terça-feira, 16 de junho de 2009 | |

Para que serve o ensino médio?

Para que serve o ensino médio? Tomada assim, isoladamente, a pergunta apresentada pelo secretário da Educação de Limeira, Antônio Montesano Neto, pode soar irresponsável. Afinal, estudar nunca é demais. Considerando o contexto em que ela foi feita, porém, faz todo o sentido.

Montesano participou hoje do programa "Fatos & Notícias" (11h30-12h45), da TV Jornal de Limeira. Questionado por mim na ocasião sobre o que está sendo feito para melhorar a qualidade da educação (um desafio nacional), o secretário colocou uma série de questionamentos para concluir que: 1) o assunto é mais complexo do que se imagina; 2) antes de mais nada, é preciso deixar a hipocrisia de lado para discuti-lo seriamente; 3) ninguém ainda parece disposto a levar essa discussão adiante.

Para Montesano, que é professor de História, é preciso antes de tudo repensar todo o currículo escolar quando se pretende falar em qualidade da educação. Afinal, o mundo mudou, a sociedade vive a era da globalização e da tecnologia e não se pode continuar ensinando da mesma forma que se fazia há 2o anos com base numa grade curricular que se aplicava há 20 anos (e nem precisa ser 20 anos, basta pensar nas mudanças que ocorreram nos últimos cinco anos para se ter uma ideia da defasagem da escola em relação à realidade dos alunos).

Hoje, crianças e jovens lidam com telas de computador enquanto nas escolas (salvo raras exceções) se deparam com lousas. Hoje, crianças são estimuladas a pensar e a agir com jogos cada vez mais interativos enquanto nas escolas (salvo raras exceções) são forçadas a ficar sentadas numa carteira de modo obsoleto copiando lição da lousa. Hoje, crianças se envolvem cada vez mais com as questões da comunidade enquanto nas escolas (salvo raras exceções) ficam “trancadas” entre quatro paredes.

Diante deste contexto, Montesano disparou: “Para que serve o ensino médio? As pessoas ficam assustadas quando eu digo isso. O ensino médio hoje serve para aqueles alunos que vão fazer o vestibular. Para que estudar o Império Carolíngio? Falei com alguns estudantes italianos e nem na Itália eles estudam mais isso”.

É uma discussão provocativa e necessária – que, parece, o Ministério da Educação ainda não está disposto a travar. Talvez se possa criar, com base na manifestação de Montesano, o Movimento “Abaixo o Império Carolíngio” como base de um novo ensino. Eu iria aderir!

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- A questão da qualidade no ensino não será diretamente tratada na Conferência Municipal da Educação, que acontece de amanhã (17/6) a sábado na Câmara de Limeira. Os quatro grandes temas a serem abordados são: ensino de 9 anos, professor substituto, jornada do professor e educação especial (inclusão).

- Segundo Montesano, o déficit de vagas para crianças de 3 a 5 anos nas creches de Limeira foi zerado. Hoje, há 700 vagas disponíveis. O problema se concentra na oferta de classes para crianças de zero a 3 anos de idade. A rede municipal de ensino tem cerca de 26 mil alunos, conforme o secretário (o número inclui as creches), além de 500 crianças que são atendidas por meio do Bolsa-Creche (Lei 3.649, de 6 de novembro de 2003).

- O projeto de criar apostilas próprias para a rede municipal de ensino, que gerou grande polêmica recentemente, foi abortado pela secretaria, diz Montesano.

PS: quem tiver interesse em saber sobre o Império Carolíngio, clique aqui.

2 comentários:

mparronchi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
mparronchi disse...

Concordo que o ensino deveria evoluir..caminhar de acordo com a evolução do mundo que estamos vivemos. Claro que algumas matérias na escola devem continuar sendo ensinadas e são essencias para a formação, mas outras são muito inúteis e os alunos acabam "perdendo tempo" literalmente, ao invés de estar aprendendo coisas que realmente farão diferença na vida deles.