Schöenberger, esta essencial capacidade foi seriamente arranhada nos tempos modernos. Daí a pregação para que o ser humano recupere seu potencial de esquecer – o que, convenhamos, é cada vez mais difícil. Duvida? Basta “googlar” à procura de algo ou alguém (sim, da mesma forma que o “delete” fez surgir o “deletar”, o Google gerou sua versão verbal, que pode ser traduzida justamente por descobrir no baú da Internet tudo o que talvez merecesse estar esquecido).

Aliás, o Google acaba de criar uma ferramenta - um mapa na verdade - para mostrar os pedidos de informação e de retirada de dados que recebe por país (leia aqui). Curiosamente, na primeira divulgação, o Brasil liderou o ranking. Foram 3.663 pedidos de informação e 291 solicitações de remoção (218 ligadas ao Orkut, a comunidade de relacionamentos virtuais que encontrou nos brasileiros seus mais ardorosos adeptos). Estariam os brasileiros mais expostos e mais dispostos a tornar público o que antes era privado?


A questão é mais séria e complexa do que parece. “Esquecer nos ajuda (...) a viver e agir no presente, em vez de ficar amarrado a um passado cada vez mais detalhado. Esquecer nos ajuda a evoluir, a crescer, a seguir em frente - para aprender novas coisas. (...) Pelo esquecimento, também facilitamos a nossa capacidade de perdoar os outros por seus comportamentos. (...) As sociedades devem ter a capacidade de perdoar indivíduos esquecendo o que eles fizeram, reconhecendo, deste modo, que os seres humanos têm a capacidade de mudar e de crescer”, diz Mayer-Schöenberger à “Folha”.

No mesmo jornal, um texto de João Pereira Coutinho (leia
aqui) tratou de um outro aspecto deste “admirável mundo novo”, tão relevante quanto a lembrança e o esquecimento: os relacionamentos. Ele fala das novas “amizades” – aquelas que dispensam o contato pessoal - para tratar da privacidade e desta para uma questão mais profunda: a liberdade.

Citando o escritor Jordi Soler, Coutinho escreve que “é precisamente porque existe um espaço nosso, e só nosso, que existe também a liberdade de pensarmos como entendemos; de nos reunirmos com quem quisermos; e de nos expressarmos sem temer as interferências do poder político com a sua pata potencialmente censória”.

E, por coincidência, Coutinho considera que estas questões estão intimamente ligadas à... capacidade de esquecer! “Porque sem esquecimento não existe liberdade para continuarmos ainda e um pouco mais”.

* Infelizmente, os links dos dois textos exigem senha do UOL ou da “Folha”.